quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Como as mulheres foram liberadas para cantar na Igreja...


Aconteceu assim. Depois do ano 100 d.C., não muito perto, nem muito longe, estavam reunidos todos os líderes, sob a coordenação do pastor J, o presidente do conselho. O assunto fora mencionado pelo irmão D, que era responsável por uma congregação, e sempre trazia estas inquietações polêmicas.
- Irmãos, gostaria de saber o seguinte: as mulheres podem cantar à frente do público em nossas igrejas? - inquiriu ele.

A pergunta caiu como uma bomba. O irmão C, sempre muito bibliocêntrico, pediu a palavra: - Prezados, está escrito na Lei que os levitas seriam eternamente os dirigentes do louvor e do serviço na congregação. Portanto, não vejo com bons olhos tal concessão. Não é bíblica.

O irmão F veio em socorro de D: - Mas, Miriam não cantou do outro lado do mar? Débora não cantou após Jael matar Sísera? Estamos na Graça, isto já não está anulado?

O irmão C retrucou: - Todas as mulheres que cantaram na Bíblia foram exceções. Miriam cantou porque Moisés estava ocupado com a vara e Arão o ajudava. Débora cantou porque Lapidote era frouxo, e veja que o texto diz que ela cantou com Baraque, logo não estava sozinha. Jesus disse que na Graça, nenhum til da Lei cairá porque Ele a veio cumprir. O Concílio de Jerusalém nada fala a respeito. Nem mesmo os concílios posteriores. Portanto, irmãos, paremos de inovar e voltemo-nos para a Palavra que é nossa regra de fé e prática. Aliás, no Novo Testamento nenhuma mulher cantou, exceto aquela multidão que louvou no Apocalipse, onde, provavelmente, estavam muitas mulheres, mas isso será no fim dos tempos, não vamos antecipar as coisas. Além disso estou conjecturando, aquilo seria cantar ou louvar, há controvérsias.

O irmão G gritou do fundo da sala: - Por milênios os levitas cantaram e estava muito bom, que novidade é essa? Não vejo necessidade disso agora. Quem foi que inventou esta história, foi você D? Quem daria notas melhores e mais afinadas do que os levitas?

Os presentes se dividiram e a balbúrdia cresceu. O presidente, irmão J, solenemente bateu seu martelo de nogueira na mesa e pediu silêncio. Em seguida, disse: - Silêncio! Vamos ouvir o irmão A. Ele é um ancião e há muito faz teologia interpretativa para nós. O que o senhor tem a dizer?

- Bem - pigarreou A - o irmão C já bebeu na minha fonte. De fato, não há no Livro Sagrado quaisquer menção a mulheres cantando, salvo raríssimas exceções. Isso é uma inovação. Muitas mulheres ajudaram Paulo, alguns nomes, inclusive, são ambíguos, não há como saber se são de homens ou mulheres, é o caso de Júnias. Então, enxergo como uma inovação desnecessária, importada do Ocidente. Na Bíblia só há exceções para os casos em que faltam homens. É o caso de Débora.

- Ok. Vamos encerrar a reunião e o assunto - disse o presidente - Seja transcrito na ata que tal posição é a adotada por nós.

D ponderou: - Com licença, presidente. O salmo 34, uma cantiga de ninar para as crianças se sentirem nos braços da mãe, foi "cantado" por Jesus na cruz. Não é possível que em todos estes anos nenhuma mulher tenha cantado o mesmo salmo, enquanto embalava seus filhos. Me lembro de ter passado e visto várias mães cantando com e para seus filhos e até mesmo na igreja já observei esta atitude. Algumas até já cantaram no microfone da minha congregação...

A reunião veio abaixo: - O quê?!!!

O irmão C se imiscuiu: - Meu prezado irmão D, temos que decidir se vamos seguir a Palavra de Deus, ou se vamos seguir sua lógica. Que história é essa de dar oportunidade às mulheres para cantar? Ou o senhor segue a Bíblia ou se torna um herege. Que eisegese barata!

Uma voz baixa partiu do lado, era L: - A verdade é que as mulheres já cantam em várias de nossas igrejas. Melhor, ministram louvores para todos nós. Eu diria que ensinam cantar mesmo, e algumas vezes cantam melhor que os homens! Confesso que já pensei em colocar uma delas como maestrina.

C voltou-se contra ele: - Mas Paulo disse que a mulher estivesse calada e não somente isso, não a permitiu ensinar! Se há alguma congregação na qual as mulheres andam ensinando corinhos ou hinos, então as heresias já tomaram conta de nós, especialmente se seus maridos estiverem no meio da congregação! Era só o que faltava, vamos ouvir o canto das sereias!

N gritou do outro lado: - Ainda bem que nessa reunião só tem homem! Podemos dizer o que quisermos ser contestação.

V ainda tentou: - Meu irmão C, e você também N, estou vendo que o problema é freudiano. Os senhores não querem ouvir a voz das mulheres para não se embevecer com elas. Têm medo de ouvir um hino cantando por uma mulher? Ou que elas cantem melhor do que nós?

O irmão P entrou no debate: - Sabe qual é o problema? O senhor, irmão J, nunca estabeleceu uma regra uniforme no assunto. Aí uma mulher canta aqui, outra canta ali, o pessoal acaba gostando, depois para proibir, dá nisso. Temos que ter uma regra uniforme: mulher não canta e ponto final. Vocês sabem como as mulheres são habilidosas, acabariam cantando a qualquer momento.

D jogou lenha na fogueira: - Não sei qual o problema da mulher cantar na igreja. Lembro das prostatis, que tomavam conta das comunidades quando muitos homens de um local morriam. Elas cantavam sim com os que ficavam, ainda recitavam textos da Torá e lideravam reuniões comunitárias, uma coisa que fora proibida no Talmude.

C cortou a argumentação: - Estão vendo? Ele quer tomar a exceção pela regra. A regra é mulher não cantar, nem falar, nem ensinar. Em todo livro de Atos, qual mulher cantou? Não existe em toda a Bíblia o termo cantora! Fiquemos com Paulo e ponto final presidente.

V voltou: - Prezado C, sua mulher canta em casa?

C vociferou: - Claro! Paulo disse que em casa elas podiam cantar, até mesmo tirar dúvidas com seus maridos. Na igreja é que não podem cantar, liderar ou ensinar! Eu não quero mulher nenhuma, afora minha esposa e em casa, cantando no meu ouvido.

V incendiou: - Minha casa é uma extensão da igreja. Lembra que muitas igrejas começaram em lares? Na Bíblia até galo canta, porque minha mulher não cantaria? Sofonias manda as filhas de Sião cantarem, se fizeram isso ou não é outra história!

D disse: - Por falar em ensinar, as mulheres que ensinam às crianças na sinagoga estão erradas?

S ajuntou: - É, estão erradas? Paulo disse que não eram para ensinar!

C, sempre fiel a seu estilo, disse: - A regra é mulher não cantar, nem falar, nem ensinar, é a letra da Lei, não sou eu quem faz as regras. Temos colocado mulheres para ensinar às crianças porque elas são mais jeitosas e a maioria dos homens não quer ensinar crianças, é uma questão pragmática. São muito irriquietas, etc e tal. Você, S, quer ensinar crianças? Outra coisa: quem leva o filho para o Bar Mitsvá? É o pai, D, é o pai. O pai é quem declara a maioridade dos filhos.

D disse: - Não entendo. Agora pode. Mas cantar no púlpito não pode. É uma questão de conveniência. É o caso daquelas mulheres que estão sendo enviadas como missionárias? Quem vai cantar no culto delas enquanto homens não se convertem.

C retrucou: - A regra é só enviar homens ou casais. Em todo o Novo Testamento nenhuma mulher foi enviada, nem há um versículo que apóie tal iniciativa. A única exceção de missões lideradas por uma mulher foi a jovem na casa de Naamã.

S interveio: - Ah, mais ali ela não foi enviada, tinha sido sequestrada. A questão é: mulheres que estão sendo enviadas por algumas de nossas igrejas. Sinceramente, não sei como se faz uma aberração dessas.

L disse: - Acho que poderíamos deixá-las cantar uma vez ou outra. Tem até uns hinos que os homens cantam que foram compostos por mulheres. Ela pode compor, mas não pode cantar? E para compor ela não cantou? Além do mais, não sei nas igrejas de vocês, mas vez por outra na minha as mulheres são usadas em cânticos espirituais. O que fazer? Proibir o próprio Espírito Santo de usá-las?

T ajudou: - Lembremos que elas são maioria.

C interveio novamente: - É assim que nasce uma heresia. Primeiro, uma idéia conveniente, apesar de absurda, depois a maioria, e vão esquecendo o que disseram os santos apóstolos. Quem compôs os salmos? Homens. Quem cantou na prisão? Paulo e Silas. Ora essa!

J sempre político ponderou: - Quem aqui canta?

Todos levantaram os braços.

- Dos que levantaram o braço, quem é filho de Levi?

A ficha caiu. A reunião terminou, as mulheres continuaram cantando, e continuam até hoje.

Pra quem já pegou o bonde andando, ou seja, as mulheres cantando, está aí a história até então não contada.

Publicado aqui, três anos atrás.

20 comentários:

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Daladier, do jeito que você vai, seu blog será logo, o mais frequentado na blogosfera evangélica (principalmente pelas mulheres rs, rs, rs).

Segue abaixo um link sobre "rabinas" no judaísmo.

http://www.pucsp.br/rever/rv2_2005/t_kochmann.htm

Um abraço!

Daladier Lima disse...

Conheço a história da rabina uruguaia Tânia Kochman, e também a de Luciana Pajecki, a segunda e terceira rabinas do Brasil, desde 2005. Na época foi um espanto. Conhecia alguns argumentos apresentados por ela, dos escritos de William Barclay e dos links de judaísmo que já visitei. É triste que meu comentário sobre tais influências na Bíblia tenham sido menosprezados.

Gostaria que nos imaginasse décadas atrás neste debate retratado no blog?! Mas vamos adiante, que o futuro é o que interessa.

Ver as argumentações contrárias nos blogs é uma coisa deliciosa para o raciocínio. Especialmente quando eles mesmos se contradizem. É o caso do nosso amigo comum, bem reconhecido quando tenta validar o louvor das mulheres com o simplista "na Graça e na Lei". Uma lástima, e ainda estabelece distinções bem claras sem quaisquer argumentos baseados em "versículos", como é do feitio dele. Fazer o quê?

Eu já estou tão encaliçado destas contradições que nem ligo, parece que não é comigo. Só entro para evidenciar as tais mais e mais, basta ler suas contra-argumentações. Afinal, a melhor forma para denunciar um erro é deixar o autor falar. Quanto mais fala, mais se contradiz.

As mulheres são bem-vindas, podem visitar o blog à vontade. Especialmente, as pastoras.

Daladier Lima disse...

Tem uma entrevista com Luciana em "http://www.taniamenai.com
/folio2/2005/07/luciana_pajecki.html", que foi publicada em NoMínimo, uma extinta revista eletrônica que eu acessava todos os dias.

Abilo disse...

a paz do Senhor meu irmao porque toda essa dissimulação esse é um espaço publico varias pessoas visitam porque você não é transparente e fala que você ta de birrinha porque nimguém apoia essa sua "estória" de que paulo era machista, esse "C" e esse "amigo em comum" para com isso rapaz e fala as claras.

Até achava você inteligente mas depois que disse que "paulo era machista" fiuei com pena de você porque quer achar um "canôn dentro do canôn".é uma lastima.

Daladier Lima disse...

Prezado Abilo,

Isto não é dissimulação, é uma demonstração prática da incoerência de não se permitir o ministério às mulheres, assim como não se "permitiu" o ministério feminino no louvor e ele vem sendo praticado ao longo dos anos.

Por que não sou transparente? Fiz uma analogia. Dêem os nomes que quiserem. A essência incoerente é a mesma. É o caso do evangelho entre os gentios, podia ser Pedro, podia ser Mateus, ou qualquer outro díscipulo a se levantar contra. Os nomes não influem em nada, as idéias é que denunciam a farsa.

Você acha que ninguém apoia porque certamente não acompanhou os outros posts. Muitos têem medo de expressar sua posição, o que é diferente. Sabe o que é engraçado? Os que não apoiam são os mesmos que estão enviando missionárias solteiras, os mesmos que permitem o ministério do ensino através das mulheres. Enfim, a mesma incoerência. Isto não he salta aos olhos?

Leia meu post sobre o machismo de Paulo e você verá que o que eu disse é que Paulo foi influenciado pelo contexto machista de sua época, se ele era machista ou não é outra história, e se fosse qual o problema? Infelizmente, muitos de nós somos acostumados a ler "palavras cruzadas" (o que não é ruim), quando se deparam com um texto não conseguem discernir as colocações. Assim todos os escritores judeus foram influenciados por seu contexto cultural. A Bíblia fala ou regula o dote, a escravidão, a omissão das mulheres na genealogia, a obrigação da mulher provar que não tinha traído o marido quando acusada (e outras coisas, dê uma pesquisada no blog que você vai ver). Por que ela não seria influenciada pelo contexto judaico? Em que isso tiraria sua inspiração? É preciso enxergar a tênue linha que separa todas estas coisas.

Não entendi o que você quer dizer com falar ás claras? O que eu defendo é conhecido. Pra começar a ditar regras, por que você não informa seu nome completo, e divulga seu perfil?

Não me ache inteligente. É uma medida relativa. Nem tenha pena de mim, tenha pena de você mesmo com um pensamento tendencioso e incoerente. Na Bíblia não quero criar nada, leio-a e pesquiso, mas consigo enxergar seu panorama, enquanto outros memorizam versículos e seguem interpretações alheias.

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro Daladier,
Graça e Paz,
Mais uma vez vc. arrebentou com esse artigo.

Me diga, quando e onde foi essa "convenção"? rsrsrsrs.....

Vc. sabe dizer porque só mulheres dirigem Círculo de Oração?

Porventura os homens estariam proibidos de orar?

Brincadeirinha só para refletir!

Um abraço e vivas às mulheres!

PS.Não bata tanto no Abílio, estou quase com pena dele..

Viva às mulheres!

Daladier Lima disse...

Meu prezado Pr Carlos Roberto! Obrigado pelo elogio, mas não mereço tanto. É que ás vezes me dá na telha de fazer uns textos um pouco diferentes, somente para ampliar o raciocínio. É um exercício interessante.

Essa convenção aconteceu em algum lugar do passado, com certeza... rsrsrs

Ah! As mulheres dirigem o Círculo de Oração porque muitos homens não gostam de orar, ou trabalham de dia. Mas tem uma justificativa interessante: muitos líderes gostam de colocar cargas pesadas sobre os outros, mas são incapazes de movê-las com os dedos, quanto mais com os joelhos?

São fatos dessa natureza que denunciam nossa incoerência. Veja mais um. Eu era secretário-geral das Uniões de Mocidade de nossa convenção, quando surgiu o seguinte questionamento: por que os líderes de congregação estão escalando obreiros para os cultos trimestrais da União de Jovens? Ou seja, muitas dessas uniões eram dirigidas por mulheres, e os dirigentes das congregações não toleravam que um dia a cada três meses, no dia da reunião da juventude, as portas eram abertas e as tais dirigissem o culto! Para dissimular escalavam os obreiros, que muitas vezes nem iam ás reuniões semanais.

Em outras palavras, para sair ao campo evangelizando, para reunir e motivar a juventude, para orar com eles todas as semanas, podiam, mas para dirigir aquele culto trimestral não podiam. Na ocasião aconselhamos o contrário, mas não tínhamos força alguma perante a discriminação. Isso foi há três ou quatro anos, não sei como está hoje.

sandre disse...

Daladier,

você tem que tomar cuidado, com a Santa Inquisição, da igreja,
Afinal você é um inovador,
Colocando histórias sobre mulheres levitas, rabinas, e defensor da ordenação feminina.

Afinal uma mulher pode ser missionária, desbravar um campo, e depois tem que ser um homem, para pastorear as ovelhas, afinal a bíblia não permite que elas sejam pastoras.
mas elas podem evangelizar, podem orar, podem batizar, se não houver quem batize, podem aconselhar se não houver quem aconselhe, podem até dirigir um culto, se não houver alguém preparado.
Afinal ela esta em um campo onde não existem igreja, ela vão fazem tudo isto, e depois vai um homem ordenado e preparo, para o pastoreio.

Afinal elas cumprem o mandato divino, enquanto os lideres, estão em seus gabinetes, lustrando seus títulos e contando seus dizimos.

Abçs
Sandre

Daladier Lima disse...

Meu irmão Sandre, bem vindo aqui. Penso que temos de mudar muito ainda. Existem conceitos arraigados, esse é um deles, cuja existência, como mostrei no texto, é totalmente descabida.

Vamos aguardar, orando!

Abraços

Ednaldo disse...

Caro irmão Daladier, só hoje pude visitar o seu blog e ler seu post.

Achei muito bom o seu post, principalmente por refutar o atual modismo de se denominar de levitas os ministros de louvor. Porém continuo defendendo minha posição de que mulheres como oficiais da igreja, NÃO!!!

Em Cristo,

Ednaldo.

Daladier Lima disse...

É, prezado Ednaldo, vez por outra posto reflexões, é o combustível do blog. Se concordas ou não, publico os comentários.

O que esse último post tem de interessante, e foi destacado por alguns aqui como o Pr. Carlos Roberto, é mostrar como idéias radicadas no insconsciente coletivo facilmente se esboroam.

Quando se decide que uma mulher não pode ser diaconisa, mas pode ser dirigente de Círculo de Oração (uma função a meu ver muito mais complicada), é uma prática contraditória. Não acha? Mas, por que, uma é aceita sem questionamentos e a outra não? Chamo atenção para isso.

Obrigado por sua visita.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Irmão Daladier, parabéns pela forma criativa de expor suas opiniões sobre esse assunto tão polêmico. Vejo que precisamos aprofundar nossos debates em torno do diferencial ismo e o igualitarismo, pois o cerne da questão está nessas duas posições teológicas...

Gutierres Siqueira
www.teologiapentecostal.blogspot.com

Daladier Lima disse...

Olá Prezado Gutierres, prazer em tê-lo aqui.

Realmente, precisamos aprofundar o estudo deste assunto. Veja que eu cito o caso das prostatis, pouco conhecido no judaísmo, sempre com seu viés machista. Não há como dissociar as duas coisas.

Mas, mesmo o judaísmo evoluiu ao ordenar rabinas, reconhecidas explicitamente pela comunidade. São poucas, mas as que há têm respaldo comunitário.

Nossas irmãs não se arrogam nenhum título, não defendo isso no post. Chamo a atenção para a incoerência entre o trabalho que desempenham (aqui tem uma reitora) e a negação do título. Ou não fazem mais nada e negamos seu espaço, ou fazem e são reconhecidas por isso. Ou então o quê? Um arremedo? Ou travestimos sua chamada enviando missionárias, sem respaldo bíblico?

O que não deveria acontecer é a CGADB ter uma posição diferencialista, ao mesmo tempo em que convida mulheres para palestrar em seminários, o que segundo a interpretação corrente seria reservado aos homens. Na teoria diferencialista, na prática igualitarista?

Está posta a questão, vamos aguardar por um dos piores senhores que existem: o tempo!

Edmilson disse...

Parabéns Pr. Daladier pelo post.
É assim mesmo que acontecem as coisas.
Na última semana aqui na minha cidade, houve o congresso dos círculos de oração e quem ministrou a Palavra? Uma irmã. E lá estavam os pastores e todos os obreiros sentadinhos se gloriando na ministração da "pastora". Ihh, errei, se fosse pastora, quem sabe, eles não estariam tão bem sentados assim.
Mas são dessas incoerências que vivem as ADs. Por exemplo, eu até hoje não entendo porque os homens podem deixar os pêlos de cima dos lábios crescerem e os da face não.

Em Cristo

Edmilson
São Leopoldo/RS

Daladier Lima disse...

Prezado Edmilson, prazer por sua visita. Me permita a ironia:
Que heresia? Uma mulher pregando para homens? O que diriam nossos comentaristas mais diferencialistas?

Continue nos visitando.

Gabriel Nagib disse...

Certamente uma bela crônica. Interessante como ela se aplica a tantas outras "verdades incontestáveis" das igrejas.

Pastoragente disse...

Ilustração muito bacana (é ilustração mesmo?).
O irmão J demorou pra falar, mas quando falou, "calou".
Daladier, Deus te abençôe e te cubra no meio dessa fogueira porque as incoerências e contradições de muitos são tantas que haja post pra trazer consciência.
Abração.

Walter Luís de Azevedo Sabino disse...

Nossa, o texto foi tão bem "interpretado" q eu já estava me queimando de raiva dos extremistas... heheehhe

Esta frase me fez bolar de rir:

- Dos que levantaram o braço, quem é filho de Levi?

E foi o final perfeito... Bom trabalho, irmão, gostei da analogia.. Seguirei seu blog.. :)

Gabi-Net Pastoral disse...

O último presidente da Convenção Batista Brasileira, Pr. JOSUÉ MELLO SALGADO, a quem muito admiro, escreveu um texto, publicado em 2010, no Jornal Batista, digno de ser lido por todos nós, que vai ao encontro da peça dramática que, com certeza, estará sendo apresentada pelo menos nos acampamentos. Ele mostra um confronto histórico entre o "tudo que não é permitido é proibido" e o "tudo que não proibido é permitido". Vale a pena: http://pastorazenilda.blogspot.com/2010/07/consagracao-feminina-por-que-pensamos.html. Daladier, meu forte abraço. A "peça" merecia ser reeditada. É muito inteligente e nos mostra a necessidade de sermos mais rigorosos com o que falamos.

Gabi-Net Pastoral disse...

Com respeito ainda à inconsistência de nossos discursos, lembro que um dia eu estive conversando com um colega que queria provar que Deus fez o homem do pó da terra com a constatação cientifica de que mais de 900 elementos que há na terra há também no corpo humano. Eu respondi a ele: "Irmão, você acaba de apoiar Darwin." É claro que há mais ponto de semelhança entre nós e um chimpanzé do que entre nós e um tijolo. Se lemos a introdução da Galeria dos Heróis da fé, percebemos que devemos crer no Gênesis pela fé e não por comprovação. A peça sobre o cântico feminino aborda a inutilidade de nossas explicações quando a fé basta. A propósito o primeiro herói da fé, Abel (Hb 11.4) Só foi parar lá no panteão de Deus porque não acreditou na dureza da maldição sofrida por Adão. Não é? É só ler em Gn. 3 para saber que a terra estava amaldiçoada, o trabalho estava amaldiçoado, e o homem estava amaldiçoado. Abel entregou a Deus o resultado da terra, do trabalho e do homem. E Deus recebeu tanto a oferta como o próprio Abel. Mulheres como Raquel, Sara, Ana, para quem a dor do parto era herança da sua primeira ancestral, não acharam que estavam abençoadas por serem estéreis. Estavam livres da dor do parto, mas isto era bênção? Certas questões não muito explicadas não podem ser aproveitadas para proibir. São coisas não reveladas e que pertencem a Senhor nosso Deus (Dt. 29.29). Na dúvida temos que entender a lei de Deus como mais benéfica e não como mais maléfica. Mais liberal e não mais castradoras. Ev. Daladier e demais postais, paz!!!
WILSON BARBOZA