segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Inversão de valores

Ouço o cair de inúmeros cacos
Vasos quebrados por mãos invisíveis
Sobejam as ribaltas vazias risíveis
Não há quem ajunte os cacos

Humildade era o que os punha de pé
Mas cansaram preferindo impostura
Perderam-se nas ruas da amargura
Agora naufragam e menosprezam a fé

Nem o teu Natal foi poupado
O culto simples esquecido, ignorado
Viceja o banco vazio, adornado
Quase nenhum vaso poupado

Arfante lembro-me da simplicidade
Jesus no coração, paz na alma
Sem pressa, sem agonia, com calma
Louvor sincero, tranquilidade

Ah! Esse pretérito e teimoso tempo
Que inquieta e inquire a alma
Vidas à beira do caos, do trauma
Ensimesmadas guirlandas ao vento

Somos como uma sombra, diz a Palavra
Passamos, voamos e o resto é história
Reduzidos à insignificância da vã glória
A dor do que na cova a pedra lavra

Oh! Cristo, minh'alma não esqueça que
Tua bendita noite não foi apenas uma Ceia
Um brado de lamúrias qual densa teia
Mas foi vida, humildade e poder

Que não me desapegue dos teus e meus irmãos
Que ao vir sempre à tua casa, o maior prazer
O mundo não me engane, e me ponha a dizer
Que doentes não precisam de médico, mas os sãos

Igarassu, 26 de dezembro de 2011

1 comentários:

Ricardo André disse...

Caro Daladier,

O blog irmaoricardo.blogspot foi e excluido, fique a vontade para retirar o link.

Obrigado!

Ricardo.