sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Por que os pastores priorizam as mulheres nos trabalhos mais difíceis?



Li o recente post do Pr. Ciro Sanches Zibordi sobre o recorrente tema da ordenação pastoral feminina. Leiam novamente a frase, li, não comentei, nem comentarei por lá. As razões? A maioria dos meus dez leitores já sabe. Nada pessoal, pelo contrário, ao menos da minha parte. Ele repisa alguns aspectos de sua posição expressa em outros posts. A tônica do post é que Deus tenha criado a mulher depois do homem, que Jesus tenha chamado doze homens, que na Bíblia só se fale da ordenação de homens ao ministério, etc. Ele foi até ameno com os contrários à sua posição e equilibrado no que concerne a machismo e feminismo, concordo com ele nesse ponto, exceto por querer eliminar a cosmovisão paulina. Mas deixa pra lá...

Já que ele deu o título Por que Deus prioriza o homem na família e no ministério? Tomei a liberdade de retorquir com outra pergunta: Por que o ministério prioriza a mulher nos trabalhos mais difíceis? Isso! Por que para o Círculo de Oração, aquele agradável trabalhinho de oito horas num só dia (ao menos aqui em Pernambuco, vai das 08:00 às 16:00h!), somente mulheres? Não poderia ser um diácono ou presbítero aposentado? Aliás, poucos pastores, alguns por motivo de trabalho como é o meu caso, comparecem ao mesmo. Sem falar que as irmãs se reúnem mais duas vezes na semana, ou seja, mais quatro horas somente no trabalho do Círculo de Oração!

Por que boa parte do trabalho missionário, aquele que exige dedicação exclusiva, é prioridade das mulheres? Por que somente mulheres dirigem Orações Missionárias (por aqui um trabalho de três horas semanais!)? Por que ensinar crianças, aquela turminha bem fácil de manter coesa e atenta, é quase exclusividade das mulheres na EBD? Por que será que o Círculo de Oração Infantil (essa é fácil: fazer criança orar!?) é sempre dirigido por mulheres? Por que a prioridade ministerial para as mulheres quando o negócio é jogral, aquele facílimo trabalho de criar, ensaiar, motivar, orar para que ninguém esqueça o que foi memorizado e a igreja receba a mensagem?

Por que aprouve ao ministério priorizar no louvor as mulheres, que são sete em cada dez no cântico em nossas igrejas? Por que elas ocupam postos chave nos corais, vocais e grupos de louvor (Oh! Como é fácil ensaiar com um grupo e fazê-lo cantar maravilhosamente!)? Por que elas são priorizadas pelo ministério para palestras quando o assunto se situa na área de psicologia, sociologia e antropologia? Por que quando é  para cuidar de crianças e jovens nos orfanatos a prioridade é feminina? Idem para os asilos. Por que para criar trabalhos decorativos e/ou que exijam habilidade manual a prioridade é para as irmãs?

Se for necessário, podemos afundar o balde, ou melhor aprofundar o assunto. Por exemplo, por que num caso de adultério ministerial a pergunta prioritária é: A mulher lhe dava assistência, sexual, inclusive? E quando se descobre que ele é o mentor, por que é ela que tem que ficar se explicando e carregando o piano? Por que é prioritário à mulher do obreiro perdoá-lo quando falha, mas é defenestrada quando ela é a culpada? Por que para cuidar dos filhos de obreiros na igreja a prioridade é da mulher? Sim, por que ela os retém no culto, os mantem sentados e ordeiros, se preocupa quando conversam, ameniza os comentários negativos de outrem que não entende o comportamento infantil, enquanto o marido flana no culto? Por que quando um filho de obreiro se desencaminha a prioridade é concluir: a culpa é da mulher? E quando a filha de um obreiro arruma um namorado não evangélico a prioridade é dizer: também, a mãe é uma cuviteira*? Se a filha engravidar não há como priorizar outra resposta: a culpada foi a mãe!

Entre prioridades e prioridades preferiria a divina. Mas os homens buscaram muitas invenções... A hipocrisia é que me incomoda!


Para dar um toque diferenciado e elevar o debate da dúvida a respeito do nome Júnias, sugiro a leitura da página 2 de um documento intitulado O Papel das Mulheres no Ministério conforme descrito nas Sagradas Escrituras, hospedado no site das Assembleias de Deus americanas. Nele está escrito:  Junia was identified by Paul as an apostle (Romans 16:7). Beginning in the thirteenth century, a number of scholars and translators masculinized her name to Junias, apparently unwilling to admit that there was a female apostle. However, the name Junia is found more than 250 times in Rome alone, while the masculine form Junias is unknown in any Greco-Roman source. Paul clearly was a strong advocate of women in ministry.

Clique aqui para ler o documento completo e tirar suas próprias conclusões. Infelizmente está só em inglês. Nada que um tradutor do Google não resolva.


* Pronúncia nordestina de alcoviteira. Pessoa que vive arrumando namorado para os outros.

4 comentários:

Robson Aguiar disse...

Seu texto é interessante, também discutível. mas, acho que as tarefas não tem haver com a posição ministerial. Poderíamos elencar muitas tarefas masculinas que não são executadas pelas mulheres, isso, também não tem ligação com o cargo eclesiástico.

Afinal, se tarefas tivesse ligação com liderança, a julgar pelo árduo trabalho feminino da época, Rebeca é que seria a Matriarca.

Lembremos também que Jesus trabalhou como escravo ao lavar os pés dos Discípulos, e isso não desfez sua liderança.

Mas, quero parabenizar o irmão por sua postura em defesa do ministério feminino.

Apesar de ser contrário ao ministério PASTORAL das mulheres, vejo a questão como assunto periférico, que não compromete a salvação, mas vale a discussão.


Em tempo, um feliz 2012.

Daladier Lima disse...

Prezado Pr. Robson, talvez não tenha entendido o busílis. Se existe uma prioridade para o homem no trabalho ministerial, por que a parte mais complicada o ministério transfere para a mulher? Ou seja, qual a razão para não haver homens dirigentes de Círculo de Oração? Um diácono, presbítero, pastor. Por que não? É um trabalho ministerial como qualquer outro. Não faço disso uma obsessão, é que tem uns blogueiros que querem justificar o injustificável. Contestados, se calam. Mas o pior é a dissimulação. Se vamos cumprir a Bíblia, neguemos o púlpito às mulheres. Ponto final. Do contrário, é somente marola.

Robson Aguiar disse...

Pastor Daladier, sei que sua postura é equilibrada e que o irmão é aberto ao diálogo.

Soube que a CEADIF, já está consagrando mulheres ao ministério pastoral. Este assunto deverá ser levado para Geral.

Acho que será um momento oportuno para o debate. Penso que seria interessante sua participação.

Daladier Lima disse...

Prezado Pr. Robson, o caso da CEADIF, salvo engano, já foi abordado numa Convenção, mas nada foi decidido. VOu pesquisar.