segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Desafiados por Deus

Poucas passagens da Bíblia são tão desafiadoras como a de Ezequiel 37. Esta semana tivemos um excelente estudo no tema, proferido pelo Pr. Emerson Gomes, de Igarassu/PE, por ocasião do aniversário de nossa Campanha Evangelizadora. Foi uma ministração poderosa e cheia de unção, abordando o assunto por um ângulo diferente, mas ortodoxo. Gosto de pregações do tipo, é um recurso que eu mesmo uso. Tanto que decidi escrever algo a respeito. Não é um tratado, é uma pequena reflexão.

É regra da homilética responder numa exposição a quatro perguntas sobre um texto: Quem? Quando? Por que? O que fazer? Ora, os protagonistas da história são, literalmente, o profeta, os ossos e Deus. Não esqueçam este último, afinal tudo depende do seu absoluto controle. No contexto remoto, a passagem insere a restauração da nação israelita. São, portanto, quatro os atores do texto.

Indo adiante, precisamos responder aos detalhes geográficos e históricos do texto. Nada melhor do que recorrer a livros sobre a história de Israel. Nas Bíblias mais modernas há uma breve introdução que, por vezes, supre a necessidade de situar historicamente o que lemos. O nome Ezequiel significa Deus fortalece. Provável membro da família sacerdotal dos zadoqueus, ascendentes durante as reformas de Josias (621 a.C.). Foi deportado para a Babilônia (1:1; 33:21; 40:1) em 597 a.C. e estabeleceu-se em Tel–Aviv, próxima ao rio Quebar. Foi contemporâneo de Jeremias.

Como deduz-se, esteve entre os cativos em Babilônia, aonde o povo judeu purgou sua idolatria. Ezequiel é um livro de juízo. Deus mostra porque puniu seu povo. Mas, do capítulo 33 em diante há uma vívida esperança desenhada no coração do Senhor. Ele restaurará seu povo! Já começamos a responder à terceira pergunta. Foi o pecado que tornou o povo escolhido sem vida, ossos sequíssimos e sem alternativa. O resto vocês já sabem. É o pecado que mata hoje nossos concidadãos mundiais.

O ponto aonde quero chegar é o desafio que Deus coloca diante do profeta. Para assim fazer frente à quarta pergunta. Antes, porém, pensemos naquele homem levado pelo Espírito Santo até um vale sem vida. Não, ele não estava numa elevação daquele vale (como dá a entender a imagem acima), mas, segundo o texto, passeava por entre eles, analisando-os tão detidamente que calculava sua quantidade e avaliava sua sequidão. Era desolador e nauseante. Inquirido sobre a possibilidade de que voltassem à vida, respondeu sabiamente; Senhor, tu o sabes!

Deus, porém, que não prescinde da participação humana na história, não ordenou nada aos ossos, mas ao profeta. Chegamos assim, sem querer, à evangelização mundial. Urge em nossos dias lembrarmos que temos um chamado universal, que somos peças-chave no programa salvífico de Deus, levando outros a conhecerem ao Senhor Jesus. Deus sabia e sabe de tudo, mas sem a ousadia do profeta em cumprir imediatamente a ordem divina nada iria acontecer. Deus não quer falar a ossos, por alguma razão desconhecida prefere nos empoderar para fazer isto!

Enquanto eu profetizava... é  a narrativa vívida do profeta. Mal ele havia terminado de falar, Deus já havia iniciado o cumprimento das promessas. A ciência afirma que nenhum de nós tem ossos iguais em tamanho e formato, especialmente, após anos de caminhada e desgaste. Corria-se o risco de uma tíbia ou fêmur não se encaixar em outra pessoa. Assim o milagre está não apenas em ressuscitar o exército, mas que cada osso procurasse o esqueleto correto!

Mas ainda não estava completo o trabalho de Deus. Tinha-se um exército. A ciência diria: temos um clone, criamos um ser vivo! Mas não havia vida. O sistema biológico que sustenta a existência do corpo. Insira-se aí a identidade, o caráter e todos os aspectos psicossomáticos que nos distingue. Novamente era preciso confiar. Ezequiel foi até o fim com galhardia.

Hoje somos desafiados novamente. Ser profeta não é esse oba oba que se ouve nas grandes redes e na mídia. Ao contrário, nas ruas, em casa, na igreja, na web, Deus quer pessoas que ouçam a sua voz, sejam guiados por seu Santo Espírito para dentro dos lugares de morte, afim de profetizar vida. A questão é se nós estaremos em total dependência de Deus, a chave para compreender o sucesso do profeta, ou vamos fugir e colocar nossas conveniências em primeiro plano. E nos tornaremos cada vez mais parecidos com ossos secos, sequíssimos!

Há um grande vale de ossos secos diante de nós, se vai ser um exército Deus já sabe, vamos profetizar vida em seu nome! Cuidado com a tentação antibíblica registrada por Ronaldo Lidório, em um dos seus artigos: querer a terra arada, sem tocar no arado.

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