domingo, 31 de agosto de 2014

Por que debater Marina?


Alguns leitores do artigo anterior ficaram enfurecidos porque expus algumas contradições da candidatura de Marina Silva. Já disse o Reinaldo Azevedo que o segredo de aborrecer é dizer tudo, portanto, lá vai. Por que debater este assunto?

1) Porque está em jogo o futuro do Brasil. A discussão não é sobre comer cuscuz ou pão com ovos no café manhã, é sobre quatro anos de decisões boas ou más, que farão a diferença no dia a dia das pessoas e repercutirão por longos anos. Nenhum cidadão pode se alienar deste debate;

2) Porque o discurso comum da esquerda, principalmente, e que se espraia por todo espectro ideológico brasileiro é culpar os outros pelo não crescimento de nosso País. Apesar do domínio tecnológico americano poderíamos fazer muita coisa e não fizemos. Oitenta por cento é culpa nossa. Gerimos mal nosso suado dinheiro, a corrupção está entranhada nas instituições, o PT privatizou o Estado. Isso é culpa dos nossos governos!

3) A candidata aparece com um discurso de novidade, mas olhando com lupa, sem emocionalismo, é mais do mesmo. Marina, sem sombra de dúvidas, é uma extensão ideológica do PT. Será o quinto governo petista, numa versão mais radical das ideias. Leiam o programa de governo dela e vocês terão tudo que temos hoje. Somente o apoio ao decreto 8.243 já é um resumo do que pensa a candidata. Infelizmente, muita gente nem sabe do que se trata. E quer debater... aí não dá;

4) Tendo a votar em Aécio ou nulo. Gostaria de discorrer sobre isso. As alegações que leio é que o candidato é privatizante e neoliberal, além de num eventual mandato não priorizar o Nordeste. Apesar dos investimentos do atual governo em Pernambuco, por exemplo, dos R$ 500 bilhões previstos no PAC, apenas R$ 20 bilhões destinam-se ao nosso Estado, não chega nem a 10%. Se pensarmos que Pernambuco é o segundo maior Estado do Nordeste em termos de economia...

Destaco num parágrafo a questão da privatização. De fato FHC privatizou muitas empresas, especialmente as de telefonia. Vamos pensar: quanto era uma linha telefônica antes disso? Por aqui se transacionava em torno de R$ 10.000,00, mas já chegou a valer um carro! Sendo que não haviam linhas disponíveis! Estas transações eram feitas entre particulares. Hoje, na maioria das vezes, você telefona e em 24 horas a linha está instalada. Com custo praticamente zero. As contas eram mais caras, eu cheguei a pagar faturas de R$ 800,00!

Outro detalhe que o povão não conhece é que a fatia mais gorda dos recursos para a privatização de tais empresas vieram dos fundos de pensão de trabalhadores de estatais, como é o caso da Vale do Rio Doce. Com a valorização das empresas o fundo de pensão engordou o patrimônio! Ou seja, os próprios funcionários, através dos fundos de pensão corporativos, são os detentores de boa parte do capital bilionário das empresas privatizadas.

Outra coisa: sem a privatização não teríamos diversas das facilidades que temos hoje. Pois o Estado brasileiro é burocrático, perdulário e lento em suas decisões. É o caso da Petrobrás que manteve-se estatizada. Resultado: nós temos a gasolina mais cara entre os países produtores do combustível e a empresa foi do 12º lugar entre as empresas mundiais ao 120º! Má gestão, corrupção, superfaturamento entre outras mazelas denunciadas pela grande imprensa.

Diversas empresas privatizadas são alvo de reclamações dos usuários. Mas temos que levar em conta dois aspectos: a) Por que o Governo Lula não estatizou eventuais empresas problemáticas? b) Por que não se empoderou, em doze anos, as agências reguladoras para pressionar pela qualidade do serviço de tais empresas? Muito pelo contrário, o que aconteceu é que enquanto se demonizava as privatizações de FHC, ao mesmo tempo se buscou acordos como o que levou o filho do próprio Lula a ser sócio da Oi e se aparelhou tais agências com afilhados políticos incompetentes e corruptos.

Não estou debatendo Marina, estou debatendo o futuro político, financeiro, institucional, democrático de nossa Nação. Ocorre que ela é candidata e seu programa e pensamento afrontam alguns preceitos nos quais acredito nos quesitos apresentados. Não me venham com essa conversa mole de que é crente, evangélica, etc. Não voto num candidato apenas porque evangélico. Ele precisa me convencer através de suas ideias. Se não tiver projeto de Governo perdeu meu apoio de vez. Não é lá muita coisa, mas eu prefiro dar vez e voz às minhas preferências.

Você, leitor, pode até votar em Marina. É seu direito. Só não me diga, depois, que foi enganado. Como, aliás, não estou sobre Aécio. Ainda estou estudando a questão. Me aprofundo agora em pesquisas sobre seu governo em Minas Gerais. Vamos ver... Já votei com o coração em Lula e numa vontade imensa de mudar o País. Deu no que deu.

sábado, 30 de agosto de 2014

Sete razões porque não voto em Marina


Não voto em Marina porque:
1) É esquerdista. Sua linha política é a mesma do PSOL. Hoje aninhada no PSB, já foi do PT e PV. Ou seja, todo espectro de atuação política é de esquerda. Ora a esquerda brasileira é uma caricatura pragmática e programática. Em todos os países nos quais foi implantada sucumbiu. Somente no Brasil, país no qual Cuba e China com suas políticas de repressão aos direitos individuais são elogiados, viceja um culto a tais valores. Aliás, especula-se que há mais intelectuais de esquerda no Brasil do que na China! Porém, os valores da esquerda em sua maioria destoam da Bíblia. Entre Marina e a Bíblia, fico com a última;

2) Ela é ufanista. Vende ilusões e promessas. Seu grupo político é em suas palavras sonhático. Brasileiro como sou, vivo no mundo real. Nada contra os sonhos, mas contra os sonhos impossíveis e sonâmbulos. O Brasil precisa de gestores, não falta dinheiro, falta investimento. Gestores planejam, estabelecem metas, perseguem objetivos. O adjetivo, aliás, soa bem com a indolência dos que deitam em berço esplêndido. A vida real pede trabalho, empenho, esforço. Aliás, já vimos esse sonho esboroar uma, duas, três vezes: Collor, Lula e Dilma! No que, por exemplo, Marina trabalha desde 2009, ano em que saiu do Ministério do Meio Ambiente? Sinceramente, não sei. Se alguém souber me informe, que terei o prazer de publicar. Este blog não é de futricas, mas de reflexão;

3) Ela nunca criticou a corrupção nos governos dos quais participou. Isso a torna cúmplice moral do PT. Marina saiu do governo Lula em 2009 por divergências quanto à preservação ambiental. O mensalão, por exemplo, ocorreu entre 2005 e 2006. Pouco temos sobre o assunto partindo de Marina. Somente nos últimos meses, quando já despontava como candidata, pôs-se a criticar o modo de fazer política no Brasil. É bom que se registre: fez parte do grupo político petista que governa o Acre. Seu marido saiu do governo acreano no dia 19/08/2014. Desde janeiro de 2011, Fábio Vaz de Lima era secretário adjunto de Desenvolvimento Florestal, Indústria, Comércio e Serviços Sustentáveis[1];

4) A nova política pregada por ela é mais da velha política. Nada de novo debaixo do sol. Vi essa nova política funcionando no estado onde resido. Todos os velhos caciques aliaram-se ao PSB do governador Eduardo Campos, por puro aproveitamento das benesses. Automaticamente foram taxados como progressistas. E a migração se tornou intensa com a ascensão do então governador, morto num acidente recente. Em 11 de junho de 2010, quando Marina anunciou oficialmente sua candidatura à Presidência da República, em uma convenção do Partido Verde, afirmou pretender ser a primeira mulher, negra e de origem pobre a governar o Brasil. Desde quando ser mulher, negra ou pobre são credenciais para alguém ser melhor presidente ou seja lá o quê? Mistificação pura. Demagogia no estado da arte, como faz até hoje o ex-presidente Lula que de pobre e analfabeto não tem nada. Daí a reprodução da caricatura acima;

5) Nada do que Marina sonha se realiza no Acre, seu estado natal. Infelizmente, os acreanos estão na rabeira dos índices. Educação, saúde, segurança, IDH são próximos dos piores no estado em que Marina cresceu politicamente tentando transformar! Claro, claro, as soluções não são fáceis. Mas em vinte anos de poder algo poderia ter melhorado. Não se aplica tal raciocínio ao Maranhão?

6) Marina nunca criticou a desgovernança corporativa brasileira. Inchaço da máquina administrativa, burocracia, tamanho do Estado, quantidade de comissionados, elevada carga tributária, os juros mais altos dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Nunca disse uma palavra (não que eu tenha conhecimento) sobre o assistencialismo promovido pelo Bolsa Família. Não lembro de ter lido sobre a quantidade de partidos políticos, pelo contrário, quer criar mais um. Fala sonhaticamente contra as alianças com o PSDB e outros partidos, mas quem consegue governar sem alianças?

7) O programa de governo é nitidamente o mesmo do PNDH3. Ontem, em mais um desfecho da velha política pôs-se a flertar com movimentos sociais influentes e minoritários que querem privatizar a atenção e os recursos públicos. Apoiou o Decreto 8.243 que propõe a participação de movimentos sociais em demandas governamentais em nome da sociedade. Ou seja, se o MST achar que um determinado terreno deve ser desapropriado a Lei e os caminhos legais não bastam. Outros movimentos radicais como os blakcblocs seriam ouvidos como parte da sociedade de Direito. Em nada diferente do Governo Dilma, que manteve locuções com a baderna ao invés de salvaguardar o cidadão. Se o cinegrafista da Band não tivesse sido assassinado não sabemos aonde teria parado a onda de tumultos que assolou nosso País ano passado.

Em tempo, muitas críticas poderão surgir a este post em virtude de Marina ser evangélica. Não vejo problema de fazer a crítica porque ela precisa ser conhecida dos eleitores. Aliás, quem se coloca como candidato não pode omitir detalhes de sua biografia. Não votarei num candidato unicamente por ele ser crente, vocês sabem minha posição no quesito. Repudio todo questionamento em torno de ela ser ungida, escolhida por Eduardo Campos ou qualquer mistificação do gênero. Ela é simplesmente candidata como qualquer outro. Que os eleitores decidam. Estas são as regras democráticas.

A lista poderá crescer a qualquer momento...

[1] http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/marido-de-marina-silva-pede-exoneracao-de-governo-petista
[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_unidades_federativas_do_Brasil_por_IDH

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Uma agenda para o voto consciente


Franklin Ferreira

“Eu tenho ouvido: ‘Não traga a religião para a política’. É precisamente para este lugar que ela deveria ser trazida e colocada ali na frente de todos os homens como um candelabro”
(C. H. Spurgeon).

Como se costuma dizer, “a política é o espaço do bem comum”, frase que pode ser entendida como uma forma de praticar o amor cristão. Afinal, é pela ação política que muitas pessoas no país podem ser beneficiadas pelo bem e pela justiça. Mas para que isso aconteça, é necessário que a prática política esteja fundamentada em valores éticos. Além disso, a transformação da conjuntura social de acordo com a cosmovisão cristã é, também, uma forma de evangelizar. Portanto, com o objetivo de propor o voto consciente e responsável aos cristãos evangélicos, sugerimos alguns elementos que deverão ser considerados na hora da sua escolha eleitoral:

1. Conheça bem o candidato que receberá o seu voto. Pesquise seu histórico pessoal, seus feitos, seus valores e suas propostas. Pesquise também suas promessas durante a campanha eleitoral, analisando se são plausíveis. Acompanhe as entrevistas que os candidatos concederem na mídia e compare o que cada um diz. Veja também se o candidato se porta com decência e se sua escala de valores é voltada para o interesse público. Se ele se identifica como cristão, é importante saber a que igreja ou comunidade ele está filiado e se ele a frequenta regularmente, buscando conselho e prestando-lhe contas. Enfim, não desperdice o seu voto com alguém de quem você nunca ouviu falar, sem saber as suas propostas e sua postura ética durante a campanha eleitoral.

2. Também considere se os projetos do candidato estão de acordo com os do partido ao qual ele está filiado, pois ao votar em um candidato você ao mesmo tempo vota num partido, ajudando a eleger candidatos do mesmo partido. Por isso, é preciso conhecer os programas e a filosofia do partido. No caso de candidatos evangélicos, é bom averiguar se estes e seus partidos não somente afirmam, mas estão comprometidos com a separação entre a Igreja e o Estado, lembrando que toda autoridade procede de Deus.

3. Lute contra todas as formas de corrupção, apoiando mecanismos de controle do uso do dinheiro público e das prioridades do governo; colaborando para que projetos tais como o Ficha Limpa, que tratem sobre a ética nas eleições, sejam conhecidos e aplicados; denunciando o uso da máquina administrativa federal, estadual ou municipal para favorecer determinados candidatos; em conformidade com a lei N.º 9.840/99, denunciando a compra de votos através de dinheiro, programas assistenciais ou promessas de vantagens pessoais, assim como quem obrigue os eleitores a votar em determinados candidatos, seja por meio de ameaças, seja através de pressão religiosa.

4. Apoie propostas que defendam a vida e a dignidade do ser humano em qualquer circunstância. Para a fé cristã, a vida humana é dom de Deus, desde a concepção no ventre materno até ao dia de sua morte. Portanto, proteger a vida inclui combater o aborto e a eutanásia; reprimir a violência por meio de políticas de segurança pública realistas; promover uma ética do trabalho que enfatize virtudes bíblicas, tais como honestidade, pontualidade, diligência, obediência ao quarto mandamento (“seis dias trabalharás”), obediência ao oitavo mandamento (“não furtarás”) e obediência ao décimo mandamento (“não cobiçarás”); defender o direito à propriedade privada como direito fundamental (cf. Êx 20.15, 17; 1Rs 21.1-29).

5. Verifique qual a proposta educacional do candidato, analisando se ele defende a qualidade e a liberdade do ensino, inclusive no âmbito religioso, promovendo uma escola digna e de qualidade. Confira também se ele promove as liberdades individuais, por meio do estabelecimento de normas gerais de conduta que redundem em liberdade de expressão, associação e de imprensa.

6. Rejeite candidatos e partidos com ênfases estatizantes e intervencionistas nas esferas familiar, eclesiástica, artística, trabalhista e escolar, que concebam um ambiente onde se tem pouca ou nenhuma liberdade pessoal e econômica. Para a fé cristã, a família, a igreja, o trabalho e a escola são esferas independentes do Estado, pois existem sem este, derivando sua autoridade somente de Deus. Logo, o papel do Estado é mediador, intervindo quando as diferentes esferas entram em conflito entre si ou para defender os fracos contra o abuso dos demais. Portanto, os cristãos devem não somente não apoiar, mas também resistir a um sistema político autoritário ou totalitário (cf. At 5.29; Ap 13.1-18).

7. Repudie ministros, igrejas ou denominações que tentem identificar determinada ideologia com o reino de Deus ou com a mensagem bíblica. Pois, como afirma a Declaração de Barmen [8.18], “rejeitamos a falsa doutrina de que à Igreja seria permitido substituir a forma da sua mensagem e organização, a seu bel-prazer ou de acordo com as respectivas convicções ideológicas e políticas reinantes”. A igreja, ao proclamar com fidelidade a Palavra de Deus, influencia o Estado, de modo que suas leis se conformem com a vontade de Deus, decorrendo daí consequências políticas de tal fidelidade ao chamado primário da comunidade cristã.

8. Apoie candidatos comprometidos com propostas e leis que sejam derivadas da lei de Deus, como revelada nas Escrituras, pois esta é a fonte absoluta e final da ética pessoal, eclesiástica e social. Há que se ter compromisso por parte do candidato com o contrato social, que é um acordo entre os membros de uma sociedade pelo qual reconhecem a autoridade sobre todos de um conjunto de regras, a Constituição, que limita o poder, organiza o Estado e define direitos e garantias fundamentais. Portanto, devem-se rejeitar candidatos que apoiem o Decreto N.º 8.243, conhecido como Política Nacional de Participação Social (PNPS). Tal decreto fere a cláusula pétrea constitucional da autonomia e independência dos Poderes, e praticamente desmonta a democracia representativa, substituindo-a pela participação popular direta, indicada, nomeada e controlada por órgãos do Estado.

9. Valorize candidatos e partidos comprometidos com o modelo republicano de governo, no qual a nação é governada pela lei constitucional e administrada por representantes eleitos pelo povo, assim como a divisão e a separação dos poderes executivo, legislativo e judiciário, de modo que nenhum governo ou ramo do governo monopolize o poder. Assim também valorize aqueles que respeitem a alternância do poder civil, que impede que um partido ou autoridade se perpetue no poder, assim como a defesa do pluralismo político e partidário.

10. Apoie candidatos que enfatizem as funções primordiais do Estado, onde os governantes têm a obrigação de zelar pela segurança do povo, pela qual pagamos tributos (cf. Rm 13.1-7), assim como ressaltem a limitação do poder do Estado, pois a partir das Escrituras, entende-se que o governo civil não tem autoridade para cobrar impostos exorbitantes, redistribuir propriedades ou renda, criar zonas francas ou confiscar depósitos bancários.

Pedimos que o Cristo Rei, o único e absoluto soberano Senhor, nos sustente e nos conduza sempre em nossas opções políticas. Façamos destas eleições um gesto de amor a este país e a nossos irmãos e irmãs, para maior glória de Deus.

Bibliografia:

• “A Declaração Teológica de Barmen”, em A Constituição da Igreja Presbiteriana Unida dos Estados Unidos da América, Parte 1: Livro de Confissões (São Paulo: Missão Presbiteriana do Brasil Central, 1969), 8.01-8.28.
• Johannes Althusius, Política (Rio de Janeiro: Top Books, 2003).
• João Calvino, As Institutas ou Tratado da Religião Cristã. ed. latina de 1559 (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), IV.20.1-32.
• Wayne Grudem, Política segundo a Bíblia (São Paulo: Vida Nova, 2014).
• Abraham Kuyper, Calvinismo (São Paulo: Cultura Cristã, 2002).
• Augustus Nicodemus Lopes, Ética na política e a universidade: Carta de princípios 2006 (São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2006).
• Ives Gandra da Silva Martins, “Por um congresso inexpressivo”, Folha de São Paulo (10/06/2014). http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/06/1467665-ives-gandra-da-silva-martins-por-um-congresso-inexpressivo.shtml.
• Merval Pereira, “Desconstruindo a representação”, O Globo (08/06/2014). http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?blogadmin=true&cod_post=538649&ch=n.
• Francis Schaeffer, A igreja no século 21(São Paulo: Cultura Cristã, 2010).
• C. H. Spurgeon, The Candle (Delivered on Lord’s-Day Morning, April 24, 1881, at The Metropolitan Tabernacle, Newington). http://www.spurgeongems.org/vols25-27/chs1594.pdf.
• Voto consciente: dever do cristão (Rio de Janeiro: Arquidiocese do Rio de Janeiro, s/d).

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Mestres: quantos há em sua congregação?

Um sinal da crise aguda que atravessa nossas igrejas é a falta de mestres. Antes de uma breve análise, devemos olhar para o que Bíblia, especialmente o Novo Testamento, diz sobre eles. O termo grego é:


Lê-se, didaskalós, ou seja, o O como em veloz, nós, não como em outro, ovo, ok? Pois bem, o termo ocorre 59 vezes. Quarenta e nove nos evangelhos e dez nas cartas e epístolas.

Voltando ao tema do post, percebemos a ausência de mestres em nossas igrejas. De fato, nunca houve muitos deles, mas era mais fácil referenciá-los. E não é por falta de tempo. No Novo Testamento encontramos a igreja em Antioquia (Atos 13:1) com poucos anos de fundação e lá já se encontravam profetas e mestres. Em I Coríntios 12:28, Paulo sequencia as funções importantes na Igreja Primitiva: apóstolos, profetas e mestres... Em Efésios 4:1 o termo aparece em quinto lugar, mas não menos importante. Parece que nos ocupamos em produzir pastores, profetas e esquecemos dos mestres.

O escritor aos Hebreus, adverte em três versículos o seguinte: Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal (Hebreus 5:12-14).

Aí está a inflexão crítica. Não é apenas o tempo que faz o mestre, mas a dedicação e o aprofundamento experimental. Há um fastio generalizado de Bíblia, os salvos não querem orar, muito menos buscar a vontade de Deus. O resultado: crentes meninos e sem base teológica. O investimento em música é patente, haja vista os caros instrumentos que as igrejas possuem. Mas no aprendizado fica a dever. Até há faculdades e escolas teológicas, mas o mestre não se faz apenas no aprendizado empírico. É preciso, por exemplo, ter humildade para compreender a necessidade do aluno, por vezes, um novo converso. E isso os livros não ensinam.

Por outro lado, é uma função que enseja muita admiração e isso pode ser venenoso para o caráter de quem ensina. Barclay nos ensina que "o mestre da Igreja assumiu o lugar do rabino na sinagoga. No mundo judaico se afirmava que o dever de um homem para com seu rabino era maior que o devido a seus próprios pais, porque os pais somente o haviam trazido à vida deste mundo, enquanto que o mestre o havia trazido à vida do mundo vindouro". Donde compreendemos a imensa responsabilidade que pesa sobre o ofício de mestre.

A ausência de mestres verdadeiros é uma pena porque nosso Brasil precisa de pessoas capazes e preparadas para o anúncio das Boas Novas.

Quantos mestres há em sua congregação mesmo?

sábado, 16 de agosto de 2014

De profecias, inserções estranhas e profetadas

Prezados dez leitores, a imagem abaixo foi replicada mundo afora. Creio que muitas pessoas até mesmo do Exterior tiveram acesso à mesma pois vivemos numa aldeia global. Retorno em seguida:


Quando tive acesso pela primeira vez no Facebook tive duas reações:
1) Achei inteiramente plausível. Deus fala! Para mim está fora de cogitação o silêncio de Deus. Está vivo e ativo no mundo dos homens, coordenando a meta história que se passa no mundo. Aliás, as história do Universo inteiro está na palma das mãos de Deus! Isto posto, repliquei aqui no blog sem dúvida, porém, tive o cuidado de aguardar maiores informações sobre o teor;

2) Fui pesquisar o conteúdo, pois não estava presente. As informações eram as mais desencontradas possíveis. Uns falavam em cortejo, outros em ganhar as eleições, etc. Não dava para confiar em todos os relatos. Conversando com pessoas equilibradas que ouviram, de fato, a profecia o argumento principal, do cortejo, etc, se desfez.

Antes de prosseguir, gostaria de frisar que a profecia registrada na fotomontagem se deu em Abreu e Lima, Pernambuco, na igreja Sede da Convenção de mesmo nome, da qual faço parte, portanto, aconteceu de fato. A data: 16 de maio de 2013, culto festivo na Igreja. Eduardo só romperia com o Governo Dilma e se lançaria candidato em setembro. O problema é o teor. Seguramente não foi nada do que disseram nas redes sociais.

Outras considerações se impõem:
1) A profecia é necessária a nossos cultos. Penso que nenhum estudante pentecostal sério descrê disso. Porém, o que nos chama a atenção é avidez com que muitos recorrem à possibilidade. De fato, há quem creia que culto animado é onde há profecias e quem as prefira até à salvação de almas! Confesso que já concordei com a primeira hipótese na minha ignorância espiritual;

2) Na Bíblia Deus fala como quer, a quem quer e aonde quer. Não é diferente hoje. Por que um político, com suas notórias distorções éticas (não falo de Eduardo Campos, mas de forma generalizada), não poderia ouvir a voz de Deus? Por este raciocínio nem Faraó, nem Nabucodonozor, para ficar em dois exemplos, poderiam sonhar sobre o destino do mundo! Deus só fala aos evangélicos? De forma alguma!

3) Não ouvir corretamente uma profecia não dá o direito a ninguém de acrescentar e/ou retirar palavras. Este é o problema principal do caso em apreço. É um risco que também corre o vaso! Cuidado, se Deus falou uma frase, não acrescente um parágrafo. Falta de atenção com as coisas de Deus produz meninice e estultície. A mentira ouvida ou falada vai sendo replicada para prejuízo da Igreja e da obra de Deus. E se Deus não te deu mensagem no culto, fica calado meu amado profeta!

4) Percebo um efeito psicológico na elevação de políticos na Igreja. Mal chegam e as palavras de vitória, decretos e profetadas se sucedem. Dia desses fui procurado por um candidato crente e outro não evangélico que receberam uma profetada e não se elegeram. Estavam decepcionados. Lhes disse: 1) Que não foi Deus que lhes prometeu; 2) Ou eles entenderam errado a profecia; 3) Ou era para outra pessoa. É uma lástima que a Igreja se preste a esse expediente de balcão profético, sob a benção de muitos líderes.

5) As profetadas prosperam num ambiente de analfabetismo bíblico. Muitos cultos priorizam cânticos e louvores em detrimento da Palavra de Deus. O tempo exíguo inibe o aprendizado. Não é raro cultos de doutrina com quinze minutos de instrução bíblica. Isso quando não se ocupa o tempo exclusivamente com costumes e mensagens de carapuça. Outro absurdo que já está disseminado entre nós é o famoso: Agora vamos ficar em silêncio e não nos levantemos dos nossos lugares porque é a hora da Palavra. E o que estávamos fazendo no culto até agora?

Cuidado, com o culto e as coisas de Deus não se brincam! Na Lei o falso profeta morria fisicamente, na Graça morre espiritualmente.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Momento em que Eduardo Campos recebia uma mensagem divina

Segundo os presentes foi uma mensagem de advertência... O local? Igreja Assembleia de Deus em Abreu e Lima/PE - Sede da COMADALPE.


PS: Salientamos que não está em discussão o teor da profecia, mas o fato em si, SEM JUÍZO DE VALOR. Dadas as informações desencontradas sobre tal teor, optamos por não avançar.

Leia a sequência deste post aqui.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Triste constatação

Cada vez mais as igrejas parecem com partidos políticos. Porém, a novidade é a imitação do que pior há na política partidária.

sábado, 9 de agosto de 2014

O que eu temia aconteceu...


Não é novidade para os dez leitores do blog. Segundo o Fique Atento na última reunião da UMADENE, entre 06 e 09 de agosto/2014, o Pr. José Wellington Bezerra Júnior representou seu pai. E deu a largada da próxima campanha eleitoral da CGADB, anunciando que é candidato à vaga sob a benção do mesmo. É uma cartada prevista por dez entre dez observadores mais atentos. Mostra nosso acerto também sobre o pensamento dominante na cúpula da instituição: ali só se pensa na próxima eleição!

Embora seja uma manobra permitida pelo Estatuto, se junta às dificuldades de encontrar sangue novo para oxigenar a Convenção Geral. Reiteramos nossa preocupação com a estagnação e inação do referido orgão para as quais parece não haver solução. Vocês não sabem como eu gostaria que pudéssemos saber de notícias sobre planos, projetos e alcance efetivo, mas é isso que temos. Na política como na Igreja o que menos se busca hoje é resolver os problemas. Apenas perpetuar benesses.

Concluo pesaroso de que uma notícia assim algum dia se torne efetiva, se é que na realidade...

Vingren se revira no túmulo!

Notícia do Fique Atento aqui.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Uma pequena contribuição para a 6ª lição do 2º trimestre/2014

Como sabem a lição da EBD deste trimestre, cuja capa encontra-se ao lado, cuida de um tema caro aos estudantes da Bíblia: Fé e obras. Penso que muitos professores não estão percebendo a importância de debater o assunto com seus alunos. Há até mesmo quem despreze a lição como um todo ou a tenha como fácil. E não é. Não é novidade que tal tenha acontecido à epístola de Tiago, livro no qual se baseia a lição. Barclay[1] afirma que Lutero a chamou de uma simples epístola de palha, porque nela não enxergava a Cristo. É uma posição pessoal do reformador.

A do próximo domingo, 6ª lição do trimestre, versará sobre a acepção de pessoas. Nitroglicerina pura. Quem nunca viu ou ouviu falar de alguém assentado num lugar destaque por sua condição financeira ou destaque político. Mas não adianta seguir apenas esse viés. O termo, em seu original grego, que felizmente não foi mencionado pela CPAD, é uma palavra polissilábica[2]:


Lê-se: prossôpolêmpsía, com ênfase na última sílaba. Em grego, o S (sigma) nunca tem som de Z, como em riso, rosa, esposo. Informa-nos o DITNT[3] que esta palavra é composta de prosôpon, face, rosto, semblante e lambanô, levantar [o rosto], reconhecer. Prossôpolêmpsía significa parcialidade, preconceito, agir de acordo com a aparência. Ela e seus correlatos ocorrem seis vezes no NT[4]: Atos 10:34; Romanos 2:11; Efésios 6:9; Colossenses 3:25; Tiago 2:1,9.

A acepção nos tempos apostólicos se dava se quatro formas ao menos:
1) Opondo judeus e gentios - Os primeiros por serem o povo da promessa se achavam no direito de reivindicar alguma proeminência sobre os demais irmãos. Pedro foi tentado a fazer a dicotomia pender contra os gentios até que o Espírito Santo o obrigou a mudar de opinião (Atos 20:34; Gálatas 2:11). Notemos que Deus pôs a ambos debaixo da desobediência para criar o novo homem: o salvo, nem judeu, nem gentio!

2) Opondo ricos e pobres - O agapê, festa dominical na qual os crentes celebravam a Ceia, pouco a pouco tornou-se um festival de vaidades, a ponto dos mais ricos contribuírem com primorosos pratos, enquanto os pobres traziam bem pouco. Detalhe: cada um se fechava em seu próprio círculo à mesa (I Coríntios 11:21) sem compartilhar com os demais. O ouro e a prata são de Deus (Ageu 2:8), somos meros possuidores temporários de tais tesouros. Na Igreja somos todos iguais, pois todos somos simplesmente servos.

3) Opondo escravos e livres - Com a escravidão consentida entre os judeus e com a conversão de muitos escravos havia, certamente, acepção entre estes e os demais irmãos.Uma vez salvo, o escravo ainda permanecia nesta condição profissionalmente devendo obediência ao seu senhor, porém, na Igreja era, para todos os efeitos, livre (I Coríntios 7:22).

4) Opondo líderes e liderados - Com a institucionalização da Igreja a primazia recaiu sobre os príncipes. A palavra ministro, do latim ministru, mordomo, passou a simbolizar status, poder e domínio sobre a Igreja. A gradação que se nota em nossos templos é, em grande parte, fruto do inchaço carnal. Que é necessária a liderança não temos dúvidas, mas Deus não deu igrejas à liderança, justo o contrário.

O Senhor não faz acepção de pessoas, nem no Velho, nem no Novo Testamento. O proverbista Salomão declara: O rico e o pobre se encontraram; a todos os fez o SENHOR (Provérbios 22:2). Todo o poder e autoridade, todas as coisas do mundo lhe pertencem. E nos adverte, através da epístola, a que façamos da mesma forma. O Senhor Jesus que poderia se orgulhar de muitas coisas humilhou-se a Si mesmo... (Filipenses 2:8). Aliás, o pretexto maior do evangelho é a humildade e o despojamento.

Tiago rechaça a possibilidade de que uma pessoa aparentemente rica deva ser tratada de modo diferente de um irmão pobre no recinto da Igreja. Barclay[1] nos informa que os antigos mais jactanciosos usavam anéis em todos os dedos, exceto no maior, e levavam mais de um em cada dedo. Chegavam ao extremo de alugar anéis quando desejavam dar a impressão de grande riqueza. Podemos imaginar o séquito e os salamaleques reservados a tais pessoas, comparando com o que acontece hoje em dia em muitas igrejas. Fartos dizimistas são tratados com deferência e tem seus pecados encobertos. Políticos poderosos ouvem mensagens amenas, que lhes satisfaça seu inflado ego.

Destaque-se de maneira geral:
1) A igreja é igualitária e imparcial - Vivemos uns para servir aos outros (Filipenses 2:3)
2) A igreja é rica no Espírito Santo - (II Coríntios 4:7; 6:10)
3) Os pobres devem ter especial atenção da Igreja - Os pobres salvos são os principais herdeiros (Tiago 2:5)
4) A igreja deve fugir da luta de classes - Igreja não é local para revoluções. Teologia da Libertação é marxismo e não teologia
5) A igreja não pode ser presunçosa - O que mais nos interessa a priori é o homem interior.
6) Na igreja o imperativo é a lei do amor - Nivelando todas as pessoas pelo amor de Cristo.

Por fim, gostaria de falar de ojeriza. Assim é definida no Michaellis:


É aquele sentimento típico de um pobre ao ver alguém rico e pensar consigo: Lá vai um empolado. De onde roubou para ter tanto dinheiro? É um esbanjador. Por vezes, são apenas os olhos de quem vê. Esse desprezo calculado é usado até hoje para fazer política no Brasil. Sendo que muitos pobres, quando alçados a cargos e detendo poder, fazem exatamente como recriminavam. Cuidado, professor, para não cair nesta armadilha incitando seus alunos a um sentimento desprezível.

Já vi ricos humildes e pobres orgulhosos...

[1] Barclay, William, Comentários ao Novo Testamento, Editora CLIE
[2] http://www-users.cs.york.ac.uk/~fisher/cgi-bin/gnt?id=20020105#h, acessado em 08/08/2014
[3] Coenen, Lothar, Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Vida Nova
[4] Concordância Fiel do Novo Testamento

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Igrejas perdem o bonde da mídia de massa



Sou um profissional de informática desde 1991. Atuo com sistemas. Perdi a quantidade de anos que utilizo redes sociais. Desde os antigos fóruns em texto até blogs e Facebook. Por necessidade profissional ou aproveitando o espaço virtual para discutir ideias, passei pelo ICQ, IRCs, bate papo, e tudo o mais. Hoje utilizo o blog e mais ativamente o Facebook. Sempre encarei tais redes como espaços comunicativos oportunos. Claro, tudo isso é como uma faca. Pode ser usada tanto para fazer um bom bife, quanto para matar alguém. Diversas vezes tenho expressado minha preocupação com a ausência gritante das igrejas no ambiente virtual. Esta preocupação cresce à medida que leio as reportagens que indicam que a web é hoje a mídia mais consumida por todos e a tendência só aumenta. Só para constar, o investimento em publicidade na internet nos EUA já ultrapassou o da TV. É um processo irreversível.

Oops! Devagar com o andor. De fato, há muitas menções à igrejas, a maioria esmagadora de maneira negativa. Ou seja, estamos, mas não estamos. Entenderam? Meus interlocutores são variados, entre eles as opiniões divergem. Os classificaria assim:

1) Os que acham desnecessário. Muitos pastores, que efetivamente representam a Igreja da qual fazem parte, não têm tempo, recursos humanos ou não enxergam marcar presença no ambiente virtual como prioridade. Para estes tenho repassado a percepção de que estamos perdendo, principalmente, nossos jovens. Afeitos às novidades e com maior acesso do que antes estão em massa nas redes sociais. Na contramão, portanto, temos um brasileiro médio que gasta 3:39h navegando! Tenho dito e provado que se gasta muito mais com outras mídias, que não possuem retorno significativo. É o caso do rádio e da TV. Um programa de uma hora diária, numa emissora de TV pequena não sai por menos de R$ 20.000,00 mensais. Fora a quantia necessária para produzi-lo, equipes, filmadoras, horas de edição, produção e finalização. Com esse valor você paga um portal de razoável qualidade, a hospedagem por um ano e ainda a manutenção do mesmo. Num ano! E alcança muito mais pessoas do que aqueles ouvintes num mês, restritos ao alcance da emissora. Se levarmos em conta um programa em horário nobre, mais acessível a todos os telespectadores...  De bônus, na internet a informação está disponível a qualquer momento, em qualquer lugar do mundo.

2) Os erroneamente inseridos. São os que usufruem de maneira razoável das redes sociais, mas não institucionalmente. Conheço vários pastores que utilizam suas redes sociais para postar eventos da Igreja. Dos males o menor, porém, o correto seria separar as coisas. Alguns ministérios até possuem sites e portais, mas estão tão desatualizados que não atraem o navegante dos mares virtuais (não é diferente com muitas empresas). Melhor seria não terem. Numa certa igreja estávamos formatando um site e fazendo os testes. Alguns dos encarregados de prover conteúdo, que é a engrenagem principal da audiência de um site, faziam o seguinte: Coletavam os eventos da semana toda e inseriam de uma vez na segunda, em dez ou quinze posts. O visitante de uma página é fugaz, se inserirmos dez posts diferentes no mesmo momento ele não vai além do segundo ou terceiro. Do contrário, postando todos os dias, a possibilidade de acesso cresce exponencialmente. Assim, pensamos que estamos inseridos, mas é uma falsa impressão. Só isso, geramos poucos resultados de longo prazo.

Há milhões de ideias para uma igreja na web. Não gostaria de me alongar nelas. Minha preocupação é com a perda das oportunidades. O trem está correndo à nossa frente...

Leia aqui sobre o investimento de publicidade na internet x TV nos EUA e aqui a análise do acesso médio do brasileiro.

A força e a beleza das palavras


Há algum tempo fui a uma concessionária comprar um carro novo. Estava acompanhado da mulher que amo e com quem estou casado há mais de dezessete anos. Após a compra, um animado funcionário apareceu para me levar ao veículo. Foi, então, que ouvi algo que me soou estranho. Apontando para o tal carro, ele disse-me: "Veja, e se apaixone!". Bem, eu estava muito satisfeito com minha mulher e não estava disposto a me apaixonar por nenhum automóvel... 

É claro que entendi o que o rapaz quis dizer com "apaixonar-se" pelo carro, mas este fato me levou a pensar que as palavras estão perdendo muito do seu significado comum, inclusive bíblico, nos levando a confundir sentimentos e expressões. Desta forma, amamos ao próximo e também amamos chocolate; adoramos a Deus e adoramos pizza; seguimos a Cristo e também somos seguidores de alguém no twitter; somos amigos de alguém que compartilha de muito do que somos e pensamos e temos também centenas de amigos no facebook. 

Em um instigante texto, A. W. Tozer manifestou preocupação com uma expressão muito comum entre os evangélicos: "aceitar a Cristo". Para ele, se esta frase foi dita sem qualquer explicação pode levar os homens a diversos pensamentos equivocados sobre o que significa o discipulado cristão: "O problema é que toda a atitude do 'Aceita a Cristo' é provavelmente errada. Mostra Cristo voltado para nós, e não nós para Ele. Representa-O de pé, chapéu na mão, a esperar o nosso veredicto (sic) sobre Ele, em vez de estarmos nós de joelhos, com corações angustiados, esperando o Seu veredicto (sic) sobre nós" ("O que significa aceitar a Cristo", em Esse cristão incrível, p. 14, Ed. Mundo Cristão).

Devemos ter o cuidado para não deixarmos que o valor das palavras bíblicas se percam. Se, por exemplo, vamos ter amigos virtuais, consideremos que a amizade da qual falou Cristo é de outra natureza, a ponto d'Ele falar aos seus discípulos: "tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer" (João 15:15). Quem sabe podemos também alterar nosso vocabulário, a fim de não vulgarizarmos palavras de significados tão belos. Assim, já que dizemos que temos amor por Deus ou por nossos filhos, não deveríamos dizer que amamos também objetos e máquinas. 

Não somente falamos do que nosso coração está cheio, mas as palavras que ouvimos e falamos também altera nossos pensamentos e comportamentos. 

Pescado no Graça e Saber.

Para guardar seu coração na Universidade


André Filipe Aefe

Querido amigo e irmão universitário, gostaria de compartilhar com você alguns conselhos que tiramos de nossa experiência na Universidade, mas também dos anos acompanhando universitários que, como você, amam Jesus Cristo e desejam guardar firme o coração.

a) Guarde seu corpo: da imoralidade e das drogas.

O tempo na Universidade apresentará oportunidades de autodestruição que, a princípio, parecerão muito mais atrativas que em outras fases da vida. Uma destas é a imoralidade. Determinadas festas e amizades farão um grande convite para tornar a sua sexualidade descartável. Já acompanhei cristãos com as mais extravagantes experiências sexuais, mas vazios e arrependidos pelo que fizeram do próprio corpo.
Uma outra forma de autodestruição são as drogas, legalizadas ou não. Uma das cenas mais tristes que vejo semestralmente próximas aos bares das Universidades são jovens inconscientes por beberam demais. Infelizmente, já vi jovens chegarem à Universidade sem terem sequer experimentado cerveja, mas após 3 ou 4 anos, não concluem seu curso por causa da dependência química e das dívidas por causa delas.
Muitas vezes, o que leva estes jovens a se entregarem tão facilmente é a tola ingenuidade de que, o que o mundo tem a oferecer é melhor do que a Graça de Cristo. O livro de Provérbios nos traz algumas advertências sobre este comportamento ingênuo, mostrando que "a falsa segurança dos tolos os destruirá" (Pv.1.32), que "comerão do fruto da sua conduta e se fartarão de suas próprias maquinações" (Pv.1.31). Mas conclui com esperança: "quem me ouvir (a sabedoria de Deus) viverá em segurança" (Pv.1.33).
Lembre-se que seu corpo, além de ser moradia do Espírito Santo (1Co6.19), é também o jardim guardado para o desfrute dentro no casamento (Ct.4.12).

b) Guarde sua mente: do abandono da fé ou da irrelevância da fé

Outro grande desafio na Universidade não vem das amizades nem do estilo de vida, mas de professores que, do alto de sua arrogância, zombam dos mais de 2.000 anos de pensamento cristão. Não são poucos os casos de professores e disciplinas que afrontam o cristianismo declaradamente. Essas pessoas podem levá-lo a crises de fé e até mesmo ao abandono da fé.

A crise de fé não é necessariamente ruim, e até pode ser muito produtiva, pois pode tirá-lo de uma religiosidade para levá-lo à convicção da fé. No entanto, podemos ser facilmente enredados pelo carisma de professores escarnecedores. Cuidado!, guarde sua mente se lembrando do que disse João: “...nenhuma mentira procede da verdade. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? (...) Quanto a vocês, cuidem para que aquilo que ouviram desde o princípio permaneça em vocês. Se o que ouviram desde o princípio permanecer em vocês, vocês também permanecerão no Filho e no Pai. E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna. Escrevo-lhes estas coisas a respeito daqueles que os querem enganar” (1Jo.2.21-26). Estas verdades alimentaram a mente de grandes pensadores do mundo, dos quais todos somos devedores! Não se envergonhe do Evangelho!

No entanto, há um perigo contrário, o da irrelevância da fé para seus estudos. É o perigo de você relegar seus pensamentos religiosos para os finais de semana e aceitar tudo o que colocam em sua mente sem auto crítica durante a semana. Lembre-se que "os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos" (Sl.19.1) e, portanto, não há nenhuma sabedoria neste mundo à parte da sabedoria de Deus e que "as palavras dos sábios são (...) como pregos bem fixados provenientes do único Pastor. Cuidado, meu filho; nada acrescente a eles. Não há limites para a produção de livros, e estudar demais deixa exausto o corpo. Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos, porque isso é essencial para o homem" - Pv.12.11-13.

c) Guarde sua carreira: do ativismo ou do paternalismo.

Além destes dois perigos iniciais, há ainda o perigo de você perder o foco para o qual você está na Universidade e destruir sua carreira. Há muita coisa com a qual você poderá se envolver na universidade, como esportes, teatro, política e até mesmo em ministérios de evangelização na Universidade, como ABU etc. Essas coisas são maravilhosas. Aproveite o máximo que puder. No entanto, não se esqueça que você está na faculdade para se preparar para um carreira pela qual você glorificará a Deus!

Não se iluda com o fato de ter entrado numa boa faculdade e que isso garante um futuro promissor. Você pode descobrir tarde demais que isso é uma mentira. Você terá que "ralar" como todo mundo! Por isso, maneire no ativismo próprio da juventude e invista em sua carreira para a glória de Deus! Aproveite para estagiar nos anos de faculdade, pois você pode correr o risco de concluir o curso desempregado e sem nenhuma experiência!

Um segundo perigo a este respeito é para aqueles que, morando longe dos pais, mas sendo sustentados por eles, se acostumam com este conforto e buscam prolongá-lo o mais possível, postergando a independência financeira para continuar uma vida de ociosidade. Lembre-se da advertência de Paulo: "esforcem-se para (...) trabalhar com as próprias mãos (...) a fim de que andem decentemente aos olhos dos que são de fora e não dependam de ninguém" - 1Ts.4.11-12. Deus, em sua graça comum, ajuda "quem cedo madruga" independente se você é um cristão ou não. Se você for um cristão preguiçoso, você passará fome!

Um parêntese é preciso ser feito. É possível que, no período de faculdade, seu coração esteja voltado quase que irremediavelmente para ministérios de evangelização e serviço à igreja. Avalie corajosamente o próprio coração. É possível que você esteja fazendo a faculdade apenas por uma pressão social ou paterna, mas que sua vocação seja mesmo a de pastor, ou missionário ou outra atividade ministerial. Isso é muito comum. O conselho que eu dou é para que, o quanto antes, resolva sua identidade vocacional e abrace com coragem aquilo para o que o Senhor o tem chamado!

d) Guarde sua comunhão: da solidão, do abandono da igreja e do bom uso de seus dons espirituais.

Este último tópico diz respeito a um perigo contrário ao anterior. É possível que você fique tão absorvido pelos estudos e pelo trabalho, que você se isole do mundo completamente. Você que vem de uma cidade interiorana para uma metropolitana descobrirá que há algo mais terrível que as provas finais: os finais de semana solitários na metrópole. A solidão pode ser agonizante e tão insuportável na cidade grande que tenho visto tristemente muitos estudantes se entregando à depressão e ao suicídio.

Um outro erro daqueles que vem de outra cidade é nunca cortar o cordão umbilical. Você não vai gostar do que vou lhe falar agora: existe uma grande probabilidade de você nunca mais voltar à sua cidade de origem, e nem àquela igreja que você cresceu e fez tantos amigos. E, mesmo se você voltar, nada mais será como antes. Você perceberá que você também não será mais o mesmo que saiu. Quero encorajá-lo a, pouco a pouco, se desligar de sua igreja de origem e engajar-se numa igreja da cidade onde você está. Faça amizades na igreja, sirva a igreja, use os dons que Deus lhe deu na igreja da sua nova cidade. E não apenas isso. Lembre-se de ser um instrumento de Deus na própria universidade. Eu tenho me surpreendido com o número de jovens na Universidade que são totalmente ignorantes da fé crista, e talvez a sua presença dentro da sala de aula nestes quatro anos seja a única chance que aquela pessoa terá para conhecer a Cristo. Não perca esta oportunidade!

Além do mais, abrevie as idas à sua antiga casa e experimente mais a cidade que você está morando. O que tenho visto a este respeito são estudantes que passam todo o seu período de faculdade divididos, mas quando terminam a faculdade, os seus antigos amigos deram rumo à vida, e você não fez nenhuma grande amizade na cidade em que está.

Abra seu coração para uma nova Igreja e para boas amizades cristãs. Mesmo que você tenha vivido um tempo especial na sua cidade anterior, nesta nova cidade Deus pode estar preparando a melhor fase da sua vida, como foi para mim. No período de faculdade eu vivi meus melhores tempos com Deus, desenvolvi minhas melhores amizades e encontrei a mulher com quem me casei.

E é isso o que desejo a você neste período que passa muito rápido, mas que deixará marcas profundas em você como nenhuma outra fase da vida, seja se você a levou de forma insensata, abandonando ao seu Deus, ou se você levou com sabedoria, no Temor do Senhor.

Que o temor do Senhor o acompanhe por todos os seus dias de universitário!

Pesquei na Confeitaria Cristã.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Desejo profundo


Oh! Como muitos pastores críticos de Edir Macedo o imitam!? Leio em Os Votos de Deus, Editora Massagana, que foi do agora sumo sacerdote a ideia de lançar candidatos evangélicos em massa e criar um partido político. No que foi seguido por nove em cada dez pastores Brasil afora. Foi também dele a iniciativa midiática, a compra do jatinho... Mas isto foi há muitos anos atrás.

Agora é a vez do chamado Templo de Salomão, que de templo e de Salomão não tem nada. Resultado: todos caíram em cima, mas todos queriam um templo de Salomão para chamar de seu. Ou seja, praticamente todos os grandes críticos da megalomania edirmacediana fariam o mesmo se pude$$em. Como dinheiro não se fabrica, versões menores estão em andamento.

Defesa da fé - uma necessidade em tempos de guerra!


O PT quer ditar até os temas!?

Leio aqui que Rui Falcão, presidente do PT, não crê que o tema aborto irá entrar no debate nesta eleição. Ele teme os evangélicos, que agora são 1/5 do eleitorado, relembrem as mancadas do partido neste particular. Seu argumento é que Dilma tenha se mantido firme em não permitir que a política de Estado no assunto mude. Ou seja, nenhuma ação a favor do aborto foi implementada.

Esta é uma ação calculada para interditar o debate. O PT vive dessa estratégia: antecipar o que deve ou não ser debatido, para poder acusar de reacionário [palavra que cria repulsa automática no ouvinte] seus opositores.

Ocorre que em várias ocasiões não foi bem assim que Dilma e seus companheiros agiram. Como ponto de partida o PT mantem sua premissa de apoio ao aborto. Nunca se escondeu isso. Segundo, grandes proposições no assunto foram feitas por deputados e senadores petistas. Terceiro, notórios abortistas como Eleonora Menecucci foram nomeados para cargos chave no Governo. Procurem no arquivo do blog.

Somente pastores incautos e crentes desavisados caem na conversa de Rui Falcão.

domingo, 3 de agosto de 2014

Rabino Edir? Quase isso

A construção de sua versão do Templo de Salomão é apenas a parte mais vistosa da incorporação de símbolos do judaísmo pelo líder da Igreja Universal

Juliana Linhares e Thaís Botelho
Reino de Salomão - Edir Macedo muda a narrativa: como era, há sete anos, e agora, com uma nova liturgia que coincide com a inauguração de templo de 685 milhões de reais
Reino de Salomão - Edir Macedo muda a narrativa: como era, há sete anos, e agora, com uma nova liturgia que coincide com a inauguração de templo de 685 milhões de reais  (Instagram e José Patrício/Estadão Conteúdo)
De quipá, xale de orações, barba de profeta e chamado por alguns de seus pastores de “sumo sacerdote”, o nome dado ao religioso supremo do antigo povo de Israel. Edir Macedo fez uma mudança surpreendente na narrativa da Igreja Universal do Reino de Deus, a maior confissão neopentecostal do país, criada por ele. Os elementos da religião judaica que o líder evangélico passou a incorporar imprimem um novo significado à sua obra magna, o gigantesco Templo de Salomão do Brás, inaugurado na semana passada. Uma vez que Macedo não ficou louco, não rasga dinheiro nem pretende deixar de arrecadá-lo, a virada judaicizante é analisada fora da Iurd à luz da carreira excepcionalmente bem-sucedida do homem que partiu de zero para 1,9 milhão de fiéis em menos de quatro décadas — com um pequeno encolhimento nos últimos anos, produto da concorrência. “É uma estratégia de marketing. Ele quer recuperar o que já teve e, fantasiado assim, dar uma nova guinada em sua teologia. Edir é conhecido por não ter nenhuma coerência bíblica”, diz um dos maiores líderes evangélicos do país, e concorrente de Macedo.
O Templo de Salomão, aberto com a presença da presidente Dilma Rousseff e do governador paulista Geraldo Alckmin, é um sinal de que Macedo pensa mais do que grande. O templo original, descrito na Bíblia, foi erguido em Jerusalém no reino de Salomão, quase 1 000 anos antes de Cristo, como a primeira construção permanente de louvor a Jeová, deus de Israel. Foi destruído por Nabucodonosor, rei da Babilônia, e reconstruído em 516 a.C., sob a designação conhecida como Segundo Templo. Na catástrofe seguinte, foram as tropas do Império Romano que puniram uma rebelião não só arrasando o templo como levando o povo judeu à diáspora. Um Terceiro Templo, místico ou real, é esperado por judeus e cristãos que acreditam nas profecias sobre o fim dos tempos. Enquanto isso não acontece, mórmons, maçons e agora a Universal fazem suas versões. Não é coisa pouca. No ano passado, Macedo falou da grandiosidade de sua construção e aproveitou para passar o solidéu: “Pensem em doar 10% — não é o dízimo — ao templo. Só a iluminação dele custou 22 milhões de reais. Vai somando. As 10 000 cadeiras, mais 22 milhões. As pedras, que vieram de Israel, 30 milhões. O som saiu por 10 milhões. Estamos fazendo tudo do melhor. Amém, pessoal?”.

Pescado aqui.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014