Cumprindo a pauta do lobby gay e das religiões afro, sempre daqueles abrigados nos ditos movimentos sociais, a mídia começa a escarafunchar a vida do Pr. Marcos Feliciano. Não sossegarão enquanto não o derrubarem da presidência da Comissão de Direitos Humanos. Aliás, parece que deputado só se elege pra Comissão, são tantas, não é? Produção que é bom... O mais interessante é que os 200 mil votos que teve daria participantes para mais de dez desses movimentos. Não importa a razão pela qual votaram nele. A legitimidade dos votos no que tange às escolhas de seus eleitores não pode ser questionada numa democracia.
Aí aparece o caso seguinte (somente um resumo, que aqui não é agência de notícias):
1) Marcos Feliciano agendou apresentação num show gospel no RS;
2) A produtora do evento depositou o cachê, pagou a hospedagem e a viagem, etc;
3) No dia ele não apareceu, alegando, motivos de força maior;
4) A produção foi vaiada e, claro, conteve a ira dos que pagaram para ver a estrela pregar;
5) Descobriu-se que os produtores de outro evento no RJ pagaram o dobro do cachê para que ele ficasse mais um dia;
6) Sentindo-se enganada a produtora do RS processou o cantor e pregador. A ação está no STF, porque o deputado tem foro privilegiado.
Claro, claro, há as idas e vindas de um caso desta natureza. E há também as lições. Nós já falamos aqui sobre o assunto. Nada contra os itinerantes, sejam cantores ou pregadores, tenho amigos que se dedicam a tal. Mas a coisa tomou proporções épicas. Até para os padrões das EBOs Brasil afora. Ouço coisas nada abonadoras para o Evangelho sobre, por exemplo, exigências bizarras de acomodações, de valores, disso e daquilo, que fariam um astro do rock internacional corar. Tornou-se um negócio, um grande e lucrativo negócio.
Minha zanga principal com os itinerantes tem algumas razões:
1) Via de regra, despejam conceitos e vão embora. Como se a igreja fosse uma receita de bolo. Um kilo de trigo, uma lata de fermento, cinco ovos, meia xícara de açúcar, uma colher de chá de sal... Não funciona. Digo sempre que igreja é como casamento, você lê mil livros sobre relacionamentos e ainda falta muita coisa que se aplica a um casal e não a outro. Podemos capturar experiências e adaptá-las às necessidades? Não vejo problema. Mas, espremendo, com boa vontade, o que se ensina nesses eventos sobra pouca coisa prática;
2) As igrejas sacrificam seus suados dízimos e ofertas para satisfazer exigências descabidas. Livros, CDs, DVDs em grande quantidade. Impõem-se, alhures, cotas para os obreiros já sobrecarregados com as responsabilidades do dia-a-dia. E ai de quem não se esforçar o suficiente...
3) As igrejas passam a ser reféns de um jogo de vaidades. Quem é o cantor da hora? E o pregador da hora? E o vaso da hora? Pior. Passam a ser pressionadas para trazer este ou aquele pregador, porque seus membros o querem ouvir. As estrelas brigam entre si, escolhem os melhores destinos, aumentam arbitrariamente os cachês de acordo com o humor ou zangas pessoais, falam cobras e lagartos quando não são atendidos. Já ouvi de cantores bêbados em cultos e até de prostitutas em quartos de hotel! Mas se era o que a igreja quer ouvir, os pastores dão de ombros e ignoram...
4) Entre eles mesmos, os itinerantes, a fogueira é indigna do nome de crentes. Ufanam-se de aonde foram, se os convites foram internacionais, se pregaram em grandes igrejas e convenções. Durante os cultos incensam quem os convidou. Omitem críticas para satisfazer aos mesmos. Pavoneiam-se como artistas de TV. A diversão de muitos itinerantes é criticar roupas baratas e índoles desinteressadas dos outros. Gostam de saber segredos financeiros pastorais, para justificar próximas cobranças e pressionar colegas de profissão. Não colocam em primeiro lugar o reino de Deus. Querem a vantagem aqui e agora.
Mas a crítica principal é que as igrejas se obrigam a promover eventos para trazê-los. É o chamado eventismo. Uma praga que se espalhou Brasil afora, especialmente agora que todas igrejas estão na mídia e precisam produzir eventos para mostrar quem tem mais público ou quem faz melhor. Essa onda foi massificada pela Universal & Cia, depois irradiou-se pelo mundão gospel. É engraçado como criticamos Edir Macedo e suas práticas, mas as colocamos em funcionamento no dia-a-dia. Ontem, por exemplo, encontrei uma caminhonete com o seguinte cartaz:
Meus dez leitores saberão que não generalizo. Há itinerantes sérios, há cantores sérios. São material raro, mas há. A maioria não hesitaria em ser o Guracy, com direito a carruagem de fogo, cartaz de fogo, voz de trovão e tudo o mais! E a dizer as grandes besteiras que o itinerante Marcos Feliciano já disse e muito, muito mais.
O caso classificado como estelionato do deputado Feliciano está aqui.
Blog pessoal de discussões no campo da teologia, da filosofia, da política e outros de relevante importância. Verba docent, exempla trahunt - Palavras ensinam, exemplos arrastam. Sejam bem-vindos!
Sou contra qualquer projeto que cerceie a liberdade de expressão!
sexta-feira, 8 de março de 2013
quinta-feira, 7 de março de 2013
Fim da lua de mel
Eu avisei, mais de uma vez. A mídia não gosta dos evangélicos. Generalizam, estereotipam. Esse negócio da Globo promover o Festival Promessas e a turma gospel aderir sorrindo para as fotos não vai dar em boa coisa. Bastou o super, hiper, mega, blaster, pregador, disfarçado de deputado federal Marco Feliciano, que ocasionalmente é pastor (quem tem tempo para pastorear ovelhas sendo tão convidado como ele e ainda por cima deputado federal?), ser eleito para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara que a lua de mel acabou. Todos os portais e redes noticiosas são unânimes em afirmar suas crenças, porque qualidades são o que menos interessa. Discriminação descarada e preconceituosa.
Não foi falta de aviso... Gritaram menos do que contra Genoíno e João Paulo Cunha. O Sakamoto foi além, jogou todos os evangélicos no saco de gatos de Feliciano. Não ia dar boa coisa mesmo. Que o Brasil é um arremedo de democracia eu também tinha avisado. O cara tem mais votos do que Jean Willys, mas não tem chanchada. Entendem?
quarta-feira, 6 de março de 2013
Paralelos da contradição de Chávez
Era o maior vendedor de petróleo latino americano aos EUA, enquanto criticava os compradores. À esquerda (especialmente, a bolivariana) interessa ter um Judas para jogar sobre as costas dele os problemas que não consegue resolver. Aliás, interessa a todos os incompetentes destratar os EUA. Não morro de amores pelos ianques, não esqueci a atuação americana na história mundial. Agora dizer que não nos [América Latina] desenvolvemos por conta da hegemonia da América do Norte é, no mínimo, desonestidade intelectual. Disso o mundo está cheio.
Como fazemos sempre, é inevitável um paralelo com o mundo evangélico. Nossas mazelas e desacertos são sempre creditadas ao Cão ou às más pessoas ao nosso redor. Muitas delas, na verdade, são problemas estruturais nossos mesmo. Mas o discurso inflama as massas, aí um ou outro usa o artifício, quando não a maioria. Lembrei de Riqueza e Pobreza das Nações, de David Landes. Ele afirma que quando a espingarda chegou à América Latina, o primeiro impulso foi atirar. No Japão, a primeira atitude foi desmontar para saber como foi feita!
Outro lado da questão é a incessante fome do poder de Chávez, que queria se eternizar no trono. Ou ao menos ficar nele até 2031, como noticiou a imprensa. Como eu estou evitando questionar doxas....
De resto, ficou nos devendo a Refinaria Abreu e Lima. Acertou com Lula, e depois não cumpriu o contrato. Tudo por culpa dos americanos. É que ele extrai e manda refinar o óleo lá naquele pais infame. Intentou a refinaria para contrabalançar o esquema. Mas como o Brasil não é para amadores, o custo pulou de 2,3 para 23,1 bilhões de dólares. No fim das contas pode ficar mais caro trazer o óleo de Campos ou do Orinoco pra cá. Assim, fazendo graça com o dinheiro alheio Lula e Chávez mudaram a curvatura do círculo, para não chegar em lugar algum. A refinaria já vai com um atraso de anos e nem tem data para terminar. É ou não uma graça? A quem culpar? Aos americanos, ora!
segunda-feira, 4 de março de 2013
A urgente evangelização pessoal
Prezados dez leitores, vocês sabem como os temas aqui são variados. Uns desavisados encasquetam com este ou aquele, como se o blog fosse um caderno de uma só matéria. Para bons entendidos uma palavra... Mas, vamos lá.
Leio no blog do Reinaldo Azevedo, sobre o novo papa. Ele fala de um candidato forte chamado Peter Erdo, de 60 anos. É intelectual, tem dois doutorados. Mas a deixa é a seguinte (grifo nosso):
Nada contra quem fizer seus trabalhos diferenciados. Já promovemos e os promoveremos a qualquer momento nas igrejas que auxiliamos, mas o chamado trabalho formiguinha é imprescindível.
Somente para registro, estávamos numa sala com umas 200 pessoas, ouvindo a palestra do Pr. Geremias do Couto, na última edição da Consciência Cristã, em Campina Grande. Num determinado contexto da prédica ele perguntou: Quantos aqui encontraram Jesus através da TV? Uma pessoa levantou a mão. E quantos através do rádio? Outra pessoa. Quantos foram salvos através da evangelização pessoal e da pregação dos familiares? A maioria esmagadora.
Prestemos atenção a isto. Já há quem não queira praticar o evangelismo pessoal, por comodismo, por um eco dos tempos politicamente corretos e por um sem número de razões. Só não digam que é por falta de efetividade. Eu sei que é o contrário das pretensões midiáticas de algumas igrejas, mas o milagre da multiplicação das almas só ocorre quando um discípulo leva outro a conhecer Jesus. O mais é balela para vender DVD e apostila.
Como diz o Ronaldo Lidório, é uma tentação ver a terra arada sem colocar a mão no arado... Enquanto o nosso papa não é conhecido (Oops! Nós também estamos em processo de escolha, não é?), fiquemos com a fórmula que dá certo.
Leio no blog do Reinaldo Azevedo, sobre o novo papa. Ele fala de um candidato forte chamado Peter Erdo, de 60 anos. É intelectual, tem dois doutorados. Mas a deixa é a seguinte (grifo nosso):
Erdo conta com a estima e a admiração de Bento XVI. Pesaria contra ele o perfil excessivamente intelectualizado e a suposta falta de carisma. No Vaticano, no entanto, despertou admiração o trabalho pastoral desenvolvido em Budapeste. Criou grupos de leigos que passaram a visitar regularmente lares formalmente católicos que andavam afastados da Igreja. Mantém ainda um diálogo bastante próximo com a Igreja Ortodoxa.É mesmo? Não sei se leram corretamente. Uma das grandes virtudes de Erdo é explorada há milênios pelos Testemunhas de Jeová e por igrejas evangélicas as mais diversas. Podemos fazer concentrações evangelísticas, trabalhos em rede televisiva como a da Associação Billy Graham, mas é o olho no olho que traz resultados efetivos, a curto, médio e longo prazo. Claro, claro, dá trabalho, você leva porta na cara, precisa de argumento e preparo. Mas não vejo outra alternativa. Aliás, é alternativa proposta por Cristo em Marcos 16:15.
Nada contra quem fizer seus trabalhos diferenciados. Já promovemos e os promoveremos a qualquer momento nas igrejas que auxiliamos, mas o chamado trabalho formiguinha é imprescindível.
Somente para registro, estávamos numa sala com umas 200 pessoas, ouvindo a palestra do Pr. Geremias do Couto, na última edição da Consciência Cristã, em Campina Grande. Num determinado contexto da prédica ele perguntou: Quantos aqui encontraram Jesus através da TV? Uma pessoa levantou a mão. E quantos através do rádio? Outra pessoa. Quantos foram salvos através da evangelização pessoal e da pregação dos familiares? A maioria esmagadora.
Prestemos atenção a isto. Já há quem não queira praticar o evangelismo pessoal, por comodismo, por um eco dos tempos politicamente corretos e por um sem número de razões. Só não digam que é por falta de efetividade. Eu sei que é o contrário das pretensões midiáticas de algumas igrejas, mas o milagre da multiplicação das almas só ocorre quando um discípulo leva outro a conhecer Jesus. O mais é balela para vender DVD e apostila.
Como diz o Ronaldo Lidório, é uma tentação ver a terra arada sem colocar a mão no arado... Enquanto o nosso papa não é conhecido (Oops! Nós também estamos em processo de escolha, não é?), fiquemos com a fórmula que dá certo.
domingo, 3 de março de 2013
É ou não tudo que alguns itinerantes queriam?
Leiam a reportagem:
Continue lendo aqui.
Responsáveis por liderar uma comunidade de 42,3 milhões de pessoas, segundo o IBGE, pastores evangélicos têm buscado melhorar sua formação com cursos de especialização para o cargo. As disciplinas alternam noções de teologia e entendimento da Bíblia com conceitos de administração e estratégias de liderança. Entre 2000 e 2010, os evangélicos aumentaram sua fatia na população de 15,4% para 22,2%, impulsionando também a demanda por pastores e, consequentemente, a criação de cursos e escolas para sua formação. Na Faculdade de Educação Teológica de São Paulo, o curso é on-line e tem duração de cerca de um ano, ao custo de R$ 999. O material didático consiste em 101 apostilas, com lições de antropologia, código civil e penal, administração eclesiástica, didática e ética, entre outras. Na aula de administração, por exemplo, são ensinados conceitos clássicos como o PODC (planejar, organizar, decidir, controlar), da obra Administração, de James Stoner e Edward Freeman.Antes dessa onda já tinha itinerante copiando livros inteiros de relações humanas e administração de pessoas, e vendendo em suas apostilas nas EBOs, congressos e palestras Brasil afora. Agora é que o negócio vai crescer. Eu tinha até algumas críticas ao trabalho de Maxwell, no que tange à liderança empresarial, mas para não mexer em doxas...
Continue lendo aqui.
sábado, 2 de março de 2013
Direto ao ponto!
Prezado comentarista intitulado O Assembleiano, não irei publicar suas colocações porque você é um anônimo e sua insinuação medíocre. Ser um assembleiano no meio de 24.000.000 de pessoas... Sua ironia bucéfala não me afeta. Seu raciocínio obliterado não me intimida. Já enfrentei gigantes muito maiores. Façamos assim: Você informa nome, igreja, foto, detalhes, cria um perfil no Blogger, depois comenta. Eu tenho história, rosto, nome e sobrenome. Este não é um perfil fake. Ok?
É cada patrulhador do pensamento alheio... Por isso que uma censura no País não teria dificuldades de ser implantada.
É cada patrulhador do pensamento alheio... Por isso que uma censura no País não teria dificuldades de ser implantada.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Novamente, os filhos das trevas...
Quem assistiu à conclusão da anunciada renúncia de Bento XVI, pode perceber que não existe paralelo no mundo evangélico. Ele disse coisas como: "Sou um peregrino", "Vou ajudar orando", "Serei servo do novo papa". Frases que fariam corar um concorrente a presidente da CGADB.
Que haja o mesmo espírito nos que participarão da AGO em Brasília. Não era nem para pedir isso... Mas fazer o quê? Bento XVI sentiria vergonha alheia.
Aarghh!
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Tempos trabalhosos
Prezados dez leitores, diz 23/01, publicamos aqui um post sobre a declaração da ministra Luiza Bairros, ecoando o Notícias Cristãs e outros portais evangélicos. Ela disse o seguinte, na ocasião, jogando para uma platéia amestrada:
Prezados Senhores,
Li no noticiário que a ministra Luíza Barros, participando em ato na cidade de São Paulo, no dia de ontem, 22/01/2013, mencionou que as denúncias de agressão religiosa estão crescendo. Segundo ela "são agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades".
Como líder religioso gostaria de ter acesso às denúncias recebidas por esta Secretaria. Quantas foram? Originadas aonde? Em que circunstâncias? Quem foi agredido? Em quais localidades? Em que cidades estão se dando as ameaças de depredação de casas e comunidades?
Agradecemos a presteza e o atendimento à Lei 12.527/2011
Àquela altura do campeonato, eu já imaginava uma das supostas ações do celerados evangélicos, altamente letais contra terreiros de umbanda. Pimba! Vocês devem saber o que está no relatório que me enviaram como resposta: a invasão do terreiro em Olinda!
Para os que chegaram agora, um resumo:
1) A Assembléia de Deus em Olinda promoveu um desfile evangelístico, em cujo roteiro estava um centro de umbanda (assim como um centro de umbanda promovesse um desfile fatalmente passaria em frente à uma AD, a rua é par ao uso comum, ok? o que não se admitiria seria a igreja incitar um confronto em frente);
2) O evento foi um desdobramento de um projeto proposto para os jovens, chamado ProjeFérias, promovido pela CONADEPE;
3) Durante o evento, que acontece nas férias de junho, há estudos bíblicos, gincanas, vigílias e cultos diversos, entre eles um desfile;
4) Os irmãos tiveram a sorte de passar na frente do terreiro, justo no horário em que havia uma cerimônia ritual do candomblé, que havia iniciado bem cedo;
5) À tarde alguém da comunidade tinha feito uma denúncia de magia negra à Polícia, que foi até o local e investigou o ocorrido, mas não encontrou nada que configurasse a denúncia;
6) Não houve agressão, nem violência, nem batida em portão. Nem qualquer ataque verbal, a não ser que o babalorixá tenha compreendido desta forma ao ouvir os hinos, perturbando sua paz;
7) Ele, o babalorixá. fez um barulho na imprensa, no MP, etc. Sabem como estas coisas encontram eco em nossos tempos.... E a denúncia chegou à SEPPIR, que não se incomodou em procurar saber o que está, de fato, acontecendo. Eles querem apenas um emblema, não é?
Clicando aqui você encontra um vídeo do acontecimento. E das agressões sofridas (note que ele está com a camisa rasgada, todo ensanguentado. Ah! Como eles queriam que fosse assim...).
Outro caso, aqui de Pernambuco, aconteceu na cidade de Brejo da Madre de Deus na mesma semana. Um grupo de pessoas, adeptos de religiões afro, sequestrou, estuprou, matou e esquartejou uma criança, em um ritual de magia negra. A população depredou o centro aonde se reuniam e destruiu suas casas. Nada a ver com igrejas e evangélicos, muito menos com perseguição religiosa. Mas, incrivelmente, a SEPPIR registrou o caso como intolerância! Lembram como já lhes falei da fabricação de estatísticas para o lobby homofóbico? Algo semelhante ocorreu, denunciando um método de trabalho.
Em reposta à minha solicitação, eles me enviaram um relatório absurdamente vago sobre as supostas agressões. Lá tem de tudo. Invasão de terra quilombola? Agressão à religião deles! O que é que tem a ver? A SEPIR acha que tem e põe no relatório. Despejo de casa de umbanda por inadimplência? Agressão à religião! Invasão de território indígena por peruanos, perturbação do sossego por terreiro, inadequação física de templos, desvio de cestas básicas, tudo é perseguição religiosa.
A cereja é que na reportagem que cobriu o evento da fala da ministra, ela deu conta do aumento em 700% das denúncias, mas no relatório que me foi enviado, que tem, portanto, peso legal, há 24 denúncias em 2011 e 23 em 2012.
Se nossa igreja tivesse uma representação digna do nome, esta ministra e o Governo que ela representa seria interpelada nas instâncias adequadas. Além dos veículos de reportagem que deram curso às informações sem uma checagem correta e sem apresentar o outro lado da questão. Mas, como diz o Reinaldo Azevedo, o jornalismo anda em crise moral, não devemos esperar muita coisa. O que diremos da igreja?
Por oportuno, tentarei enviar as informações do relatório com os meus questionamentos para a CGADB, para a CONADEPE, para a COMADALPE e para os deputados federais e senadores que se dizem representantes evangélicos. Vou ver se consigo ânimo para isto...
Vamos ver... o relatório-resposta da SEPPIR está aqui.
Alguns setores, especialmente evangélicos pentecostais, gostariam que essas manifestações africanas desaparecessem totalmente da sociedade brasileira, o que certamente não ocorrerá. Nós queremos fazer com que essas comunidades também sejam beneficiadas pelas políticas públicas.A reportagem prossegue, e eu repliquei no blog, evidenciando o nível terrorista das colocações da ministra:
A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, disse nesta segunda-feira que os ataques às religiões de matriz africana chegaram a um nível insuportável. 'O pior não é apenas o grande número, mas a gravidade dos casos que têm acontecido. São agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades. Nós consideramos que isso chegou em um ponto insuportável e que não se trata apenas de uma disputa religiosa, mas, evidentemente, uma disputa por valores civilizatórios', disse ao chegar ao ato lembrando o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Vale do Anhangabaú, centro de São PauloNão fora a indigência em que se encontra a igreja evangélica brasileira, especialmente a Assembleia de Deus, por ser a maior denominação, que a esta altura só pensa na eleição em abril, tal declaração seria alvo de repúdio imediato e incisivo. Evocando a Lei 12.527/2011, solicitei informações (texto abaixo) à Secretaria sobre aonde estariam acontecendo os tais ataques. Continue lendo:
Prezados Senhores,
Li no noticiário que a ministra Luíza Barros, participando em ato na cidade de São Paulo, no dia de ontem, 22/01/2013, mencionou que as denúncias de agressão religiosa estão crescendo. Segundo ela "são agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades".
Como líder religioso gostaria de ter acesso às denúncias recebidas por esta Secretaria. Quantas foram? Originadas aonde? Em que circunstâncias? Quem foi agredido? Em quais localidades? Em que cidades estão se dando as ameaças de depredação de casas e comunidades?
Agradecemos a presteza e o atendimento à Lei 12.527/2011
Àquela altura do campeonato, eu já imaginava uma das supostas ações do celerados evangélicos, altamente letais contra terreiros de umbanda. Pimba! Vocês devem saber o que está no relatório que me enviaram como resposta: a invasão do terreiro em Olinda!
Para os que chegaram agora, um resumo:
1) A Assembléia de Deus em Olinda promoveu um desfile evangelístico, em cujo roteiro estava um centro de umbanda (assim como um centro de umbanda promovesse um desfile fatalmente passaria em frente à uma AD, a rua é par ao uso comum, ok? o que não se admitiria seria a igreja incitar um confronto em frente);
2) O evento foi um desdobramento de um projeto proposto para os jovens, chamado ProjeFérias, promovido pela CONADEPE;
3) Durante o evento, que acontece nas férias de junho, há estudos bíblicos, gincanas, vigílias e cultos diversos, entre eles um desfile;
4) Os irmãos tiveram a sorte de passar na frente do terreiro, justo no horário em que havia uma cerimônia ritual do candomblé, que havia iniciado bem cedo;
5) À tarde alguém da comunidade tinha feito uma denúncia de magia negra à Polícia, que foi até o local e investigou o ocorrido, mas não encontrou nada que configurasse a denúncia;
6) Não houve agressão, nem violência, nem batida em portão. Nem qualquer ataque verbal, a não ser que o babalorixá tenha compreendido desta forma ao ouvir os hinos, perturbando sua paz;
7) Ele, o babalorixá. fez um barulho na imprensa, no MP, etc. Sabem como estas coisas encontram eco em nossos tempos.... E a denúncia chegou à SEPPIR, que não se incomodou em procurar saber o que está, de fato, acontecendo. Eles querem apenas um emblema, não é?
Clicando aqui você encontra um vídeo do acontecimento. E das agressões sofridas (note que ele está com a camisa rasgada, todo ensanguentado. Ah! Como eles queriam que fosse assim...).
Outro caso, aqui de Pernambuco, aconteceu na cidade de Brejo da Madre de Deus na mesma semana. Um grupo de pessoas, adeptos de religiões afro, sequestrou, estuprou, matou e esquartejou uma criança, em um ritual de magia negra. A população depredou o centro aonde se reuniam e destruiu suas casas. Nada a ver com igrejas e evangélicos, muito menos com perseguição religiosa. Mas, incrivelmente, a SEPPIR registrou o caso como intolerância! Lembram como já lhes falei da fabricação de estatísticas para o lobby homofóbico? Algo semelhante ocorreu, denunciando um método de trabalho.
Em reposta à minha solicitação, eles me enviaram um relatório absurdamente vago sobre as supostas agressões. Lá tem de tudo. Invasão de terra quilombola? Agressão à religião deles! O que é que tem a ver? A SEPIR acha que tem e põe no relatório. Despejo de casa de umbanda por inadimplência? Agressão à religião! Invasão de território indígena por peruanos, perturbação do sossego por terreiro, inadequação física de templos, desvio de cestas básicas, tudo é perseguição religiosa.
A cereja é que na reportagem que cobriu o evento da fala da ministra, ela deu conta do aumento em 700% das denúncias, mas no relatório que me foi enviado, que tem, portanto, peso legal, há 24 denúncias em 2011 e 23 em 2012.
Se nossa igreja tivesse uma representação digna do nome, esta ministra e o Governo que ela representa seria interpelada nas instâncias adequadas. Além dos veículos de reportagem que deram curso às informações sem uma checagem correta e sem apresentar o outro lado da questão. Mas, como diz o Reinaldo Azevedo, o jornalismo anda em crise moral, não devemos esperar muita coisa. O que diremos da igreja?
Por oportuno, tentarei enviar as informações do relatório com os meus questionamentos para a CGADB, para a CONADEPE, para a COMADALPE e para os deputados federais e senadores que se dizem representantes evangélicos. Vou ver se consigo ânimo para isto...
Vamos ver... o relatório-resposta da SEPPIR está aqui.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Esmiuçando propostas - Parte 3
Continuamos nossa breve análise das propostas do candidato Samuel Câmara (uma vez que não obtivemos acesso às propostas dos demais candidatos). Na primeira parte avaliamos a proposta de criar uma TV e rádio nacionais exclusivos da denominação. Cremos que, infelizmente, demonstramos como há tantas barreiras a serem vencidas, a ponto de inviabilizar a proposta. Na segunda parte, mostramos a proposta de impactar o Brasil através da evangelização. É uma boa proposta, mas... Bom, leiam e comentem.
Proposta nº 03 - Prestar apoio espiritual, educacional e previdenciário aos pastores
Vou apenas pela última parte da assistência: a previdenciária. É uma excelente proposta. Há uma área específica que trata do cômputo de valores como o das aposentadorias: a das ciências atuariais. Que consiste em avaliar o montante necessário para, por exemplo, prover uma aposentadoria de X, em quantos anos e com quanto será necessário contribuir. Portanto, existe a viabilidade técnica para implementar o processo.
Às convenções pareceria num primeiro momento uma proposta atraente. As livraria de desembolsos de grande monta, consideradas a quantidade de obreiros jubilados, daria segurança financeira para uma dedicação mais exclusiva dos ativos e tantas outros benefícios. Já pensou uma Convenção não ter que se preocupar com desembolsos em caso de morte de um pastor, sustentando a família condignamente?
Mas, nem tudo são flores. Criar um fundo para aportar este capital exige um investimento alto. Seria possível se todos quisessem fazê-lo. Mas nossa desunião é histórica. Normalmente, é cada um por si e Deus por todos. Outro problema é que ao menos uma parte da caixa preta da administração de cada Convenção teria de ser aberta. Ora, a CGADB desconhece números rasos como quantidade de membros, imagina capacidade financeira?
Esta desunião resultaria em problemas para manter o fundo. Poderíamos traçar um paralelo com o Governo Federal. Que desembolsa bilhões de reais para financiar o déficit do INSS, com os recolhimentos não efetuados por empresas, prefeituras e orgãos públicos, além do próprio crescimetno do sistema. Como o Tesouro tem sempre uma boa reserva se contorna. Em nosso caso, de onde sairia o dinheiro para cobrir os rombos?
Grande parte do problema está na origem e no formato administrativo de nossa igreja. Cada estado foi gradativamente se isolando, depois em cada um deles as convenções foram se dividindo e se isolando ainda mais. Lembra da história dos feudos? O jogo de poder (e dinheiro) fez o resto. O resultado é que não existe consenso mínimo para coisas simples como um cadastro único de membros!?
Outra questão crítica é: quantos ministros seria beneficiados com a medida? Hoje boa parte dos ministros não recebe qualquer ajuda financeira mensal de suas Convenções. Até mesmo daquelas organizadas financeiramente. Os que recebem o fazem a título de ajuda de custo, camuflando o salário para evitar eventuais acionamentos jurídicos. Em outras denominações históricas esta etapa já foi superada (um pastor batista, por exemplo, ao abrir um cadastro num banco coloca como função: ministro do evangelho). A questão imediata, portanto, é que nem todos seriam beneficiados, o que geraria um mal estar crescente. A questão adjacente é com quanto cada ministro se aposentaria ou sua família seria beneficiada em caso de morte? Na hipótese dos benefícios divergirem muito entre si, seria desconforto e discussão na certa.
Resta ainda outro fator. O fundo, se criado, só puderia dar suporte adequado aos seus beneficiários daqui a cinco ou dez anos. É uma decisão de longo prazo. Como, em quatro anos, seria possível realizar tal façanha? Nem se chamássemos um ás do mercado financeiro!
Por fim, quantos ministros há hoje na AD brasileira? Dou meu voto a quem Samuel Câmara indicar se a CGADB tiver a informação correta. E as pessoas pensam que todo problema da Convenção Geral é a briga pelo poder...
Donde concluímos que a proposta, no atual quadro administrativo, é inexequível.
Esmiuçando propostas - Parte 2
Esmiuçando propostas - Parte 1
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Os filhos das trevas...
Leio na coluna do Lauro Jardim:
Comando alterado
Assim como vai acontecer em março no Bradesco, o conselho de administração do Itaú Unibanco proporá à Assembleia Geral de Acionistas uma alteração na data-limite para o cargo de presidente da holding. Mas na direção inversa. No Bradesco, cairá de 65 anos para 62 anos. No Itaú, aumentará de 60 anos para 62 anos. Pelos planos do Itaú, Roberto Setubal, 58, permanecerá até completar 60 anos na presidência do banco e permanece por mais dois anos no comando da holding.
Entenderam?
Comando alterado
Assim como vai acontecer em março no Bradesco, o conselho de administração do Itaú Unibanco proporá à Assembleia Geral de Acionistas uma alteração na data-limite para o cargo de presidente da holding. Mas na direção inversa. No Bradesco, cairá de 65 anos para 62 anos. No Itaú, aumentará de 60 anos para 62 anos. Pelos planos do Itaú, Roberto Setubal, 58, permanecerá até completar 60 anos na presidência do banco e permanece por mais dois anos no comando da holding.
Entenderam?
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
O que a igreja tem a ver com a desmoralização das esquerdas?
Meu tempo está curto, curtíssimo. Como leio o Generácion Y há uns anos, não pude deixar de acompanhar a visita de Yoani. Critiquei em meu Facebook a recepção que reservaram à cubana em nosso País, começando pelo Estado aonde moro. Como sabem as manifestações correram o País, enchendo as pessoas equilibradas de vergonha. Uma senhora sai de seu calabouço após 20 tentativas, não é guerrilheira, senão das palavras, e é tratada como uma agente infiltrada da CIA? Que País é esse?
Há alguns flashes que queremos destacar:
1) O Governo petista deu total apoio aos ataques contra a blogueira. A Revista VEJA havia previsto de que maneira tentariam calar sua voz...
2) Outros partidos de esquerda, que cultuam os mitos Che Guevara e Fidel Castro, deram curso à pantomima. PSB, PC do B e outras siglas com ideais dinossáuricos estavam nas manifestações. Há quem diga por aqui que o PSB é menos autoritário que o PC do B, e, por isso, teria até sido escolhido por políticos evangélicos para o lançamento de candidaturas. Eles são socialistas. Ponto. É assim que se definem (ainda que eu, como Yoani, não acredite nestas definições, para nós a diferença se dá apenas em quem está no poder e quem quer chegar lá). Ou os candidatos assinam o estatuto ou não são do partido. Não é possível, também nisso, servir a dois senhores. Aliás, seria muito bom definir quem serve a quem. Pode parecer uma questão menor. Mas, o que é uma questão maior em nosso tumultuado ambiente evangélico brasileiro, não é?
3) Os ataques à blogueira desmoralizaram de vez as esquerdas brasileiras. Opinião boa é aquela que se manifesta a favor. Entenderam? Desde sempre o delírio deles é calar as opiniões contrárias. O que fizeram com a blogueira é inominável. Cuba está caindo aos pedaços, esta é a realidade, independente do embargo. Aliás, esta é a desculpa para o subdesenvolvimento de muitos países, por pura incompetência de seus governantes. Yoani disse bem: Faltam frutas e verduras? É culpa dos ianques! Cuba não planta!? É preciso, portanto, culpar alguém...
4) Este protesto deveria abrir os olhos dos pastores e líderes para compreender que a esquerda tem uma pauta, quem se opõe a ela não serve. Os itens da pauta são colocados todos os dias: aborto, apoio à homossexualidade, repressão da opinião, endeusamento de lideranças políticas, etc. É assim aqui, no Equador, na Venezuela, na Argentina... Não faz nem dois anos tentaram calar os pastores contrários ao aborto, na eleição de Dilma. Quem se lembra? Ano passado, Haddad, interditou o debate sobre tal assunto, taxando de retrógrado quem insistisse no tema...
5) Curiosamente, os ataques contra Silas Malafaia, no contexto em que estamos vivenciando, são apenas a face doméstica da guerra contra Yoani. Ela vai embora e nós ficaremos aqui, tendo que lutar contra tais tentativas. Leiam, por exemplo, os comentários do blogues e sites e vejam como o intento de demonizar as igrejas tem alcançado um razoável êxito. Sinto também vergonha dos pastores que em seus blogs e páginas não se manifestam sobre estes assuntos tão importantes. Os progressistas não teriam dificuldade alguma em calar as igrejas. Com a conivência de alguns dos nossos luminares.
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram
e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...
Martin Niemöller - 1933 - Símbolo da resistência aos nazistas
Mostre nossa força! (Atualizado!)
Prezados, precisamos orar pelos contrários aos princípios bíblicos. Mas, também, tomar atitudes. Vocês sabem que eu não compactuo com tudo o que diz o Pr. Silas Malafaia. Porém, algumas das ações dele são louváveis, especialmente, quando defende valores caros a nós, evangélicos. Vocês sabem que está em curso um abaixo assinado para cassar o registro de psicólogo do pastor, pelo fato de ele ter dito, e ninguém provou o contrário, que não se nasce gay. Outra pessoa foi e registrou uma petição a favor.
Nossos esquerdistas, sempre dando exemplo um exemplo particular de democracia, retiraram a petição a favor do Silas Malafaia do ar, quando as quantidade de assinaturas contrárias passaram a quantidade de favoráveis à cassação do registro, no site da Avaaz. Se você defende os valores bíblicos e deseja tomar uma atitude importante, assine a nova petição aqui, e apoie a causa.
Às 21:00h, estávamos com o número acima de assinaturas. O tiro de Abramovay saiu pela culatra. Não vi mais a petição no site da Avaaz.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Esmiuçando propostas - Parte 2
Dando continuidade à nossa análise das propostas do candidato Samuel Câmara (uma vez que não obtivemos acesso às propostas dos demais candidatos).
Proposta nº 02 - Impactar o Brasil com evangelização e avançar com missões
É uma excelente proposta. Especialmente, porque tivemos um plano nacional de evangelismo (a Década da Colheita) em 1990! Há, hoje na CGADB, uma tal Comissão de Planos e Estratégias de Evangelismo e Discipulado, que utiliza dados de 1993!? Estamos defasados. Se continuamos crescendo é pelo trabalho incansável de inúmeros irmãos nas igrejas. Noto, porém, um arrefecimento dos ânimos, por razões que não tem nada a ver com a Convenção Geral, mas que poderiam ser revertidos a partir de um plano estratégico.
Se a proposta, que é vaga e genérica no momento, for encampada pelas diversas convenções e massificada entre nossos membros, só temos a comemorar. Gostaria de aproveitar para informar que não é preciso reinventar a roda. A Cruzada do saudoso Bernard Jonhson implementou, por onde passou, uma estrutura eficiente e enxuta de evangelismo, atuando no treinamento, efetivo trabalho em campo e, por fim, no discipulado. Se o eleito pegasse as linhas mestras daquele trabalho e as implantasse nacionalmente, o problema já estaria resolvido.
Há, porém, um grave entrave. Não sabendo, exatamente, quantos membros temos, ficamos a reboque das informações repassadas pelas igrejas. Se formos contar os congregados (irmãos não batizados, adolescentes e crianças), a situação beira a calamidade. Sem falar que, por vezes, tais informações não são confiáveis. Seja por sua qualidade deficiente, como a precariedade dos registros, seja por má fé, o que acontece é que somos avessos a censos e levantamentos. Para que a proposta alcançasse um razoável nível de eficiência, a CGADB teria de centralizar e auditar os dados sobre decisões em todo o Brasil. É uma tarefa hercúlea, mas não impossível. Que o digam os Testemunhas de Jeová.
Outra dificuldade é que tudo isto tem um custo. Estariam as Convenções dispostas a bancar o custo de promoção de cruzadas nacionais de evangelismo? Do envio de novos missionários? Da atualização cadastral dos membros? A CGADB teria poderes para exigir uma contrapartida? Acho que não.
Esmiuçando propostas - Parte 1
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Esmiuçando propostas - Parte 1
Sou acusado de ser ácido. Muito menos por meus dez leitores cativos, do que por outros esporádicos. Dias atrás fiz uma breve análise sobre as eleições na CGADB, que gerou muita repercussão. Não pelo que foi escrito, uma vez que nada foi contestado, mas por algumas doxas existentes entre nós assembleianos. Que são, aliás, rescaldo de nossa cosmovisão evangélica como um todo. Basta, por exemplo, citar um nome, dentro de um contexto, sem depreciação direta, que as pedras clamam. Minha premissa é o debate sadio, visando sempre o futuro de nossa denominação. Não estou preocupado, ao menos num primeiro momento, em preservar pessoas, pois elas passam. A Assembleia de Deus, sem querer idolatrar uma denominação, é muito maior do que todos seus líderes e membros. Estamos, claro, apoiados sobre os ombros de gigantes, mas não podemos perder a visão panorâmica, do contrário personalizamos as coisas e vamos de mal a pior.
Hoje volto ao mesmo tema, sob outra perspectiva. Estamos a 47 dias da eleição que definirá o novo presidente. É o cargo mais importante que nos interessa debater no momento. Até porque os demais cargos são satélites de maior ou menor brilho, cuja influência é restrita. Vamos falar das propostas dos candidatos. Vou detalhar as propostas do Pr. Samuel Câmara, uma vez que não encontrei as dos demais candidatos. Não ao menos para esta eleição. Ressalto que não tenho pendores por nenhuma candidatura. E que se algum apoiador quiser acrescentar algo ao debate, terá todo espaço possível. Ok?
Proposta nº 01 - Começar uma Rede de Rádio e TV assembleiana
Primeiro os custos. Quanto custa montar/instalar uma rádio? Três? Quatro milhões? A soma vai por aí. Estamos falando de rádio com alcance estadual, e olhe lá. Para as vinte e sete unidades da federação, por baixo, teríamos: 27 x R$ 3 milhões = R$ 81 milhões! Nós estamos falando de rádio. Televisão é muito mais caro! Claro que uma ou outra igreja estadual ou convenção poderia agregar sua própria estrutura. Mas quem disse que isso é fácil? Ultrapassada esta etapa, restam outras quatro etapas críticas: as concessões, os custos de manutenção, a divisão de espaços e a audiência.
As concessões se referem às prováveis frequências a serem concedidas pelo Governo Federal. Há algumas associações que receberam as concessões em regime de funcionamento sem lucro. Algumas venderam, com contratos de gaveta, segundo informes, enquanto outras estão adormecidas, esperando quem queira bancar o custo de instalação e operar efetivamente a frequência. Para quem não tem, o Governo tem agido à conta gotas. Com os ventos contrários ao Cristianismo...
Os custos de manutenção são o nó da questão. Já foram feitos estudos que demonstram a inviabilidade financeira de TODOS os programas de rádio e TV evangélicos. Em outras palavras, a propaganda exibida neles não cobre as despesas. Via de regra são mantidos com ofertas e doações. É uma equação de difícil solução.
O que nos leva ao próximo entrave. Supondo que houvesse uma TV genuinamente assembleiana no Brasil, qual a fatia de cada Estado na programação? Levando em conta que uma Convenção cedesse espaço e estrutura é natural que ela quisesse um espaço maior. Mas como conciliar isso com a densidade e a qualidade do Sul/Sudeste? Fatalmente, após pouco tempo, haveriam brigas por espaço.
Pra piorar tudo temos a audiência. Cada vez menor de rádios e TVs. Ano passado, as cervejarias amargaram um prejuízo milionário no Carnaval, pois investiram pesado na telinha, enquanto os foliões estavam no Facebook! Com os evangélicos não é diferente. O público ouvinte é cada vez menor, os jovens estão cada vez mais conectados. Não sou tão jovem assim, mas não lembro quando ouvi uma rádio. Da última vez, há uns seis meses, acho, ouvi a Melodia FM, pelo tablet!
Sobra a pergunta: Como investir numa mídia que não cresce e não é sustentável economicamente? Somente pra dizer que tem? Sei não, deixar o espeto para a igreja, cuja maioria esmagadora não irá assistir aos programas, não parece uma boa ideia.
Voltaremos a este assunto mais adiante.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Será que Pernambuco teve uma pastora?
Revista VEJA, edição 219, 15/11/1972:
Pernambuco teve uma pastora? Ou foi só miopia da revista? Veja esse outro recorte:
Participava das reuniões administrativas? A revista pode até ter se confundido quanto ao cargo, mas quanto à participação... Joel Carlson, marido dela, faleceu em 08/09/1942... Eu já disse aqui, mais de uma vez, que a história é uma velha matreira.
Para comprovar o que está na revista VEJA, clique aqui e procure a edição 219, página 60. Com indicação do Mário Sérgio, do blog Memórias das Assembleias de Deus.
Pernambuco teve uma pastora? Ou foi só miopia da revista? Veja esse outro recorte:
Participava das reuniões administrativas? A revista pode até ter se confundido quanto ao cargo, mas quanto à participação... Joel Carlson, marido dela, faleceu em 08/09/1942... Eu já disse aqui, mais de uma vez, que a história é uma velha matreira.
Para comprovar o que está na revista VEJA, clique aqui e procure a edição 219, página 60. Com indicação do Mário Sérgio, do blog Memórias das Assembleias de Deus.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Que é o homem?
Um meteoro se desintegrou na atmosfera sobre os céus da Rússia, vocês já sabem. Além da história, disponível nas mídias em geral, gostaria de meditar com vocês, meus dez leitores, quão frágeis somos. As informações disponíveis é que era pequeno, mas a onda de choque gerada feriu, segundo as reportagens, 500 pessoas. Que é o homem? Pergunta o salmista (Salmos 8:4). Não somos nada. No instante em que um asteroide se acerca da Terra (a NASA afirma que passará longe), desejamos refletir com você: esteja seguro nos braços de Deus. Podemos partir a qualquer momento! Somos cacos entre os cacos, apesar de toda empáfia.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
O mundo desabava!
Imagina a manchete do UOL acima numa cruzada evangelística!? O mundo caía! Fico cá pensando em como a imprensa, com seus estereótipos sobre nós, ficaria feliz de apontar os problemas. Iriam cair como abutres, tentando cancelar os futuros eventos, apontar falhas e omissões, etc. Pense aí, se depois de uma grande cruzada restasse a quantidade de lixo que os foliões deixam nas ruas? Seria um Deus nos acuda!
Felizmente, não acontece em cultos e cruzadas os problemas noticiados. E eles não podem nos acusar. Mas eles gostariam...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Profetas na mesa!?
O termo profeta ou vidente é encontrado cerca de 310 vezes na Bíblia. Os profetas eram numerosos, especialmente, durante a teocracia judaica. Haviam escolas de profetas em Gibeá, Gilgal, Ramá, Betel e Jericó, entre outras cidades. Tais escolas funcionavam como boa parte dos seminários confessionais semi-internos. Catalisavam candidatos, mentoreavam as futuras lideranças, descobriam os talentos, fomentavam a santidade e cultivavam uma vida de oração e aprendizado. Para todos efeitos práticos, a não ser pela ausência de reclusão, eram semelhantes aos monastérios.
Os profetas e o poder
Os profetas mantinham um relacionamento íntimo com os círculos de poder. Eram consultados para que os reis pudessem sair à guerra (I Samuel 14:18). Influíam na legislação (Josué 10:14). Executavam juízos (I Reis 1:10,12). Eram cronistas do reino (II Crônicas 12:15). Por este ângulo, eram temidos. Os reis ímpios fugiam dos profetas (I Reis 22:8, 18) e/ou os perseguiam (Mateus 14:10). Tal temor era transmitido ao povo. Não à toa os profetas de Acabe comiam com sua mulher à mesa. Tê-los ao seu lado implicava na aparência de favor divino, portanto, um meio para impor uma, por vezes, deformada vontade de Deus.
Profetas na mesa
Olhando para a história de Israel vemos que os profetas, quando à mesa, ou no centro de poder, raramente mantinham-se isentos e puros. O caso que destoa desta realidade é o de Daniel. Mas ele não parecia gravitar em torno do palácio, tanto que quando apareceram as escrituras feitos pelo dedo de Deus mandaram-no chamar (Daniel 5). Ou seja, ele não estava na festa.
Grande parte dos profetas comiam na mesa do rei, aproveitando a facilidade e a fartura que ela representava. Aos reis interessava tê-los por perto, pelas razões enunciadas acima, entre outras. Mas tal simbiose denotava um comprometimento perigoso. Não sendo raro profecias sob encomenda (I Reis 22:11) e a gosto do freguês. Um profeta que se prezava não estaria disposto a tais posturas. Preferindo morrer a trocar seu dom por uma benesse.
Contextualizando
Hoje não é diferente. Há tantos profetas à mesa, não é? Tantos buscando aplausos e reconhecimento nos palácios eclesiásticos. Tantos se omitindo para não perder espaço e poder humano. Tantos que perderam seu dom ou o negociaram, a ponto de profetizarem mecanicamente.
O melhor lugar para um profeta é no deserto (Lucas 1:80). Foi lá que Deus moldou o incrível Moisés, o precioso Abraão, o abençoado João Batista. É no deserto que o profeta fala com Deus, Deus fala com ele e ele fala de Deus aos homens! O problema é que há muitos profetas com medo do deserto...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
A síndrome do Sei fazer mas não quero!
Meu nome é Zezinho das Quantas. Estudei e concluí o ensino médio. Leio e escrevo razoavelmente. Tenho um bom conhecimento bíblico. Até me expresso bem ao microfone. Mas parei de ir à igreja. A razão é simples: o pastor vive implicando com um cargo pra mim! Pessoalmente, acho irrelevante. Por isso, vivo fugindo. Quando ele não está escalado, eu vou. Quando entra por uma porta, eu saio pela outra.
Não quero ter compromisso. Isso é coisa de quem não tem o que fazer. Até li na Bíblia que Deus só chama gente ocupado, mas não dá. Depois tem aquelas dificuldades de agradar a gregos e troianos. Aliás, gosto é de ver o que está errado na Igreja. Se não fizeram uma atividade adequada, se está faltando um ar condicionado, se um banco está quebrado. Aí eu chamo logo um diácono e desfio meu rosário. Quando não dá pra chamar ninguém, me junto a outros que pensam como eu e malho o pastor.
Percebo, por exemplo, aqueles diáconos incapazes de explicar uma passagem mais controversa. Não quero ser como um deles. E aqueles dirigentes que mal sabem cantar um hino? Os professores de EBD que não sabem explicar a lição? Estou olhando para eles e tendo a diminuir cada vez mais minhas idas à igreja.
O pastor não me esquece. Vez por outra, do púlpito, começa a falar sobre chamado. Que Deus chamou Abraão, Moisés, os discípulos. A palavra entra por um ouvido e sai pelo outro. Sabe o que ele veio dizer outro dia? Que Deus não tem um plano B. Ou seja, que ou eu e você vamos fazer a Obra de Deus ou não haverá quem a faça! É apelação, só pode. Aliás, obra de Deus é um termo vago. Posso estar no meu curso de teologia à distância, lendo e aprendendo. É muito melhor do que levar sol na cara.
Até saberia fazer algo na Igreja, mas não quero!
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Papa renunciará!
Compreendendo sua fragilidade física o papa Bento XVI renunciará em 28 de fevereiro. O anúncio supreendeu a comunidade católica mundial. Mas é uma excelente lição para todos nós. É melhor parar honrado, do que desgastado.
Joseph Ratzinger tem 85 anos.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Ecos de uma iniciativa
Metade dos meus dez leitores sabe que está sendo realizada a Consciência Cristã, em Campina Grande/PB. A iniciativa é singular tanto pelo período em que é realizada, em pleno Carnaval, como pela diversidade de temas e preletores. Fui ano passado e fiquei apaixonado pelo formato e pelo conteúdo.
Como ecos diretos e indiretos da iniciativa, diversos outros grupos religiosos passaram a programar eventos semelhantes. É bem verdade que alguns desses eventos já existiam, pois são mais antigos que a VINACC. Mas, com o crescimento deste último, os demais grupos passaram a ganhar uma visibilidade que não tinham, com direito a destaque na Globo. Como cereja do bolo vem a notícia de que incidentes de trânsito diminuem no período de Carnaval.
Espíritas, católicos, espiritualistas, Testemunhas de Jeová e até judeus, promovem seus eventos no período de Carnaval. E a cidade de Campina Grande passou a catalisar seus seguidores. Mesmo discordando teologicamente dos demais grupos não há como notar que a iniciativa ecoou. Tudo na maior paz e cada um na sua. Os espíritas promovem seu 40o. MIEP, os judeus promovem seu sétimo Amigos da Torá, os católicos promovem o Crescer e os espiritualistas vão promover o 22o. Encontro da Nova Consciência. As Testemunhas de Jeová promoveram um seminário para capacitação de surdos-mudos.
Parabéns ao Euder Faber, um visionário que toca a iniciativa com muita dificuldade e precisa da ajuda até mesmo dos que não podem participar do evento. Outra coisa, conversando com ele, fui informado que todas as denominações participam do evento em harmonia, nada de terreiros e quintais diferenciados. De um assim me gloriarei eu...
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Quem quer bençãos?
As duas palavras pertencem à mesma raiz. Inclusive, ajoelhar também é barach! Não obstante, hoje, alguns querem a segunda palavra e rejeitam a primeira. Chegam a sentir verdadeira ojeriza.
Não tem jeito. Queres barach? Usa berech!
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Breves linhas sobre o apego ao poder...
Nascemos sem poder. Governados pelas mãos maravilhosas de nossas mães, tateamos no ventre escuro da ingerência. Dependemos. Nossas exigências, porém, são grandes, só não se manifestam de maneira explícita Há mães que entram em parafuso, não suportam o peso da gestação. Assim, nascemos. Olhamos o mundo construindo pequenos triunfos sobre o ser. Impotentes, carecemos do afeto, cuidado e carinho materno. Nossas mãos tateiam o infinito, agarrando gravetos imaginários. Não sabemos o que seremos, pouco podemos por conta própria. Aguardamos. Num estalar de dedos estamos andando e falando. Dominando códigos complexos de manifestação da vontade.
Meses depois começamos a fazer exigências. Queremos iogurte ao invés de fruta. Chiclete ao invés de jantar. Escolhemos hora para sentar à mesa, amigos e preferências sutis. Fazemos birra quando não queremos ir à escola. Crescemos. As competições crescem conosco. Amor, dinheiro, emprego, educação, segurança, prioridades, incertezas. Vamos aprendendo a decidir. Com as decisões chegamos na fase do empoderamento.
Coisas que pareciam meras aptidões, para muitos de nós se tornam manias. De grandeza, de superioridade, de superlativos. Conta-se que certo amigo encontrou outro e iniciou uma conversa. Comprei uma casa nova. Casei. Estou ganhando bem. Fui promovido. Estou com planos de viajar, conhecer o mundo. Etc. Meia hora depois ele se dirige ao interlocutor: Vamos falar de você? O que achou da minha moto!? O rapaz tinha ingerido grandes quantidades de narcisismo.
Há projetos mais sutis de poder. Que tal a história do irmão, que estando num determinado culto, deixava que todos glorificassem, falassem em línguas, exaltassem a Deus. Depois que todos calavam, ele começava a dar gritos altos de glórias, aleluias e línguas? Aquele coração tão jovem não se permitia se perder na multidão. Nada de falar com os demais, princípio da comunidade adoradora, ele queria destacar-se. Os exemplos são muitos. Eu sou jovem, tenho apenas 43 anos, mas já vi muitos filmes desses na vida real. Como aquele do pastor que queria tomar conta de uma congregação, somente para que todo ano fizessem uma festa de aniversário para ele?
O poder é um caminho perigoso. É como uma droga qualquer. Você se torna dependente. Se não for afagado, se ninguém lhe elogiar, se não for cogitado para determinado cargo ou não se perpetuar nele, começa a adoecer. O contraditório da Igreja é que toda honra, glória e poder pertencem a Deus. Somos fracos, finitos e falhos, somente o Senhor é poderoso. Mas é uma lição que não decoramos nas aulas de teologia. Quantos obreiros Brasil afora, somente pra não se estender muito, estão sendo hostilizados pelo simples fato se serem mais capazes intelectualmente do que seus superiores? Enquanto outros se engalfinham somente para descobrir quem manda mais? Sim, sim, é lamentável que seja assim, mas é!
Curiosamente um caso estranho à igreja vem ilustrar cabalmente este post: a eleição de Renan Calheiros para a presidência do Senado. Ele não precisa do cargo, porque é influente e temido. Ele não precisa de prestígio, porque todos beijam sua mão. Não precisa do dinheiro, porque é muito rico. Mas lhe causa certa estranheza não ser o centro, ter o comando, o poder nas mãos. Sarney, o que sai por pura deferência, tinha a mesma doença. Só mudam os atores. O apego é o mesmo. Eles não querem sequer fazer nada melhor ou diferente. O que interessa é o trono.
Nullum similitudinem non est dato.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Homens de partido...
Barafunda na eleição de Renan Calheiros. O senador foi (re)eleito para a presidência do Senado. A imprensa caiu em cima da ficha criminal do eleito. É extensa, se fosse um mortal comum já estaria longe da vida pública.
Mas, convenhamos, aonde estavam os senadores evangélicos? Tão afeitos à bradar sua religião em assuntos relativos à moral e costumes, calaram-se placidamente quanto à eleição. Ou, por outra, Renan lhes inspira mais medo que os gays?
São homens de partido, representam o projeto que lhes interessa. Não representam o povo brasileiro, muito menos os evangélicos. Vamos aguardar pela eleição da presidência da Câmara dos Deputados...
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Exemplos bíblicos de (sintomas de) depressão
Casos Bíblicos de Depressão - Do Blog do Juber Donizete
Collins (1995, p. 85) cita alguns de depressão na Bíblia:
- Moisés: "Então, Moisés ouviu chorar o povo por famílias, cada um à porta de sua tenda; e a ira do SENHOR grandemente se acendeu, e pareceu mal aos olhos de Moisés. Disse Moisés ao SENHOR: Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei favor aos teus olhos, visto que puseste sobre mim a carga de todo este povo? Concebi eu, porventura, odo este povo? Dei-o eu à luz, para que me digas: Leva-o ao teu colo, como a ama leva a criança que mama, à terra que, sob juramento, prometeste a seus pais? Donde teria eu carne para dar a todo este povo? Pois chora diante de mim, dizendo: Dá-nos carne que possamos comer. Eu sozinho não posso levar todo este povo, pois me é pesado demais. Se assim me tratas, mata-me de uma vez, eu te peço, se tenho achado favor aos teus olhos; e não me deixes ver a minha miséria." (Nm 11.10-15)
- Davi: "Ó SENHOR, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti. Chegue à tua presença a minha oração, inclina os ouvidos ao meu clamor. Pois a minha alma está farta de males, e a minha vida já se abeira da morte. Sou contado com os que baixam à cova; sou como um homem sem força, atirado entre os mortos; como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais já não te lembras; são desamparados de tuas mãos." (Sl 88.1-5)
- Elias: "Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais. [...] Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos [...]" (1 Rs 19.4; Tg 5.17)
- Jeremias: "Maldito o dia em que nasci! Não seja bendito o dia em que me deu à luz minha mãe! Maldito o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: Nasceu-te um filho!, alegrando-o com isso grandemente. Seja esse homem como as cidades que o SENHOR, sem ter compaixão, destruiu; ouça ele clamor pela manhã e ao meio-dia, alarido. Por que não me matou Deus no ventre materno? Por que minha mãe não foi minha sepultura? Ou não permaneceu grávida perpetuamente? Por que saí do ventre materno tão-somente para ver trabalho e tristeza e para que se consumam de vergonha os meus dias?" (Jr 20.14-18)
- Jonas: "Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado. E orou ao SENHOR e disse: Ah! SENHOR! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal. Peço-te, pois, ó SENHOR, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver." (Jn 4.1-3)
- Jó: "Por que não morri eu na madre? Por que não expirei ao sair dela? [...]. Porque já agora repousaria tranquilo; dormiria, e, então, haveria para mim descanso [...]. Por que se concede luz ao miserável e vida aos amargurados de ânimo, que esperam a morte, e ela não vem? Eles cavam em procura dela mais do que tesouros ocultos. Eles se regozijariam por um túmulo e exultariam se achassem a sepultura. Por que se concede luz ao homem, cujo caminho é oculto, e a quem Deus cercou de todos os lados? Por que em vez do meu pão me vêm gemidos, e os meus lamentos se derramam como água? Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece. Não tenho descanso, nem sossego, nem repouso, e já me vem grande perturbação. [...] Eu sou íntegro, não levo em conta a minha alma, não faço caso da minha vida." (Jó 3.11, 13, 20, 21-26; 9.21)
Segundo Collins (ibd., p. 74), o próprio Jesus no Getsêmani, manifestou sintomas de depressão: "e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo." (Mt 26.37-38)
O problema é...
Silas Malafaia declarou "Nos últimos cinco anos eu vendi mais de um milhão de livros por ano", no De Frente com Gabi, segundo o Notícias Cristãs. Fiquei pensando: teríamos cinco milhões de leitores? Ou um milhão com cinco livros? Nem uma coisa, nem outra, afirmo com base no conhecimento pessoal. As pessoas contribuem para o ministério dele e recebem o livro em troca. Dos que recebem os livros, uma parte lê, uma parte guarda numa estante e a outra parte joga em qualquer lugar.
Como se conhece uma pessoa que gosta de ler? Pela maneira como escreve e como fala. Se partirmos para a leitura crítica, aí é que o negócio desanda. Pelo bem, pelo mal, comprem os livros (não só de Malafaia). É melhor tê-los. Vai que bate uma fome cultural.
Essa história é igual à das Bíblias de Estudo... É cada lapa de barra de papel para secar o suadouro! Depois eu sou um crítico desalmado. Vamos ler?
Como se conhece uma pessoa que gosta de ler? Pela maneira como escreve e como fala. Se partirmos para a leitura crítica, aí é que o negócio desanda. Pelo bem, pelo mal, comprem os livros (não só de Malafaia). É melhor tê-los. Vai que bate uma fome cultural.
Essa história é igual à das Bíblias de Estudo... É cada lapa de barra de papel para secar o suadouro! Depois eu sou um crítico desalmado. Vamos ler?
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Será bíblico?
Ouço aqui e ali comentários sobre obreiros e pastores que no culto de doutrina (ou que nome tenha o culto de ensino noturno da Palavra de Deus), citam, ainda que lateralmente, conselhos dados a membros em situações que seriam comuns a outros. Certo irmão me procurou para comentar o que seria, segundo ele, falta de ética. Ao enfrentar uma crise conjugal e pedir aconselhamento, tais crises e suas razões foram abordadas, ainda que o nome dele e de sua esposa não foram citados.
Fui para a Bíblia e lá não há impedimento direto à tal postura. Ainda que concorde que se deva evitar tal comportamento, ele se choca com as inúmeras assertivas paulinas, por exemplo. Imagine que as cartas eram lidas a partir do púlpito, para o conhecimento de toda igreja e João escreve algo assim: Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja (3 João 1:9-10)? Seria um Deus nos acuda!
Imagina o obreiro ler uma carta do pastor à igreja, cujo desfecho é: Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé. E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar (1 Timóteo 1:19-20)? Assim, citando nomes!? A casa caía! O pastor seria processado, etc e tal! E se ele dissesse que era um absurdo que um irmão tivesse por mulher a esposa de seu próprio pai (I Coríntios 5:1), lembrando que quando a carta fosse lida em Corinto não haveria muitas pessoas nesta situação?
Mesmo compreendendo a boa intenção e até mesmo prestando atenção aos ventos de nosso tempo, observo que se o ensinamento serve aos demais não podemos perder as oportunidades. Tudo com ética e respeito.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
A quem interessa a reeleição do Pr. José Wellington?
Meus dez leitores sabem que boa parte das Convenções Estaduais brasileiras apóia a reeleição do Pr. José Wellington. Não vou me alongar em razões pontuais, não tenho interesse. Minha preocupação é estratégica, portanto, de longo prazo. Desde já tenham em mente que eu não votaria em nenhum dos três candidatos. Inclusive, este post não é, sob nenhum prisma, uma defesa de alguma das candidaturas postas. Quem me lê sabe o que defendo.
Vamos começar pelo essencial. O Pr. José Wellington fará 79 anos este ano. Tem uma folha de serviços prestados à denominação. Fez questão, aliás, de exaltar sua trajetória lançando um livro. Mas, convenhamos, mesmo com sua argúcia é alguém velho demais para um cargo desta natureza. O que teria iniciado como fator de aglutinação vinte e cinco anos atrás, agora, mais dia, menos dia, é um fardo. Vez por outra invoco aqui Ted Turner. Anos atrás o board de sua CNN votou por sua ausência do comando da empresa, permaneceria apenas como presidente do conselho de administração. Ele relutou, pensou estar sendo traído, mas, num rasgo de luz, acatou a decisão. Um ano depois sua empresa havia dobrado de tamanho! É preciso perceber a hora de parar. É clara como a luz da aurora que essa ocasião já passou para o atual presidente.
Em muitos casos desta natureza, e os exemplos estão aí pelo Brasil afora (e na própria Bíblia: Eli, Davi, Samuel, etc), um líder idoso não lidera mais nada. Seus filhos e família apenas o conduzem adiante como um estandarte de uma era em ocaso. Não é raro o caso em que a família se assusta com a possibilidade de perda do poder e do dinheiro. A estrutura de funcionamento das AD no Brasil dá sua contribuição. Se de um lado o cargo é vitalício, do outro não há mecanismos eficientes de garantia do padrão de vida do auge dos presidentes e de sua família, ou, ao menos, de algo digno e confortável. Porém, a igreja não pode ficar à mercê de nossas deficiências estruturais. Até quando viveremos apenas em torno da benesse? Até quando a Igreja será o INSS das famílias de pastores jubilados*? E se um pastor presidente adoecer irreversivelmente? Ou enlouquecer? Donde concluímos que a reeleição interessa num primeiro momento à própria família.
É notório que seus filhos, com o apoio maciço da igreja no Belenzinho/SP tem usufruído das vantagens dele ser o presidente. Não obstante as qualificações dos mesmos, salta aos olhos, por exemplo, a condução de um de seus filhos à presidência do Conselho Administrativo da CPAD. Quando o próprio Ronaldo Rodrigues, que já era diretor executivo desde 1993, foi indicado pelo atual presidente. Não sei se serei compreendido, mas a Igreja não é a família, é justo o contrário. Aliás, defendo que seja o mais despersonalizada possível. Mormente, quando acontece o contrário, a tendência é que o interesse particular de alguém se sobreponha aos interesses coletivos. Parece ser justo isso o que acontece em nossos dias.
Outros grandes interessados na reeleição do atual presidente são os cabeças das Convenções. E a razão é simples: sua apatia para atacar problemas estruturais das Convenções Estaduais. Nepotismo, personalismo, desvios financeiros e doutrinários, (des)governança corporativa, desunião são temas aos quais ele foge ou dá de ombros. A CGADB é uma instituição política, que prioriza sua autopreservação. A tese influente é a dos feudos. Cada Convenção é um, em particular. Se a CGADB não mete a colher, então se deve preservar a atual gestão. Não que uma eventual eleição de Samuel Câmara possa mudar alguma coisa. Não há a mínima possibilidade. O máximo que pode acontecer é ele endurecer as regras do jogo. Aí cada um dos jogadores abandona o campo, enfraquecendo a Convenção Geral. A rigor nenhuma Convenção estadual é obrigada a permanecer ligada à CGADB, seria uma debandada geral. Que o digam as Convenções genéricas.
Por falar nelas, são outras grandes interessadas, ainda que indiretamente, na reeleição do atual presidente. Elas podem continuar utilizando o nome Assembleia de Deus, cuja patente está sob a guarda da CGADB, e não serão importunadas. O que se faz Brasil afora é ou usar o nome como está ou colocar um aposto ao bel prazer do fundador e acabou o problema. Com a vantagem de se herdar o peso histórico da denominação. Portanto, por pura inércia, qualquer um pode abrir uma igreja e colocar o nome Assembleia de Deus!
Voltando ao assunto das Convenções há entraves impossíveis, senão com muita oração e quebrantamento. Quando teríamos uma Convenção por Estado? Praticamente, nunca! Como eu sou otimista incorrigível, creio que é possível. Mas assim como na política secular, ter duas ou três Convenções num Estado ajuda a certos projetos de poder. Enfraquece a oposição, turva as propostas, quebra hegemonias e dá insegurança ao processo. Num ambiente desses é melhor deixar como está. Entenderam? A população votou em Dilma nesse raciocínio.
Hoje não há plano estratégico nacional para a denominação**. Estamos à reboque das grandes transformações de nosso tempo. Apesar de sermos a maior denominação brasileira não temos a organização mínima para fazer um evento. Até mesmo a eleição e a AGO padecem desse mal, que o digam os inúmeros problemas relatados nos blogs evangélicos assembleianos. A força motriz da Igreja que é a evangelização teve um plano nacional na Década da Colheita em 1990! A CGADB já deveria estar se mexendo há cinco anos para alfabetizar na língua inglesa visando a Copa e outros eventos de grande porte que acontecerão no País, mas esta tarefa está (se está...) a cargo das igrejas. O papel de supervisão e coordenação se perdeu há muito tempo.
Oportunamente, retornaremos a este assunto.
* Nas empresas seculares se faz um plano se aposentadoria e/ou pensão e a contribuição mensal vai financiar a família no futuro, desencargando a instituição.
** Há uma tal Comissão de Planos e Estratégias de Evangelismo e Discipulado, que utiliza dados de 1993!?
Vamos começar pelo essencial. O Pr. José Wellington fará 79 anos este ano. Tem uma folha de serviços prestados à denominação. Fez questão, aliás, de exaltar sua trajetória lançando um livro. Mas, convenhamos, mesmo com sua argúcia é alguém velho demais para um cargo desta natureza. O que teria iniciado como fator de aglutinação vinte e cinco anos atrás, agora, mais dia, menos dia, é um fardo. Vez por outra invoco aqui Ted Turner. Anos atrás o board de sua CNN votou por sua ausência do comando da empresa, permaneceria apenas como presidente do conselho de administração. Ele relutou, pensou estar sendo traído, mas, num rasgo de luz, acatou a decisão. Um ano depois sua empresa havia dobrado de tamanho! É preciso perceber a hora de parar. É clara como a luz da aurora que essa ocasião já passou para o atual presidente.
Em muitos casos desta natureza, e os exemplos estão aí pelo Brasil afora (e na própria Bíblia: Eli, Davi, Samuel, etc), um líder idoso não lidera mais nada. Seus filhos e família apenas o conduzem adiante como um estandarte de uma era em ocaso. Não é raro o caso em que a família se assusta com a possibilidade de perda do poder e do dinheiro. A estrutura de funcionamento das AD no Brasil dá sua contribuição. Se de um lado o cargo é vitalício, do outro não há mecanismos eficientes de garantia do padrão de vida do auge dos presidentes e de sua família, ou, ao menos, de algo digno e confortável. Porém, a igreja não pode ficar à mercê de nossas deficiências estruturais. Até quando viveremos apenas em torno da benesse? Até quando a Igreja será o INSS das famílias de pastores jubilados*? E se um pastor presidente adoecer irreversivelmente? Ou enlouquecer? Donde concluímos que a reeleição interessa num primeiro momento à própria família.
É notório que seus filhos, com o apoio maciço da igreja no Belenzinho/SP tem usufruído das vantagens dele ser o presidente. Não obstante as qualificações dos mesmos, salta aos olhos, por exemplo, a condução de um de seus filhos à presidência do Conselho Administrativo da CPAD. Quando o próprio Ronaldo Rodrigues, que já era diretor executivo desde 1993, foi indicado pelo atual presidente. Não sei se serei compreendido, mas a Igreja não é a família, é justo o contrário. Aliás, defendo que seja o mais despersonalizada possível. Mormente, quando acontece o contrário, a tendência é que o interesse particular de alguém se sobreponha aos interesses coletivos. Parece ser justo isso o que acontece em nossos dias.
Outros grandes interessados na reeleição do atual presidente são os cabeças das Convenções. E a razão é simples: sua apatia para atacar problemas estruturais das Convenções Estaduais. Nepotismo, personalismo, desvios financeiros e doutrinários, (des)governança corporativa, desunião são temas aos quais ele foge ou dá de ombros. A CGADB é uma instituição política, que prioriza sua autopreservação. A tese influente é a dos feudos. Cada Convenção é um, em particular. Se a CGADB não mete a colher, então se deve preservar a atual gestão. Não que uma eventual eleição de Samuel Câmara possa mudar alguma coisa. Não há a mínima possibilidade. O máximo que pode acontecer é ele endurecer as regras do jogo. Aí cada um dos jogadores abandona o campo, enfraquecendo a Convenção Geral. A rigor nenhuma Convenção estadual é obrigada a permanecer ligada à CGADB, seria uma debandada geral. Que o digam as Convenções genéricas.
Por falar nelas, são outras grandes interessadas, ainda que indiretamente, na reeleição do atual presidente. Elas podem continuar utilizando o nome Assembleia de Deus, cuja patente está sob a guarda da CGADB, e não serão importunadas. O que se faz Brasil afora é ou usar o nome como está ou colocar um aposto ao bel prazer do fundador e acabou o problema. Com a vantagem de se herdar o peso histórico da denominação. Portanto, por pura inércia, qualquer um pode abrir uma igreja e colocar o nome Assembleia de Deus!
Voltando ao assunto das Convenções há entraves impossíveis, senão com muita oração e quebrantamento. Quando teríamos uma Convenção por Estado? Praticamente, nunca! Como eu sou otimista incorrigível, creio que é possível. Mas assim como na política secular, ter duas ou três Convenções num Estado ajuda a certos projetos de poder. Enfraquece a oposição, turva as propostas, quebra hegemonias e dá insegurança ao processo. Num ambiente desses é melhor deixar como está. Entenderam? A população votou em Dilma nesse raciocínio.
Hoje não há plano estratégico nacional para a denominação**. Estamos à reboque das grandes transformações de nosso tempo. Apesar de sermos a maior denominação brasileira não temos a organização mínima para fazer um evento. Até mesmo a eleição e a AGO padecem desse mal, que o digam os inúmeros problemas relatados nos blogs evangélicos assembleianos. A força motriz da Igreja que é a evangelização teve um plano nacional na Década da Colheita em 1990! A CGADB já deveria estar se mexendo há cinco anos para alfabetizar na língua inglesa visando a Copa e outros eventos de grande porte que acontecerão no País, mas esta tarefa está (se está...) a cargo das igrejas. O papel de supervisão e coordenação se perdeu há muito tempo.
Oportunamente, retornaremos a este assunto.
* Nas empresas seculares se faz um plano se aposentadoria e/ou pensão e a contribuição mensal vai financiar a família no futuro, desencargando a instituição.
** Há uma tal Comissão de Planos e Estratégias de Evangelismo e Discipulado, que utiliza dados de 1993!?
sábado, 26 de janeiro de 2013
É disso que a teologia precisa!
Marionetes de Deus?
Aproveitando a polêmica decisão do governo paulista de internar usuários de crack à força, gostaria de voltar a pensar sobre um problema que já atravessa séculos — uma disputa entre os arminianos e os calvinistas. Correndo todos os riscos da simplificação, descrevo-a assim: se Deus é soberano (como afirmam os calvinistas), o homem não tem livre-arbítrio; é marionete de Deus. Se, por outro lado, o homem pode rejeitar a Deus, e inclusive perder sua salvação (como afirmam os arminianos), então, como fica Sua soberania? A disputa vai longe, uma vez que os dois lados (arminianos e calvinistas) estão munidos de versos bíblicos perfeitamente contextualizados.
Louis Berckhof nos sugere que se duas afirmações bíblicas, em seus contextos, parecerem contraditórias entre si, afirme as duas, pois elas se resolvem em plano superior. Um exemplo é o texto de Paulo aos Romanos, 9 a 11, onde ele contrapõe a responsabilidade de Israel à afirmação de sua soberania aplicada ao caso de Esaú e Jacó.
Os arminianos e calvinistas mais combativos não seguem o conselho de Berckhof. Escolhem um lado e lutam por ele, apaixonadamente. Talvez essa paixão explique o fato de ainda não termos chegado a uma melhor compreensão do tema, tachando-o, quando muito, de paradoxal, ou de insolúvel. A Confissão de Fé de Westminster afirma, em uma mesma frase, que o homem está morto para escolher, mas tem livre-arbítrio.
Assim, à busca do referido “plano superior”, compartilho meu modo de ver esse problema. E já pergunto: e se Deus, em sua misericórdia e soberania, determinasse que o homem poderia decidir sobre amá-lo ou rejeitá-lo? E se Deus nos tivesse feito assim, considerando isso o cerne da “imagem e semelhança”? Uma criatura absolutamente livre, no que concerne à sua possibilidade de amá-lo ou não? Nesse caso, qualquer que fosse a resposta humana, estaria dentro das possibilidades previstas (e determinadas) pelo Criador. Pois bem, entendo que o Gênesis nos relata exatamente isso. E essa compreensão se reflete na própria Confissão de Westminster, capítulo III: “de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas”.
Resta, no entanto, um embaraço bíblico: Efésios 2 nos diz que o uso que fizemos (em Adão) da liberdade nos levou a uma escravidão tal que, se Adão foi livre um dia, o mesmo não ocorre conosco. O homem natural é escravo do pecado, de forma que sua vontade está aprisionada.
Bem, é aí que eu vejo a ligação entre a soberania de Deus e a liberdade humana. Ao invés de uma se contrapor à outra, harmonizam-se na mente e nos projetos do Altíssimo. Deixe-me explicar.
A balança
Imagine a situação humana como um fiel de balança. Adão foi feito com seu ponteiro no ponto zero, no prumo. Não pendia nem para a direita nem para a esquerda. É o que chamaríamos de livre-arbítrio. Mas Satanás se valeu de sua escolha desastrada e nos aprisionou a todos do lado esquerdo. Com cadeado. De forma que Efésios 2:1-3 fica retratado nessa situação. Não temos mais escolhas livres. Nosso “escolhedor” está viciado, amarrado.
Então Deus, “por causa do grande amor com que nos amou”, e após nos ter revelado essa nossa condição desesperadora, encerrando-nos todos debaixo da desobediência (Rm 11:32), usa de misericórdia para com todos. Como?
Num determinado momento (ou período, ou fase, sei lá) de nossa vida, chamado pelo autor de Hebreus de Hoje , o Altíssimo se vale de seu poder e soberania e atua em nossas vidas, colocando nosso “fiel da balança” no centro de novo. Então, ele me diz: “escolhe livremente”. E a principados e potestades, diz: “ninguém interfere!” Nesse momento, por causa da soberania e do poder de Deus, e pela atuação de seu Espírito, somos livres; para aceitá-lo ou rejeitá-lo.
É importante ressaltar que, diferentemente do diabo, ele não leva nosso fiel para a direita total. Nem o amarra lá. Não. Ele é Senhor gentil: leva-o ao meio, onde exercitamos o “pendor do Espírito” ou o “pendor da carne” (cf. Rm. 8:5). E nos avisa que o pendor da carne é inimizade contra Deus (Rm 8:7).
Criei uma imagem, inspirado em C.S. Lewis. Qual das lâminas da tesoura corta o pano? Pois bem, aprouve a Deus que nossa salvação se fizesse por meio de uma “tesoura”. Deus se faz uma das lâminas, e nos atribui o papel da outra. Sem ele, estamos no inferno. Sem a nossa, estamos no inferno. Isso não nos iguala a Deus, pois jamais poderíamos, nós mesmos, construir essa tesoura e “cortar o pano”. Ele permanece no seu santo trono. Soberano. Justo, reto… e misericordioso.
Terminando o argumento, acho que é por isso que Jesus ensina a mulher samaritana que Deus procura alguma coisa. Procura verdadeiros adoradores. Criou a tesoura e espera que ofereçamos nossa lâmina, para nosso bem.
Uma Parábola
Na [época] em 1996, a televisão levou ao ar uma reportagem sobre o uso de crack pelos adolescentes (e o assunto, hoje, virou epidemia).
Ao ver, na reportagem, o sofrimento dos pais e a luta ingente do drogado, lutando para se livrar das garras tirânicas da dependência, me ocorreu a seguinte parábola sobre esta questão da soberania divina e da liberdade humana. Ei-la.
Certo dia, um pai descobre que seu filho é um drogado, dependente de crack. Faz de tudo para ajudar o rapaz, mas este, ainda que lute para se desvencilhar, não tem mais forças para largá-la, e tenta se matar, inclusive para se livrar do complexo de culpa, pelo desgosto causado aos pais. O pai o acha a tempo (estava meio de olho), socorre-o e o salva.
Alguns dias depois, em conversa com o filho já convalescente, propõe-lhe uma solução extrema. O pai tem uma ideia para devolver ao filho a força (o livre-arbítrio) para sair daquela situação. Propõe ao filho e este aceita.
Pegam um carro e vão, somente os dois, para um sítio isolado. Longe de tudo e de todos. Ali, tentarão lutar contra a droga, cortando lenha, subindo corredeiras, trabalhando pesado até caírem mortos de cansaço. O pai está atento e determinado a aguentar mais que o fragilizado rapaz.
No segundo dia, o jovem começa a mudar: a mostrar-se indócil, agitado, impaciente, nervoso, irado, truculento, violento. Ele precisa daquela droga. Seu organismo exige (seu “senhor” o está chamando de volta). O pai vai contemporizando, conversando, distraindo, sabendo que precisa ganhar tempo. Precisa, pelo menos, de uma semana (este é o tempo que os médicos estabelecem para a desintoxicação química do organismo).
No terceiro dia, o filho tenta fugir de noite, mas o pai, que a estas alturas está dormindo com um olho só, o intercepta. O garoto está transtornado. O pai o agarra. Este, cego por dores internas fortíssimas, agride o pai com fúria, e tenta correr. O pai se levanta e o alcança. Está determinado a ajudar o filho. Uma semana, é a meta. Faltam 4 dias ainda. Agarra o garoto, que tenta agredi-lo novamente. Mas desta vez o pai é quem o soca violentamente. O garoto cai desacordado.
O pai o leva de volta para a casa e o amarra na cama. Quando o rapaz acorda, começa a gritar, gemer, xingar, blasfemar, contorcer-se, desafiar o pai, dizer os piores desaforos. O pai tenta abraçá-lo, mas é recebido com cusparadas e palavrões. Uma noite de cão.
A estas alturas, imagino um calvinista dizendo: “aqui, o pai retirou o livre-arbítrio do menino”. E eu responderia: “que livre-arbítrio?”
Amarrado, o rapaz fica ali por mais quatro dias. Reclama de dores nas costas, de mau-jeito, de dores nas mãos, nos tornozelos, por causa das cordas. O pai, algumas vezes, tentou afrouxá-las, para aliviar o desconforto, para levá-lo ao banheiro, etc., mas ele tentou escapar. Foi preciso lutar, agarrar, bater de novo. Bem, não vou me alongar nos detalhes deste transe medonho. O fato é que a semana se passa, e, ao raiar do oitavo dia, o garoto já não está mais suando, nem com cólicas, nem trêmulo, nem com dores na barriga. Passou. A dependência química está cedendo.
Nesse dia, logo pela manhã, o rapaz acorda com um cheiro de café coado na hora, broas de milho, pão, manteiga e outras guloseimas. Uma mesa posta. Ele estava quase de jejum, e se mostra faminto.
Então o pai o surpreende: chega na sua cama com um sorriso e desata-lhe as cordas. Solta-o e convida-o para o café. Ele toma um banho quente e se assenta à mesa. Está mais animado, e chega a balbuciar algumas palavras monossilábicas, em resposta às tentativas de conversa do pai. Está despertando de um pesadelo.
No meio do café, num gesto brusco, levanta-se e corre para a porta. Num segundo, já está lá na porteira. Mas estranha que seu pai não esteja ao seu encalço. Olha para trás e constata que ele ficou parado, na porta da casa. Desconcertado e curioso, ele para e arrisca uma olhada, como que a perguntar: você não vai me prender?
O pai, entendendo a perplexidade do filho, grita de lá: “filho, Hoje você é um rapaz livre. Das drogas e de mim. Você volta para elas se quiser; volta para mim se quiser. Filho, não quer terminar o café?”
Rubem Amorese
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