domingo, 20 de abril de 2014

O que aconteceu a Jesus no intervalo entre sua morte e ressurreição?


Que Jesus morreu na sexta-feira, mais precisamente, quinta-feira, pois o dia judaico começa ao anoitecer (daí a contagem dos três dias), todo mundo sabe. O que pouca gente presta atenção é ao período compreendido entre sua morte e ressurreição, no domingo. Temos poucas indicações bíblicas, mas são referências poderosas.

Em primeiro lugar, Jesus morreu ao entregar o espírito. José de Arimateia, discípulo oculto de Jesus, solicitou seu corpo para colocá-lo numa tumba nova (Mateus 27:57; Marcos 15:43; Lucas 23:50, 51; João 19:38, 39). Nicodemos, outro discípulo oculto, levou cem arráteis de um composto de mirra e aloés para untar o defunto. E assim aquele corpo, que nas últimas horas havia padecido toda sorte de sofrimentos, pôde, enfim, ser colocado em paz.

Como Jesus em tudo se tornara semelhante aos irmãos (Hebreus 2:17), seu espírito unira-se à alma e já não partilhavam aquele corpo morto. Entendemos pela Palavra de Deus que os mortos justos iam a um compartimento do Hades, um lugar sombrio e temporário que será destruído no fim dos tempos (Apocalipse 20:11-15), conforme relatado por Jesus na enigmática parábola de Lucas 16:20. Este local era dividido entre justos e ímpios. Cremos que este foi o estágio inicial de sua peregrinação pós-morte (Efésios 4:9).

Com a chegada de Jesus ali aconteceu um dos momentos mais alegres e movimentados naquele lugar. Aquele que havia sido testemunhado pelos profetas, prenunciado como já vivente entre os homens por Lázaro, entre outros, estava bem ali. Todos podiam vê-lo, tocá-lo, ouvi-lo. Certamente uma euforia espetacular permeava o ambiente. Cremos que Ele se pôs a confirmar inúmeras profecias e consolar os justos a respeito do que viria. Mas não por muito tempo. Uma outra etapa estava aguardando Jesus.

Em I Pedro 3:19 está escrito que Cristo foi e pregou aos espírito em prisão. Que espíritos eram esses? Onde estavam? Certamente os ímpios mortos de todos os tempos, logo ali do lado. Satanás com seu dom para a mentira, tanto vociferava que a providência de Deus falhara para os justos, quanto assegurava que os ímpios não deveria crer na realidade da existência do Filho de Deus. Jesus não foi ali para pregar libertação e perdão, mas juízo e revelação (Colossenses 1:23). Imaginemos que tais pessoas estavam em desespero, sem alternativas, neste momento Jesus entra em cena. O Hades ficaria vazio! Ao contrário, Jesus, veio desmascarar para aqueles que ali estavam a mentira repetida pelo Inimigo.

Não foi pregar aos anjos caídos. Eles já o conheciam desde os céus. Foi tomar sua autoridade (Colossenses 2:15)! E não apenas isso: Tomou a chave da morte e do inferno (Apocalipse 1:18), esvaziando totalmente o poder do Diabo.

Algo mais aconteceu ali. Jesus esvazia a parte do Hades aonde se agrupavam os justos e os coloca num novo lugar, o Paraíso, para um descanso até o dia da ressurreição final. O próprio Jesus dissera isto ao ladrão na cruz: Hoje estarás comigo no Paraíso... (Lucas 23:43). Agora podiam descansar sem serem torturados pelas palavras do Diabo. Desde então todos os mortos salvos por Cristo se dirigem a este lugar.

Uma nova etapa se descortina. Cristo é o Cordeiro de Deus, que foi oferecido como libação pelos nossos pecados. Mas seu sacrifício não estaria completo se não fosse aceito por Deus. Nos céus há um tabernáculo como mostrado a Moisés (Hebreus 8:2; 9:11,24) e nele Cristo entrou como Cordeiro. É disso que trata o capítulo 24 do livro de Salmos, versículo 7: Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. O Cristo, em corpo glorificado, foi acolhido no Céu.

O resultado imediato da aceitação de seu sacrifício é que assentou-se à direita de Deus em seu trono (Apocalipse 3:21). Jesus não usurpou o direito de sentar ali, Ele conquistou através de sua obra completa e eficaz.

Na manhã do domingo já um longo périplo havia chegado ao fim. Nada nem ninguém poderia detê-lo jamais.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Crentes comunistas em Paulista e Abreu e Lima, Pernambuco

Leiam este excelente registro histórico, enviado pelo meu amigo Professor Mário Sérgio...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Perdendo as oportunidades...


Lançaram o filme Noé, que pouco tem a ver com a história bíblica? É do jogo, eles sempre fazem isso. Foi assim com Moisés, com Davi (da Record) e sempre será, porque as produtoras querem edulcorar a Bíblia, dando uma versão de saga às histórias ali contidas. Mas, quanto nos esforçamos para que a verdadeira história de Noé venha à tona? Ficamos reclamando, criticando, xingando atores, etc. Isto resolve o problema? Certamente, não. Vou aprofundar um pouco mais a corda: Quantos críticos do filme leram o livro do Gênesis completo? Quantos estão percebendo que vivemos os mesmos dias, coma  diferença de séculos? Alguns se prestam a repetir correntes da Internet, mas não conhecem o Noé da Bíblia!

Jean Willys é um calo? É um jogador político. Está buscando a eleição defendendo seu grupo. O que fizemos de prático, digamos, este ano sobre o grupo que Jean diz representar? Oramos fervorosamente quantas vezes pelos gays? Quantos jejuns essa massa facebookiana fez para que o Brasil não seja mais presa desses grupos de pressão? Quantas igrejas você viu fazendo movimentos de oração e jejum contra a esquerdização de nossa Nação? Pelo contrário, grandes líderes flertam abertamente com o modelo. E o representante da maior denominação evangélica brasileira já disse que não há melhor governo que o atual!

O que motivou essas linhas? Bem, ontem, me perguntaram o que as igrejas estavam fazendo sobre os problemas que acometem o crescimento econômico de nosso Estado. A violência cresceu em lugares como Suape, Goiana, Vitória. Os aluguéis explodiram. Porém, se abriu um mar de oportunidades. Somente no canteiro de Suape há mais de 40.000 pessoas vindas de todas as partes do Brasil e do mundo. Vitória vê os estrangeiros de Estados e países invadindo suas empresas. Alguns passaram a morar na região. Com Goiana não é diferente. Quantos piauienses (o Estado menos evangelizado do Brasil) estão trabalhando em Pernambuco? Não podemos evangelizar o Piauí como queríamos (as iniciativas de orgãos como a UMADENE são nulas), mas eles estão entre nós!

Por outro lado, crescem a prostituição, o uso de drogas, o consumo de álcool. O que a Igreja está fazendo a respeito de maneira organizada? Quase nada! A não ser por iniciativas isoladas.

Daqui a dois meses é Copa do Mundo. De que maneira estamos nos preparando para evangelizar pessoas para as quais jamais pregaríamos? Os árabes, os indianos, os ricos europeus? Eles vão se espalhar por todo Brasil, mas eu quero focar Pernambuco. Estarão em nossas praias, comerão em nossos restaurantes, se estenderão por nosso litoral. Que faremos para alcançá-los? Por exemplo, em Itamaracá não tem Copa, mas uma delegação de 400 europeus já reservou um hotel! Um trajeto de setenta quilômetros nos parece um atrativo interessante para fazer algo. Qual o quê? Parcos estrategistas vamos perdendo as oportunidades.

Pense nisso!

Veja esta notícia!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Compartilhando um desafio


Há quatro semanas estamos abordando o assunto Pneumatologia. O Espírito Santo, sua pessoa, seus ofícios, seus dons e vários temas conexos. Concluímos a primeira etapa e gostaria de compartilhar com meus dez leitores um desafio que foi lançado à congregação: buscar com fervor, conforme I Coríntios 12:31, os dons para hoje. Estão dispensados os que não creem em sua atualidade, é um direito. Para os demais, gostaria de fundamentar o desafio:

1) Há uma necessidade de operações espirituais entre nós. Cultos frios, monótonos, sem graça, sem vida? Clamemos pela ação poderosa do Espírito de Deus!

2) As pessoas precisam de salvos preparados para agir como nos dias apostólicos. Há cegos querendo ver, surdos querendo ouvir, paralíticos querendo andar. Roguemos para que Deus use seus servos através do dom da cura;

3) Há inúmeras manifestações espirituais na Igreja hoje e toda sorte de motivações. Como discernir entre elas? Através do discernimento de espíritos.

Enfim, mesmo aqueles que não creem no batismo do Espírito Santo, nem na atualidade dos dons, são unânimes ao compreender que o mundo precisa de seus efeitos.

Fujamos da acomodação!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Uma discussão saudável


No encerramento do trimestre em nossa EBD surgiu um questionamento interessante. O assunto era sobre o legado de um homem de Deus, Moisés. Versava um dos oradores sobre como pastores já falecidos e outros vivos eram referenciais para nossa geração e como pouco a pouco estavam desaparecendo. Citou nominalmente o Pr. Isaac Martins Rodrigues, da Convenção Abreu e Lima, o Pr. José Leôncio, da Convenção Recife e vários outros. É um eco de posts e pensamentos de muitos saudosistas nas redes sociais. Algumas pessoas gostam de publicar fotos deste ou daquele pastor e dizer: Este era um homem de Deus. Outros ainda: Aquele é que era um homem de Deus. Tenho desconfiança da tendência, até porque conheço os procedimentos de alguns daqueles que enaltecem o legado de tais homens.

Ao final, eu propus a seguinte reflexão: E nós o que estamos legando? Tais homens foram baluartes, desbravadores, visionários. Mas seus sucessores tem feito muito mais cada um a seu modo. E o convite da Palavra de Deus é que, para a glória de Deus, possamos cada um de nós fazer cada vez mais!

Em João 14:12 Jesus afirmou: Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. Ou seja, o meu ministério terreno em carne findou. De nada adianta vocês olharem para minha trajetória e relembrar o que fiz, se não estiverem dispostos a fazer muito mais, afinal as necessidades persistem no mundo e não acabarão tão cedo. Paulo sentia-se motivado por esta sensação. Devia como disse a gregos e judeus.

Não desejo tanto ser lembrado pelo que eu fiz, apenas. Quero que as pessoas com as quais convivo e lidero sintam-se desafiadas a fazer muito mais para a glória do Senhor Jesus. Sim, é possível fazer cada vez mais quando olhamos para as necessidades e oramos para que sejamos o instrumento usado para saná-las. A alternativa é a covardia. E há muitos covardes publicando frases bonitas de homens do passado, sem empurrarem nenhuma pedra no presente.

Também não quero menosprezar os obreiros citados. O que quero enfatizar é que tiveram uma oportunidade e a aproveitaram dentro de suas limitações e possibilidades. O Pr. Leôncio ou o Pr. Isaac, por exemplo, não tinham à disposição esta maravilhosa ferramenta que é a web para levar os ensinamentos a quem deveria ouvi-los. Nós temos. Não tinham e-mail, nem Facebook. Nós temos. Com as ferramentas que temos, aproveitemos a oportunidade que Deus nos dá. Não devemos ficar meditando apenas no que fizeram ou exaltando suas qualidades, temos um plano divino em curso que depende de nossa ação e atitude. Se o próprio Jesus desafiou seus discípulos a suplantá-lo, que diremos dos demais?

Hoje, o que de prático você fez para aproveitar a oportunidade que Deus te deu? Ah! Mas eu não sou pastor. É outro engano crasso. O trabalho mais vultuoso da Igreja é feito por incríveis anônimos que só a eternidade vai revelar. Cada um faz um pouquinho, sem esperar reconhecimento humano, e Deus se encarrega de registrar, para relatar naquele dia em que estaremos em frente ao seu trono. Sigamos em frente. É preciso sonhar e colocar o pé na estrada.

sábado, 29 de março de 2014

Planejamento é essencial na liderança eclesiástica!


Planejar é ter habilidade de definir prioridades, determinar etapas e antever riscos e oportunidades, produzindo respostas consistentes a três questões fundamentais: Onde estamos? Aonde queremos chegar? Como vamos fazer para chegar lá? Para compreender adequadamente o termo, não podemos esquecer a famosa pirâmide das decisões:

A pirâmide acima representa os vários níveis decisórios de qualquer organização. No nível estratégico são tomadas decisões de longo prazo. Tais decisões se refletem de maneira duradoura e permanente, marcando profundamente uma organização, seja por seus reflexos positivos ou negativos. O nível tático se ocupa de como atender a médio prazo as decisões estratégicas. E o operacional em implementar ações para o curto prazo. Observemos que o nível estratégico se ocupa de objetivos globais para organização.



Tomando como exemplo uma igreja temos que o pastor, atuando no nível estratégico, estabelece como meta 200 almas num ano. Os órgãos evangelísticos, nível tático, irão se preocupar em criar campanhas para alcançar tal meta. E os membros de tais órgãos, que por sua vez ocupam o nível operacional da igreja, irão se desdobrar a cada domingo para participar das ações do nível tático, buscando cumprir a meta do nível estratégico.


O planejamento se ocupa de harmonizar o funcionamento destes níveis com as demandas do ambiente onde a organização atua. Quando não há este entrosamento, entre outras alternativas:
- A comunicação interna está com problemas
- As metas estratégicas são irreais 
- Existem problemas de endomarketing [1], como falta de motivação
- Os níveis estão indefinidos, todos mandam e ninguém obedece
- Existem crises de comando
- A organização perdeu o foco

O planejamento deve levar em conta os pontos fortes e os pontos fracos da organização. Os pontos fortes são o que de melhor ela tem a oferecer, áreas onde há domínio de conhecimento estratégico [2]. E os pontos fracos são os gargalos que atravessados em seu caminho atrasam a consecução das metas. É interessante notar que a reboque das tais, conseguimos galgar patamares até então não vislumbrados. Uma igreja na intenção de alcançar uma determinada quantidade de almas, pode se tornar uma líder regional. É um efeito colateral.

Entre outras etapas, o planejamento compreende:
- Definição dos objetivos
- Elaboração das ações a serem implementadas para alcançá-los
- Definição dos indicadores e metas
- Implementação das ações
- Avaliação dos resultados
- Revisão e ajuste dos rumos

No nível tático há uma preocupação interessante, muitas vezes não levada em conta pelas igrejas. Chama-se logística. Logística é disponibilizar os recursos humanos, materiais e financeiros da maneira adequada ao longo do percurso desejado para obtenção da meta. Tom Peters, autor e conferencista, coloca sua necessidade da seguinte forma [3]:
Visão? Claro. Estratégia? Sim. Mas quando você vai para a guerra deve ganhar usando logística superior. Depois que a Guerra do Golfo acabou, a mídia focalizou a estratégia que foi usada por Colin Powell[4]  e executada por Norman Schwarzkopf [5]. Na minha opinião, o cara que ganhou a Guerra do Golfo foi Gus Pagonis, o gênio que cuidou de toda a parte logística. Não importa o quanto a sua visão e a sua estratégia sejam brilhantes se você não puder ter os soldados, as armas, os veículos, a gasolina, a comida - as botas, pelo amor de Deus! - para dar às pessoas certas, no lugar certo, na hora certa.
Pagonis certa vez afirmou que sua inspiração foi Alexandre, o Grande. De fato, o exército grego deve suas vitórias á capacidade logística de seu general. Alexandre foi o primeiro a empregar uma equipe especialmente treinada de engenheiros e contramestres, além da cavalaria e infantaria. Esses primitivos engenheiros desempenharam um papel importante para o sucesso, pois tinham a missão de estudar como reduzir a resistência das cidades que seriam atacadas. Os contramestres, por sua vez, operacionalizavam o melhor sistema logístico existente naquela época. Eles seguiam à frente dos exércitos com a missão de comprar todos os suprimentos necessários e de montar armazéns avançados no trajeto. O exército grego consumia diariamente cerca de 100 toneladas de alimentos e 300.000 litros de água! 
O exército de 35.000 homens de Alexandre, o Grande, não podia carregar mais do que 10 dias de suprimentos, mas mesmo assim, suas tropas marcharam milhares de quilômetros, a uma média de 32 quilômetros por dia. Seu exército percorreu 6.400 km, na marcha do Egito à Pérsia e Índia, a marcha mais longa da história. Outros exércitos se deslocavam a uma média de 16 ou 17 quilômetros por dia, pois dependiam do carro de boi, que fazia o transporte dos alimentos. Um carro de boi se deslocava a aproximadamente 3,5 quilômetros por hora, durante 5 horas até que os animais se esgotassem. Cavalos moviam-se a 6 ou 7 quilômetros por hora, durante 8 horas por dia. Eram necessários 5 cavalos para transportar a mesma carga que um carro de boi. 
Também inovou nos armamentos. Seus engenheiros desenvolveram um novo tipo de lança, chamada sarissa, que tinha 6 metros de comprimento, largamente utilizada pela infantaria. Com esse armamento derrotou um exército combinado de persas e gregos de 40.000 homens perdendo apenas 110 soldados.  Em 333 a.C., seu exército derrotou um exército de 160.000 homens comandados por Dário, rei da Pérsia. Devido a esse sucesso, a grande maioria das cidades se rendeu ao exército macedônico sem a necessidade do derramamento de sangue. Assim, Alexandre o Grande criou o mais móvel e mais rápido exército da época. 
Portanto, planejamento é a palavra chave para qualquer igreja. Vemos isto na ação de Deus, quando permitiu que a Grécia fosse um império mundial, para se utilizar de sua língua, permitiu que Roma fosse uma nação dominadora para se aproveitar do gênio de seus generais, na construção de estradas, por exemplo. Nem sempre é uma atitude simpática, porque o planejamento, como já dissemos, em seu nível mais elevado vê o horizonte a longo prazo. Para alcançá-lo, às vezes, é necessário sacrificar algo do presente. É exatamente por isso que muitas vezes não entendemos os planos de Deus!

A alternativa é a ação contingencial. Contingência é agir somente e se um problema acontecer. É uma ação emergencial e reativa, que somente é posta em prática quando ocorre um problema. A definição se aplica a várias situações do dia-a-dia. Da ladeira que só foi isolada com lona após a chuva arrastar dois ou três casebres, até o Bolsa Família, que minora a fome, mas não tira da miséria. Na igreja a falta de planejamento produz ações atabalhoadas,  imediatistas e de pouco resultado prático como as que vemos vez por outra. Portanto, sejamos pró-ativos, nos antecipando aos problemas e propondo soluções inovadoras para os problemas que nos cercam.

O mais o Senhor fará!

[1] Endomarketing, em termos resumidos, é como os agentes internos de uma organização a enxergam. Membros, funcionários, diretores e terceirizados, por exemplo.
[2] Também chamado know-how, literalmente, domínio do processo de como fazer. A Assembléia de Deus, por exemplo, tem o know-how do evangelismo pessoal. Foi com esta ferramenta que a igreja explodiu em crescimento, mas tem fraco desempenho na ação social de longo prazo, não tem know-how na área.
[3] http://vocesa.abril.com.br/evolucao/aberto/ar_127821.shtml
[4] Secretário de Defesa americano no período da I Guerra do Golfo
[5] General que coordenou a ofensiva na ocasião

sexta-feira, 28 de março de 2014

Usos e costumes à luz da Bíblia

Desonestidade Sutil

“Você, que murcha a barriga para tirar foto: cuidado, Deus está vendo!”.
Tropecei nessa divertida frase no facebook. Ela apareceu em plena repercussão das minhas confissões sobre honestidade do Ponto Final 347. Deu pano pra manga. Houve gente compreensiva (não há um justo sequer!), gente misericordiosa (temos um advogado junto ao Pai), gente inconformada (dado ao tempo transcorrido, devíeis ser mestres…) e gente chocada, quase escandalizada (como, desonesto?! Você?!).
Acabou sendo um bom tempo de conversas sobre mentiras inocentes (quando o telefone toca e você pede para dizer que não está, ou quando você, com medo de encarar a briga, diz à esposa que ela está apenas, hã “cheiinha”) oudesonestidades inofensivas (que “não fazem mal a ninguém”).
Em algumas conversas, o assunto se estendeu para verdades cruéis (que acabam sendo usadas como armas), amor destrutivo (que “passa a mão na cabeça” do filho delinquente ou que nunca abre a portinha da gaiola de ouro) etc., como versões leves de desonestidade.
De todas essas conversas anotei exemplos do que chamamos de desonestidades sutis, porque sua tipificação (ou reconhecimento) no comportamento das pessoas é tão difícil que crente algum deveria se atrever a julgar. Mas pensamos que, por outro lado, não devem ser excluídas do ensino na igreja, porque precisam ser denunciadas, de modo que cada um tenha referenciais em relação aos quais examinar as próprias faltas, para crescer.
Eis algumas situações comuns de desonestidade sutil.
Quando se “pede oração” pelo pecado confesso de um irmão, temos o caso de intercessão ou uma desonestidade? Seria uma atitude espiritual ou simples fofoca?
Quando eu me esqueço de citar a fonte de uma ideia ou de um conceito-chave, ao escrever, estou sendo desonesto? Ou apenas esquecido?
Quando “disponibilizo” na internet a versão digitalizada de um livro que não é meu (portanto, apenas uma cópia, “que não tira pedaço de ninguém”), sem autorização do autor ou da editora, sob pretexto de incentivar o estudo e o conhecimento bíblico, estou, de fato, “colaborando com a divulgação do evangelho”?
Quando eu “baixo” um aplicativo, e também seu número serial (sem o qual o aplicativo não roda), estou sendo moderno e descolado? Ou levemente desonesto, ao me apropriar de uma cópia de algo que não é meu?
Brasília tem uma feira dos importados, vulgo “feirinha do paraguai”. É uma feira com infra-estrutura montada pelo governo. Não me lembro o que fui comprar lá, mas encontrei um irmão da igreja. Ao me ver, ele exclamou: “Você aqui?!”. Senti que havia escandalizado o irmão. Felizmente, na conversa, sob pretexto de esclarecer uma dúvida, pude mostrar a nota fiscal da minha compra. Ufa!
Uma prática comum das conversas por email é a expressão: “só agora vi seu email”. É normal as mensagens se perderem em caixas postais movimentadas ou desorganizadas. Em especial, se a pessoa não mantém um bom filtro de SPAMs. Mas pode ser que essa frase queira dizer: “só agora li seu email”. A pessoa “só” trocou “vi” por “li”. Então, ela pode ter visto e não lido. Mas a circunstância a obrigou a se manifestar. A saída levemente desonesta é fazer a troca: só agora vi seu email. Sai justa.
Como julgar? Tantas podem ser as desculpas e atenuantes, verdadeiras, para essas situações: ignorância, desconhecimento, imperícia ao falar ou escrever, desleixo, “desligação” etc. Como lidar com essas situações de penumbra, em que todos os gatos são pardos? Penso em duas abordagens possíveis. Na primeira, estamos olhando para os outros; na segunda, para nós mesmos.
Quando percebemos uma possível desonestidade sutil em outra pessoa, é melhor não julgar (no sentido de um rito sumário, que desemboca em um veredito condenatório). É pensar o melhor dela. Como gostaríamos que pensassem de nós, se a situação de dúvida nos fosse desfavorável. Se houver intimidade (e oportunidade) para uma conversa, talvez seja edificante esclarecer, a partir de perguntas (de quem deseja saber). Então, se for o caso, pode ser útil uma respeitosa exortação em tom genérico. Jamais para condenação, mas para ensino.
Quando, entretanto, desconfiamos que é o nosso próprio coração que nos está enganando com convincentes desculpas e argumentos, esgotados os recursos da oração e da leitura devocional das Escrituras, a solução é a igreja. A amizade espiritual dos irmãos nos ajudará. É procurar gente de confiança e “confessar”. Não conheço nada mais honesto que a confissão da desonestidade. Em especial para irmãos de fé. Eles nos ajudarão a descobrir se estamos sendo sutilmente desonestos ou se não há nada de mais no que fazemos ou fizemos. Em tudo isso, avultam duas palavras: obediência e submissão.
Agora, cá entre nós: você murcha a barriga para tirar foto? :-)
Pescado de Rubem Amorese

sexta-feira, 21 de março de 2014

Esperando os primeiros e últimos frutos


Sede pois, irmãos, pacientes até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia (Tiago 5:7)

A Bíblia é muito rica em metáforas. A figura de linguagem é a expressão mais acabada da sabedoria oriental. Qualquer elemento da natureza, em sua maravilhosa economia, era suficiente para abordar a vida de uma maneira peculiar. A sociedade agropastoril, predominante em Israel, mesmo nos tempos de Jesus e a dependência da água como elemento essencial numa das regiões mais secas do planeta, tornavam as histórias sobre frutos, plantações e colheitas impactante para o ouvinte.

O assunto em pauta é item escasso em nossos dias: paciência. Plantadores há muitos, mas daqueles que esperam o tempo apropriado da colheita há poucos. Não raro o desespero toma conta do coração e se abandona uma horta minguada, ao invés de adubá-la e aguá-la, esperando dias melhores. Adoniram Judson pregou na Birmânia por seis anos até conseguir sua primeira conversão. E tantos outros missionários tiveram a mesma dificuldade. Não devemos desanimar diante dos desafios ao trabalho que fazemos na Obra do Senhor.

A chuva temporã caía durante o outono no tempo de semear a terra garantindo assim, a colheita do inverno. Sem essa chuva a semente não germinava, daí sua necessidade para fazer brotar a semente. A serôdia caia durante as primeiras semanas da primavera antes da colheita, ela era necessária para fazer com que a plantação amadurecesse para a colheita. No ciclo das chuvas a fé cresce ou diminui. Um dia acordamos tocando no trono de Deus, noutro não sabemos mais se Ele está ao nosso lado.

Sei o quanto isso é difícil de viver na prática. Falar é fácil. Mas se nossos passos fizessem brotar jardins tenderíamos a desprezar o Deus das flores. A dificuldade vem para nos comprovar que tudo depende DEle. Se Ele está à frente de nossos empreendimentos, tudo vai dar certo para a glória de seu Nome.

Descansemos com paciência. Fiel é o que prometeu!

terça-feira, 18 de março de 2014

1º Simpósio Ciência&Fé

As igrejas que estamos auxiliando promoverão dia 24/06/2014, um simpósio. O tema é a análise da criação divina. Convidamos um cientista, o Prof Ricardo Marques, para fazer a exposição. Se você mora por aqui e quiser participar, será bem-vindo. Maiores detalhes em nosso portal. Ore, divulgue, participe!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Introdução à Pneumatologia

O que é?

A doutrina do Espírito Santo, também chamada pneumatologia (o termo é derivado de duas palavras gregas, pneuma, vento, espírito, e logia, estudo) é uma das bases de nossa igreja. Nascemos no Pentecostes e vivemos de modo pentecostal, crendo na manifestação dos dons em nossos dias.

Base bíblica

O Espírito é uma pessoa. Esta afirmação se opõe aos ensinamentos das Testemunhas de Jeová, segundo o qual é a força ativa de Deus. Seu hálito, sem ímpeto. Eles pensam assim por uma exegese errada de passagens como Jó 33:4. Compreendemos que uma pessoa é independente quando manifesta algumas características que aparecem no texto bíblico. Vejamos: 1) Possui emoção e ação independente:
  1. Ele unge (Is 61:1)
  2. Ele se entristece (Ef 4:30)
  3. Ele geme por nós (Rm 8:26)
  4. Ele testifica (Rm 8:16)
  5. Ele convence-nos dos nossos pecados (Jo 16:8)
  6. Ele age sobre o corpo de uma pessoa (At 8:39)
  7. Ele gera vida no caos (Gn 1:2)
2) Possui vontade própria
  1. Ele nos dá os seus dons, por sua deliberação (I Co 12:11)
  2. Ele impede que façamos algo com o que não concorda (Atos 16:6,7)
3) É distinto
  1. É distinto de Jesus e de seu Pai (Mt 3:16)
  2. É distinto de outras pessoas (At 15:28)
A deidade do Espírito Santo. Não há dúvida na Bíblia que o Espírito Santo é parte integrante da Trindade, portanto, ente divino. Porém, para solidificar nossa fé e ampliar nosso conhecimento, vamos a algumas referências que comprovam tal afirmação. Por 16 vezes ele é relacionado às outras duas pessoas da Trindade (algumas referências: Gn 1:2; Êx 31:3; Nm 24:2; II Cr 15:1; Jó 33:4; Is 40:13, 61:1; At 16:7; Rm 8:14; I Co 2:11, 3:16, 6:11; I Jo 4:2). Uma das mais surpreendentes declarações a respeito deste assunto ocorre em João 14:16, quando Jesus prediz que outro Consolador será enviado. Há duas palavras gregas para outro, allós e eterós. Allos significa outro do mesmo tipo, substância e espécie, mesma palavra utilizada na parábola dos talentos e das sementes. Já eterós significa igualdade diferenciada, como no caso dos sexos. Outra imagem vívida da palavra está em II Coríntios 6:14. Além disso, há outros atributos que comprovam sua divindade. Vejamos: - Onisciência (I Co 2:11,12; At 5) - Onipresença (Sl 139:7) - Onipotência (Gn 1:2; Jó 33:4; Sl 104:30) Para concluir, mentir a Deus, é mentir ao seu Espírito (At 5). O Espírito Santo é associado em termos de igualdade ao Pai e ao Filho (Mt 28:19; II Co 13:14).

Bibliografia Ryrie, Charles C, Teologia Básica, Mundo Cristão Coene, Lothar, Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Vida Nova

Questão acessória: Quem não é batizado no Espírito Santo é salvo? Certamente! Crer em Jesus como Salvador e entregar-se ao seu senhorio é o requisito para a salvação. Se não cremos no batismo no Espírito Santo, apenas não vamos usufruir das bençãos decorrentes disto.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Parecer contra o retété!?

O assunto é antigo, mas só agora eu soube. E como soa atual... Destaque para a coragem da denominação. Clique na imagem para visualizar melhor.

Fonte: http://sidneiemoura.blogspot.com.br/2011/04/igreja-deus-e-amor-proibe-retetes-e.html

segunda-feira, 3 de março de 2014

Dando notícia...


Acabo de chegar da Consciência Cristã, em Campina Grande/PB. Evitei postar algo mais extenso sobre o evento por pura falta de tempo. Mas gostaria de fazê-lo agora. Não que seja porta-voz oficial. Também não vou me estender... Em suma:

1) Há salvação para nossos jovens. Eles estavam presentes em grande número e prestando atenção à mensagem a todo momento!

2) Há salvação para a pregação bíblica expositiva. Paul Washer, Ronaldo Lidório, Russel Shedd, Geremias do Couto e outros usaram o microfone sem rodeios ou salamaleques. Bíblia, Bíblia e mais Bíblia. E o povo ouvindo com atenção. Para se ter ideia, a predica de Paul não termina antes das dez e, no máximo, cem pessoas, no meio de oito ou nove mil, saem! Duas manhãs com mais de cinco mil pessoas no auditório principal!

3) Há salvação para a Igreja. As pregações foram cristocêntricas. Nada de vãs teologias, filosofias travestidas de Bíblia, etc. A Igreja quer ouvir a Palavra de Deus. Não sei se em todos os lugares isto está sendo possível.

4) Não tenho muitas informações sobre Paul Washer, mas suas pregações foram uma paulada terrível em três pragas que se espalharam por nossas igrejas. Primeiro, ênfase na prosperidade como finalidade de nossa existência. Segundo, tratar a exposição de usos e costumes como exposição bíblica. Terceiro, ausência da pregação sobre o pecado e a redenção. Na segunda, à noite, ele mal terminou a pregação. Veio sobre o povo um quebrantamento sobrenatural. Sem forçar a barra, sem agonia, somente com a Bíblia.

Encerro com um pensamento pessoal: E se os pregadores pentecostais adicionassem um pouco mais de Bíblia às suas pregações. Conhecimento + Graça = Crescimento qualitativo! Se os tradicionais chegaram tão longe...Rsrsrs!

Agora, só no ano que vem.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A soberania de Deus em xeque!

Agora é um argumentador de alto nível teológico, talvez o ouçam. Fiz alguns destaques. Especial atenção para a parte em azul. Nossos exegetas e expositores, como eu cansei de dizer, não estão sendo honestos.




A SOBERANIA DE DEUS EM XEQUE

Análise do 'interdito bíblico' ao chamado divino de mulheres para o ministério pastoral batista brasileiro

Josué Mello Salgado, Th.D.

"Quem guiou o Espírito do Senhor, ou como seu conselheiro o ensinou?" Isaías 40:13.

"Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu alguma coisa, para que Ele lhe recompense? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." Romanos 11:36.

Assim diz O Senhor: "Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei," Isaías 42.8

I) CHAMADO DEPOIS CONSAGRAÇÃO E SÓ DEPOIS FILIAÇÃO
Diz a Escritura Sagrada que "Foi Ele que designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres" (Efésios 4:11). Em Mateus 9:36-38 lemos que Jesus vendo "as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: Na verdade, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara". O que Jesus diz é que o nosso dever é rogar e a prerrogativa exclusiva do Senhor da seara é mandar trabalhadores. Nós pedimos, mas é Ele quem manda! E, para mandar Ele primeiro chama!

A Declaração Doutrinária da CBB se coaduna com essa compreensão bíblica e afirma em seu capítulo sobre o Ministério da Palavra: “Todos os crentes foram chamados por Deus para a salvação, para o serviço cristão, para testemunhar de Jesus Cristo e promover o Seu reino, na medida dos talentos e dos dons concedidos pelo Espírito Santo. Entretanto, Deus escolhe, chama e separa certos homens, de maneira especial, para o serviço distinto, definido e singular do ministério da Sua Palavra (,,,) Quando um homem convertido dá evidências de ter sido chamado e separado por Deus para esse ministério, e de possuir as qualificações estipuladas pelas Escrituras para o seu exercício, cabe à igreja local a responsabilidade de separá-lo, formal e publicamente, em reconhecimento da vocação divina já existente e verificada em sua experiência cristã” (PACTO E COMUNHÃO. Rio de Janeiro: Convicção, 2010, p. 26 – XI – Ministério da Palavra).

Na Bíblia, na língua portuguesa, e mesmo na Declaração Doutrinária da CBB (conf. p.ex. cap. III - O Homem, pg. 18), o substantivo masculino “homem” é também usado para se referir ao ser humano, independente do gênero, masculino ou feminino (Deus só criou esses dois gêneros!).

Antes de falar de filiação ou não de mulheres pastoras à OPBB, precisamos falar de consagração. E antes de falar de consagração ou não de mulheres ao ministério pastoral batista precisamos falar de chamada. Muitos dos debates atuais tratam apenas da questão secundária da filiação ou não à OPBB. De certo modo esta abordagem está correta, tendo em vista que nós os batistas cremos que cabe à igreja local a responsabilidade de separar, formal e publicamente, uma pessoa que dê evidências de ter sido chamada e separada por Deus para esse ministério, e de possuir as qualificações estipuladas pelas Escrituras para o seu exercício (vide a Declaração Doutrinária). Consagração ao ministério é prerrogativa da igreja local. Filiação à OPBB é prerrogativa das plenárias da OPBB. Mas chamada é prerrogativa exclusivamente divina! Nós os batistas cremos na afirmação bíblica da prerrogativa exclusiva de Deus quanto a autoridade para chamar quem quer e quando quer. Afinal, a Escritura registra a afirmação divina contundente: "Desde toda a eternidade, Eu o Sou; e não há nada nem ninguém que possa fazer escapar algo ou alguém das minhas mãos. Agindo eu, quem impedirá?" (Isaías 43:13). Se Deus resolve chamar uma pessoa para o ministério, "quem impedirá?" Ou ainda, quem tem autoridade para impedir? Não estaria "combatendo contra Deus" (Atos 5:39) alguém que tenta impedir a ação divina de chamar? Penso que sim!

Quando estamos tratando de chamada divina para o ministério pastoral, estamos pisando em "terra santa", eis que esta não tem definição geográfica, mas teológica. A ‘terra santa’ não é idêntica à terra de Israel, mas ‘terra santa’ é o lugar onde Deus fala, o ser humano ouve e responde positivamente (Êxodo 3:5). Se assim é, a única atitude coerente é a de descalçarmos os nossos pés, desarmarmos o nosso espírito e nos esvaziarmos de qualquer pretensão de usurparmos uma autoridade que só a Ele pertence.
Assim é que me propus a refletir não sobre filiação à OPBB, nem de consagração pela igreja local, mas de chamada divina, temendo e tremendo, eis que estou pisando em ‘terra santa’!

II) INTERDITO BÍBLICO AO CHAMADO DIVINO DE MULHERES PARA O MINISTÉRIO PASTORAL BATISTA BRASILEIRO?
Nos séculos XVII e XVIII surgiu no seio da Igreja Católica Romana um movimento chamado Jansenismo com nítido parentesco com uma leitura extremada da posição de Agostinho, que exalta o primado da Graça sobre o mérito humano (em contraposição aos pelagianos) e que influenciou os reformadores. Essa escola teológica surgida com Cornelius Otto Jansen (1585-1638) tomou por assim dizer o aspecto de protestantismo dentro da Igreja Católica. Em contrapartida a uma antropologia pessimista o jansenismo defendia a soberania absoluta de Deus. Em 1727 faleceu um diácono (no sentido católico) jansenista e teólogo muito amado principalmente pelos pobres chamado François de Pâris (1690-1727). Ele foi sepultado no cemitério de Saint-Médard e em torno do seu túmulo surgiram rumores de fenômenos sobrenaturais, como curas milagrosas. Logo surgiram multidões de peregrinos. Os jansenistas vinham ao cemitério de Saint-Médard para orar e passaram a usar os testemunhos de tais fenômenos milagrosos como sinais do céu em apoio a sua luta dogmática, moral e disciplinar contra o Papa, a Bula Unigenitus – que em 1713 condenava os jansenistas, e os Bispos. Os devotos que iam rezar junto ao túmulo, afirmavam que lá se produziam milagres, visões e êxtases, as curas eram obtidas por meio de convulsões em torno do túmulo. Os fenômenos deram origem aos chamados 'Convulsionários de Saint-Médard', uma espécie de pentecostalismo. Pelo menos 800 pessoas teriam sido curadas pelas convulsões de 1731, entre elas várias pessoas de destaque. No entanto, vários escritores acreditam que os eventos extraordinários no cemitério foram muito exagerados. Milagres e êxtase não era novidade naqueles tempos, mas milhares se convertiam ao jansenismo, o que causou insatisfação por parte das autoridades eclesiásticas e políticas. O Rei Louis XV determinou o fechamento do cemitério em 27 de janeiro de 1732. Um humorista escreveu nos novos muros do cemitério:

"Por ordem do Rei, Deus está proibido de fazer milagres neste lugar".

Para combater a adesão a uma visão doutrinária diversa da ‘oficial’, o rei Louis XV tentou vetar uma atividade divina; a de realizar milagres. Ouvi essa história pela primeira vez por Reis Pereira, pregando na Igreja Batista do IBES em Vila Velha (ES). A história me faz perguntar, por analogia, se é legítimo que afirmemos que "por ordem bíblica - ou de uma interpretação bíblica particular - Deus está proibido de chamar mulheres para o exercício do ministério pastoral batista"? Minha convicção bíblico-teológica e batista-doutrinária sobre a soberania de Deus me impede de colocar em xeque a soberania de Deus em matéria de chamado para o ministério pastoral; ainda que com a Bíblia na mão! Afinal: "O Vento divino sopra onde quer" (João 3:8).

O Evangelho registra uma controvérsia entre Nicodemos e os principais sacerdotes e escribas sobre a pessoa de Jesus Cristo em João 7:40-53. A controvérsia inicia quando alguns dentre o povo diziam: "Verdadeiramente este é o profeta" (vs.40), outros diziam: "Este é o Cristo" (vs.41). Ainda outros, dentre os quais os principais sacerdotes e fariseus perguntavam céticos e cheios de preconceito: "Vem, pois, o Cristo da Galiléia?"(vs. 41). Os líderes religiosos contestam a multidão crente: "Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita"(vs.49). Surge então Nicodemos, que conhecia bem a lei de Deus, dizendo: "A nossa lei, porventura, julga um homem sem primeiro ouvi-lo e ter conhecimento do que ele faz?" (vs.51). Não deve haver dúvidas de que Nicodemos remetia principalmente às Escrituras Sagradas ao falar da 'nossa lei'. Deuteronômio 1:16s; 17:4; 19:15 falam desse 'direito' bíblico. A réplica dos principais sacerdotes e escribas é absurdamente usurpadora da autoridade divina: "És tu também da Galiléia? Examina e vê que da Galiléia não surge profeta" (vs.52). Eles tentaram negar que Jesus era o Messias usando a própria Bíblia. O que fica óbvio é: a) o pressuposto de seu dogma era preconceituoso contra galileus, b) o interdito era inverídico e mostrava desconhecimento ou omissão de ter já havido profetas da Galiléia, por exemplo Jonas (2 Reis 14:25), c) o interdito era inverídico e revelava desconhecimento de ter Jesus nascido em Belém, na Judéia, ali há apenas 10 kms de Jerusalém. Ele apenas crescera na Galiléia. O que, entretanto mais chama a atenção é terem colocado a identidade de Cristo em xeque; com a Bíblia na mão! "O Dogma escrito aprendido tornou-os cegos para a revelação salvífica de Deus em Jesus" (Johannes Schneider. Das Evangelium nach Johannes. (Theologischer Handkommentar zum Neuen Testament, 4). – Berlin: Evangelische Verlagsanstalt, 1988, S. 172) . "Esses indivíduos que conheciam muito bem as palavras das Escrituras, eram incapazes de ouvir a voz de Deus. Possuíam conhecimento amplo e meticuloso do texto. Eles reverenciavam as Escrituras. Eles as memorizavam. Usavam-nas para regular cada detalhe da vida. ...eles estudavam a Palavra, mas não a ouviam! Para eles, as Escrituras haviam se tornado um fim em si mesmas; deixaram de ser um meio de ouvir a Deus. (...) A tinta havia se transformado em fluido de embalsamamento" (Eugene H. Peterson. Trovão Inverso: O Livro do Apocalipse e a Oração Imaginativa. – Rio de Janeiro: Habacuc Editora (Danprewan), 2005, pg. 18).

Tais exemplos colocam em questão não tanto a autoridade das Escrituras, mas o seu caráter, sua natureza, e a relação dela com Deus. Eugene Peterson afirma que "A Escritura é a Palavra de Deus a nós, e não uma coleção de Palavras humanas sobre Ele". Um exemplo simples: A Bíblia nos proíbe de matar o semelhante: "Então, falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não matarás" (Êxodo 20:1-2, 13). Esse mandamento é normativo para nós, não há dúvidas. É explícito e claro, como um dia ensolarado. Mas a Bíblia não é normativa para Deus e nem o pode ser, visto ser ele O Senhor absoluto, por isso podemos encontrar na Bíblia muitos textos como este: "E aconteceu no caminho, numa estalagem, que o Senhor o encontrou, e o quis matar" (Êxodo 4:24). O mandamento de não matar não vale para Deus! Ainda que a Bíblia explicitamente interditasse o chamado de mulheres para exercitarem o ministério pastoral batista - e estou convencido de que ela não o faz - ainda assim, não teríamos qualquer autorização de, com a Bíblia na mão, interditar uma prerrogativa que é divina, isto é chamar quem Ele quer. Repito, ainda que houvesse na Bíblia um único texto bíblico explícito dizendo algo mais ou menos assim: "não consagrarás mulheres ao ministério pastoral nem as filiarás às tuas associações de classe", esse texto não impediria Deus de chamar mulheres para o ministério pastoral, pois que chamada é prerrogativa divina e a Bíblia é norma para nós, é Palavra de Deus a nós, e não palavras humanas sobre e para Deus.

Em suma, a nós não nos compete questionar o Pai quanto às suas decisões quanto a chamada para o ministério pastoral (conf. Atos 1:8). Deus é soberano, chama quem quer, quando quer, para o que quer e coloca onde Ele mesmo quer! Deus não nos deu a Sua Glória! (Isaías 42:8)

III) ACEPÇÃO DIVINA DE GÊNERO À VOCAÇÃO MINISTERIAL?
E, contudo levanta-se a pergunta se Deus revelou nas Escrituras de forma clara e inequívoca se Ele chama ou não mulheres para o ministério pastoral. Estou convencido de que não há nenhum texto bíblico onde explicitamente Deus revela sua vontade quanto a algum tipo de definição de gênero como pré-requisito para o exercício do ministério pastoral e que desse modo direcionaria o chamado divino apenas para o gênero masculino. Então a pergunta passa pela chave hermenêutica que usamos para interpretar a Bíblia, em possíveis evidências implícitas. É possível observar na fundamentação bíblica das posições controversas duas “escolas” ou tipologias de argumentação: “taborismo” e “utraquismo”. Sobre isso escrevi um artigo chamado “Consagração Feminina: Por que pensamos como pensamos? Apenas em resumo: De tendência taborita alguns crêem que a Bíblia não autoriza de forma expressa, i.é., ipsis literis a consagração de mulheres ao ministério pastoral, portanto a consagração deve ser rejeitada. Por outro lado uma hermenêutica bíblica utraquista parte do pressuposto e da chave interpretativa que a Bíblia não proíbe expressamente a consagração de mulheres para o exercício do ministério pastoral, sendo, portanto autorizada.

Lembro mais uma vez que estamos entrando em ‘terra santa’ pois a pergunta pivotal não é se podemos ou não consagrar, mas se Deus chama ou não! Obviamente caso a Bíblia afirmasse categoricamente que Deus não chama mulheres, teríamos que concluir que, Ele claramente não chama mulheres para o ministério pastoral!

Examino ligeiramente quatro argumentos usados por alguns, que apontariam implicitamente para um interdito à consagração e filiação associativa, por insinuarem certa acepção divina no chamado.

Antes uma palavra sobre um argumento ao meu ver absolutamente incompreensível e que vem sendo utilizado por muitos. É o caso de tentar associar uma possível aceitação de mulheres no ministério pastoral como uma brecha para aceitação de homossexuais no ministério. É óbvio que Deus não chama homossexuais para o ministério, pela simples razão de que ele não criou um terceiro, quarto, quinto gênero. Deus criou homem e mulher, diz a Bíblia. Além disso, a Bíblia afirma categoricamente que “do Céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça” (Romanos 1:18). Mais adiante a Bíblia explicita uma dessas impiedades e injustiças: “Pelo que Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro” (vs. 26-27). Deus usa vasos imperfeitos, mas não vasos sujos! Esse tipo de argumento é absolutamente inaceitável, visto que a mulher não foi ‘nascida em pecado’ (João 9:34) e nem está em pecado, por ser mulher.

IV) O ARGUMENTO DA FUNÇÃO DA MULHER COMO ADJUTORA
Gênesis 2:18 - “Disse mais o Senhor Deus: não é bom que a pessoa seja só; far-lhe-ei um socorro que lhe corresponda como uma imagem do outro lado do espelho” (tradução livre). O foco do texto em epígrafe é claramente a humanidade, o ser humano genérico! Esta interpretação é evidente, tendo em vista o uso do termo hebraico adam para designar homem, abrangendo ambos os gêneros, em preferência a zakar (Gênesis 1. 27) ou iysh (Gênesis 2. 23) ambos usados exclusivamente para designar homem, gênero masculino. O termo adam ao lado de enosh (Salmo 8. 4) é, preferencialmente, termo designativo de ambos os gêneros (homem e mulher) como fica claro em Gênesis 5:1-2: "Este é o livro das gerações de Adão (adam). No dia em que Deus criou o homem (adam), à semelhança de Deus o fez. Homem (zakar) e mulher (naqebah) os criou; e os abençoou e chamou o seu nome homem (adam), no dia em que foram criados." Em suma: a humanidade, o ser humano, a pessoa humana (adam) pode ser macho (zakar) ou fêmea (naqebah); mais claro é impossível! Não é sem razão que a Bíblia judaica traduz o texto de Gênesis 2:18 assim: "Adonai, Deus, disse: Não é bom que a pessoa fique só." (Bíblia Judaica Completa: O Tanakh (AT) e a B’rit Hadashah (NT). – São Paulo: Editora Vida, 2010). Posteriormente adam passou a ser também o nome próprio do primeiro homem: Adão. Tal compreensão é fundamental para entendermos que o Deus revelado nas Escrituras não é machista e nem feminista. Ele não concentra sua atenção e preocupação sobre apenas um dos dois gêneros. Ele tem propósitos para ambos, e ambos são iguais em dignidade e essencialidade diante dEle e alvo do Seu incondicional amor e cuidado. Ambos são também “por um pouco, menor do que Deus” coroados por Ele “de glória e de honra” (Salmo 8.4). Além disso são igualmente instrumentos úteis nas mãos de Deus; há portanto uma igualdade essencial e funcional entre homem e mulher. Curto: Deus não é ginófobo! O ser humano criado é, no referido texto, alvo de um (auto) diagnóstico divino: “não é bom que o ser humano viva só”! Para Deus um ser humano que vive só, alimenta-se só, trabalha só, se diverte só, decide só e que articula sua abordagem do mundo só, sem interlocutor ou contraponto, está aquém do ideal e do projeto divino. O ser humano que vive portando-se como senhor absoluto da verdade, sem aceitar a convivência com outro como interlocutor e contraponto, preferindo o monólogo e não o diálogo, vive só! Na verdade o primeiro “não é bom” da história humana não foi direcionado ao ser humano criado por Deus, mas à existência solitária! A fim de suprir tal “existência solitária” – e há muitos que vivem assim, mesmo rodeados de uma multidão – Deus providencia a Sua solução: um socorro que lhe corresponda como uma imagem do outro lado do espelho” (hebr. etzer kenegdô).

A expressão hebraica ETZER, traduzida como adjutora (ARC), ajudadora (ACF, BRP), auxiliadora (ARA) ou popularmente auxiliadora, ocorre 109 vezes no AT, em 102 versos, com 55 formas diferentes. O texto mais paradigmático do uso de etzer é com certeza I Samuel 7: 12: “Então, tomou Samuel uma pedra, e a pôs entre Mispa e Sem, e chamou o seu nome Ebenézer (hebr. eben-ha-etzer = pedra de auxílio) e disse: Até aqui nos ajudou o SENHOR. A forma de etzer no texto de Gênesis 2:18 é do substantivo comum masculino singular absoluto homônimo, e assim aparece 21 vezes no AT. Das 21 vezes, 4 são usadas para o ser humano, 10 para Deus, 6 abstrato ou comum e 1 vez é indefinida. A Versão Corrigida “Fiel” da Sociedade Trinitariana traduz o substantivo masculino singular ETZER de 5 maneiras: ajudadora (2), ajuda (3), socorro (9), auxílio (7) e ajudador (1). O curioso é que a tradução “ajudadora” só ocorre duas vezes, exatamente em Gênesis 2:18 e 20. Minha observação pessoal é que “ajudadora” é uma tradução que dá a idéia de subalternação, de ser a pessoa subalterna e mera coadjuvante, e que a tradução “por socorro” é mais fiel ao original substantivo masculino singular. Bem nos lembrou o nosso Luiz Sayão, especialista em hebraico, na Assembleia em João Pessoa, que o termo etzer é largamente utilizado para se referir a Deus, portanto uma tradução de etzer que imponha o desempenho de uma função ou papel meramente secundário e coadjuvante não é adequada. Melhor mesmo é pensar em ‘socorro’. Deus providenciou um socorro para o ser humano sozinho e solitário. Tenho uma mensagem baseada neste texto que intitulei de ‘Marias do Socorro’.

A idéia do texto é que o homem só estava em apuros e precisava de um socorro, providenciado por Deus, como diz o Salmo 89:19 - "Pus o socorro sobre um". O livro de Eclesiastes apresenta esse socorro através do outro (4:9-12). Assim ETZER tem o sentido de auxílio, ajuda e socorro, não como inferior ou subalterno, mas exatamente ao contrário, no sentido de estar em condições de auxiliar, ajudar e socorrer quem precisa e está em situação de desvantagem, por estar sozinho (conf. II Reis 14. 26, Jó 29. 12, Salmo 30. 10, Salmo 54. 4, Salmo 72. 12). O ser humano só “estava em desvantagem e precisava de alguém que o ajudasse, o socorresse, quem o auxiliasse a viver melhor.” O outro, homem e/ou mulher, são para nós esse socorro divino para nos ajudar a não mais vivermos sós! Neste sentido eles são para nós representantes do Deus chamado largamente na Bíblia de Auxílio (ETZER). O Salmista orou: “Ouve, SENHOR, e tem misericórdia de mim; SENHOR, sê tu o meu Socorro (ETZER)” (Psa 30:10 AKJ). Assim cumpre-se a palavra divina: “Um ao outro ajudou e ao seu companheiro disse: Esforça-te!” (Isa 41:6 ARC). Expressivas são as traduções da NVI e da King James Atualizada: “alguém que o auxilie e lhe corresponda” e “alguém que o ajude e a ele corresponda”.

Finalmente este socorro providenciado por Deus é qui nagad (na frente de, diante de, à frente de, em frente de). A idéia é a de um espelho no qual, ao se olhar, o ser humano vê do outro lado, outro ser humano semelhante. O homem não pôde encontrar esse outro semelhante entre os animais (Gênesis 2. 20) por isso o outro será chamado “osso dos ossos” e “carne da carne”. É da mesma matéria-prima! Ninguém precisa mais viver sozinho! Ninguém deve viver mais sozinho! Por isso Deus oferece no outro, cônjuge, irmão, irmã, pai, mãe, parente, amigo, amiga, semelhante, um socorro como companhia e/ou contraponto olhado no outro lado do espelho da vida. Por isso, “Deus faz que o solitário viva em família” (Salmo 68. 6), inclusive na família de Deus, a Igreja. Homens e mulheres não são idênticos, como nenhum ser humano é idêntico a outro ser humano. Mas Homens e mulheres são iguais em dignidade diante de Deus. Homens e mulheres compartilham da igualdade tanto ontológica, quanto funcional. Ambos foram criados também para serem socorro e auxílio para o outro!

É preciso lembrar que a subalternação da mulher em relação ao homem não é fruto da teologia da criação, mas da teologia da queda. "E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará" (Gênesis 3:16). Ao invés de fundamentarmos a nossa teologia sobre a mulher no pós-queda, deveríamos fundamentá-la no pré-queda, e afirmar o absoluto poder do Evangelho em superar as consequências danosas da queda. Foi assim que Jesus fez quando tratou da banalização do casamento; Ele insistiu, “não foi assim desde o princípio” (Mateus 19:4, 8).
Fundamentar um possível interdito bíblico ao chamado divino de mulheres para o ministério pastoral na base da função de auxílio e socorro atribuía equivocadamente apenas a mulheres não me parece uma boa prática exegética e hermenêutica.

V) O ARGUMENTO DA SUBMISSÃO DEVIDA DE ESPOSAS
Efésios 5:22 – “Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor;” (ARV). Fundamental para a compreensão desse texto é inicialmente lembrar que a divisão da Bíblia em capítulos e versículos é tardia: século XIII d.C. para a divisão em capítulos; séculos IX e X d.C. para a divisão do AT em versículos pelos massoretas. 1551 d.C. para o Novo Testamento. Isso significa que esse versículo não pode ser lido à parte do todo. É preciso lembrar também que os títulos separando parágrafos (assuntos) não são inspirados, e por isso variam bastante. A Bíblia de Jerusalém, por exemplo, apresenta sua divisão de parágrafo à partir do versículo 21 com o título moral doméstica. Com isso o vs. 22 era contínuo com o vs. 21, originalmente: “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”. Além do mais o verbo hupo-tasso – sujeitar, não aparece no vs. 22, só no 21. A leitura contínua seria assim: “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo. Vós, mulheres, a vossos maridos, como ao Senhor...” A chave hermenêutica também da segunda parte da epístola que começa no cap. 4 e trata do andar digno conforme a vocação com que todos nós, crentes, homens e mulheres, fomos chamados, e de modo específico do cap. 5:21 até o capt. 6:9 não pode, ao meu ver, ser a de papeis. A expressão papeis não se encontra no texto bíblico, portanto é apenas uma interpretação e não Revelação. Foi o taylorismo que inventou a idéia de papeis ou funções bem definidas para o bom funcionamento de uma empresa ou organização. O taylorismo é o modelo de administração caracterizado pela ênfase na divisão de funções, tarefas ou papéis objetivando o aumento da eficiência. Para funcionar bem uma empresa ou organização deve ter uma divisão de papéis bem clara e específica. Aplicado à moral conjugal significaria que o papel específico da esposa (não estamos falando em papel da mulher, mas da esposa) seria ser submissa ao marido, e, tal papel jamais seria do esposo. Por outro lado o papel específico do marido seria amar a sua esposa, e, tal papel jamais seria também da esposa! Não creio que a Bíblia ensina isso!

Ao invés dessa chave hermenêutica eu prefiro pensar que Paulo propõe uma nova relação entre esposas e esposos, pais e filhos, escravos e senhores diferente daquela vivida na sociedade de então. No versículo 21 Paulo traria a lei geral, ampla e irrestrita para todos os cristãos: “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”. O princípio das relações na nova sociedade criada em Cristo é o da mutualidade, não da exclusividade. Note que o texto não estabelece nenhuma discriminação a partir de gênero. Tanto assim que vai concluir dizendo: “para com ele (o Senhor do Céu) não há acepção de pessoas” (6:9). A relação entre escravos e senhores é a mais explícita dentro desse princípio da mutualidade e não exclusividade: “E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles”!

O que entendo desse texto é que Paulo começa a exemplificar a sujeição mútua cristã, com as esposas. Elas devem se sujeitar aos maridos. É preciso lembrar que sujeitar (gr. hupo-tasso) não significa estar debaixo da ordem, no sentido de comando, mas da ordem, no sentido de organização, disposição divina. Hupotasso significa em primeiro plano, não simplesmente obedecer ou fazer a vontade de alguém, mas perder ou renunciar o próprio direito respectivamente a própria vontade. Tasso também significa dedicação, devoção. Ao dizer isso às esposas Paulo não apresenta nenhuma novidade para aquela sociedade da segunda metade do primeiro século, na grande e rica cidade de Éfeso. Naquele tempo esposos, pais e senhores de escravos detinham todo o poder e direito sobre as esposas, filhos e escravos. Não havia deveres deles para com esposas, filhos e escravos. Mulheres deviam obedecer a seus maridos. Maridos deviam mandar (esses eram os ‘papéis’ de cada um!). O que há não apenas de novo, mas de revolucionário é que Paulo diz que elas deviam fazer isso, “como ao Senhor”.

Então Paulo escandaliza porque ele passa a exemplificar a sujeição mútua do vs. 21 aplicando-a também a esposos! O que? Esposos também precisam praticar a mutualidade de sujeição? Sim, é o que Paulo diz! Eles fazem isso amando. E quem não diria que o amor que “não se impõe sobre os outros”, que “não age na base do ‘eu primeiro’, e que “tudo suporta” não é um amor sujeito ao outro (conf. 1 Cor. 13)? Outra verdade! Naquela época não havia a compreensão de que maridos deviam amar as suas esposas! Esposas existiam para gerarem e cuidarem dos filhos, não para serem amadas. Amadas podiam ser as meretrizes, lá na ‘casa do amor’ perto da ‘Biblioteca de Celso’, interligadas estrategicamente por um túnel para garantir a privacidade! E mais, o amor que se praticava lá na casa do amor era o eros, e este é o amor que busca ter para si o objeto desejado. Paulo escandaliza não somente ao dizer que esposos tinham deveres também e não só direitos sobre as esposas, ele também o faz ao dizer que eles deviam amar suas esposas; não as meretrizes; mais ainda, ele o faz ao dizer que o amor não era o eros, mas o ágape. Para que não houvesse dúvidas, ele explica, o amor ágape não é aquele amor que busca ter para si o objeto desejado, mas que se entrega pela amada!

Fundamentar um possível interdito bíblico ao chamado divino de mulheres para o ministério pastoral na base da sujeição exigida das esposas em relação aos seus maridos não me parece uma boa prática exegética e hermenêutica. O texto não fala de sujeição de mulheres a homens, mas de sujeição de esposas aos esposos. O texto não fala apenas de sujeição de esposas a esposos, fala também da mútua sujeição, porque para com Deus não há acepção de pessoas!

VI) O ARGUMENTO LITERALISTA SEMÂNTICO
A tentativa de encontrar sanção bíblica expressa para a rejeição esbarra na ausência de textos explícitos, sim de aprovação, mas também de recusa. Passa-se então a adotar uma interpretação literalista fundamentada no uso dos artigos definidos masculinos e na ausência de artigos definidos femininos. O problema é que a expressão “pastor” só aparece uma única vez em todo o novo testamento (no plural) se referindo aos líderes de igreja (Ef. 4.11 – POIMÉNAS (substantivo acusativo masculino plural de poimen) – “E Ele mesmo deu... outros para pastores” (Conf. o verbete POIMEIN (pastor) no artigo de Joachim Jeremias “a designação dos dirigentes das igrejas locais como pastores” in Theologisches Wörterbuch Zum Neuen Testament, Band VI, pg. 497).

A obsessão por uma análise morfológica dos textos bíblicos que identifique o gênero das palavras para assim determinar uma interpretação distinta e exclusivista, masculina ou feminina, para este ou aquele texto é temerária e ao meu ver insustentável. A forma da palavra hebraica etzer de Gênesis 2:18 que traduzimos como socorro é do substantivo comum masculino singular absoluto homônimo. Então significa que quem argumenta pelo literalismo semântico precisa ser honesto e traduzir o termo ETZER de Gênesis por um substantivo masculino, socorro ou auxílio. Para ser coerente precisaria entender que essa expressão está associada não às mulheres apenas, mas à pessoa humana, ao ser humano como fica claro pelo uso do termo hebraico adam, que segundo Gênesis 5:2 é um termo genérico, abrangendo tanto macho quanto fêmea.
Na abertura do sermão do monte lemos: “Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo ele se assentado, aproximaram-se os seus discípulos, e ele se pôs a ensiná-los, dizendo” (Mateus 5.1-2). A palavra grega mathetai (discípulos) é um substantivo nominativo masculino plural. Se vamos seguir a lógica da hermenêutica do gênero e o literalismo semântico significa que todo o sermão do monte foi direcionado aos 12 discípulos homens; nada do que está aí escrito é para mulheres que, aliás, por aí não podem também ser discípulas! Para obedecer o ide de Jesus, teríamos então que fazer discípulos de todas as nações, mas não de todos os dois gêneros. Só homens poderiam ser discípulos de Jesus. Às mulheres restaria continuar perdidas nas trevas... Outro exemplo está em Mateus 4.19 – “Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”. A quem Jesus dirigiu esse convite/ordem? Pelo texto bíblico: a Simão e André. Dois homens a quem Jesus comissionou para fazer “pescadores de homens”. Quer dizer que se eu aplico esse texto à toda a igreja, homens e mulheres, estaria, na linha de raciocínio literalista, errando duas vezes pois estaria atribuindo uma chamada divina feita a homens, também à mulheres e o que é pior, dizendo a elas para ‘pescarem’ também mulheres quando Jesus estaria dizendo originalmente à homens para ‘pescarem’ só homens! É óbvio o absurdo do argumento contra a ordenação feminina baseado em artigos definidos nos textos bíblicos, e em interpretação literalista da Bíblia. Bem disse Paulo que a letra mata!

Fundamentar um possível interdito bíblico ao chamado divino de mulheres para o ministério pastoral na base do literalismo semântico não me parece uma boa prática exegética e hermenêutica.

VII) O ARGUMENTO DA IMPOSIÇÃO DO SILÊNCIO À MULHER NA IGREJA
Essa subalternação de um ser criado ao outro, identificada na teologia da queda, representa uma ruptura da igualdade essencial e funcional, desejada e criada por Deus. Em Sua oração sacerdotal, Jesus orou "para que todos sejam um" (gr. hina pantes em osin - sendo osin verbo subjuntivo de eimi = ser). A oração de Jesus, portanto, era uma expectativa, um desejo, um sonho. Paulo, escrevendo aos Gálatas 3:28, disse: "porque todos vós sois um" (gr. pantes gar umeis eis este - sendo este verbo indicativo de eimi = ser). A expectativa de Jesus parece ter sido realizada na Galácia. E Paulo parece oferecer uma razão para tanto: "Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gálatas 3:28).

Em Cristo, afirmou Paulo, não há homem nem mulher, porque todos são um. Ou dito de outra forma: "Todavia, no Senhor, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher" (1 Coríntios 11:11). A teologia da redenção preceitua a isonomia entre homem e mulher.

Há, contudo, dois textos que trazem alguma dificuldade para nós: 1 Coríntios 14:34-37 e 1 Timóteo 2:11e12. "As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja. Porventura foi de vós que partiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós? Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor" (1 Coríntios 14:34-37). "A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão (dedicação, devoção). Pois não permito que a mulher ensine (didasko), nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio" (1 Timóteo 2:11e 12).

E, contudo, a Tito (2:3) Paulo escreve: "As mulheres idosas (presbutidas), semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras (diabolus), não dadas a muito vinho, mestras no bem (kalo-didaskalous)” (Tito 2:3 - ACF).

Sem entrar no mérito do uso de "presbutidas", obviamente da mesma raiz de “presbíteros”, Paulo diz que elas devem ensinar, ser boas mestras. Enquanto em Timóteo ele diz que não permitia que a mulher ensinasse, e em Coríntios diz que se as mulheres quisessem aprender que aprendessem em casa com os seus maridos, aqui ele diz que as “presbutidas” deviam ensinar bem, ou como Lutero traduziu, ser boas ensinadoras.

É bem verdade que o verso subsequente diz: "Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos” (Tit 2:4-ACF). E, contudo, a argumentação de que aqui Paulo estaria dizendo que as presbutidas deviam ensinar tão somente as mulheres mais novas, e não a homens, não explica a expressão clara, geral e irrestrita em 1 Timóteo: "não permito que a mulher ensine", aplicável às mestras. E com referência às alunas Paulo é explícito: “se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos;” (1 Coríntios 14). É dos maridos que deviam aprender; não de outras mulheres.

É bom lembrar que a única vez em que a palavra poimen, pastor, aparece se referindo a seres humanos, e mesmo assim no plural, é Ef. 4.11. Naquele texto o título é pastores-mestres (poimenas kai didaskalous). Nesse caso, ensinar (disdakalia) é a principal função de pastores (poimenas).

Como encarar o ensino Paulino, aparentemente contraditório entre o veto (Coríntios e Timóteo) às mulheres para o ensino por um lado, e, por outro lado, o imperativo (Tito) às mulheres para o ensino?

Penso que a explicação para o veto está no contexto de um pano de fundo, tanto judaico quanto grego, desfavorável à mulher (ela não era uma pessoa, mas uma coisa), à ordenação legal ("como também ordena a lei" - 1 Coríntios 14:34), bem como a posição pessoal de Paulo ("Não permito" - 1 Timóteo 2:11), que era absolutamente honesto quanto às opiniões pessoais ("não tenho mandamento do Senhor; dou, porém, o meu parecer, como quem tem alcançado misericórdia do Senhor para ser fiel" (1 Coríntios 7:25). Quanto à afirmação em 1 Coríntios 14: "Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor". Bem pode ser que Paulo se referisse à sujeição à lei, como "mandamentos do Senhor", e não necessariamente ao veto ao ensino feminino.

Falando sobre as mulheres na igreja, William Barclay diz: “Foi Maria de Nazaré a que deu à luz e educou ao menino Jesus; foi Maria de Magdala a primeira a ver o Senhor ressuscitado; foram quatro mulheres as que, de todos os discípulos, estiveram ao lado da cruz. Priscila com seu marido Áquila era uma mestra apreciada na igreja primitiva, uma mestra que guiou a Apolo no conhecimento da verdade (Atos 18:26). Evódia e Síntique, apesar das desavenças, eram mulheres que trabalharam no evangelho (Filipenses 4:2-3). Felipe, o evangelista, tinha quatro filhas que eram profetizas (Atos 21:9). As mulheres anciãs podiam ensinar (Tito 2:3). Paulo considerava com alta honra a Lóide e Eunice (2 Timóteo 1:5), e muitos nomes de mulheres são mencionados com alta estima em Romanos 16.

Tanto o pano de fundo judaico quanto grego era que a mulher não era uma pessoa, mas uma coisa. Assim, as orientações paulinas são normas transitórias estabelecidas para enfrentar uma situação concreta. Não devemos ler estas passagens como uma barreira à tarefa e serviço da mulher dentro da igreja; devemos fazê-lo à luz do pano de fundo judaico e da situação em uma cidade grega. Todos são aptos para servir a Cristo, Deus quer usar a todos" (El Nuevo Testamento Comentado por William Barclay. Volumen 12 I y II Timoteo, Tito y Filemon. – Argentina: La Aurora, 1983, 74-77).

VIII) DE UMA COMPREENSÃO TITULAR PARA UMA COMPREENSÃO FUNCIONAL
Tenho uma visão pessoal sobre o ministério pastoral (idêntica sobre o ministério diaconal). Ele não é um título, mas é uma função, ocupação, tarefa ou como dizemos um ofício (os dois oficiais da igreja são na ‘tradição’ batista, pastores e diáconos). Tenho, portanto, uma compreensão funcional do ministério pastoral. Quando atuava apenas como diretor de Faculdade Teológica não ostentava nem usava o título de pastor em minhas correspondências e pronunciamentos, mas apenas o título acadêmico. Penso, por exemplo que se um pastor resolve assumir uma carreira política, deve identificar-se como político e não como pastor. Sou avesso aos candidatos a cargos eletivos na carreira política e que usam o moto: “Vote no Pastor Fulano de Tal”. Pastor para mim é quem exerce determinadas funções no Corpo de Cristo, em geral, plantar igrejas, dirigí-las e administrá-las (Tito 1:7), pregar, aconselhar, visitar, enfim ‘pastorear e apascentar as ovelhas e cordeirinhos de Jesus (João 21:15-17). Penso que se deixássemos a compreensão titular para adotar a compreensão funcional, teríamos uma melhor compreensão sobre o chamado divino para o ministério pastoral.

Quem ousaria colocar em dúvida que Deus chamou Jaqueline de C.A. da Hora Santos para “pastorear” ovelhas de Jesus - a missionária da JMN que pregou na CBB em João Pessoa e que antes de se casar, plantou 11 igrejas batistas? Quem ousaria colocar em dúvida que Deus chamou a missionária da JMN, hoje aposentada, Dilene Nascimento Rodrigues para pastorear as ovelhas de Jesus pelas várias igrejas por onde passou sozinha fazendo um extraordinário trabalho de plantação, liderança e pastoreio? Os exemplos podem ser citados ad infinitum! Milhares de Mulheres, chamadas por Deus, que funcionaram e funcionam como pastoras, embora sem o título oficial de pastoras. Digo oficial porque muitas delas foram e são chamadas pelo povo que lideram de pastoras!

Quem ousa colocar Deus contra a parede e em xeque, com um ‘interdito bíblico’ à prerrogativa divina absoluta de chamar quem Ele quer, quando Ele quer, para colocar onde Ele quer?
Deus nos diz através do salmista: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra” Salmo 46:10. Gosto particularmente da tradução em português da King James Atualizada:
“Cessai as batalhas! Sabei que Eu Sou Deus!”

Que cessemos de vez as batalhas na seara de Deus (essa não é a ‘nossa praia’!) e deixemos Deus ser quem Ele é, Deus!

Fonte: http://vigiai.net/articles.php?article_id=6006

domingo, 23 de fevereiro de 2014

As lições do incrível caso de Paul(David) Young Cho...


Esta não é hora para tripudiar sobre a desgraça alheia, mas é um bom momento para profundas reflexões sobre finanças e igrejas. Leio no Notícias Cristãs que o Rev. David Yonggi Cho, conhecido mundialmente como Paul Yonggi Cho, foi acusado de desfalcar sua congregação por um grupo de membros da Yoido Full Gospel, igreja fundada por ele, em Seul. Em seguida, comprovou-se a fraude e eles foram condenados a pagar multa e três anos de prisão. O crime de Paul, em conluio com seu filho, foi a compra por valores artificialmente elevados de ações, com o dinheiro da Igreja. A brincadeira chegou ao montante de US$ 21 milhões!

Lembro do ano de 1990, quando o Plano Collor foi lançado. Eu era funcionário do Banco do Estado de Pernambuco e ouvi muitas histórias de pastores que aplicaram o dinheiro da Igreja na conta pessoal e de lá em overnight (rendia 3% no final de semana) e outros fundos. De repente, não podiam mais dispor dele imediatamente. Alguns alegaram que o plano Collor prendeu o dinheiro da igreja, na verdade prendeu o dinheiro dela na conta dele! Inclusive, as igrejas, por serem pessoas jurídicas, tinham uma disponibilidade maior segundo as regras do plano. Até hoje muitas histórias nebulosas não foram esclarecidas Brasil afora. Mas como aqui é o país da impunidade e a maioria dos fieis nada sabe das finanças de suas igrejas o assunto caiu no limbo.

A primeira grande lição da história de Cho é o personalismo de sua igreja de 800 mil membros. Embora tenha presidido a Assembleia de Deus da Coréia do Sul, a verdade é que sua igreja, da qual é presidente emérito, está centrada em sua pessoa. Nas investigações descobriu-se que ele ordenou a saída do dinheiro da tesouraria da igreja, beneficiando seu próprio filho. Um simples pastor emérito não teria tal acesso. Pelo que apurei, o filho era dono do jornal da igreja (vejam que reprise!?), em 2002, numa operação cruzada, ele vendeu as ações para a igreja por US$ 80,06, quando valiam US$ 22,12. O prejuízo aflorou. Mas o carisma do líder inibiu maiores esforços dos procuradores, até que em 2011 a congregação apresentou a queixa. Agora a questão ganhou um desfecho.

Se muitos pastores fossem despidos de seu carisma grandes escândalos surgiriam. Longe de mim desejar isso, mas cada um veja como edifica. Nas alegações dos membros Cho também é acusado de privatizar ativos. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

A segunda lição é que essa história de nepotismo, com regular frequência, deságua nestes problemas. Mormente a capacidade de muitos líderes, penalizados pela situação financeira dos seus ou para ampará-los mesmo, criam espaços e oportunidades e neles empregam filhos, netos, parentes e aderentes, sem prestar atenção adequada a seus passos. Quantas vezes já não vimos aquele parente que não tem nenhuma qualificação para determinado cargo ser alçado a ele? Depois é só administrar as crises. Chega a ser incrível como a história se repete e poucos aprendem. O pior é quando o líder maior arrasta outras lideranças para referendar suas decisões, gente que sabe que ele está errado, que o escolhido tem como única competência ser do clã. Quem nunca viu esse filme?

Em muitos casos filhos, netos, cunhados, genros são agraciados com os cargos mais elevados. E muitas vezes com salários incompatíveis com seu currículo. Não é raro criar um cabide no qual tais parentes não trabalham, ou trabalham muito pouco em relação aos demais, tal e qual prefeituras e sinecuras governamentais, somente para garantir-lhe apoio em alguma demanda. Tudo isso bancado com dízimos e ofertas. O Brasil enfrenta ainda outra questão neste quesito: o usufruto da Igreja para fins políticos privilegiando parentes. Ou seja, o pastor presidente usa seu prestígio para, por exemplo, impor à Igreja parentes de sua confiança para a candidatura a cargos eletivos o que é, inclusive, expressamente proibido em Lei!

A terceira lição é a perseguição eclesiástica. Vinte e oito pastores foram suspensos ou expulsos por não retirar as acusações contra Cho. Ora, ora, não é por isso que muitos se calam? O dado recorrente é que é ao invés de esclarecer o que está em curso, preferem fazer o bolo crescer e atingir a Igreja, para se poupar do escândalo. Agora, já condenado, o pastor se ausentará da presidência da Igreja em Seul? Como fica a situação dos que foram expulsos ou suspensos, diante da comprovação da fraude? O legado de Cho carregará esta mancha? São questões importantes para refletirmos nesta manhã. A Bíblia diz que é melhor o fim das coisas do que o começo (Eclesiastes 7:8).

A quarta lição é uma mudança sutil nos tempos e nos templos, para aproveitar um trocadilho. A igreja está mais informada. Exige maior transparência. Antes a liderança podia tomar uma decisão e dizer simplesmente: Foi Deus que mandou ou ordenou. Agora tais subterfúgios (desculpas esfarrapadas) estão sendo pesadas racionalmente. Isto decorre da falha de confiança nos inúmeros casos da História. A igreja descobriu, apanhando na cara, que nenhum pastor é infalível, nem Davi Young Cho pode ser poupado. É bom prestar atenção a estes novos ventos.

Aqui no Brasil dez integrantes da cúpula da Igreja Cristã Maranata (ICM) foram presos no dia 24 de junho de 2013, entre eles o fundador, pastor Gedelti Gueiros. Segundo o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MP-ES), os líderes praticaram crimes como estelionato, formação de quadrilha e duplicata simulada. Eles teriam praticado desvio de dízimo da igreja, envolvendo uma movimentação financeira de R$ 24,8 milhões, segundo o próprio MPES. Antes, em março, Gedelti e outros três membros da ICM haviam sido presos por coagir testemunhas do inquérito que investiga a igreja. No caso de Cho, o gerente do jornal também foi preso. Convém a tesoureiros e outros ao receberem ordens neste sentido ficarem alertas, pois podem ser incriminados pelo simples motivo de serem os guardiões conjuntos dos recursos das igrejas.

No final do ano passado, para os bons entendedores, foi aceso um alerta. A Receita Federal indicou que está analisando o patrimônio de pastores e líderes proeminentes. Já há relatos de desfechos destas investigações. As lições estão aí. Há muitas que me faltam tempo para analisar. Prezados, dez leitores, façam seus links.

Fontes:
Notícias Cristãs
http://groupsects.wordpress.com/2013/03/15/yonggi-cho-investigation/
http://www.atoast2wealth.com/tag/david-yonggi-cho-arrested/
http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2013/07/justica-suspende-intervencao-na-igreja-crista-maranata-no-es.html
Site da Igreja do Pr. David aqui.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

É disso que precisamos no Brasil!


Leiam esta notícia alvissareira do Notícias Cristãs:
A denominação pentecostal dos Estados Unidos, a Assemblies of God (Assembleia de Deus), há quase 100 anos atrás se recusou a apoiar um missionário que queria ir para a Libéria, por causa de sua raça negra. O episódio levou o missionário a fundar outra instituição e quase um século depois, está havendo um acordo para a reconciliação.
É disso que precisam nossas igrejas aqui no Brasil. Humildade para reconhecer os erros mútuos, para reconciliar-se com o outro e unidos caminhar para o alvo que é Cristo. De Norte a Sul do País brigas intermináveis enlameiam aquela que é a maior denominação brasileira, para vergonha do evangelho, registre-se!

Falar de amor e união é até fácil, difícil é estender a mão!

Link para o Notícias Cristãs, aqui.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Que nojo!



Leio no Notícias Cristãs que ...em troca de apoio à reeleição da presidente, religiosos exigem compromisso de que ela não apoiará a flexibilização da lei sobre aborto nem dará "privilégios" aos homossexuais.

É algo nojento. Primeiro, porque é programa do PT tais coisas e Dilma é peixe miúdo no partido, entrou pela porta dos fundos, saindo do PDT. O Governo, através de seus ministros, e operadores apoia integralmente a dita cartilha progressista, que é apenas um nome bonito para ações esdrúxulas e metódicas para minorias supostamente abandonadas pelo Poder Público. Segundo, porque é o Congresso quem legisla. Dilma, no máximo, veta. Mas o Congresso tem poder de derrubar os vetos. Isso mostra não apenas miopia e aproveitamento pessoal, mas analfabetismo político.

Não conheço a CONCEPAB, nem faço parte dela. E agora não faria mesmo. Mas os tais pastores alegam tem feito a diferença na eleição de Dilma. Bobinhos, são adesistas. Se o Anticristo viesse montado num cavalo e bem votado, muitos desses líderes apoiariam a empreitada, esperando alguma vantagem. Aliás, a depender de líderes desse quilate, ele não terá dificuldade em implantar seu reinado. E ainda dizem que estão decidindo a quem dar apoio. Já decidiram, dão apoio ao partido que estiver no poder ou bem cotado para ganhá-lo. Esses pastores não tem programa, nem ideologia.

Não por acaso um dos dois maiores líderes assembleianos, portanto, da maior denominação evangélica brasileira, já declararam apoio a Dilma para 2014! E o outro, Pr. Manuel Ferreira, em 2010, fez o sacrifício de renunciar a uma candidatura a senador para se tornar o secretário especial da candidata Dilma para assuntos evangélicos.

Então, ficamos assim: é só marcação de território para se cacifar para alguma coisa mais adiante. Tais pastores deveriam estar preocupados em politizar seu rebanho para não ficar à mercê de aproveitadores e demagogos.

Se Aécio Neves ou Eduardo Campos crescer nas pesquisas, a decisão deles muda. Vivem fascinados pelo poder.

Link do Notícias Cristãs aqui.