segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Esmiuçando uma entrevista de um mestre...

O PointRhema, famoso blog, do meu amigo Pr. Carlos Roberto, publicou uma entrevista do Pr. Antonio Gilberto. Entre os temas, um dos prediletos do blog: Ministério Feminino. Vou com ele em vermelho e eu em azul.

Seara News - Um assunto polêmico, cujo debate já dura por décadas, é o ministério pastoral feminino. Hoje algumas Assembleias de Deus já reconhecem a ordenação de mulheres. Existe respaldo bíblico-doutrinário para isso?

Para os que conhecem pouco a história assembleiana, e aqui está o busílis, como diz o Reinaldo Azevedo, até 1930 as mulheres participavam das EBOs e tudo o mais. Há um coitado que criticou uma postagem anterior minha, aonde profetizei que muito breve as mulheres adentrariam tais reuniões. Ele restringiu o problema à minha Convenção, dizendo que em tal lugar sim, em tal lugar não, mas, de fato, elas vão readentrar (nem existe este verbo), pois já entraram várias vezes na história. Depois que Frida pregou em presídios e praças, quando ninguém ousaria fazer isto, idos de mil novecentos e pouco...

Pr. Antônio Gilberto - Não, não e outra vez não! Não existe! Ordenação… Mulheres no Santo Ministério, tanto venham. Inclusive muitas vezes elas fazem o trabalho melhor do que os homens. Mas ordenar para o Santo Ministério, não tem base nas Escrituras. 

Como se diz aqui: Cuma!? Vamos detalhar a frase. Se fazem o trabalho é porque lhe damos. São os homens que possuem as prerrogativas para determinar quem vai fazer o quê. Como assim muitas vezes fazem melhor que os homens? Então, há casos de legítima atuação feminina. Vejam a partícula adversativa... A Bíblia proíbe a ordenação, nas palavras do nobre pastor, MAS se lhes permite fazer exatamente o que é prerrogativa da... ordenação. É muito pra minha cachola! Vou tomar um diazepan!

E como é que isso está acontecendo? É a igreja a culpada e a igreja vai prestar conta disso. A igreja que eu digo não é a igreja o prédio, os responsáveis vão prestar conta disso. Jesus nunca ordenou mulheres. O apóstolo Paulo que é um paradigma, não separou, nunca ordenou mulheres.

Vejam que pérola. A Igreja que será culpada por ordenar, não será culpada por enviar missionárias, por exemplo, à revelia da mesma Palavra que ele evoca? Desde o início tenho dito: ou cumprimos o que está escrito ou paramos com essa conversa. Jesus nunca enviou missionárias, Paulo, idem, mas, convenientemente a Igreja o faz.

Agora, mulheres trabalharem no Santo Ministério, tanto venham. Cantoras, professoras de escola dominical e etc. 

Não é um primor? Cantora? Poooode! Professora de criancinhas comportadinhas (do tipo que deixam a professora rouca todo domingo)? Pooode! Dirigente de Círculo de Oração Infantil? Pooode! E de Círculo de Oração de Adultos, para orar, em média, quatro horas por semana? Pooode! E por que pode? Ora, porque os ministros e obreiros, mesmo quando aposentados, não querem desempenhar tais funções, terceirizando, por conveniência, a responsabilidade! Quando o Círculo de Oração foi fundado em Casa Amarela, Recife/PE, certamente as irmãs foram pedir para que o pastor permitisse as reuniões, organizasse administrativamente o orgão, etc. Por que ele não disse: Olha, irmãs, não posso permitir tal reunião a menos que um presbítero de minha confiança a dirija? Tanto venham...!

Mas irmão Gilberto, e diaconisa? Lá no livro de Romanos o apóstolo Paulo disse que aquela irmã era diaconisa na igreja de Cencréia. Onde está isso no original? Não existe! Sim, mas o comentário que eu li diz que era diaconisa. 

Conversa! No grego está na forma masculina, ou seja, Paulo deixou aquela mulher ali provisoriamente, ou então o trabalho era novinho e não tinha homem nenhum para exercer o diaconato, ele disse vem cá “fulana” (Febe), faz o trabalho aqui, a obra de Deus não pode parar por causa de problema humano. Está no masculino.

Essa ligeireza, com todo respeito, é característica. Viram como ele arruma a solução, rápido, rápido? Certamente lá em Cencréia aconteceu como em muitos lugares. Mandam uma mulher cavar o poço, depois o homem distribui a água. Fui sutil? Como assim, a obra não pode parar por problema humano? É essa a abordagem que o nobre pastor usa para não se furtar a dar sua contribuição ao lado de Marlene LeFever, num Congresso de EBD? Ele estava lá, por que não usou toda ortodoxia para não pregar ao lado de uma mulher? Por que ele não rejeita os convites da Igreja americana que ORDENA mulheres?

Uma vez um pastor presidente de uma grande e renomada convenção, nós estávamos juntos em Goiânia ministrando, e ele no hotel conversando comigo, disse: “estou agora na presidência, vou incentivar, irmão Gilberto, o diaconato das mulheres que está praticamente parado. O que o irmão diz?”

- Eu prefiro primeiro que o senhor que é o chefe, me dê alguma coisa.

Ele disse: “eu me baseio lá em Rm 16, Febe, aquela irmã que era um tesouro na igreja de Cencréia (inclusive quando os irmãos forem a Grécia visitem as ruínas de Cencréia. Eu fui lá visitar, só tem ruínas, e eu fiquei pensando onde é que ficaria aqui a casa dela, porque tudo indica que era uma mulher de muito dinheiro. Paulo disse: “ela me hospedou muitas vezes, e hospedou a muitos”), que era diaconisa, a Bíblia em português diz: que serve ao Senhor na igreja de Cencréia, outra versão que eu tenho diz que ela servia como diaconisa”. Eu me calei, e ele disse: “uma segunda passagem, irmão Gilberto, que eu tenho em mente é lá em Timóteo quando a Bíblia diz: e as mulheres…”

Leiamos a posição oficial da Assembléia de Deus americana (aquela mesma que é a queridinha dos estudiosos brasileiros), sobre quem era Febe: 
Phoebe, a leader in the church at Cenchrea, was highly commended to the church at Rome by Paul (Romans 16:1,2). Unfortunately, translation biases have often obscured Phoebe’s position of leadership, calling her a “servant” (NIV, NASB, ESV). Yet Phoebe was diakonos of the church at Cenchrea. Paul regularly used this term for a minister or leader of a congregation and applied it specifically to Jesus Christ, Tychicus, Epaphras, Timothy, and to his own ministry. Depending on the context,  diakonos  is usually translated “deacon” or “minister.” Though some translators have chosen the word deaconess (e.g., RSV, because Phoebe was female), the Greek diakonos is a masculine noun. Therefore, it seems likely that  diakonos  was the designation for an official leadership position in the Early Church and the proper translation for Phoebe’s role is “deacon” (TNIV, NLT, NRSV) or “minister.” Moreover, a number of translations reflect similar biases by referring to Phoebe as having  been a “great help” (NIV) or “helper” (NASB) of many, including Paul himself (Romans 16:2). The Greek term here is prostatis, better translated by the NRSV as “benefactor” with its overtones of equality and leadership.

Eu disse: Pastor, a passagem de Romanos no original está no masculino, pode pegar qualquer manuscrito bíblico. Ou seja, ou o trabalho era novinho e não tinha homens habilitados, e o apóstolo Paulo um homem cheio do Espírito Santo, a obra de Deus não ia parar por causa de problema humano. Vem cá, Febe, exerce aqui enquanto não se prepara um homem, ou então não sei a razão, a Bíblia não explica, mas está no masculino.

“E lá em Timóteo?”

Pode pegar o termo original que a oração no grego pára, e quando diz as mulheres, são as esposas dos obreiros. Ele parou, e parou até hoje.

Esse pessoal é assim, usa o grego CONFORME a necessidade. Por que não mencionou sinergos, para cooperadores, Áquila e Priscila, em Rm 16:2? Por que ele não falou sobre kopiaô, no mesmo capítulo 16 de Romanos? É o verbo que Paulo usa para o trabalho de Maria (v. 6), Trifena, Trifosa (v. 12)? E não se refere ao trabalho doméstico? Ali mesmo em 16:7 ele cita o caso de Júnias, uma apóstola, mas o termo TAMBÉM está no masculino!? Aliás, sobre Júnias o comum naqueles que condenam o ministério feminino é dizer que é uma variante de nome masculino. Leiamos o que diz o mesmo documento da AD americana:

Junia was identified by Paul as an apostle (Romans 16:7). Beginning in the thirteenth century, a number of scholars and translators masculinized her name to Junias, apparently unwilling to admit that there was a female apostle. However, the name Junia is found more than 250 times in Rome alone, while the masculine form Junias is unknown in any Greco-Roman source. Paul clearly was a strong advocate of women in ministry.
Voltando a pergunta, o que o irmão diz disso? É anti-bíblico. E o que fazer? 

Quem estiver fazendo vai prestar conta a Deus. Mas infelizmente não é só ordenação de mulheres, é muita coisa que a igreja decide por ela. Eu podia fazer menção aqui, não vou, não há necessidade. Para ninguém pensar que é só esse fato: São várias coisas que a igreja faz sem ter… Por exemplo, há igrejas que só separam (consagram) obreiros para o diaconato se forem casados, não estou criticando a igreja local, há igreja que só separa (consagra) casados, porque o escândalo está sendo grande de obreiros solteiros. Enfim, a igreja que tomou a decisão, não é a Bíblia.

É verdade, são muitas coisas. Por exemplo, permitir que uma certa Bíblia seja publicada, endossando uma versão totalmente desviada da Palavra de Deus. Cito a Dake, que o nobre pastor como consultor teológico  da CPAD defendeu com unhas e dentes. Procurem na web algo a respeito. Nunca vi o nobre falando sobre o empoderamento pastoral assembleiano, sobre o enriquecimento de alguns líderes, sobre a apatia evangelizadora da CGADB e tantas outras coisas...

Batismo em águas: tem igreja que a pessoa se entregou pra Jesus, foi perdoada ali mesmo, foi convertida, batiza na água. Tem igreja que diz: “Não, aqui pra ser batizado tem que fazer um cursinho”. Lá na minha igreja, por exemplo, tem um cursinho de três meses, onde está isso na Bíblia? Lugar nenhum. É a igreja que decide!

Realização de matrimônio, esse caso é mais um, só que este é grave.

Então, em resumo, não tem base na Escritura, nem no Antigo, nem no Novo Testamento. Deus quer a mulher no ministério, quanto mais, melhor, para muita tarefa. Mas ordenação para cuidar do rebanho Deus reservou para o homem. De modo que esse negócio está dando problema. E os que estão na Assembleia de Deus? Vão prestar conta a Deus! Vamos brigar com eles? Deixa pra lá, vão prestar conta a Deus! Esse é que é o problema, a Bíblia diz cada um de nós. Eu vou dar conta e os irmãos vão dar conta também. Se o Tribunal de Cristo fosse coletivo…, mas a Bíblia diz cada um. Então nós temos que pensar nisso.

Engraçado, não vejo os problemas apontados pelo nobre pastor. Leio e ouço sobre o problema de mulheres não ordenadas mandarem em seus maridos, inclusive, com a ordenação de obreiros. Isso no Brasil todo, pois tenho muitos contatos País afora. Ouço falar de sangrias dos cofres promovidas por irmãs insuspeitas, que mal falam ao microfone, quanto mais almejar o ministério. Ouço falar da imposição de festas de aniversário e presentes caros. De compras de imóveis e carros para satisfazer a certas madames. Sem falar nos pecados... Com todo respeito, é como se diz por aqui: é muita falta do que fazer! Queria eu que todos os problemas da AD brasileira fosse a ordenação ministerial feminina. Queria eu...!

Documento da AD americana, aqui.
A entrevista com o Pr. Antonio Gilberto está aqui.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Se convidados para algumas igrejas da própria denominação...

...alguns deles estariam impedidos. Ao menos um dos meus dez leitores sabe do que falo... Outra coisa importante: falam tanto contra a Teologia da Prosperidade, tem logo um gospel estampado no título. O termo retete é típico do desleixo com os dons espirituais. Depois eu sou crítico e amargo, desse jeito... 
Capturado aqui.


Aviso: Alguns leitores me alertam que o evento em epígrafe não é verdadeiro. Apenas o sonho de alguns usuários do reteté no Facebook. A contar com os ventos assembleianos não duvidei de sua veracidade ao ler pela primeira vez. Decidi manter o post, por conta de um questionamento que um leitor fez. A réplica está nos comentários.

domingo, 25 de novembro de 2012

O que é a igreja? O que um pastor faz nela?


Iniciemos analisando o papel da Igreja, tal qual formulada pelo Senhor Jesus. Dentre as várias atribuições do grupo descritas na Bíblia, estão:

A igreja é uma agência de expansão do reino de Deus. Jesus afirmou: Ide, por todo o mundo... A igreja é o organismo que coordena os esforços no pleno cumprimento de tal ordem. Juntos seus membros se desdobram para cumprir o papel evangelizador, pregando a Palavra de Deus em qualquer oportunidade (II Timóteo 4:2). Não podemos delegar tal ordem ou renunciá-la;

A igreja é a expressão visível da santidade cristã. É o resplendor da presença de Jesus, carta aberta, lida e reconhecida por todos (II Coríntios 3:2). O modo de andar, vestir e se expressar da Igreja reflete o Cristo que habita em nós (Efésios 4:1). Quando não refletimos tal presença, perdemos a capacidade de salgar e brilhar no mundo. E nos tornamos uma noiva que não está preparada para encontrar o Noivo;

A igreja é o alvo prioritário dos ataques malignos (I Pedro 5:8). Num momento tais ataques se dirigem à coletividade, na tentativa de solapar a fé e dispersar a atenção. Noutro, membros desavisados do corpo se tornam presas fáceis dos ataques. À medida que cada membro resiste a tais investidas, preserva todos os demais. Quando cede, todos são prejudicados. Para o bem ou para o mal, não existe individualidade no quesito. Esta é a razão de tanto zelo entre nossos primeiros fundadores, no intuito de que não déssemos escândalo nem a gregos (os de fora), nem aos judeus (os de dentro);

A igreja possui duas conotações: a visível, composta das pessoas que nela congregam, dos templos que ergue, das transações do dia-a-dia. Muitas destas interações estão impregnadas da denominação à qual pertence. Portanto, a igreja visível é uma fachada de um modo particular de enxergar a vida. Já a invisível é composta dos inúmeros membros que não estão ligados senão pelo Espírito Santo. Esta última é a igreja de todos os tempos, comprada e remida com o sangue de Jesus. Esta é a igreja que será arrebatada, não obstante vivamos na primeira.

E o que o pastor faz na Igreja?

O termo pastor ocorre diversas vezes no Novo Testamento. A maioria em relação a Jesus, nosso Sumo-Pastor (I Pedro 5:4). Não há distinção clara entre os termos pastor, presbítero e bispo (ancião). Os homens pastores são lideranças dadas por Deus à determinada congregação (Efésios 4:11), para dela zelarem e cuidarem com dedicação e afinco. O retrato mais vívido deste cuidado está em João 10:12, aonde se diz que o verdadeiro pastor luta pelo seu rebanho, buscando preservá-lo dos ataques do lobo, que personifica o Diabo. Dentre as características atribuídas ao episcopado, Paulo destaca a vigilância (I Timóteo 3:1). Os falsos pastores se tornam indolentes e omissos, deixando as ovelhas à mercê de tais ataques. O texto diz que eles até veem o lobo vindo, mas, intencionalmente, ignoram o risco para evitar desgastes, com prejuízo do rebanho. Um falso pastor não se importa se perder ovelhas, mas ao verdadeiro, a perda de uma só o leva ao desespero (Lucas 15:4), noites em claro e preocupação. O falso quer apenas se preservar.

O pastor tem como função principal zelar e guiar a igreja aos pastos mais viçosos (Hebreus 13:17), preocupando-se com a alimentação correta de cada ovelha. Quando descobre uma desnutrida, se vê às voltas com o que fazer para tirá-la do fastio. A exemplo dos que não estão com bom apetite, nem todas as ovelhas entendem os gestos do pastor, pensam estar sendo agredidas e discriminadas. A preocupação pastoral, porém, decorre do fato de que haverá de prestar contas daqueles sob sua supervisão (Hebreus 13:17). Como sabemos, o Senhor é zeloso e exigente, não tolera desvios e desatenção.

A preocupação do pastor não é ser amado, nem condescender com os erros das ovelhas. Vara e cajado são suas ferramentas de trabalho. Com uma exorta num desvio, com a outra põe no rumo certo. O apóstolo Paulo, por exemplo, foi, por diversas vezes, alvo de problemas e dificuldades no trato eclesiástico. Não será diferente com os demais.

Cabe ao pastor zelar pela ortodoxia – o correto aprendizado do texto bíblico – e pela ortopraxia – a prática correta da Palavra. Tal preocupação se manifesta com os membros e congregados, mas, também, com as famílias e congregações sob sua responsabilidade. Por falar na família, ressaltamos seu papel como célula mater da sociedade e, por conseguinte, da Igreja. Se a família vai bem, a Igreja vai bem. A igreja é gregária por natureza, ou seja, prioriza o grupo em detrimento do individual. Não há alternativas! Cabe ao pastor zelar pelo bom andamento da educação e do relacionamento familiar, ainda que, por vezes, pareça intromissão. Outrora, os pais viam como positiva tal influência, chegando ao ponto de narrar eventuais desvios para que o pastor, tido, então, como censor, pudesse repreender e questionar um de seus membros. Como fruto de nossos tempos trabalhosos (II Timóteo 3:1) temos que tal interferência é vista como desnecessária e, até mesmo, repreensível. A não ser quando os problemas explodem no seio familiar. Às vezes nem isso... Casais se separam, filhos se desencaminham e o líder não sabe de nada.

Temos dois caminhos possíveis para resolver o impasse. O pastor se torna mero gerente de recursos, humanos e financeiros, decidindo aonde aplicar os dízimos e ofertas, construindo igrejas e reformando os prédios. Ministra a Palavra de forma bem leve, com temas genéricos e pouca aplicação pessoal. Mais autoajuda do que exortação e fica tudo do jeito que está. Providências são adiadas e as repercussões dos problemas omitidas. Pecados são ignorados. É uma opção distante da Bíblia.

A outra hipótese é que as ovelhas compreendam a responsabilidade pastoral. Afinal, a igreja não é um parque de diversões. Está em constante ameaça, por todos os lados. Em Hebreus 13:17 está escrito: Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil. Sabemos o quanto é difícil cumprir a Bíblia, especialmente em textos que exigem algum tipo de renúncia. A alternativa não é muito boa.

Não se trata de trazer todos os problemas familiares ao pastor. Mas de entender sua real intenção quando providências são tomadas para a ortopraxia de todos. Nenhum pastor sério quer que seu rebanho se perca. Por diversas vezes Paulo relembrou a suas ovelhas que sua maior alegria seria poder revê-los no Céu. Eu desejo o mesmo.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Uma desculpa recorrente e esfarrapada...

Os tempos em que vivemos são mais difíceis para os crentes. Quem quer ser santo se vê às voltas com mais desafios de que nossos pais e avós. Será?

Um pastor amigo aceitou Jesus no meio da perseguição católica, no Brasil. Como não quis entregar uma Bíblia de sua propriedade, perdeu sua casa e o emprego. Vivendo sob ameaça. Isso não faz cem anos. Era mais fácil ou mais difícil? Aliás, por se falar em Bíblia, eram caras e inacessíveis para a maioria dos evangélicos de vinte ou trinta anos atrás. Muitos deles não sabiam ler. Os que possuíam a Bíblia por vezes se contentavam em ouvir a leitura pelos demais. Era mais fácil ou mais difícil?

Tenho 42 anos. Aos 12, andávamos a pé quarenta e cinco minutos, por uma trilha com trechos escuros e violentos, para a única igreja da região aonde moramos até hoje. Hoje são vinte e cinco Assembleias de Deus, Convenção Abreu e Lima, duas da Convenção Recife, mais de duas dezenas de outras denominações. Não menos que cinquenta templos de diferentes igrejas. Presumo que 95% dos evangélicos do bairro aonde moro não tenha que andar mais do que dez minutos para chegar à igreja. Está mais fácil ou mais difícil?

Livros para o aprendizado da Bíblia eram artigo raro. Hoje estão mais baratos, acessíveis e em grande profusão. Sobre os mais variados temas e áreas. Os estudos pululam na Internet, mas falta apetite. Era mais fácil ou mais difícil?

Boa parte dos irmãos andava a pé. Em sua maioria agricultores, não havia motos, bicicletas ou carros. Em boa parte das igrejas de hoje se todos os que possuem um automóvel viessem nele à igreja, faltaria vagas no estacionamento. Está mais fácil ou mais difícil?

Os costumes eram mais rígidos. A ignorância rondava. Os pecados eram sumariamente condenados. Os pecadores eram atingidos desde o púlpito de maneira direta e irrecorrível. Era mais fácil ou mais difícil?

Nunca foi fácil ser crente!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Não acho boa ideia...

...obrigar a colocação da expressão Deus seja louvado nas cédulas do real. É o que fará o deputado federal pernambucano Pastor Eurico, conforme leio no Notícias Cristãs, através de Projeto de Lei. Creio que a iniciativa trará mais polêmica estéril ainda. O ideal seria sobrecarregar o MPF/SP com verdadeiras demandas de interesse coletivo para que eles tivessem o que fazer. Assim, parariam com as firulas de sempre. De todo modo, a não se fazer nada, a iniciativa é louvável. Vamos aguardar o efeito.

domingo, 18 de novembro de 2012

Os músicos que me perdoem...

Não concordo com tudo que diz João, aliás, não tenho procuração dele para dizer isso ou aquilo sobre a música que canta. Porém, gosto de sua abordagem musical e já tive oportunidade de ouvir pessoalmente várias vezes. O que quero enfatizar, usando um vídeo seu, é que precisamos diversificar nosso repertório e nosso instrumental.


O que dizer, por exemplo, daquela cansativa repetição dos mesmos hinos. Você vai a uma Ceia no Templo Sede e ouve: vamos ouvir o DEJE x, aí o grupo canta Vencendo de pé, a comissão Y, canta o mesmo hino. Como assim? O mesmo hino!? Por aí vai, o script se repete. Devemos ter uns 500.000 hinos lançados, mas quando a turma encasqueta com um... E se dessemos uma olhada no repertório dos grupos presentes os demais teriam o mesmo hino entre os três ou quatro que cantam no momento. Ou seja, é muito desperdício de criatividade. Se o primeiro não tivesse cantado aquele hino, muitos outros o fariam.

Nos conjuntos o mantra é: guitarra, baixo, teclado e violão. No vídeo o percussionista faz som com tudo quanto é útil! Mas todo mundo quer fazer a mesma coisa. Desculpem o desabafo, meus amigos músicos, mas vocês são muito mais competentes que essa mediocridade reinante em nossos templos.

Dedico estas últimas linhas a dois problemas graves. Primeiro, a tendência da individualização de microfones. Um grupo de senhoras de 300, 400 vozes se vê confinado num solo infindável, em que somente uma pessoa canta e as demais só ouvem. No fim, fazem um ô, ô, ô, qualquer e o hino termina. O maestro esquece de informar ao solista que se afaste do microfone ou o solista se arroga a representação do grupo como um todo ou é a escolha do hino que está prejudicada. É um comportamento absurdo e reprovável. Na área que trabalhamos suprimimos este costume, ou ao menos temos tentado. Só quando é a hora do solo, uma pessoa fica ao microfone. Do contrário, eu dou oportunidade a ela sozinha e não ao grupo.

Por último, há uns maestros fazendo recitais, cantatas e apresentações do gênero. São uns hinos chatos, perdendo para os cantos gregorianos. Escutem as apresentações do Prisma, Projetart, Vento Livre, Milad. São grupos sacros e vivos. Deste mesmo mal estão padecendo algumas orquestras, ótimas em qualificação musical, instrumentos, etc, mas que só fazem a plateia dormir. No máximo, esforçam as cordas vocais dos solistas.

Meus críticos dizem que não tenho alma, mas a menção honrosa vai para o Coral Vozes de Sião, excelente qualidade, que fez uma participação surpreendente na última Santa Ceia junto com uma orquestra de cordas. Viram que quando é bom eu elogio!? Não me peçam para concordar com essa unanimidade burra que grassa em nossos grupos musicais. Podemos fazer muito mais, e não me venham dizer que é porque não tem um instrumento caro. Já vi um tocador fazer um sax, no qual tocou grandes sucessos da MPB, com folhas sobrepostas de coco.

Em tempo: não sou músico, não sei tocar nenhum instrumento,  sequer tenho uma boa voz. Também não sou pedreiro, mas se vir uma parede torta sei dizer no mesmo instante!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Deus do deserto e das florestas

O agir de Deus é lindo, na vida de quem é fiel... Mas se Deus não age, ou não age como pensamos, não é tão... gracioso assim. Receber vitórias é o desejo de onze em cada dez crentes. E não crentes. Sim, eles também cantam o hino, com a mesma intenção: declarar o poder de Deus sobre as incertezas da vida. Mas, e quando Deus permite que as dificuldades cheguem? Quando uma floresta exuberante se torna um deserto macabro?

A Bíblia diz que Deus prepara uma mesa no deserto (Salmos 78:19). Ele é o Deus dos desertos e das florestas da vida. Dos lugares secos e dos mares piscosos. Quão grande é o nosso Deus!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Proposta ao MPF!


Façamos um levantamento de ruas e avenidas com nomes bíblicos ou referências cristãs e os renomeemos. Acabemos, também, com o Natal e com a Páscoa e o consumismo agregado à data. O MPF adora aquela sexta-feira... Que eles trabalhem em dobro, somente para mostrar a "laicidade" do Estado brasileiro. Nada de imprensar a segunda, 24/12, e que o MPF esteja a postos no dia 25!

Por fim, derrubemos o Cristo Redentor e o desassociemos ao Rio de Janeiro.

De fato, enviei a proposta acima ao MPF/SP.

Se eu tivesse o poder de fogo de alguns líderes, faria uma caravana para visitar o MPF na segunda, 24/12, e se ninguém estivesse trabalhando, entraria com uma ação de ressarcimento, com base na laicidade do Estado.

Que acham?

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Quem diria?

De onde não se espera, sai um filme que está incomodando a crítica cinematográfica brasileira. O filme de R.R. Soares rendeu uma reportagem no UOL, cuja acusação maior foi não ter negros no elenco!? Está entre os maiores sucessos de bilheteria brasileira, ganhando de 007 - Operação Skyfall , não pediu incentivos ao Governo, pois seria, certamente, negado, foi rodado nos EUA e tudo que eles tinham a fazer era dizer que não foi incluído nenhum negro? Esses tempos politicamente corretos... E foram extremamente grosseiros ao informar que o pastor pediu que seus fieis levassem um amigo para assistir o filme e orassem pelas produções nacionais, sempre focadas em divulgar peitos e bundas, mundo afora. Haja preconceito.

Pimenta nos olhos dos outros é remédio. Um comentarista disse tudo que eu gostaria de dizer.

Leia aqui.

domingo, 11 de novembro de 2012

A realidade vai vencendo a dissimulação...

Mensageiro da Paz, edição Novembro/2012, página 4, discorrendo sobre o último Congresso da EBD:
...Ministraram primárias os pastores... [brasileiros]; e os pastores Tommy Barnett, Jhonnie Moore e Marlene LeFever dos Estados Unidos;...
Notou? Não!? Equipararam, por fim, as mulheres aos homens. Eles não são bobos. Os americanos leriam as reportagens sobre o evento e não engoliriam alguma distinção como: palestrante, para as mulheres. Lá não há esse tipo de coisa. Aliás, LeFever, dizem, é uma potência do quilate dos grandes mestres americanos. Formiga sabe que roça come...

Ainda vamos ver mulheres nas EBOs  e reuniões de obreiros, nas Assembleias da gema, aquelas em que paletó lascado era tratado com grampeador... Rsrsrs!

sábado, 10 de novembro de 2012

Por ocasião da lição sobre Jonas...


Meus dez leitores, por ocasião da lição sobre Jonas, amanhã, disponibilizo um pequeno livro de minha autoria sobre o profeta, em formato de narrativa ficcional. Se quiser citar, informe a fonte. Desculpe-nos pelos erros de português. Clique aqui e faça o download em formato PDF.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Olha aí o que eu digo sobre rádios, TVs e igrejas...

Leio no UOL, sobre as dificuldades da Record (grifos meus):
O rombo, segundo algumas fontes, passa de R$ 200 milhões – valor que a Record não confirma. A conta da Olimpíada passada, a subutilização do Recnov e os sucessivos erros de planejamento, além de altos salários pagos aos seus diretores e artistas estão entre as despesas que mais contribuíram para se chegar a um valor tão absurdo.
O dinheiro da igreja, pela cessão de horários na madrugada, há algum tempo se tornou insuficiente para equilibrar ou ao menos reduzir o volume das despesas. A Record, sempre muito econômica na abertura dos seus intervalos comerciais, agora se vê obrigada a adotar uma política diferente. E é exatamente isso que a sua direção ainda não tem decidido. Não existe, pelo menos até agora, uma definição do que será feito ou do que será possível fazer daqui pra frente, mas se tem a certeza de que apenas reduzir a folha de pagamento, com a dispensa de alguns funcionários, se tornou insuficiente para cobrir um buraco tão grande.
Nenhuma emissora de TV e rádio de igrejas se paga. A pólvora vem dos dízimos e ofertas. Fazer programação assim é fácil. Releiam aquele grifo em azul... E o pessoal ainda quer multiplicar os elefantes. Já há pastores com inveja de Marcelo Rossi...

Continua aqui.

Deus não está mais aqui...

Por Derval Dasilio

Do jeito que vão as coisas, em breve veremos placas honestas nas portas das igrejas: “Deus partiu sem previsão para voltar”. E começo a pensar em Nietsche, quando escreveu “Zaratustra”. O cenário da igreja é lúgubre, ambiente de corvos em árvores secas e vermes emergindo da terra, seguindo o costume da Europa Nórdica de construir cemitérios junto às igrejas. Como se estas tivessem as respostas finais sobre angústia da vida e da morte. As roupas litúrgicas negras vestem ministros seguidores da reta doutrina enquanto enterram fieis com orações solenes, liturgias e réquiens infindáveis para poderosos aristocratas. Crítica ácida do filósofo aos representantes das igrejas cristãs, e à religião dominante.

Continua aqui...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Um capítulo sombrio para as ADs?

Leio na coluna de Mônica Bérgamo (grifo meu):

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) instalará um grupo de trabalho só para investigar a atuação das igrejas católica e evangélica no período da ditadura. Serão apurados não apenas o papel de religiosos na resistência à repressão e proteção a vítimas como também o daqueles que colaboraram com os militares. 

Pelas informações que disponho não houve problemas diretos com a Assembleia de Deus enquanto instituição, a não ser a omissão diante do desparecimento de presos políticos. Dada nossa omissão política não é novidade. Claro, que sempre houve um ranço militar, beirando a admiração, além do adesismo sempre em voga entre nós. O que é a existência de tantas bandas (marciais) em nossas igrejas senão um eco do período? Muitos militares evangélicos flertavam com o regime e estavam submissos a ele. Por outro lado, seminaristas adeptos da Teologia da Libertação e outras iniciativas do gênero, não só militaram ao lado dos esquerdistas como simpatizavam com os regimes comunistas. Muitos foram perseguidos, presos e, alguns, mortos. Às igrejas não interessava tal flerte. O que era sensato, visto que os comunistas odiavam as religiões. Só pra esquentar o debate, porém, leiam este pequeno trecho de um artigo escrito por um pastor presbiteriano:
Nenhuma igreja evangélica reclamou, no Brasil, quaisquer dos pastores, seminaristas, presbíteros e membros comuns, que foram perseguidos, presos ou torturados pela ditadura. Exceção para a PCUSA [Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos], sendo Jaime Wright coordenador da Missão Central do Brasil, responsável por dezenas de igrejas presbiterianas. São verdadeiras as referências e muito mais amplas do que se pensa, como no caso do líder da juventude da IPB, membro da ecumênica UCEB – União Cristã de Estudantes do Brasil, Ivan Mota Dias. Ele foi preso e desapareceu em 1971. O reverendo Zwinglio, seu irmão, também preso, torturado e, posteriormente, exilado, lembra de observadores indo à sua igreja para saber do comportamento de outros presbiterianos. Esperavam que ele delatasse alguém, como vários fizeram. O caso que mais chamou a atenção das organizações cristãs protestantes do exterior foi o do presbítero Paulo Stuart Wright, da IPB de Florianópolis, SC, deputado cassado pela ditadura. Phillip Poter, secretário geral do CMI, tomou-o como símbolo entre os mártires protestantes sob as ditaduras militares na América Latina. Havia sido morto antes de 1973, provavelmente, como depôs dom Paulo Evaristo Arns, que ajudara nas buscas: “Sempre havia novas notícias dizendo que ele estava vivo; disseram que ele estava no Chile. Jaime Wright foi infatigável na procura do irmão”. As consequências dessa procura resultaram na maior movimentação em favor dos direitos humanos realizada no Brasil. 
Leonildo Silveira Campos, teólogo presbiteriano e sociólogo, era um seminarista na IPI e ficou dez dias preso em 1969. Não se esqueceu de quem “evangelizava” e torturava ao mesmo tempo: “Para os que desejam se converter, eu tenho a palavra de Deus. Para quem não quiser, há outras alternativas”, dizia certo pastor batista e capelão do Exército, apontando a pistola debaixo do paletó. O assunto, porém, não se restringe a evangélicos delatores – incontáveis – e torturadores, que ninguém sabe como distinguir de outros que fizeram o mesmo: católicos, espíritas, umbandistas. Na verdade, foi responsável a sociedade repressiva e covarde que acomodou-se à ditadura. Mas é importante revelar o quanto as denominações evangélicas, sem nenhuma distinção, apoiaram e serviram o poder militar naquele momento
De qualquer forma, anotem aí: as igrejas evangélicas correm o sério risco de saírem manchadas no rescaldo das apurações. Especialmente, porque os esquerdistas sempre nos olharam de maneira enviesada. Com a mídia fazendo as generalizações é uma questão, apenas, de tempo. Além disso, esta comissão não quer apuração, quer projeção. Quem for mais fraco...

domingo, 4 de novembro de 2012

Rescaldo político, igreja gandula e outros

Passadas as eleições gostaria de fazer algumas colocações para nossa reflexão. Refletir é um antídoto contra os erros do passado e o combustível do blog. Me aterei aos vários links que dizem respeito à Igreja do Senhor Jesus. Difícil escolher por onde começar. Vamos por São Paulo. A mesma imprensa que nos acha chique, tentou interditar o debate naquilo que nos interessa.Aborto? Retrógrado! Kit gay? Conservador. Há algo errado aí.  Os judeus e islâmicos teriam as mesmas posições neste assunto, mas não foram incomodados. E São Paulo tem bairros inteiros cuja população é judaica. Além da crescente população muçulmana. No que tange aos evangélicos, não há motivo para admiração, a questão é que não somos tão queridos assim, ao contrário do que pensam alguns bobinhos. O que há é uma convivência fracamente pactuada, mediada pelo crescimento do poder aquisitivo, da influência, etc. Quando eles querem, mandam às favas todas as igrejas. E nos calam com a negação dos espaços. Os políticos aproveitam a simbiose, depois correm para os templos a usar os púlpitos. Com a nossa conivência. Há quem goste de apanhar, há quem cresça o olho na vantagem. Tancredo Neves dizia que quando a esperteza é grande come o dono.

Segundo, o jogo político rasteiro não pode ser bancado pela Igreja. Disse isto numa reunião ministerial, mas poucos entenderam. Comecemos pelos partidos. Há os de esquerda, de direita e de centro. Apenas no nome. Há os que estão à direita ou à esquerda das benesses. Só isso. Inúmeras cidades brasileiras tiveram eleições conjugadas entre partidos de todos os naipes. A própria esquerda se divide aos sabor da oportunidade e da conveniência. E nós no meio do tiroteio, fazendo as vezes de gandula. Sabe como é, pega a bola e joga para os experts fazerem os gols. Há até um ou outro irmão que se enturma, mas a bem da verdade já capitulou. Manteve somente a fachada. Termos como covardia, revanche, hipocrisia, mentira, traição não combinam com a igreja bíblica, ainda que se encaixe perfeitamente na igreja real. Ainda assim, esse jogo é muito pesado para não deixar sequelas nas mãos de quem o tente bancar. O mais ingênuo no jogo político conserta um relógio, no escuro, mergulhado numa piscina olímpica! Há os deslumbrados que pensam o contrário, mas ninguém é poupado quando precisa.

Teríamos a opção de criar um partido evangélico (algo já sugerido pela CGADB e colocado em prática pela IURD), mas a história mostra que essas iniciativas só são versões das mesmas práticas. No final das contas, tais partidos se rendem ao sistema político, incutindo os mesmos nefastos valores. Precisamos entender que tudo na política gira em torno de dinheiro e poder. Simples assim. Por eles se sacrifica reputações, biografias, projetos e tudo o mais. E não ousam em ser autofágicos. Se este jogo bizarro nos parece lícito... Boa parte dos políticos que temos venderia a própria mãe, por que não uma igreja?

Terceiro, a figura do pastor que se aproveita do jogo político para a promoção pessoal ou de alguém de sua família, no melhor estilo capo italiano, tem cada vez mais espaço na cena evangélica. Uns diriam que é uma vantagem competitiva, que o autor está pensando no futuro, que saiu na frente da concorrência. Do ponto de vista egocêntrico é uma ótima ideia. Mas a igreja não pode ficar à mercê de caprichos pessoais. É interessante observar como os atores mudam até mesmo o linguajar dos pastores. Termos como massificar nomes, cristalizar opiniões, indicar um catalisador, trazem em si aquele exclusivismo déspota que estamos acostumados a ouvir falar.

É repugnante que alguém, por exemplo, não seja claro o suficiente sobre o que quer ao apoiar ou lançar um candidato. Quando obriga a que uma igreja vote naquele obscuro projeto, a coisa toma ares de ditadura. Falou-se, por citar São Paulo, que Haddad seria um poste de Lula. Quantos postes não foram lançados pelos pastores? Sem planos, sem propostas, sem projetos, sem vida própria, mas com o apoio, sabe-se lá por que, do nível superior da hierarquia religiosa. Mas a coisa vira bagunça mesmo é quando os contrários são punidos. Não é um quadro raro de encontrar nos ministérios Brasil afora. Tenho informações de vários irmãos em todo País, que estão vivenciando isto em suas congregações. Em muitas tal comportamento anemizou a relacionamento entre a liderança e os liderados. Certamente não é o que Deus deseja. Mas muitos preferem que as amizades sangrem. O culto de doutrina é utilizado para espinafrar a rebeldia.

Um capítulo à parte é a ausência de propostas práticas para o bem de todos os brasileiros. Vereadores e deputados evangélicos tem se mostrado apáticos às verdadeiras necessidades de nosso povo. Somente demandas morais mobilizam nossos nobres. Aqui e acolá um aceno inócuo como o Dia da Consciência Evangélica, que em alguns lugares é ou será em 31/10. Ora, ora, se muitas igrejas sequer falam da data... É coisa pra inglês ver. É uma pena que essa situação se perdure, por tanto tempo. Sobrevivendo como rescaldo de nossa atuação clientelista, adesista e fisiológica.

sábado, 3 de novembro de 2012

Apresentação sobre a Reforma

Durante o mês de outubro promovemos um debate sobre o livre exame das Escrituras, um dos pilares da Reforma Protestante. Mas não houve tempo para explorar todos os princípios da interpretação bíblica. Nos ativemos nos cinco primeiros. Foram três quartas com informações valiosas e exercícios práticos, mas não inéditos. Prometemos aos nossos irmãos que iríamos disponibilizar a apresentação utilizada.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pouco ou nada novo debaixo do sol...

Clique aqui e conheça os candidatos à Mesa Diretora da CGADB. Felizmente apareceu uma alternativa: é o Pr William Silva Iack, de Brasília.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A França é retrógrada!?


Franceses saíram às ruas contra a adoção de filhos pelos casais gays. Mas nenhum dos veículos acessados ousa dizer que os franceses são retrógrados. Não é um mimo? Aqui no Brasil se alguém não quisesse votar em determinados candidatos "progreçistas" a imprensa taxava logo. Esses franceses... Emblemático é aquele cartaz... Como é que diz mesmo? Uma mãe, um pai, nada de mentiras para as crianças? França retrógrada. O Brasil é que é moderno.

Pronto, já começou a escatologia barata!

Os EUA foram punidos, o centro financeiro foi afetado, o capital parou dois dias. Haja escatologia de terceira categoria. Estou sem tempo para desancar os apologetas de meia-tigela. Mas fica o registro aqui. E ainda dizem que eu sou crítico.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Obedecer é uma questão de opção pessoal


Participamos das festividades do DEJEADALPE em uma das congregações que auxiliamos. O tema era: Jovens que não se dobram, baseado em Daniel 3:15-18. É um texto conhecido, a história cantada em versos e prosa. Visito mentalmente a cena em que três jovens são testados e provados. A megalomaníaca ordem do rei era clara: que todos adorassem à estátua que construíra em Dura, tão logo ouvissem os instrumentos musicais. Não sabemos se os músicos se dobraram também, não é tão fácil tocar uma gaita de foles ajoelhado... O certo é que o desafio surgiu de repente para os jovens. E eles não fugiram à responsabilidade.

Instados na presença do rei, disseram: Temos duas alternativas. Sermos queimados ou livrados pelas mãos de Deus. Ambas dependem DEle, NEle confiaremos para a vida ou para a morte. Porém, em nenhuma delas nos dobraremos à tua estátua! Foram lançados amarrados os três, mas o quarto homem os livrou de uma fornalha de alta temperatura. Ficou ao seu lado até o resgate. Quando o milagre surpreendeu sátrapas, sábios, caldeus ao próprio rei e a tantos quantos analisaram as roupas e corpos intocados dos corajosos.

Maravilho-me que aqueles jovens tenham feito uma escolha baseada em princípios. Coisa cada vez mais rara no mundo em que vivemos. O primeiro ingrediente em muitas escolhas nos arraiais evangélicos hoje em dia é conveniência e egoísmo, entre jovens, velhos, pais, mães e líderes. Assim se vai a oportunidade para os milagres acontecerem. Quando princípios são negociados Deus deixa a história à mercê das limitações humanas. Ao confiarmos NEle sua mão maravilhosa faz prodígios em nosso favor. Mesmo que zombem de nós. E aí? Qual vai ser? O escárnio para ver a glória de Deus se manifestar ou o assentimento para salvar a pele?

Os jovens estavam longe do templo, do sacerdote, dos pais, dos demais amigos da sinagoga, não obstante permaneceram firmes em seu coração. Eles estavam perto do Senhor, aonde a obediência toma um lugar eterno. Mesmo que a morte espreite certa, a alma estará atada no molho dos que vivem para Deus. Obedecer é, pois, uma questão de escolha pessoal. As circunstâncias são secundárias. Não há gesto desta natureza que passe despercebido do Criador.

Volto ao presente. E se fosse hoje? Se Nabucodonozor fosse hoje um prefeito, governador ou presidente? Quem sabe muitos líderes evangélicos condescendessem por um momento com sua mitomania, em troca de alguma benesse. Não é assim que as coisas funcionam? Às vezes, não se dobram os joelhos, mas a deslumbrada face diante das ofertas sobejas de facilidades, dos salamaleques, do jeitinho, da bajulação gratuita, denuncia o casuísmo. São deuses em Dura, a dureza do nosso coração, erigidos para denunciar nossas fraquezas, parte de ferro, parte de barro. Porém, Nabucodonozor não pode ver milagre entre nós. Não há teste, não há provas, somente assentem as mentes grávidas de vantagens materiais. Não há o que Deus socorrer, senão a fé abalada dos crentes verdadeiros.

Os que vencerem, andaram de branco com Cristo...Apocalipse 3:4. Os demais serão lançados na fornalha de fogo que arde milhões de vezes mais que a de Nabucodonozor. Até mesmo os que disseram: Em teu nome, Senhor, eu operei milagres... Não sobrará estátua sobre estátua.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Convite Especial

Convidamos nossos dez leitores a participar, na próxima quarta, 19:00h, na Igreja em Desterro I, Rua Princesa Isabel, 380 - Abreu e Lima/PE, do fechamento de uma série de doutrinas sobre o livre exame das Escrituras. Como sabem, até a Reforma Protestante, ocorrida a partir da publicação das 95 teses de Lutero em 31/10/1517, as pessoas não podiam portar uma Bíblia ou estudá-la em grupos ou sozinhas, a menos que fossem clérigos.

Em 1229, o Concilio de Toulouse, convocado no sul da França, proibiu que alguém possuísse e lesse a Bíblia, especialmente aquela em língua vulgar, com exceção dos Salmos e dos passos contidos nos breviários autorizados!

Nós já estamos envolvidos neste trabalho desde o início do mês, nas comemorações dos 495 anos da Reforma. É que o trabalho aqui é um pouco avesso à propaganda. O assunto do fechamento é Texto, Contexto e Pretexto. Uma breve apresentação multimídia será disponibilizada na quinta.

Aguardo vocês!

domingo, 28 de outubro de 2012

Faltam três dias!!!

Meus dez leitores, quando lerem este post restarão apenas três dias úteis nos quais a Terceira ou Quarta Via poderá lançar sua candidatura à presidência da CGADB. Não sei se isso acontecerá, não estou a par das últimas notícias no assunto. Há, portanto, dois cenários possíveis. Primeiro, haverá, apenas, duas candidaturas: Pr. José Wellington, atual presidente, e Pr. Samuel Câmara, presidente de uma das convenções do Pará. Qualquer um dos dois possui chances de ganhar, mas a vantagem, por óbvio, está com o presidente atual. Segundo, aparece um terceiro ou quarto concorrente e a disputa ficará mais... interessante!

Qualquer ministro poderia se candidatar. Contraditoriamente, não há impedimento algum a que um evangelista o faça. Fiquem tranquilos, não tenho tempo, nem envergadura para algo do tipo. Mas digo que é contraditório porque o evangelista é visto como um aprendiz, mesmo quando mais experiente que um pastor. Aqui, no blog, quando querem me atingir relembram isto. Não dou a mínima, faz parte da minha mentalidade. Ou por outra, na indecisão sobre a capacidade um obreiro Brasil afora se costuma consagrar primeiro a esta função. Voltemos... Lendo o capítulo V, do estatuto da CGADB, percebemos que há um claro desencorajamento das candidaturas solo. Em que pese a intenção dos seus formuladores, uma candidatura provável como a do Pr. Geremias do Couto, por exemplo, (Atenção! Não sei se ele será candidato!) já sairia em ampla desvantagem.

O Pr. José Wellington é presidente de um campo com quantos ministros? Dois, três, cinco mil. O Pr. Samuel Câmara, lá no Pará, tem quantos ministros em sua Convenção, mil, mil e quinhentos? Uma candidatura solo só teria a si mesmo. Outra marca importante, e nisto se assemelham a práxis assembleiana e a política partidária brasileira, é que os apoios são, em sua maioria, adesistas e personalistas. Quase ninguém está pensando na denominação, mas em quem personifica um determinado projeto. Às vezes, projeto nenhum. É que não fazer nada, não interferir, também angaria simpatia. Os feudos se viram nos Estados e fica tudo como está. Até mesmo uniões regionais se beneficiam da leniência. Quando que uma CGADB iria cobrar da UMADENE um plano de evangelismo nos rincões do Nordeste?

Resta uma outra barreira: não há provisão financeira para a campanha. Ela deverá ser bancada exclusivamente pelo candidato. Enquanto, por exemplo, o Pr. José Wellington pode continuar a viajar livremente pelo Brasil inteiro, pregando em EBOs e eventos de médio e grande porte, a convite ou com as despesas pagas pela CGADB, a título de representação institucional, uma candidatura alternativa nada poderia fazer. Logo, concluímos que o forte do processo não é a igualdade.

O ideal é que o presidente candidato se licenciasse, por exemplo, seis meses antes da eleição, para evitar favorecimento de qualquer ordem. Se ele tivesse de ser convidado neste período, os demais concorrentes deveriam ser encaixados na mesma grade da programação do evento, com a mesma projeção.

No caso do Pr. Samuel Câmara além do próprio rebanho ele conta com a ajuda do irmão Jônatas Câmara, presidente da Assembléia de Deus no Amazonas. Para todos os efeitos práticos são duas convenções na largada. Enquanto isso, o estatuto não estipula como um candidato solo, por exemplo, faria para se tornar conhecido dos milhares de obreiros assembleianos. Tomando por base o site da CGADB, por que não divulgar, com igualdade de espaço as propostas e biografias dos demais postulantes?

É desnecessário dizer que eu apoio a Terceira Via, aliás, a quarta, a quinta, a sexta, quanto mais candidatura, melhor. Creio que a AD é maior que qualquer pessoa. Que há homens capazes e tementes a Deus, que poderiam dar um novo rumo à nossa denominação, tirando-a da letargia em que se encontra. Sempre, claro, buscando a vontade de Deus. Não aquela vontade baseada em pressupostos, tipo vou me jogar na frente de um caminhão agora na BR, se for da vontade de Deus eu morro... É assim que funciona a cabeça de muita gente, confundindo permissão com vontade divina.

Ainda teremos que evoluir muito neste quesito. Grande parte deste comportamento decorre da estrutura montada em terras tupiniquins. Enquanto na América Latina, as igrejas assembleianas oriundas das missões americanas elegem seus pastores, muitas vezes com mandatos pré-determinados, no Brasil ainda reina a presidência vitalícia, quando não hereditária.

Vamos ver quem serão os candidatos após 31/10/2012, que é o prazo limite. Gostaria que houvesse ao menos quatro!

sábado, 20 de outubro de 2012

O futuro do papel...

Leio no UOL:
A Newsweek, segunda revista semanal de informação mais importante dos Estados Unidos, vai deixar de ser impressa. O último exemplar será o de 31 de dezembro. Depois disso, a revista, que completa 80 anos em 2013, vai circular apenas na forma digital. A notícia foi dada nesta manhã no site da revista, num texto assinado pela editora chefe Tina Brown e pelo CEO Baba Shetty.
O que isso tem a ver conosco? Muita coisa, sob muitos aspectos. Primeiro, se estreita a margem do livro impresso, das revistas e dos periódicos, também. Eles vão sobreviver algum tempo, mas o cheirinho do livro está com os dias contados. Editoras como a CPAD já estão se mexendo, ainda que timidamente, para digitalizar seu conteúdo. As lições bíblicas foram ofertadas em formato digital, porém, temos que instalar um software. Algo contraproducente em termos de tecnologia digital hoje. No máximo, se instala um plugin como o Flash, e o conteúdo é todo visualizado nele dentro do navegador. Acho difícil o formato vingar, apesar da boa qualidade do material. Noto, porém, a timidez da iniciativa. O ideal era que o Mensageiro da Paz e tantos outros periódicos já tivessem sua versão digital há muito tempo. Além do mais os dispositivos portáteis entraram com tudo no mercado.

Segundo, com a massificação digital, observada pela proprietária da Newsweek, é preciso apressar os passos. Ao mesmo tempo que se lançam livros, em formato convencional, as grandes editoras lançam e-books. Mais fáceis de ler, mais adaptáveis aos gadgets móveis. Só não deslancharam pra valer por que as tecnologias anti-pirataria ainda engatinham e seu custo unitário é alto. É uma questão de tempo. Com a produção e venda massificada os custos baixarão. A pá de cal veio com a isenção de impostos, tal qual o livro físico, para os e-books. As livrarias vão sentir o baque, seguindo um processo semelhante às locadoras. As que puderem diversificar o mix...

Terceiro, a margem dos e-books é melhor e sua produção mais rápida que o livro comum. O usuário pode ler trechos e, se gostar, compra. Melhor faz o download. Nada de calhamaços de papel, estantes grandes, coisas do gênero. A diagramação é mais simples, o conteúdo mais diversificado. Até hoje não se inventou um livro de papel que exibisse um vídeo, por exemplo. A Enciclopédia Britânica já entendeu o recado. Após 244 anos, em março, passou a ser uma enciclopédia on-line. A médio prazo não há escapatória.

Quarto, os autores não estão mais presos às regras do mercado. Em tese, ao menos, as editoras priorizam os textos mais palatáveis e populares. Chamativos, mesmo. Aí se forma um time no qual ninguém entra, até conhecer o diretor de redação, o responsável geral, ou ter uma edição de teste que bombou numa editora pequena. Isso é bom porque a margem de lucro aumenta, mas deixa de lado as pessoas que não são da confraria. Participamos de um livro crítico sobre a história evangélica, lançado pela Vida Nova (imagem acima ao lado direito). Tentei fazer uma tarde autógrafos numa livraria evangélica em que tinha um amigo gerente e ouvi: Rapaz, infelizmente, este tipo de texto não é muito palatável... Com o e-book os textos são lançados e quem se interessar compra, sem passar pelo crivo das grandes editoras, atentas somente ao lucro. Já existem inúmeras iniciativas de publicação nesta linha de raciocínio.

Quinto, os blogs e redes sociais se antecipam à informação. Foi isso que tínhamos em mente quando sugerimos ao Pr. Roberto José a criação do portal da COMADALPE. Por sua anuência criamos e estamos implementando o projeto. É, para todos efeitos, um periódico diário noticiando eventos, atualizando informações, interagindo com os leitores, e o custo é infinitamente menor que um jornal ou revista, nenhuma mídia se compara. O público alvo, imensurável. E ainda nem lambemos o miolo do projeto! A blogosfera está aí, falta somente depurar a qualidade. O JN é de noite e agora já tem informação nova rodando o mundo! Até os telejornais terão de se adaptar. Não é à toa que se diz que o Fantástico investiu R$ 6 milhões pra ter o Ronaldo em um dos seus quadros. Estava perdendo audiência porque a maioria das matérias já havia passado.

Assim como falamos aqui sobre a extinção das rádios como as conhecíamos em prol das rádios virtuais, registramos mais esta tendência entre outras. Os programas televisivos evangélicos tendem a desaparecer, seu custo não compensa. Já informei aqui que nenhum programa evangélico dá o retorno do investimento. A maioria é mantida com a pólvora alheia. Dar tiro assim... Eu sei que há casos como a Central Gospel cujas vendas alardeadas aumentam a cada dia. Mas o portfólio da editora se concentra no chamariz ministerial de seu proprietário. Quando falecer (e desejo vida longa a ele), a curva cai. Não há dúvidas disso. Aliás, boa parte das vendas da CPAD consiste no seu vínculo com a denominação. Mas aí é reserva de mercado e não competência. Ainda que eu reconheça que a CPAD tem se profissionalizado, com investimentos de grande porte na infraestrutura e a qualidade de suas lições, por exemplo, é excelente. Basta visitar uma livraria para constatar as mudanças, tentando se desvincular para não morrer na praia. Dia desses encontrei até livro de Cabala na filial Recife (pra ninguém dizer que é mentira tirei uma foto do livro na prateleira)!

Um modelo bastante aplicado Brasil afora é empurrar livros, revistas e jornais para os obreiros nas igrejas ou nas ruas, como fazem as Testemunhas de Jeová. Sob pressão as vendas aumentam, mas o material é cada vez menos lido. As pessoas preferem ler num computador! Seja ele um notebook, netbook, desktop ou tablet. As metas podem até ser alcançadas, já ler...

O futuro está dado. Não se trata de capricho, querer, ter algo pra chamar de seu, temos que olhar para onde o vento está soprando. E ajustar as velas.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Vou deixar a igreja porque não aguento esse povo...

Você deixou a sua igreja porque nela só tinha gente com defeitos? Conte-me mais como é viver em um emprego com pessoas perfeitas? Ou em uma família sem falhas? Ou em uma vizinhança maravilhosa? Ou em uma escola que possui somente alunos excelentes. Sim, me conte sobre sua vida simplesmente irretocável. 

É evidente que estou sendo irônico, mas fico impressionado com aqueles que alegam deixar a igreja por causa de seus membros imperfeitos. A minha impressão é que essas pessoas já alcançaram a iluminação. Será que não há uma nítida vaidade naquele que não vê outra coisa senão defeitos alheios? Ora, as falhas são fatos, mas os nossos próprios atos condizem com essa exigência absoluta? E por que não exigimos o mesmo grau de perfeição de outras comunidades que participamos (empresa, escola, família etc.)?

Aliás, quem romantizou a igreja para você? Certamente que não foi a Bíblia. Nas Sagradas Escrituras há os relatos de diversos seres defeituosos. Seres demasiadamente humanos. O apóstolo Pedro era impulsivo e agia com falsidade. O grande Paulo era um verdadeiro intolerante. E a igreja em Atos dos Apóstolos? Havia preconceitos contra as viúvas gregas. E aquele casal mentiroso? E a briga entre os gentios e os judaizantes?

Bom, você realmente acha que existiu perfeição no passado? É bom reler as Escrituras. 

É estranho essa ideia de perfeição quando sabemos da nossa própria condição. Como eu posso exigir algo que eu não sou? 

É claro que não devemos nos conformar com os erros, pois a nossa meta é lutar pela santidade da Igreja. Mas que essa ação não nos torne cegos para a nossa própria condição. Além disso, deixar a igreja pela imperfeição é como deixar um hospital por causa dos doentes. 

Eu posso e devo deixar uma igreja apóstata. Eu posso e devo deixar uma igreja legalista que sufoca o Evangelho com a “salvação” do esforço humano. Eu posso e devo deixar uma igreja que ensina o caminho para a perdição. Eu posso e devo deixar uma igreja que abraça um conjunto de heresias como verdades. Mas é um erro deixar a igreja porque não achei perfeição em seus membros. É um erro quando não nos olhamos no espelho.

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Comento: Eu já vi esse filme muitas vezes. Havia uma mulher que sempre via as roupas estendidas no varal da vizinha amareladas. Depois descobriu que o problema estava nos vidros das janela, de sua própria casa.

Questão crítica!


Final de Avenida Brasil? Sinceramente... A alienação se instalou no cotidiano brasileiro. Até Dilma queria usar a repercussão para exibir num telão na Bahia, e depois fazer o comício. Que país é esse?

Não deixamos por menos, o que vai ter de crente faltando aos cultos hoje!? As santas ceias serão santas ausências... Vai Carminha!

Uso e abuso do nome Assembléia de Deus...

Leio no Notícias Cristãs:
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por intermédio da Promotoria de Investigação Penal de Petrópolis, ofereceu denúncia em face de Luciano Felix da Silva, pastor da Igreja Assembleia de Deus a Caminho do Céu, localizada no Município de Areal, na Região Serrana, pelo crime de estupro de adolescente. A Promotoria requereu a conversão da prisão de Luciano, detido desde segunda-feira (15), de temporária para preventiva. Segundo texto da denúncia, subscrita pela Promotora de Justiça Maria de Lourdes Féo Polonio, a adolescente conta que o Pastor a abordou e disse que ela tinha um câncer que fora "revelado a ele por Deus". A cura, de acordo com Luciano, seria manter relações sexuais com ele. 
Este é um caso típico de uso do nome Assembléia de Deus para emprestar o peso histórico da denominação a igrejas de fundo de quintal. Até quando esta prática ocorrerá impune? Neste momento de candidaturas à presidente da CGADB ninguém ouve falar de gestões neste sentido, muito menos sabemos de qualquer iniciativa da atual administração para coibir o abuso. A marca é patenteada, existe o corpo jurídico da Convenção Geral, mas ninguém faz nada.

Enquanto isso...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Acre fervendo por causa da política na Igreja!

Me enviam o link abaixo de uma reportagem sobre perseguição política a candidatos não oficiais no Acre. Em suma, o presidente de lá queria que elegessem o filho, mas outros se lançaram candidato e ele perdeu a eleição. Pastores estariam sendo retirados de áreas e igrejas. Nada de novo para os leitores do blog. Mas quando eu digo... Eu, inclusive, gostaria de dizer que o Acre está fervendo pelo poder de Deus, mas a realidade é outra.

Um grupo de pastores da igreja Assembleia de Deus estaria sendo condenado ao “purgatório acusado de “trair Jesus Cristo”. Os líderes religiosos estariam sendo apontados como responsáveis pelo fracasso dos evangélicos na disputa eleitoral em Rio Branco.
A derrota do candidato Marcos Lima (PSDC), filho do pastor Luiz Gonzaga, líder maior da Assembleia de Deus na capital, seria o principal motivo da demissão sumária de pastores de área, que teriam negado apoio ao nome apresentado pelo líder maior da igreja. 
Acusados de traição durante uma reunião, após a divulgação do resultado da votação, os pastores foram “convidados” a colocarem seus cargos à disposição de Luiz Gonzaga, estremecendo as bases da igreja que possui mais de 15 mil fiéis cadastrados.



Reportagem completa aqui

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A síndrome do Já que!


Já que...

...hoje não é culto de festa...
...não há nenhum cantor convidado...
...é aniversário de algum orgão...
...não é aniversário de algum orgão...
...é culto de oração...
...não é culto de oração...
...é culto de doutrina...
...não é culto de doutrina...
...o solista hoje não sou eu...
...não estou escalado...
...não sou eloquente...
...estou rouco...
...não tenho uma boa voz...
...não sei tocar um instrumento...
...marcaram a pelada para a mesma hora...
...é a final de um campeonato...
...é o final da novela das oito...
...o Fantástico está com uma reportagem diferente...
...é o dia do meu aniversário...
...é o dia do aniversário do meu filho...
...sábado foi o dia do meu aniversário...
...semana passada foi o aniversário da minha filha...
...é o dia do aniversário da minha mãe...
...é o dia do aniversário do meu cachorro...
...morreu o meu gato...
...está calor...
...está frio...
...comprei um panetone e quero experimentar...
...marquei a Ceia de Natal para esta noite...
...minha Bíblia está mal conservada...
...trabalhei a semana toda, folguei sábado e hoje é domingo...
...foi feriadão desde sexta...
...meus amigos viajaram, menos eu...
...vou viajar na terça...
...perdi a eleição...
...ganhei a eleição...
...não deu tempo do penteado ficar pronto...
...arrumei um namorado...
...não arrumei um namorado...
...noivei sábado...
...casei há um mês, ainda estou em lua de mel...
...estou no Facebook...
...estou lendo um bom livro...
...estou assistindo um bom filme...
...estou sem dinheiro para a oferta...
...não fiz uma roupa nova...
...não tenho um sapato novo...
...não tenho com quem ir, apesar de morar perto...

...não posso ir à Igreja hoje!

É a síndrome do Já que, cujos sintomas são os mais diferentes possíveis. O diagnóstico é um só: apatia, indiferença, muitas vezes pecado. Uma geração abençoada agora não quer mais cultuar. Domingo à noite? Pizzaria, jantar beneficente, papo com os amigos, comemorações. Pela manhã? Pelada, sono até as 11:00h, passeio ciclístico. Que Deus nos proteja com seu sangue, para que pequenos motivos não nos impeçam de ir ao culto. Alegremo-nos ao ir à casa do Senhor, como disse Davi. É o pouco que nos restou.

domingo, 14 de outubro de 2012

É bíblica a postura manda quem pode...?

Prezados dez leitores, aproveito um gancho de uma conversa que tive para perguntá-los: É bíblica a postura do manda quem pode, obedece quem tem juízo? Explico melhor com exemplos. Um obreiro faz o seu trabalho nos conformes, evangeliza, visita, prega, ora, faz o trabalho de um pastor de ovelhas. Mas é ameaçado quando não atende às determinações da liderança superior. Determinações estas esdrúxulas e desprovidas de senso, como, por exemplo, apresentar e instigar a membresia a votar num candidato apoiado pela denominação. Como o candidato não foi eleito, o obreiro foi acusado de desobediência e está prestes a ser removido de sua igreja.

Esta postura da liderança superior é bíblica? Certamente, não! É um eco do que muitos entendem como obediência. Obedecer não é estar cego aos desmandos e desvarios. Obedecer do ponto de vista ministerial é buscar promover o planejamento estratégico da alta administração, como honestidade, sabedoria, criatividade e persistência. Outrora, o rebanho seguia bovinamente as ordens do líder. Em tempos de informação profusa já não é mais possível fazer isto. Bom para os que conquistam o respeito pelo convencimento. Ruim para os que tentam impor suas ordens. Mas a questão do post é que muitos líderes tentam fazer isso ao arrepio da Bíblia. O próprio Paulo ordenou a submissão às autoridades, mas Pedro ressalvou: antes importa obedecer a Deus do que aos homens!

Pior: há quem imponha suas diretrizes cassando o direito de defesa e apelando para artifícios como a retirada de ajudas de custo e salários. É bíblico? Se nas empresas sérias tal comportamento tem sido reprovado, imagina na igreja. Deus nos julgue!

Importante: desconheço qualquer obreiro de minha convenção, COMADALPE, que esteja sofrendo esse tipo de assédio moral!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Atrapalhando ou deixando vir ao Senhor as criancinhas?

Os acostumados a julgar pelo que escrevo dizem que sou amargo. Não sei, acho que estão enganados. Quem faz críticas, geralmente é julgado assim. Querer mudar o mundo choca interesses. Mas, fiquem tranquilos, não vou me suicidar tão cedo. Vamos a mais um texto crítico, mas reflexivo. A proposta do blog, desde o longínquo 2006, é essa. Se logrei algum êxito não sei. Vamos lá? Ou meus dez leitores ficaram preocupados? Hoje é sobre crianças...

Uma marca indelével de nosso tempo são as propostas e projetos contraditórios. Ao mesmo tempo em que promovemos um Congresso Infantil (e os há em profusão pelo Brasil, aliás, se faz congressos pra tudo agora...), há igrejas que não possuem um departamento infantil na estrutura do prédio!? Por isso a pergunta do post: Estamos atrapalhando ou deixando vir ao Senhor as criancinhas? Vamos por partes.

Precisa-se de uma dirigente de Círculo de Oração Infantil ou qualquer outro título equivalente? Bota aquela irmãzinha que aceitou o desafio, mas não está qualificada para o cargo! Ora, crianças são o futuro, mas que futuro há, senão pela graça de Deus, quando deixamos um departamento infantil nas mãos de alguém sem o traquejo para o cargo. Claro, claro, quem capacita é Deus, mas eu costumo dizer que há uma boa margem de segurança nas mãos dos homens. Não é contraditório dizer que o que o homem pode fazer, Deus não fará, se não estamos fazendo nossa parte!? Na Igreja se diz que amamos tudo, mas pouco de prático revelamos desse amor. É um pouco como aquele homem que bate na mulher e depois chora, dizendo que a ama!

Mas há coisa pior. O que dizer da mãe que reclama da dirigente, mas não move uma palha para ajudar seu filho a vir à Igreja? Se Joanazinha não quer ir à igreja porque vai passar a Era do Gelo na Globo, a mãe dá de ombros. É a chamada Teoria da Parede em ação. Ela consiste do seguinte: pergunte à um grupo de irmãos de qual cor deveria ser uma parede da igreja. Todos teriam alguma sugestão: verde, vermelho, lilás, azul, até, pasmem, preta! Definida a cor, pelo voto da maioria, prepare balde, pincel/rolo e tinta. Ninguém se habilita para pintar! Evidente que há pessoas que no exercício de um cargo assim não aceitam ajuda. Mas a oração é, no limite, o que se pode fazer com a menor interferência possível. Captou? Olha aí uma coisa que estamos deixando nas mãos indevidas. Em breve, até a oração Deus terá que fazer por nós!

Por falar em oração, minha mãe estava orando por seus quatro filhos vinte e cinco anos atrás. Por uma questão de timbre, todos lá em casa falam alto. Quando termina aquele período de oração, uma mãe de vários filhos foi falar. Nas suas palavras ela disse: Olha, irmãos, hoje eu aprendi uma coisa importante com a irmã Ester. Nunca tinha orado com tanta intensidade pelos meus filhos!

Na minha parca visão, parece que os pais querem tudo para seus filhos hoje em dia. Sucesso profissional e financeiro, casamento com boa herança, etc e tal, mas não estão preocupados em levar seus filhos ao Céu. Ou seja, não estão preocupados se vão chegar lá. Há, na área que trabalho, um batalhão de filhos fora da Igreja. A maioria esmagadora por culpa dos pais. Um caso emblemático aconteceu quando obriguei os pais dos adolescentes faltosos a falar comigo antes de se reintegrarem a um grupo. Eles estavam ausentes sem motivo aparente, decidi chamar os pais à responsabilidade. Uma mãe de dois filhos esperou minha chegada e despejou: Meus filhos vão se desviar por sua culpa, o senhor os suspendeu só porque faltaram quatro semanas (assim, quatro semanas...)!? Respondi que não era bem assim, a intenção era incutir a responsabilidade, etc. Ela retrucou: A pessoa vem numa agonia tremenda, meu marido não quer deixar eu vir à igreja, etc... Dois dias depois encontrei um dos filhos e perguntei: Por que seu pai não deixa vocês virem à Igreja? Ele disse: Meu pai nunca proibiu isso. Era mentira da mulher para justificar sua omissão!

Se Deus lhe desse duas, e somente duas, opções: Você quer seu filho com fama e sucesso profissional ou quer vê-lo no Céu? O que você responderia, sem pestanejar? É interessante como alguns irmãos, saudosistas de araque muitas vezes, lamentam: Oh! Como Jesus operava nas Ceias, como ouvíamos cânticos espirituais, como Jesus curava, batizava. Como as irmãs usavam menos maquiagem, eram menos vaidosas. Mas há poucos que dizem: Como os filhos acompanhavam os pais!?

Na EBD, na Doutrina, nos demais cultos chave a rotina se repete. Por puro diletantismo, os pais que não gostam dos tais, se omitem de enviar os filhos. Na melhor das hipóteses eles vêm e depois desfilam um rosário de defeitos. Quem não lembra dos pais que castigavam seus filhos fazendo-os ler a Bíblia? Ou cantando hinos da Harpa? Era algo ruim a se fazer por algum malfazejo? O que dizer dos pais que falam cobras e lagartos dos líderes eclesiásticos, como quem fala de Hebe ou Ana Maria Braga?

Mas há a culpa da Igreja, sim, não podemos fugir disto. Estrutura ausente para departamentos infantis, salas com precariedade de investimento. O professor, por vezes, não tem um lápis de cor, um quadro. O que dizer dos cultos que só agradam aos adultos? Na música é só o lêlêlê de Aline, que agora virou princesa do reino de Deus ou então de Valadão. Aliás, estas senhoras que querem ser crianças quando cantam, só infantilizam um negócio sério. Eu me lembro de um grande músico que deixou tudo aqui em Pernambuco, para ir a outro Estado a convite de uma Igreja para cuidar, exclusivamente das crianças do ministério da música. Salário, casa, comida e roupa lavada só para isso? Só? Não! A igreja estava cuidando do futuro! Eu assumo a parte que me cabe, no que tange a não me esforçar o bastante no quesito.

Para não me estender muito, algumas perguntas básicas. Quanto sua igreja seria capaz de investir num curso preparatório para sua professora de EBD ou para sua dirigente? Quanto foi investido este ano (estamos em outubro) em recursos audiovisuais para o departamento infantil, se é que ele existe em sua congregação? O departamento que existe é amplo, acolhedor e confortável? Os envolvidos sabem utilizar os recursos audiovisuais à disposição? Há um maestro efetivo para ensinar os rudimentos musicais às crianças ou apenas uma irmã jeitosa que cuida deste aspecto? Há um acompanhamento do aprendizado infantil na EBD?

Se em boa parte deste texto você sentiu o chão sumir abaixo dos pés, provavelmente, você está apenas atrapalhando as crianças de vir ao Senhor.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Baixando a bola...

Conheço ou conheci, pessoalmente, quatro prefeitos evangélicos, mais de uma dezena de vereadores, dois deputados estaduais, dois federais. Posso perguntar com certo conhecimento de causa: O que faz deles políticos melhores por serem evangélicos? Pouca coisa os diferencia dos demais. Aquela clivagem tão disseminada nas igrejas não surtiu efeito. Pior, além de apáticos às verdadeiras necessidades coletivas (um ou outro procura fazer uma média com o chapéu alheio, jogando para a plateia evangélica...), há inúmeras denúncias de desvios de toda ordem. O voto evangélico não mudou nada, ao menos até agora. Se for o caso de ser diferente daqui pra frente, eu dou a mão à palmatória.

Estas clivagens, aliás, são condenáveis sob quaisquer circunstâncias. Por falar em conhecer, conheço ricos humildes, pobres orgulhosos. Homens burros, loiras inteligentes. Morenos idiotas, negros inteligentes. Evangélicos bobões, espíritas sábios. O resto é só mistificação. Essa história de reparações está embrutecendo o País.

Então..., baixem a bola!

domingo, 7 de outubro de 2012

Pussy Riot, Yoko Ono, Lady Gaga...


Yoko Ono anunciou nesta sexta-feira (5) os nomes dos ganhadores de seu prêmio pela paz Lennon Ono, que será concedido na terça-feira, em Reikjavik. Dois dos vencedores, Lady Gaga e Pussy Riot, mereceram um comentário para a honraria. "Lady Gaga não é apenas uma artista, também é uma ativista que usa sua arte para melhorar a comunicação no mundo" e "A Pussy Riot está de pé de maneira firme em sua crença na liberdade de expressão. Quero trabalhar para sua imediata libertação", disse Yoko. Agucei os olhos, Pussy Riot? Aonde li sobre essa prisão?

Ah! Lembrei! Foi na reportagem sobre a prisão das moças que fizeram um show vândalo numa Igreja Ortodoxa. Algo como entrar na Igreja da Sé e desancar o presidente da República num show-protesto. Foram presas por incitação ao ódio e e vandalismo, e pelas leis russas (goste-se delas ou não) condenadas a dois anos de prisão. Tem até reportagens dizendo que foi Putin quem as condenou!?

O prêmio é pela paz. Mas que paz? A paz obliterada dos óculos redondos de Yoko? Que liberdade de expressão é essa que você escolhe os alvos mais indefesos para atacar? Queria ver a Pussy Riot (me recuso a traduzir o nome) bancar um show numa mesquita, corajosas que são!? Se Putin é deplorável, por que não fazer o show em frente ao Kremlin? Escolheram uma igreja e depois de presas posam de vítimas... e ainda há quem as premie por este tipo de coragem?

Essa paz de Yoko Ono é bem parecida com algumas que vejo por aí... eco dos tempos politicamente corretos. Ao menos para o lado de quem é influente na mídia.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O que os políticos evangélicos deveriam estar fazendo...

Alguns anônimos e outros nem tanto ficaram revoltados quando cobrei ações diretas de nossos políticos, pois teriam sido eleitos para defender a Igreja. É o que eles dizem quando vão pedir nossos votos... Via de regra, ferem o princípio da isonomia (manda um irmãozinho qualquer no exercício do seu livre direito democrático de se candidatar pedir um espaço...), enganam, engodam, jogam para a platéia, nepotizam os gabinetes e não fazem nada! Dias atrás fiz algo que os políticos evangélicos deveriam ter feito. Mas vamos a um pouco de história. Dia 04/09, uma entidade católica, de nome Fórum Permanente Pró Vida Pernambuco, lançou uma campanha no jornal Folha de Pernambuco. Nela rechaçava a propaganda oficial que inclui o Recife no roteiro friendly, ou seja, como destino gay. A imagem está abaixo:


Foi um escarcéu. Nas redes sociais, na mídia. Os militantes da causa gay movimentaram as engrenagens. É do jogo. O que me chamou a atenção é que Maria do Rosário, Secretária de Direitos Humanos, com status de ministra de Estado, lançou uma nota de repúdio. Lá pelo quarto item, ela pontuou:
4 – Em relatório sobre violências homofóbicas no Brasil, divulgado recentemente por esta SDH/PR, constatamos que o Brasil apresentou 278 homicídios de LGBT no ano de 2011. Um número extremamente preocupante. Neste contexto, o estado de Pernambuco figura em sexto lugar entre os estados brasileiros com maior número de homicídios de caráter homofóbico;
Me abespinhei. Aonde ela arrumou o número? Tantos gays mortos e eu não sabia!? Algo está errado. Protocolei um pedido de informação, no dia 07/09/2012, junto ao Sistema Eletrônico de Informações, baseado na nova Lei de Informação ao Cidadão. Meu texto finalizava assim:
Gostaria de saber sobre quais documentos a SEDH se baseou para fazer a afirmativa? Nas conclusões dos inquéritos da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco? Há uma lista de vítimas? Como ter acesso à mesma?
Hoje recebo a resposta (grifo meu):
A Coordenação Geral de Promoção dos Direitos LGBT da SNPDDH/SDH informa que o Relatório sobre Violência Homofóbica (http://portal.sdh.gov.br/clientes/sedh/sedh/brasilsem/relatorio-sobre-violencia-homofobica-no-brasil-o-ano-de-2011) responde a todas as questões levantadas. Além disso, informa que não há lista de vítimas.
Isso! Não há lista de vítimas! MAS, como pode eles soltarem o número ao vento? Uma ministra de Estado faz uma afirmação por escrito que não pode ser confirmada!? Eu sugiro inverossímil!? Agora os políticos tão preocupados com o PL 122/2006, com as perseguições nos fóruns gays, etc e tal, deveriam fazer o quê? Digam vocês meus dez leitores.

Tem mais. Leiam o link apresentado. Baixem o denso relatório. Em várias páginas e conclusões seus produtores se surpreendem com a falta de informação!? A partir da página 50 vem o que embasou o número: as informações coletadas pelas associações gays e, em parte, obtidas via Internet. Já noticiamos aqui como descaradamente determinadas páginas mentem sobre isso (vide arquivo). As pessoas que confeccionaram o relatório chegam a pontuar no ano de 2011 o seguinte:

Ao se investigar a distribuição de notícias relacionadas a violências
homofóbicas, de acordo com o gráfico 5.1, percebe-se um pico de notícias em
fevereiro, especialmente no carnaval (com 22,8% do total de notícias). Outubro
vem em segundo lugar, com 9,6% , o que pode se relacionar com o processo de
conferências de políticas públicas e direitos humanos de LGBT nos âmbitos
municipais e estaduais.

Como? Em outubro se agride mais gays em virtude da realização de tais conferências? E ainda registram que o estudo foi produzido por especialistas!? Como a mídia come essa conversa?

Na página 60 do relatório, há um gráfico, reproduzido abaixo:


Somando aqueles 22,7% dos amigos + 16,8% dos companheiros + 12,6% dos clientes + 5% dos amantes eventuais e + 2,5 dos namorados, temos a incrível soma de 59,6%. Ou seja, a maioria esmagadora dos atentados ocorre no grupo ao qual o gay pertence, desfazendo totalmente o mito homofóbico.

Mas nossos políticos estão ocupados... Depois do dia 07, quem sabe...