terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Uma entrevista com milhões de informações subliminares

O gospel é a próxima onda brasileira, diz executivo que lançou Michel Teló


"É natural que uma empresa de mídia abra espaço para os evangélicos. Eles hoje são cerca de 30% dos brasileiros e daqui a dez, 15 anos vão ser metade do Brasil". É assim que Leo Ganem, diretor da agência UM Entretenimento, sintetiza o fenômeno do mercado gospel no país em anos recentes.

Biólogo e ex-presidente da gravadora Som Livre, onde lançou nomes como Maria Gadú e Michel Teló, Ganem personifica uma conjuntura em que a música cristã cresce em oposição à crise no mercado fonográfico. Mesmo não sendo evangélico, ajudou a introduzir o gospel no mercado secular, ainda na Som Livre, através da coletânea "Promessas" e criou, em 2013, a UM Entretenimento para investir em talentos cristãos.
Parceira da Universal Music, a UM se diferencia pelo tom moderno que aponta os novos rumos do universo gospel. Entre os artistas no cast inicial estão o grupo DN1, primeira boy band evangélica do país, e a cantora Radassa Peres, especializada em música eletrônica cristã.
Em entrevista exclusiva ao UOL, Leo Ganem fala sobre sua trajetória pessoal, as peculiaridades do mercado cristão ("Você tem que criar esses laços políticos e de relacionamento com os pastores, com a liderança evangélica"), seu objetivo de introduzir o gospel nas rádios seculares e, de lambuja, como identificar e produzir um hit cristão.

UOL - Como você chegou até a UM? Como foi sua trajetória pessoal?
Leo Ganem - Minha trajetória pessoal não é a mais ortodoxa. Eu me formei em biologia, passei dez anos como pesquisador nos Estados Unidos e, quando bateu aquela saudade do Brasil, não fazia sentido voltar como pesquisador. Acabei arrumando emprego numa consultoria de negócios. Mudei de vida completamente e, a partir dessa consultoria, surgiu a oportunidade de me juntar à Som Livre. Foi onde me encontrei. Passei seis anos na Som Livre, três como presidente, e depois o pessoal da Globo, da qual faz parte a Som Livre, me pediu para assumir a Geo, que era a empresa de eventos do grupo. Fui para lá e tive a oportunidade de trabalhar com artistas e eventos maravilhosos.
Como você chegou nesse cenário evangélico e à ideia da UM?
Na Som Livre, eu e meu diretor comercial na época, o Emílio Magnano, tínhamos uma coletânea que estava meio engavetada e se chamava "Promessas". Seria a primeira coletânea evangélica da gravadora. Estávamos pensando se isso iria para a mídia. Era um negócio politicamente sensível na época, não sabíamos como tratar. Tomamos a decisão de pôr na mídia e ver como a coletânea se sairia. Para nossa grata surpresa, ela decolou, vendeu muito bem. Pegamos a marca "Promessas" e apropriamos para o festival e o troféu, que levaram o mesmo nome, criados ainda na Som Livre. Quando mudei para a Geo, continuei muito próximo do meio evangélico.
Continuamos produzindo o festival e o troféu "Promessas" na Geo. Criamos também uma feira. Quando finalmente tomaram a decisão de mudar a estratégia da Globo com relação a eventos, eu saí do grupo e pensei: "Quero ter meu negócio. A plataforma de comunicação na qual eu acredito hoje e o público com o qual eu consigo consolidar e estruturar um bom negócio de música é o evangélico". Foi aí que surgiu essa fagulha. Me juntei com o Emílio, hoje meu sócio, e nós criamos a UM Entretenimento.
Você disse que era algo politicamente delicado. Como era essa relação entre o mercado secular e o mercado gospel?
Na época, não havia relação. Ninguém fazia o meio de campo entre o secular e o gospel. No passado, houve casos de gravadoras seculares com cantores evangélicos, mas na nossa geração não tinha ninguém trabalhando assim. O que eu quis dizer é que é necessário abrir com muito cuidado essa porta. Primeiro porque você está tratando com a fé das pessoas. Não é só música, arte e dinheiro. É arte, dinheiro e fé. Você tem a oportunidade de trabalhar com uma coisa relevante para milhares e milhões de brasileiros.
O hit do mercado gospel é muito diferente do hit no mercado secular?
Ele tem alguns dos mesmos elementos. Você precisa de uma melodia simples que apele para uma grande massa de pessoas e a harmonia também costuma ser simples. Generalizando, claro. Nem toda harmonia é simples, nem toda melodia é pouco sofisticada. Mas, como regra geral, essas são as grandes músicas que emplacam. Essas são coisas em comum entre a música evangélica e a música secular. Mas para além disso, o que a música secular não tem e a evangélica tem que ter é uma mensagem bem costurada que fale dos valores e da fé.  E o artista tem que navegar bem não só pelos palcos, mas também com os pastores e a igreja. Ele não pode esquecer das raízes.
A parte de relações artísticas do selo então fica diferente por causa dessa relação com a igreja?
Certamente. Você tem que criar esses laços políticos e de relacionamento com os pastores e com a liderança evangélica. Não é muito diferente do nosso dia a dia com outros negócios. Você tem que criar seus laços com as pessoas que realmente coordenam aquele segmento. Então a gente acaba tendo áreas para contato com as igrejas, para conversar com pastores e para o café com as lideranças.
Está claro que existem elementos da letra e da mensagem que não se encaixam na música evangélica. Mas, na parte musical, existe espaço para todos os tipos de gênero ou algo que ainda não pode ser feito?
Em termos de estilo, pode tudo. Se você olhar a gama de música evangélica brasileira, eu diria que é a mais rica do mundo. Vai do sertanejo ao rock passando pelo hip-hop e funk. Todos os estilos musicais que você vê no secular existem no evangélico. É errado falar de "música gospel" pois é um estilo muito bem definido que tem raízes nos Estado Unidos, que é a música de louvor de igreja norte-americana. Aqui no Brasil também existe, é um segmento importante, mas não é o único. Você tem música cristã de todos os tipos.
Como é a relação com o mercado secular? Já existe uma intersecção com o mercado ou são dois nichos separados?

Existem algumas intersecções interessantes começando. Por enquanto, eles ainda viveram paralelamente como mercados separados, mas hoje se vê muitos cantores evangélicos fazendo a ponte e cantando em rádios seculares. Esse é o primeiro grande passo. Você tem ThallesRégis Danese e outros que já fizeram o crossover e tocaram muito bem em rádios seculares. Isso é interessante, porque para mim é o próximo grande passo da música evangélica: não se restringir só ao músico evangélico. Existem artistas de altíssima qualidade fazendo música com uma mensagem bonita. Quando você tem vários estilos musicais, e não apenas o louvor da igreja, é natural que isso aconteça, como acontece lá fora. Há um século, talvez,  já se vê grandes artistas indo e vindo. Elvis Presley talvez seja um grande exemplo de artista que adorava a raiz gospel, cantava contra o desejo dos empresários, os hinos da igreja dele e isso funcionava muito bem para uma plateia que era absolutamente heterogênea. No Brasil, a gente pode e vai ver isso acontecendo, estou apostando e querendo ajudar.
E dos artistas que vocês estão trabalhando agora, quais são as características de cada um?
Temos dois modelos de trabalho. Temos aqueles artistas que vêm só pela prestação de serviços, mas não temos participação efetiva na carreira deles, não somos sócios. E tem outros com quem a gente tem realmente uma sociedade profunda, somos parte da carreira. Cito exemplos dos dois lados: o Renascer Praise que é um ministério de vários anos, histórico de São Paulo, está com a gente. Veio para ser distribuído através da Universal e contratou nossos serviços de agendamentos de shows. Não tenho uma participação na carreira do Renascer, mas sou comissionado pra vender os shows dele e sou recompensado pela Universal por trazer esse artista. E temos neste modelo também o DN1, uma boy band evangélica.
Do outro lado, eu tenho artistas como Eli Soares, que está saindo agora, em quem eu aposto para ser o grande nome em termos de revelação para 2014, e nós participamos ativamente da carreira dele. Temos a Radassa Peres, uma menina de Goiânia que está se mudando para o Rio, que canta música gospel eletrônica. Temos o Clóvis Pinho, que acabou de assinar com a gente, é um excelente nome, regresso do Renascer Praise, que está lançando a carreira solo e é um grande nome e eu sou um fã da música dele. Acho a voz fenomenal, as composições fenomenais. Está se juntando à gente agora. Esses são os dois modelos. Eu diria que hoje temos uns seis ou sete artistas no cast
Você chegou ao cenário evangélico por uma questão de mercado ou por um fator de convicção pessoal, em relação à mensagem e conduta dos artistas?
As duas coisas. E a falta de qualquer uma das duas invalidaria a outra se não fosse verdade. Houve sim uma tremenda evolução do mercado evangélico no Brasil. Ele está num momento onde vai tocar não só o coração dos evangélicos, mas vai começar também a tocar nas rádios seculares. Acredito que a música evangélica seja a próxima grande onda brasileira. E não me entendam errado quando eu falo em "onda". Eu entendo que existam milhões de pessoas que sempre tiveram a música evangélica no coração, por uma questão de fé. Estou me referindo a um público que talvez não seja nem evangélico, mas vai começar a ouvir música evangélica. Então, se o primeiro ponto é este grande salto de qualidade e diversidade, o segundo ocorreu através da aproximação que eu tive com vários artistas, profissionais e pastores. Acabei me aproximando muito da mensagem, com a qual eu simpatizo muito. Infelizmente às vezes a mídia retrata os piores pontos de cada segmento. É preciso dar más notícias para vender jornal. Mas quando eu olho para a mensagem evangélica como um todo, é algo que está tocando o Brasil inteiro, salvando cidades inteiras do alcoolismo, por exemplo.
E a música católica, como se relaciona com a evangélica? Já existe a possibilidade de um trabalho conjunto?
A música católica também tem um mercado bastante bom, apesar de não ser tão rica e diversificada quanto o evangélico. Você tem bandas como o Rosa de Saron, que talvez seja uma das melhores bandas de rock do Brasil, e os padres cantores, como oPadre Fábio, o Padre Marcelo, o Padre Reginaldo Manzotti. É um segmento bacana, mas com menos variedade. Hoje, para falar a verdade, eu não estou misturando as coisas. Mais por uma questão de cautela na condução do meu negócio. Isso não impede pessoas católicas de ouvirem músicas evangélicas, como já acontece. No ano passado, teve um cantor evangélico nas celebrações da vinda Papa Francisco ao Brasil, o Asaph Borba. Então existe a possibilidade de uma ponte, mas pelos séculos de problemas entre essas duas culturas, prefiro ser cuidadoso. Vamos nos manter focados nos evangélicos.
Sobre o Festival Promessas, qual seu papel na introdução da música evangélica na mídia secular?
Na época, o presidente da Globo me disse que estavam querendo fazer um programa musical evangélico de fim de ano. Eu mandei então toda a ideia do festival e eles gostaram. O que seria para 7.000 pessoas acabou virando algo para 70 mil. No final, deixamos uma pegada muito importante para a cultura brasileira, colocando o gospel no horário nobre para o Brasil inteiro ver. É natural que uma empresa de mídia abra espaço para os evangélicos. Eles hoje são cerca de 30% dos brasileiros e daqui a dez, 15 anos vão ser metade do Brasil. Então se você não fala com esse público, você não está prestando atenção. Fico feliz de ter participado dessa mudança.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A 2a Guerra Mundial vista do espaço!

Para quem adora História, assistam esse vídeo impressionante e realista sobre a 2a Guerra Mundial, sob um prisma diferente.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Frida e o trabalho das mulheres já incomodava há 83 anos!

Trecho de carta enviada pelos obreiros nordestinos a Lewi Pethrus relatando a discordância com a atuação de Frida Vingren e seu trabalho. Aí uns bobinhos pensam que o problema é de hoje, do feminismo, sei lá o quê. Clique nas imagens e leia esta raridade.


Fonte: Acervo pessoal de Gedeon Alencar

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Dissecando um e-mail sobre o post anterior


Recebi um e-mail de um pastor assembleiano amigo. É um homem de larga experiência pastoral, tendo atuado em missões no Exterior. Ele sempre lê o blog, está entre os dez leitores. É, tenho poucos... não temo a insignificância... Como não me autoriza a publicação do nome e do conteúdo, vou pontuar e omitir certas referências pessoais que não prejudicarão o debate da questão.

Antes, algumas premissas:
1) Este blog nunca defendeu a ordenação de mulheres. Revirem a busca, no canto esquerdo. O que fizemos desde sempre foi alertar para a dissimulação, evidenciando que ou cumprimos o que está na Bíblia, o que seria impossível dada a quantidade de missões que nós, os homens, entregamos às mulheres em nossa igrejas, ou paramos com tanta bobagem sobre o assunto. Vou evidenciar algumas delas quando fizer a análise do e-mail;

2) Não defenderia a ordenação feminina perante minha Convenção. Jamais incluiria tal assunto numa pauta. Primeiro, porque não tenho envergadura para guiar pautas, segundo, porque há tantos outros problemas mais urgentes. Não é?

3) O desafio lançado desde 2006, lá se vão tantos anos..., é: a argumentação utilizada NÃO é bíblica, mas pura conveniência. Já demonstrei isso tantas e tantas vezes. Claro, claro, os opositores não desejam argumentar. Especialmente, quando o contraditório não se apóia em cosmovisão, mas em fatos. É o caso do famoso vídeo de Augustus Nicodemus sobre o assunto, postado e repostado tantas vezes. Perguntei ao Augustus, num post: Sua igreja envia missionárias? Ele respondeu, rispidamente: Envia, mas elas sabem ler a Bíblia e não querem ser pastoras. Quem entende um negócio desses? Vão, plantam igrejas, administram bens, ungem, oram, batizam, pregam, ensinam. O que mais é pastorear? O crachá? Ah!...

4) A rigor não tenho gurus. Leio muito, pesquiso razoavelmente, tenho luz própria, aliada a uma visão bem ampla da Igreja. As pessoas com as quais converso, interajo, partilho pensamentos e conhecimentos podem me influenciar. O que mais é cosmovisão? É incrível, mas minha querida mãe, assembleiana da gema, das antigas, do tipo que não veste nem maiô em praia, tem me oferecido, mesmo involuntariamente, muito mais reflexão neste quesito do que os expoentes da teologia brasileira;

5) A Igreja da qual faço parte esposa e endossa toda postura sobre o assunto que está disseminada na denominação no Brasil. Ou seja, é contrária ao pastorado feminino. Não só isso, mas NÃO consagra diaconisa, prebístera ou pastora. Está fora de questão, que em algum momento, nossa amada COMADALPE tenha adotado tal ideia. Porém, sinto-me livre para pensar o contrário e até justificar tal posição nos termos respeitosos que sempre nortearam minha pontuações. Ocasionalmente, tenho sido mais incisivo quando vejo tal debate aqui e acolá. Me arrogo o direito de discordar. Não abro mão dele, nem com um trem carregado de chumbo. Agora mesmo o assunto recrudesceu quando o Facebook de alguns pastores passou a alardear o pastorado feminino como o mal do século. Paciência! Haja miopia! Tantos e tantos problemas nas igrejas e justo isso é a causa? Não vou nesse vagão...

Mas vamos lá? Vou com ele em azul e eu em vermelho.

Sim, comemos nas mãos suecas, americanas, filandesas, inglesas. E daí? O material que tínhamos disponíveis era este, hoje podemos contar com materiais hispânicos, koreanos, europeus de forma abrangente. E daí? Simplesmente a preferência americana foi porque a CPAD, formada no Rio, teve forte influência americana. Seus missionários se concentraram mais lá. E daí?

Estava evidenciando um paradoxo. Recebemos avidamente o ensino americano, mas quando este feriu nossa cosmovisão, nosso brio, recusamos tais ensinamentos? Stanley Horton, por exemplo, subscreve o documento oficial da Assembly of God, dando pleno aval ao pastorado feminino. Vamos deixar de editá-lo?Nem questionei a qualidade das fontes americanas. Não é sobre isso que falamos, mas sobre a seletividade oportunista dos nossos líderes.

E daí? Daí que só nos interessou nos americanos o que nos foi conveniente. Exemplo, somente para divagar e ampliar a discussão: a eleição de pastores nas igrejas Assembleias de Deus de matriz americana. Na América Latina, via de regra, aonde a AD americana implantou igrejas existe eleição pastoral! Por que, na Bíblia, não poderíamos ter tal opção? Ah! Porque A ou B desejam se eternizar no poder!? Também não dá.

O fato delas serem palestrantes, não lhes dá as credenciais bíblicas para a consagração pastoral, ainda que o façam. Maria, mãe de Jesus, tinha credenciais melhores e maiores, foi digna de elogios angelicais, reverenciada e respeitada pelo próprio Mestre. Não entendo o porque de Jesus não consagrá-la pastora, apóstola, presbítera!? Deveria pelo menos deixar uma deixa para os discípulos e a separar para diaconisa, assim como Marta, Maria, Cloé. Sinceramente não entendo, porque Jesus não deixou uma lista de indicação.

Vamos por partes. Há duas questões levantadas no post: 1) Por que pastores abertamente contrários à ordenação feminina participam de eventos nos quais há preletoras? Pelo bem da coerência deveriam abrir mão de tal participação, uma vez que o argumento paulino do silêncio é o principal utilizado. Se Paulo diz que a mulher esteja calada na Igreja, por que deixá-la com a preleção? Pior, por que endossar a concessão pregando ao lado delas ou ouvindo-as? 2) Por que denominá-las, outrora ao menos, conferencistas ou palestrantes, enquanto homens são preletores? Se ambos farão a mesma coisa: pregar e ensinar, por que dividir as qualificações?

Vou devolver suas perguntas com outras: Quantos homens Jesus consagrou a diácono, presbítero ou pastor? Onde está a lista de indicação de homens que o Mestre deixou para tais cargos? Por outro lado, mesmo sendo Paulo tão rigoroso com os costumes judaicos e influenciado por tal cosmovisão por que se dobrou ao vento do Espírito (palavras da Assembly of God, para apoiar o pastorado feminino: quem somos nós para impedir o Espírito Santo?) e pôs Febe como diaconisa, além das demais mulheres do capítulo 16 de Romanos? Temos, então, que tais cargos surgiram da necessidade da Igreja.

O que dizer do ósculo? Gosto sempre de utilizar tal argumento, não que queira beijar os irmãos por aí, muito menos as irmãs. A questão é que tal procedimento é típico da cultura judaica!? Assim como é típico de tal cultura o desprezo pela mulher. Um rabino dizia em prece, pela manhã: Te agradeço, ó Deus, porque não me fizeste gentio, escravo ou mulher. Um rabino jamais ensinaria uma mulher a Lei, era tido como algo desprezível e humilhante. E aí? Vamos cumprir a doutrina do ósculo ou não? Dizemos, americanamente, que uma doutrina é ensinamento contido em mais de uma passagem bíblica, o ósculo tem cinco! Paulo encoraja vivamente a prática!

Uma pena que não estarei lá, pediria para tirar um bocado de foto, eu anotando os estudos, me alegrando se a mensagem tiver unção, e repassando para meus liderados o que aprendesse com elas, e ainda assim elas não seriam consagradas a pastoras. Sei que muita gente de outras tribos de Israel queriam ser levitas e vemos casos na Bíblia, por não haverem levitas ou não darem o devido valor bíblico a tais, em muitas cidades fizeram sacerdotes para si, mas Deus nunca aceitou. Por que só os levitas não seria Deus discriminador??? Nem o rei podia entrar no lugar Santo e no lugar Santíssimo, não seria Deus discriminador? Deus coloca o homem como o cabeça da casa e não a mulher, não seria Deus discriminador??? 

Eu gosto de ver esse pessoal argumentando, no meio vemos as verdadeiras razões ocultas sob o manto de eisegese e conveniência bíblica. Aliás, a Bíblia pode ser usada como uma carapuça, não é? Vamos ao que interessa. Primeiro, sua colocação sobre ouvir e aprender com as mulheres do evento, mesmo sob os holofotes não me surpreende. É exatamente esta contradição evidenciada tantas vezes aqui. Colocamos as mulheres nos seminários, damos espaço de liderança para grupos de 200, 300 pessoas, a depender do tamanho da igreja mulher lidera até 1.000 vozes em um coral, por exemplo. Enviamos como missionária. Mulheres de pastores mandam e desmandam no ministério, a ponto de influenciar indicações ministeriais. Depois, dizemos: Somos contra o ministério feminino.

Esse blog é contra a DISSIMULAÇÃO! Pela enésima vez: Ou as calamos e cumprimos EXATAMENTE o que está nos textos que utilizamos para justificar este posicionamento ou, então, é só conversa fiada!

Quanto aos levitas, lembra que Davi comeu o pão do sacrifício? Não era permitido... Se formos usar esse tipo de argumento... Uma coisa é uma questão de ordem: Deus usar uma só tribo, fazer um dos cônjuges cabeça do lar, etc, outra coisa é dar com uma mão e tirar com a outra. Do mesmo jeito que não concordamos com uma mulher que manda no marido usando o argumento bíblico, abrimos mão de certos trabalhos mais complicados, como as classes infantis da EBD e o Círculo de Oração, de forma conveniente e sorrateira. Depois que as mulheres almejam aqui e ali algum espaço, negamos o crachá.

Por oportuno: Um lar no qual o marido morreu é um lar sem cabeça?

Eu vi algumas pastoras na Argentina com seus esposos que eram marionetes nas suas mãos e os problemas familiares não demoraram a vir. Hoje o ministério Pastoral feminino na Argentina é motivo de piada.

Qual o nexo? Tais maridos já eram marionetes no lar! Por outro lado, não há problemas nos lares de pastores (do sexo masculino)? Há as pencas! O ministério pastoral feminino é motivo de piada em qualquer lugar do mundo. Porque da mulher se cobra muito mais. Ela tem que provar que vai dar tudo certo, tanto como pastor, quanto como mulher. A qualquer deslize os críticos se aproveitam, como se não houvessem problemas nas igrejas dirigidas por homens. Um grande escritor assembleiano disse que é comum que nas igrejas dirigidas por pastoras hajam heresias, sendo que 99% dos desvios doutrinários foram criados por homens! Ou seja, se uma mulher criar uma heresia é tida como o buraco negro do ministério. E todos esquecem os problemas causados por homens.

Quando o pastor é o Pastor da Igreja o Ministério feminino é só uma ferramente para perpetuar o poder da família. 90% se o índice não for maior de pastoras, são esposas de pastores que lideram igrejas por que será???? 

Espere aí? Perpetuar-se no poder? O que mais homens fizeram e fazem ao longo da história da Igreja é isso! Normalmente, o pastor assembleiano brasileiro passa para filhos, netos e parentes seu pastorado. É uma constatação generalizada. As esposas de pastores que se tornam pastoras o fazem com a anuência dos mesmos. Está clara a vantagem familiar. Típica, aliás. Aqui nem há gregos, nem troianos, todos morrem no mesmo mar! Jurando de pés juntos que confiam na vontade de Deus... Confiam com seu espaço delimitado e ampliado o máximo possível!?

Minha esposa foi missionária, dirigiu culto, deu estudos bíblicos, me ajudou na missão. É um braço direito aqui, mas não busca o pastorado. E, meu amigo, se disser a ela o senhor não gostaria de ouvi-la!!!

Incluí a menção à sua esposa por uma necessidade colateral. Primeiro, incutiram a impossibilidade nas mulheres em geral. Deixar dirigir culto? Poode! Dar estudo bíblico? Poode! Ajudar na missão (não cozinhar, nem cuidar das crianças, mas absorver parte do pastorado, que é a realidade)? Poode! Segundo, muitas mulheres ajudam bastante mas não querem o pastorado com medo da oposição que se fará à sua aspiração, então anulam tal anseio, dissimulando-o e negando veementemente. É aquela história do adolescente apaixonado que coloca defeito na moça, somente para desviar a atenção. Terceiro, há inúmeras mulheres de pastores que não querem ser pastoras, até por questões denominacionais, MAS mandam como se fossem. Mais dissimulação ainda. Não conheço sua esposa, nem sei se é do tipo e não me interessa, mas deixo um abraço dizendo que 50% do sucesso de seu ministério se deve a ela.

Em tempo: minha mulher não gosta nem de dirigir, nem de falar ao microfone. Até canta, daí em diante, não quer. Treme e dá um nó só de saber que vai ter oportunidade...

É... eu  tenho visto os milagres que tem feito os americanos, que hoje não são exemplo para ninguém. Até diria aos meus alunos fuja da teologia americana e de sua forma de ver e viver o evangelho. Besteira pode chamar de pregadora, preletora, conferencista, isso não vai mudar a condição de consagração pastoral. Meu Jesus não consagrou, não deixou nenhuma direção acerca disso. O Velho Testamento, que é sombra, não consagrou sacerdotisa. Jesus não separou Apóstola, nem Paulo, Pedro, Tiago e João o fizeram, prefiro olhar para eles, do que me alimentar com conversa, que não produz fruto nenhum.

Gracas a Deus continuamos a não consagrar, o que Jesus não consagrou nem tampouco os apóstolos, prefiro ficar com o que Jesus deixou e  na doutrina dos apóstolos. Salve 2014.

Começo pelo fim. Esse post não é exatamente alimento, é debate. Tem gente que não gosta, foge, prefere falar de anjos e auréolas. Eu não fujo. Quando é um assunto que não conheço, me informo. Agora mesmo estou comprando um livro sobre Frida, lançado pela CPAD, resenharei aqui, tem tudo a ver. Se o autor não escondeu nada... 

Quando ao título no panfleto é mais uma faceta da dissimulação. Como já afirmei, se fosse mulher era palestrante nos antigos cartazes de CAPED e assemelhados, se homem, preletor. Hoje, já nivelaram. E elas falando na condição de ensinadoras o que é uma aberração diante dos argumentos que usamos para não as consagrar.

Jesus não separou apóstola. De fato, o próprio título é tardio. Não se encontra nos evangelhos. Caiu a ficha? As funções que endeusamos (não retirar o peso espiritual delas, apenas evidenciando a supremacia na qual as envolvemos) não foram criadas por Jesus. Aonde tem pastor presidente no NT? Conferencista? Diretor de missões? Coordenador de evangelismo? Vice-presidente? Tesoureiro? Gestor? Superintendente? Dirigente de Círculo de Oração? Maestro? Dirigente de Mocidade? Donde concluímos que há tantas e tantas coisas que Jesus não fez, ordenou ou determinou para sua Igreja e nós damos tanto valor. Não é?

Ahhh antes que me crucifique, dizendo que mando as irmãs fazer crochê (o argumentinho mais besta), que as mulheres fiquem caladas, saiba que eu quero que elas falem muito, ensinem muito, preguem muito, palestrem muito, só não vão ser consagradas viu, assim como os de Judá (de onde veio Jesus), Efraim, José, Rubem... nunca serão sacerdotes, pois isso é exclusivo para Levi.

Esta questão do crochê surgiu no seguinte contexto: Não queremos consagrar pastoras, mas permitimos e até incentivamos que nossas irmãs façam seminários teológicos. Podem até ensinar neles, fazerem pós, mestrado e tudo o mais permitido aos homens. Participam ativamente das famosas aulas de administração eclesiástica, etc. Pra quê? Sei como é difícil falar de paradoxos para um pastor assembleiano, mas não é para quebrar com mais qualidade a regra que estabelece que deveriam estar caladas?

Continue querendo que elas falem e preguem muito. Foi sempre assim. Nós é que nunca queremos ver do que são capazes nossas irmãs. Pra não ficar no será, procure no YouTube as pregações de Helena Raquel, assista com espírito desarmado e o senhor chegará a conclusão que há bem poucos pregadores em nossas igrejas à altura dela. Essa é a verdadeira questão, mulheres muito mais capazes do que nós, para as quais não queremos dar um simples crachá!

Pedro, também, já pensou um dia que o Espírito Santo não seria dado aos gentios...

Abraços!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Por falar em ordenação de mulheres ao pastorado...



Em agosto haverá a comemoração do Centenário da Assembleia de Deus nos EUA. Como sabemos dez entre dez luminares da denominação no Brasil comeram nas mãos americanas em algum momento da vida. Seja através da tradução de livros e materiais da CPAD ou no aprendizado de conceitos chave criados pelos irmãos da outra América, como ficou chique dizer em conferências e palestras. Aliás, 80% ou mais do cast de escritores da editora assembleiana é americano.

Ok. Então, está posto que são nossa inspiração. Nosso elo ancestral com o conhecimento. Nossos seminários estão impregnados de seus conceitos. Acho que ninguém duvida disso. Ocorre que naquele encontro, do qual participarão muitos expoentes brasileiros, na grade de programação tem algumas pessoas interessantes.

Temos Raegan Glugosh, pastora ordenada pela Assembleia de Deus americana*. Enfermeira, atua com bebês abandonados e mantém uma missão na Romênia. Temos a Ann Marrie, missionária na Eurásia, tão enviada como qualquer outra pastora da missão. Ao contrário daqui. Temos também Elizabeth Mittelstaedt que é missionária em vários países da Europa, aonde lançou uma revista feminina chamada Lídia. Ela ministra eventos sobre liderança evangélica feminina. E temos a Mary Mahon, Ph.D. em Educação Intercultural (quem imaginava que as mulheres iam aprimorar o crochê nos seminários...?), missionária e dedicada a missões na Costa Rica.

As cinco mulheres trarão muito conhecimento e quebrarão, certamente, a regra ortodoxo brasileira segundo a qual mulheres devem estar caladas na Igreja. Como eu gosto de chamar as coisas pelo nome e até, eventualmente, algumas pessoas se indispõem comigo por causa disso, farei duas colocações:

1) Nenhum participante brasileiro deixará de participar do evento por causa disso. Ao contrário, certamente as ouvirão com avidez, Se eu tivesse dinheiro iria, para, entre outras coisas, fotografar o semblante embevecido dos participantes brasileiros e publicar aqui;

2) Na programação não são distintas como ocorria por aqui. Quando uma mulher participava, dissimulava-se tal fato colocando palestrante, enquanto os homens eram chamados de preletores. A regra perdeu para a lógica, como mostra este link;

O mais incrível é ainda ter quem acredite na dissimulação. E ainda outro assunto interessante no âmbito deste evento, mas deixa para outra hora. Esses americanos fazem milagres...

*A AD americana ordena mulheres desde 1918.

Meu amigo, Judson Canto, relembra que o ano de 1908 está errado para o início da consagração de mulheres ao pastorado nas AD americanas, uma vez que foi fundada em 1914. O ano correto, pois, é 1918. De qualquer modo, é um bom tempo e um excelente argumento contra os que apontam a tendência como ecos do feminismo. Este último movimento que só surgiria como o conhecemos a partir de 1960.

Site do evento aqui. Aqui o link do que a AD americana pensa da ordenação de mulheres ao pastorado.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Falsa coerência!

Recentemente, alguns comentários que fiz em um post meu no facebook renderam repercussão inesperada. Por isso, resolvi trabalhar um pouco mais o assunto, evitando assim, qualquer possibilidade de ambiguidade.
O assunto começou com um comentário que fiz sobre a atitude de John Piper, teólogo e pastor americano no Congresso de Lausanne em 2010:

“Deparei-me agora com uma informação que me deixou profundamente decepcionado. John Piper, pastor e teólogo americano que sempre admirei, teria se recusado a pregar no congresso de Lausanne em 2010, pelo simples fato de uma mulher ter sido convidada para conduzir um estudo bíblico, ocupando, assim, o púlpito da conferência. A mulher em questão é ninguém menos que Ruth Padilla (filha do René Padilla, um dos maiores teólogos latino-americanos), que sequer é pastora, mas apenas teóloga, sendo a única mulher entre os preletores. Piper teria dito que se ela subisse ao púlpito, ele não iria. Os organizadores do congresso disseram então que ele poderia ficar em casa, pois ela iria. Ele, então, teria voltado atrás e aceitado o convite. Quando ela subiu ao púlpito para ministrar o estudo, uma turma contrária de homens (pastores/líderes) se levantou e abandonou o recinto. Fico me indagando o que esses homens teriam feito quando aquela mulher de moral duvidosa invadiu o recinto onde estava Jesus e derramou sobre ele o perfume que lhe havia custado um ano de prostituição. Fico ainda imaginando se eles teriam aceitado o testemunho de Maria Madalena acerca da ressurreição de Jesus. Tudo isso me enoja e revela o quão distantes estamos da mensagem subversiva do Filho de Deus.”

Não sei ao certo as razões que levaram Piper recusar-se a subir ao púlpito. Se foi por ter que dividi-lo com uma mulher (já que ele é contrário à ordenação feminina), ou por causa da teologia que ela defende, e da qual seu pai é um dos maiores representantes (Missão Integral). Por qualquer que tenha sido a razão, nada justifica a deselegância, ainda que transpareça certa coerência. E o pior é que houve reação em cadeia. Outros líderes se viram no direito de fazer o mesmo, boicotando o estudo bíblico que Ruth ministrou. Quando chegou a vez de Piper, ele a corrigiu publicamente, comentando um suposto erro de interpretação que ela teria feito.

Bastou que eu expressasse minha decepção para virem críticas de todos os lados, principalmente da ala mais conservadora dos reformados. Alguns chegaram a pedir que eu me retratasse, pois teria dado um falso testemunho sobre aquele santo homem de Deus.

Se quiser ter a sensação de ter mexido num vespeiro, critique algum baluarte da verdade numa rede social qualquer. Experimente criticar Calvino, Lutero, Spurgeon, ou alguns dos atuais como John Piper, R.C. Sproul ou Augusto Nicodemos. Protestantes que tanto criticaram o dogma da infalibilidade papal, agora o atribuem aos heróis da ortodoxia. Pelo menos os ídolos da veneração católica não fazem bem nem mal, posto que são apenas representações feitas em escultura de homens e mulheres que serviram a Deus em seu próprio tempo. Já os protestantes têm ídolos que, apesar de não terem sido oficialmente canonizados, parecem estar acima do bem e do mal. Alguns ainda vivem. São de carne e osso e não de gesso, e por isso, passíveis de erro e de acerto.

Apesar da dívida que temos com eles, devemos reconhecer que são filhos de seu próprio tempo. Cada qual pintou seu próprio quadro com as tintas que as Escrituras lhes deram. Porém, envolveram a tela numa moldura feita a partir de pressupostos culturais e sociais de sua época. Aliás, isso não depõe contra eles. Pelo contrário: os isenta de muita coisa. Como explicar, por exemplo, o fato de Calvino ter enviado Serveto para a fogueira? Ou o vício de tabagismo de Spurgeon? Ou o fato de Lutero, logo após ter afixado suas teses no castelo de Wittemberg, ter se dirigido a um bar para beber cerveja? Aliás, isso nem de perto poderia se comparar ao seu reconhecido antissemitismo. Não estou aqui fazendo juízo de valores, mas mostrando que eram seres humanos passíveis de erro. Algumas de suas atitudes nem sequer eram consideradas erros à época. Vários deles eram escravagistas, nem por isso sentiram-se culpados. LEIA +

http://www.hermesfernandes.com/2014/01/batisterios-cheios-de-ratos-num-museu.html

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Como as mulheres foram liberadas para cantar na Igreja...


Aconteceu assim. Depois do ano 100 d.C., não muito perto, nem muito longe, estavam reunidos todos os líderes, sob a coordenação do pastor J, o presidente do conselho. O assunto fora mencionado pelo irmão D, que era responsável por uma congregação, e sempre trazia estas inquietações polêmicas.
- Irmãos, gostaria de saber o seguinte: as mulheres podem cantar á frente do público em nossas igrejas? - inquiriu ele.

A pergunta caiu como uma bomba. O irmão C, sempre muito bibliocêntrico, pediu a palavra: - Prezados, está escrito na Lei que os levitas seriam eternamente os dirigentes do louvor e do serviço na congregação. Portanto, não vejo com bons olhos tal concessão. Não é bíblica.

O irmão F veio em socorro de D: - Mas, Miriam não cantou do outro lado do mar? Débora não cantou após Jael matar Sísera? Estamos na Graça, isto já não está anulado?

O irmão C retrucou: - Todas as mulheres que cantaram na Bíblia foram exceções. Miriam cantou porque Moisés estava ocupado com a vara e Arão o ajudava. Débora cantou porque Lapidote era frouxo, e veja que o texto diz que ela cantou com Baraque, logo não estava sozinha. Jesus disse que na Graça, nenhum til da Lei cairá porque Ele a veio cumprir. O Concílio de Jerusalém nada fala a respeito. Nem mesmo os concílios posteriores. Portanto, irmãos, paremos de inovar e voltemo-nos para a Palavra que é nossa regra de fé e prática. Aliás, no Novo Testamento nenhuma mulher cantou, exceto aquela multidão que louvou no Apocalipse, onde, provavelmente, estavam muitas mulheres, mas isso será no fim dos tempos, não vamos antecipar as coisas. Além disso estou conjecturando, aquilo seria cantar ou louvar, há controvérsias.

O irmão G gritou do fundo da sala: - Por milênios os levitas cantaram e estava muito bom, que novidade é essa? Não vejo necessidade disso agora. Quem foi que inventou esta história, foi você D? Quem daria notas melhores e mais afinadas do que os levitas?

Os presentes se dividiram e a balbúrdia cresceu. O presidente, irmão J, solenemente bateu seu martelo de nogueira na mesa e pediu silêncio. Em seguida, disse: - Silêncio! Vamos ouvir o irmão A. Ele é um ancião e há muito faz teologia interpretativa para nós. O que o senhor tem a dizer?

- Bem - pigarreou A - o irmão C já bebeu na minha fonte. De fato, não há no Livro Sagrado quaisquer menção á mulheres cantando, salvo raríssimas exceções. Isso é uma inovação. Muitas mulheres ajudaram Paulo, alguns nomes, inclusive, são ambíguos, não há como saber se são de homens ou mulheres, é o caso de Júnias. Então, enxergo como uma inovação desnecessária, importada do Ocidente. Na Bíblia só há exceções para os casos em que faltam homens. É o caso de Débora.

- Ok. Vamos encerrar a reunião e o assunto - disse o presidente - Seja transcrito na ata que tal posição é a adotada por nós.

D ponderou: - Com licença, presidente. O salmo 34, uma cantiga de ninar para as crianças se sentirem nos braços da mãe, foi "cantado" por Jesus na cruz. Não é possível que em todos estes anos nenhuma mulher tenha cantado o mesmo salmo, enquanto embalava seus filhos. Me lembro de ter passado e visto várias mães cantando com e para seus filhos e até mesmo na igreja já observei esta atitude. Algumas até já cantaram no microfone da minha congregação...

A reunião veio abaixo: - O quê?!!!

O irmão C se imiscuiu: - Meu prezado irmão D, temos que decidir se vamos seguir a Palavra de Deus, ou se vamos seguir sua lógica. Que história é essa de dar oportunidade às mulheres para cantar? Ou o senhor segue a Bíblia ou se torna um herege. Que eisegese barata!

Uma voz baixa partiu do lado, era L: - A verdade é que as mulheres já cantam em várias de nossas igrejas. Melhor, ministram louvores para todos nós. Eu diria que ensinam cantar mesmo, e algumas vezes cantam melhor que os homens! Confesso que já pensei em colocar uma delas como maestrina.

C voltou-se contra ele: - Mas Paulo disse que a mulher estivesse calada e não somente isso, não a permitiu ensinar! Se há alguma congregação na qual as mulheres andam ensinando corinhos ou hinos, então as heresias já tomaram conta de nós, especialmente se seus maridos estiverem no meio da congregação! Era só o que faltava, vamos ouvir o canto das sereias!

N gritou do outro lado: - Ainda bem que nessa reunião só tem homem! Podemos dizer o que quisermos ser contestação.

V ainda tentou: - Meu irmão C, e você também N, estou vendo que o problema é freudiano. Os senhores não querem ouvir a voz das mulheres para não se embevecer com elas. Têm medo de ouvir um hino cantando por uma mulher? Ou que elas cantem melhor do que nós?

O irmão P entrou no debate: - Sabe qual é o problema? O senhor, irmão J, nunca estabeleceu uma regra uniforme no assunto. Aí uma mulher canta aqui, outra canta ali, o pessoal acaba gostando, depois para proibir, dá nisso. Temos que ter uma regra uniforme: mulher não canta e ponto final. Vocês sabem como as mulheres são habilidosas, acabariam cantando a qualquer momento.

D jogou lenha na fogueira: - Não sei qual o problema da mulher cantar na igreja. Lembro das prostatis, que tomavam conta das comunidades quando muitos homens de um local morriam. Elas cantavam sim com os que ficavam, ainda recitavam textos da Torá e lideravam reuniões comunitárias, uma coisa que fora proibida no Talmude.

C cortou a argumentação: - Estão vendo? Ele quer tomar a exceção pela regra. A regra é mulher não cantar, nem falar, nem ensinar. Em todo livro de Atos, qual mulher cantou? Não existe em toda a Bíblia o termo cantora, a não ser em Esdras! Fiquemos com Paulo e ponto final presidente.

V voltou: - Prezado C, sua mulher canta em casa?

C vociferou: - Claro! Paulo disse que em casa elas podiam cantar, até mesmo tirar dúvidas com seus maridos. Na igreja é que não podem cantar, liderar ou ensinar! Eu não quero mulher nenhuma, afora minha esposa e em casa, cantando no meu ouvido.

V incendiou: - Minha casa é uma extensão da igreja. Lembra que muitas igrejas começaram em lares? Na Bíblia até galo canta, porque minha mulher não cantaria? Sofonias manda as filhas de Sião cantarem, se fizeram isso ou não é outra história!

D disse: - Por falar em ensinar, as mulheres que ensinam às crianças na sinagoga estão erradas?

S ajuntou: - É, estão erradas? Paulo disse que não eram para ensinar!

C, sempre à seu estilo, disse: - A regra é mulher não cantar, nem falar, nem ensinar, é a letra da Lei, não sou eu quem faz as regras. Temos colocado mulheres para ensinar às crianças porque elas são mais jeitosas e a maioria dos homens não quer ensinar crianças, é uma questão pragmática. São muito irriquietas, etc e tal. Você, S, quer ensinar crianças? Outra coisa: quem leva o filho para o Bar Mitsvá? É o pai, D, é o pai. O pai é quem declara a maioridade dos filhos.

D disse: - Não entendo. Agora pode. Mas cantar no púlpito não pode. É uma questão de conveniência. É o caso daquelas mulheres que estão sendo enviadas como missionárias? Quem vai cantar no culto delas enquanto homens não se convertem.

C retrucou: - A regra é só enviar homens ou casais. Em todo o Novo Testamento nenhuma mulher foi enviada, nem há um versículo que apoie tal iniciativa. A única exceção de missões lideradas por uma mulher foi a jovem na casa de Naamã.

S interveio: - Ah, mais ali ela não foi enviada, tinha sido sequestrada. A questão é: mulheres que estão sendo enviadas por algumas de nossas igrejas. Sinceramente, não sei como se faz uma aberração dessas.

L disse: - Acho que poderíamos deixá-las cantar uma vez ou outra. Tem até uns hinos que os homens cantam que foram compostos por mulheres. Ela pode compor, mas não pode cantar? E para compor ela não cantou? Além do mais, não sei nas igrejas de vocês, mas vez por outra na minha as mulheres são usadas em cânticos espirituais. O que fazer? Proibir o próprio Espírito Santo de usá-las?

T ajudou: - Lembremos que elas são maioria.

C interveio novamente: - É assim que nasce uma heresia. Primeiro, uma ideia conveniente, apesar de absurda, depois a maioria e vão esquecendo o que disseram os santos apóstolos. Quem compôs os salmos? Homens. Quem cantou na prisão? Paulo e Silas. Ora essa!

J sempre político ponderou: - Quem aqui canta?

Todos levantaram os braços.

- Dos que levantaram o braço, quem é filho de Levi?

A ficha caiu. A reunião terminou, as mulheres continuaram cantando, e continuam até hoje.

Pra quem já pegou o bonde andando, ou seja, as mulheres cantando, está aí a história até então não contada.

A incoerência dos palestrantes evangélicos

- Alô? É o pastor Almir Serrano?
- Sim. Quem fala?
- Oh! Meu amado pastor. Aqui é o Luiz Calado?
- Fale aí meu presidente? O que é que manda?
- Liguei para bater um papo contigo.
- Estou ouvindo...
- Olha, é que não sei se o irmão deu uma olhada no cartaz do evento... aquele que o senhor vai participar...
- Dei... minha foto ficou muito boa, se é isso que o senhor quer saber. Deram alguns retoques, remoçaram uns dez anos (risos)
- Não, amado, não é nada disso. Não sei se o irmão percebeu, mas, como direi?... tem uma irmã escalada no evento para trazer uma Palavra. Mas não se preocupe que é sobre Família e EBD. O irmão vai ficar com a maior parte dos demais temas.
- Não entendi...
- Eu leio sempre seu blog e vejo que o irmão é radicalmente contra mulheres no ministério...
- Ah! Mas essa é outra história, não tenho problemas...
- Ainda bem, meu querido. Estava preocupado...
- Ela é pastora?
- Não.
- Ah! Então, fica tranquilo... o que eu escrevi era sobre mulheres pastoras. P-a-s-t-o-r-a.
- Ela é só diaconisa.
- Não me debrucei ainda sobre este detalhe, mas acho que pode. Pastora é que não pode mesmo.
- Tem mais uma coisa. O irmão se importa se a aula dela anteceder à sua no domingo à tarde?
- Não, por que?
- É que o senhor bateu bastante na tecla de que a mulher não deve ensinar e vai estar na platéia...
- Ah! É outro contexto... Não tem problema. Por aqui eu vou aos Círculos de Oração, aonde mulheres dirigem e pregam... O problema é a consagração pastoral. Entendeu? Se complicar eu saio e só entro na minha aula.
- É por isso que nós tivemos o cuidado de colocar no cartaz palestra, ao invés de estudo, abaixo da foto dela. Ano passado fizemos outro semelhante, aí colocamos palestrante. O Julinho ainda disse: Preletora? Eu recusei imediatamente. Imagina?
- Muito bem. Boa providência...
- Ah! Amém. Agora posso dormir mais tranquilo. Gostei de ver sua postura ao separar as coisas. Fica na paz.
- Amém!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Agora Marco Feliciano está certo!

Aplaudo sua iniciativa de processar o Porta dos Fundos, pelos vídeos em série no último Natal. O humor passou dos limites. Reproduzo trecho de longo artigo do Reinaldo Azevedo:

No dia 16 de março daquele mesmo ano, oito dias depois, registrei post a covardia do New York Times. O jornal publicou um anúncio, que custou US$ 39 mil, que convidava os católicos a abandonar a sua religião, classificando de equivocada a lealdade a uma fé marcada por “duas décadas de escândalos sexuais envolvendo padres, cumplicidade da Igreja, conluio e acobertamento, da base ao topo da hierarquia”. Eis o anúncio.
anúncio contra os católicos
Pois bem. A blogueira Pamela Geller, que comanda a página “Stop Islamization of America”, tentou pagar os mesmos US$ 39 mil para publicar no mesmo New York Times um anúncio convidando os muçulmanos a abandonar a sua religião. O texto afirma: “Junte-se àqueles que, como nós, colocam a humanidade acima dos ensinamentos vingativos, odiosos e violentos do profeta do Islã”. Assim:
anúncio contras o islã
Sabem o que aconteceu? Com a coragem do humorista Fábio Porchat e de seus amigos, o New York Times se negou a publicar o anúncio. Eileen Murphy, porta-voz do NYT, repete a resposta que teria sido enviada a Pamela quando houve a recusa: “Nós não nos negamos a publicar. Decidimos adiar a publicação em razão dos recentes acontecimentos no Afeganistão, como a queima do Corão e o assassinato de civis por um membro das Forças Armadas dos EUA. Acreditamos que a publicação desse anúncio agora poderia pôr em risco os soldados e civis dos EUA, e nós gostaríamos de evitar isso”.
E não se tocou mais no assunto.
Leia íntegra aqui.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Você, jovem, estaria habilitado?

Estamos estudando o livro de Daniel, começamos pelos primeiros quatro capítulos. Desafiamos a igreja a trazer perguntas sobre esta parte do livro. A pergunta mais criativa irá ganhar um brinde. Pesquisando nas traduções disponíveis, o que é um bom exercício para uma boa interpretação, encontrei a tradução da NVI para o capítulo 1:4. Dentre as qualidades exigidas para aqueles que fossem selecionados para assistir à corte, estavam:

showing aptitude for every kind of learning
Mostrar aptidão para todo o tipo de aprendizagem.
Não confundir aprendizagem com sacanagem. Estar apto para aprender sempre foi o requisito indispensável para pessoas de sucesso. Infelizmente, muitos jovens evangélicos sabem tudo sobre o que não interessa.

well informed
Bem informado.
Não é sobre BBB14 que estamos falando. É sobre as coisas que interessam e que nos cercam. É aqui que está a grande dificuldade de muitos que participam das redações em concursos. Estão desinformados e não conseguem falar sobre cinco temas de interesse imediato e produtivo. Cabeça vazia é oficina do Diabo. Pronto, falei! Abaixo o politicamente correto!

quick to understand
Facilidade de aprendizado.
Sabe como essa capacidade se desenvolve? Com foco naquilo que queremos aprender. Claro que um ou outra pessoa tem dificuldades de aprendizado, mas no geral nossa mente se expande através do exercício mental. Via de regra, muitos jovens não querem pensar. Não desenvolvem senso crítico. São marias vai com as outras, e, infelizmente, esta regra se aplica até mesmo a jovens universitários.

Você, jovem, se enquadraria no perfil?

Todo mundo quer estar no palácio, já qualificar-se e preservar a vida espiritual...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Coincidências Extraordinárias ou Pequenos Milagres?

Nos anos que antecederam ao nazismo, antes das nuvens da guerra encobrirem a Europa oriental, era comum entre os judeus, cansados dos pogroms, da pobreza e do desespero, enviar seus filhos para os Estados Unidos, onde havia a oportunidade de uma vida melhor.

Desde meados de 1900, os pais economizavam e guardavam seus rublos para pagar pela longa e árdua viagem de seus filhos e filhas, que viajavam sozinhos a bordo de navios em situação deplorável e que ofereciam condições desumanas e destino incerto. Uma vez que a passagem para cada uma dessas traiçoeiras viagens custava uma pequena fortuna e representava uma soma considerável para as famílias empobrecidas, era comum que os pais optassem por enviar seus filhos um por um, em vez de enviá-los todos de uma só vez. O sonho de todos os pais era que seus filhos alcançassem o refúgio americano para depois se juntarem a eles. Neste ínterim, as crianças ficavam com parentes, que cuidariam delas e ajudariam na espera que, com freqüência, durava meses ou até anos. Às vezes, a tão esperada reunião jamais acontecia...

Anya Gold fora a escolhida em sua família. Ela era a mais velha de oito irmãos e, em 1930, seus pais, que eram poloneses, disseram que era hora de ela partir. Eles tinham economizado dinheiro suficiente para uma passagem e haviam decidido que Anya seria a primeira a ir. Seus pais lhe disseram que logo se juntariam a ela.

Anya cresceu em Baltimore, sob a proteção de uma tia carinhosa, à espera de sua família. Mas eles nunca vieram...

A família demorou anos para juntar dinheiro para outra passagem, quando, então, caíram nas garras de Hitler. Ao longo dos anos, Anya recebera em Baltimore cartas esporádicas da Polônia, trazendo notícias da família e em ocasiões especiais, como o bar-mitsvá de seus irmãos, seus casamentos, o nascimento dos netos etc. Ela esperava ansiosa por essas cartas e saboreava cada uma delas. Então, elas pararam de chegar...

Anya temia o pior, mas somente após a guerra ela conseguiu saber, de modo conclusivo, o destino de sua família. Alguns poucos sobreviventes de sua cidade natal na Polônia chegaram a Baltimore no final da década de 1940 e trouxeram a notícia que ela já sabia, mas temia ouvir: toda a sua família fora morta. Todos haviam sido mortos em campos de concentração.

Era difícil seguir adiante depois de tudo isso, mas mesmo os sobreviventes começaram a reconstruir suas vidas. A memória de sua família ardia em sua mente, coração e alma. Anya sabia que a melhor maneira de homenagear a herança de sua família era criando o seu próprio legado. Ela esperava casar-se e ter muitos filhos. E cada um carregaria o nome de um de seus irmãos.

Assim, Anya casou-se com um homem maravilhoso chamado Sol, e sua vida juntos era quase poética. Eles realmente eram almas gêmeas, e o amor de um pelo outro era profundo. Eles ansiavam por filhos – carne de sua carne, sangue de seu sangue –, mas, nesse ponto, sentiam-se frustrados. Esse era o único tormento em sua relação, que de outro modo seria perfeita: eles não tinham filhos.

Após anos de tentativas e de buscas por especialistas de todas as partes do mundo, Anya e Sol encararam a realidade.

— Você adotaria? – Anya perguntou a Sol.

Anya já havia considerado essa opção muito tempo antes, mas por dentro ela se debatia. Ela não queria criar o filho de outra pessoa. Ela queria embalar em seus braços o seu próprio recém-nascido. Ela não podia imaginar que sentiria o mesmo em relação a uma criança adotada. Ainda assim, ela não tinha alternativa. Os médicos haviam anunciado que eles jamais teriam filhos – uma sentença de morte para seus sonhos e esperanças.

Seu marido parecia mais seguro:

— Sim, vamos adotar – ele respondeu.

Eles entraram em contato com uma agência judaica em Nova York e souberam que uma mãe adolescente acabara de entregar seu bebê para adoção. Eles viajaram para Nova York com grande empolgação, mas, lá chegando, todas as suas esperanças se esvaíram. A funcionária da agência, nervosa, balbuciou uma desculpa:

— Sinto muito – disse ela –, mas, no final das contas, a avó decidiu criar o bebê.

Será que a viagem até Nova York tinha sido uma perda de tempo?

— Sabe – falou a funcionária da agência –, eu tenho uma garotinha maravilhosa, chamada Miriam, que precisa desesperadamente de um lar.

Miriam era adorável e afetuosa, mas ela já tinha oito anos. Apesar de terem concordado, relutantemente, em encontrar a menina, e de terem sido cativados pela sua doçura, eles não conseguiam aceitar a idade dela.

— Eu queria muito um bebê bem novinho, que me reconhecesse como sua única mãe – explicou Anya. — Quero um recém-nascido para embalar em meus braços.

— Eu compreendo – disse a funcionária. — Mas Miriam já passou por muitas coisas em sua curta existência, e certamente iria usufruir muito de um lar amoroso.

— Sinto muito, mas não – disse Anya com remorso.

Mais um ano sem perspectivas se passou. Anya entrara em contato com várias agências em todos os Estados Unidos, mas era incrivelmente difícil encontrar um bebê. Durante esse tempo, o intenso desejo de Anya por um bebê consumia todo o seu ser – uma dor intensa e uma enorme sensação de vazio.

—Sabe – ela comentou com seu marido certa noite —, talvez nós tenhamos descartado a idéia de adotar Miriam rápido demais. Ela era realmente uma criança muito cativante. Há alguma coisa nela que tocou meu coração de uma maneira especial.

Sol olhou para ela pensativo.

— Já se passou um ano inteiro – disse ele. —Será que ela ainda está disponível?

Ela estava, conforme disse a funcionária da agência por telefone.

— Não há muitas pessoas interessadas em uma menina de nove anos – ela explicou solenemente –, então, sim, ela ainda está disponível...

—Mas há um problema – ela acrescentou. — Seu irmãozinho foi encontrado na Europa e se juntou a ela em nosso orfanato. Os irmãos são inseparáveis e nós prometemos a eles que seriam adotados conjuntamente. Você consideraria a idéia de ficar com as duas crianças?

De volta a Nova York, Sol e Anya encontraram os irmãos e, mais uma vez, Anya sentiu-se atraída pela doçura de Miriam. Moishe, seu irmão de seis anos, também era adorável.

Anya e Sol se entreolharam silenciosamente, transmitindo sua concordância. Vamos em frente!, diziam os seus olhos.

Já em Baltimore, Anya acompanhou as duas crianças através da entrada de sua nova casa, e elas olhavam a mobília com olhos arregalados. O pequeno Moishe era mais tímido e contido, enquanto Miriam era curiosa e aventureira. Ela andava excitada por toda a sala, tocando todos os enfeites que adornavam a lareira e as mesas. De repente, ela parou bem em frente ao piano e sua face ficou branca. Ela apontou para uma foto. Com uma voz firme, Miriam perguntou:

— Por que você tem uma foto da minha bubbe (avó) em cima do seu piano?

— O quê? – perguntou Anya, confusa.

— Minha bubbe. Por que a foto da minha bubbe está no seu piano?

Anya olhou para o retrato de sua falecida mãe. Do que aquela garotinha estava falando?

Miriam correu para a única mala que ela trouxera consigo do orfanato. Ela tirou uma antiga foto de dentro de uma bolsa surrada e levou para Anya.

— Veja – disse, apontando –, eu também tenho essa foto. É da minha bubbe!

— Minha mãe – sussurrou Anya, quase inaudível.

— Você quer ver uma foto da minha mãe? – perguntou Miriam. Ela correu para a mala para buscar outra foto. — Quer ver como ela era? Ela entregou a Anya a foto de alguém que ela conhecia muito bem.

— Sara! – gritou Anya com as pernas bambas.

— Como você sabe o nome da minha mãe? – a criança perguntou, confusa.

Sem saber, Anya havia adotado os dois filhos órfãos de sua irmã Sara.

Eles eram carne de sua carne, sangue de seu sangue.

Eles eram... seus.

Extraído de PEQUENOS MILAGRES JUDAICOS, livro que reúne outras 57 histórias similares a esta. Via Editora Sêfer

domingo, 12 de janeiro de 2014

Pior do que estar perdido e pensar que estás salvo!

A assertiva de Jesus à igreja em Sardes é enfática: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto. Há muitos anos nos debatemos com os escândalos no meio eclesiástico. São inegáveis os atos que se sucedem a cada dia. Igrejas sérias tem procurado disciplinar seus membros, outras dão de ombros e até abrem mais espaço ainda na tentativa de abafar os casos.

Porém, há alguns aspectos na questão que queremos detalhar:
- O pecador não permanece na congregação dos justos (Salmos 1:5). Ainda que determinados líderes sejam lenientes com o pecado, escondendo-o, a tendência é que ele reapareça mais abrangente e cruel, acabando por jogar nas trevas aqueles que o praticam, e, por vezes, aqueles que o encobrem;

- Não nos enganemos: O Senhor Jesus conhece os seus (Salmos 1:6)! Sabe exatamente os que estão vivos, porque ligados na videira verdadeira (João 15:4). Podemos até pregar, chamar a atenção e operar milagres, mas a vara que não estiver ligada na videira verdadeira será rejeitada no último dia (Mateus 25:12). Os galhos cortados da árvore não murcham e secam de imediato. É um processo longo e doloroso, no qual o galho sabe que está sem seiva e morrerá lentamente e a árvore sabe que o perdeu;

- O perdido, perdido está. Entretanto, aquele que tido por salvo, salvo não está, por sua condição de pecado encoberto, terá pior castigo, pois que conhecedor da verdade e não praticante dela (Mateus 7:2; Tiago 1:23).

- Não se engane. Há aqueles que esperam um castigo divino, quando não vem raciocinam: Acho que não fiz nada errado. Deus está ocupado com aquele pecador maior do que eu ali... O que é pior Deus castigar ou esquecer?

Deus tenha misericórdia de nós!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Milagre! Milagre!

Parece que finalmente um livro vai reconhecer o potencial de uma mulher assembleiana, colocando-a no seu devido lugar. É a biografia de Frida Vingren, a ser lançada este mês pela CPAD. O escritor é Isael Araújo. Convém manter um pés atrás, afinal é uma biografia oficial. Já sabem como funciona... Por enquanto o resumo da ópera é este:


Já encomendei o meu. Pra não perder a deixa, o outro livro 100 mulheres que fizeram a história das Assembleias de Deus no Brasil há exemplares portentos de mulheres, que tomaram conta de igrejas por décadas. Isto mesmo, pastorearam por décadas ADs, como Mailte Brusaca e Antonieta Rosa. Agora que o bolo cresceu...

Mais aqui.

domingo, 5 de janeiro de 2014

A Globo x Ceia do Senhor


Causou furor na internet a informação [não confirmada por mim que não assisto novelas] que a Globo promoveu uma Ceia do Senhor, no contexto de determinado culto numa novela, e Kleber Lucas cantou nela. Os evangélicos se irritaram pela ordem:

1) Pela promoção do tipo de culto. Interessante notar que a Globo já promoveu outros cultos em suas novelas e não houve protesto algum ou ao menos com tanta proporção. Culto por culto... Outrossim, há um certo mito de que devemos estar mais santificados na Ceia. Na verdade, devemos estar sempre em santidade e em qualquer culto;

2) Porque os atores nem estão aí para o que está acontecendo. Sorriem felizes e descontraídos, comendo o pão e bebendo o vinho como se fosse uma festa qualquer. O duro deste blog é dar às coisas o nome que elas tem! Portanto, aí vai: é EXATAMENTE este o comportamento de determinados crentes na Ceia! E até de muitos obreiros! Exigimos que os atores tenham respeito, quando muitos de nós não tem. Esta é a infeliz realidade;

3) Porque Kleber Lucas participou da cena. Ora, desde quando cantores de forma generalizada estão preocupados com o ambiente do qual participam? São raríssimos os casos em que um cantor se preocupa se há reverência, santidade, atenção, adoração verdadeira numa apresentação. Boa parte gosta dos shows, por exemplo, promovidos à custa de muita vibração, azaração e longe da presença de Deus. Não me causa nenhuma surpresa;

4) A participação de evangélicos em geral nas novelas da Globo. Os evangélicos globais, via de regra, não estão preocupados com evangelismo ou evangelização, mas com seu próprio bolso. Se a Globo paga, eles vão. Definitivamente não estão preocupados com Cristo.

Conheci, bem de perto, um irmão que chegava na Ceia às 20:15h. Tão logo entornava o cálice ia embora. Perguntei, curioso, o por quê de tal atitude. Ele respondeu: E eu estou preocupado em perder tempo! Não importava a essência do culto, a mensagem da noite, a comunhão com os irmãos.

Se tivesse um Facebook, ele estaria irado com a Globo!

Pastores perdidos na internet!?

Prezados, dez leitores, o mar não está pra peixe! Ou melhor, da rede muita gente está balançando e caindo. A internet tem um modo particular de funcionamento. É uma comunicação de muitas vias, nada de mão única ou mão dupla, são muitas mãos e muitos atropelos.

Um pastor conectado, do Rio de Janeiro, estado grande e desenvolvido, grande escritor (ao menos do ponto de vista de lançamentos de livros, seria um Gabriel Chalita evangélico) se viu dia desses acossado pela quantidade de mensagens contrárias às suas teses. E explodiu: Como pode? Um pessoal que está nascendo a barba querer saber de teologia mais que eu? Perdeu a estribeira e malhou a audiência. Ameaçou retirar o perfil do Facebook, meneou a cabeça, depois acedeu. Chegou a era digital!

Já a outra igreja mantém um portal desatualizado. Nos comentários, um membro tascou: Tem dinheiro pra tudo, menos pra fazer as atualizações!? Ele reclamava entre outras coisas das fotos dos eventos sem legenda. É que os mantenedores da página colocam as fotos, mas não dizem a que locais e datas se referem. Pra quem postou fica fácil, mas a grande rede é internacional. Lugares que são comuns a nós, pouco ou nenhum significado possuem para visitantes distantes.

E tem o caso do ministério que não tem home page. Os fatos são narrados a partir dos perfis de membros e líderes. Quem é friend sabe, quem não é...

Triste! Continuamos com os mesmos erros a respeito da televisão. Agora em escala planetária.

Você tem Português fluente?

......Inglês fluente?
......Você, provavelmente, já escutou essa pergunta em inúmeras entrevistas ao concorrer a uma vaga, sempre disputadíssima, para um emprego. Mas as coisas estão mudando. Em pouco tempo, a pergunta que você ouvirá será: Português fluente?
......Pareceria normal, se a questão estivesse sendo feita em alguma loja de produtos brasileiros em Miami, mas o que surpreende é que um número cada vez maior de empresas, aqui mesmo no Brasil, tem procurado por profissionais que se destaquem, não só pelo domínio de uma outra língua, mas sim pela fluência da nossa própria.
......O conceito lógico de que, na sua língua nativa, cada um se expressa como pode e de que todos se entendem muito bem nos parece perfeitamente razoável, e durante muito tempo, as empresas o consideraram como axiomático. O mercado, porém, sempre atento a qualquer indício de mudança, começa a relacionar quedas constantes de lucratividade com mensagens truncadas entre funcionários e com e-mails que massacram o bom português e que circulam livremente pela Internet, “democratizando” de modo homicida a imagem da empresa e de seu autor.
......Segundo Laila Vanetti, mestre em lingüística pela Unicamp e diretora da Scritta – Cursos e Consultoria em Linguagem Escrita – a habilidade que uma pessoa demonstra com relação à língua determina a eficiência da comunicação. “Em uma entrevista de seleção ou de promoção, quanto mais o candidato compreender os processos de formação do texto, mais ele estruturará seu pensamento para escrever e falar corretamente e, de maneira concisa e clara, transmitirá uma imagem de seriedade e de competência para o entrevistador”, afirma ela, que já ministrou inúmeros treinamentos em Comunicação Escrita para executivos e empresários por todo o país.
......A afirmação de Laila Vanetti com relação à Língua Portuguesa encontra sua confirmação em qualquer um que precise ministrar uma apresentação para os seus superiores ou clientes. As palavras não saem, a informação passada fica incompleta, o assunto não é desenvolvido com a destreza e a clareza que deveria e, por fim, o nervosismo toma conta da situação. O caso se torna ainda mais grave quando a “platéia” não conhece as competências do profissional que dirige a apresentação, que é imediatamente tomado por um embuste por mais que domine tecnicamente o assunto apresentado. O resultado pode ser desastroso para a carreira do apresentador e para a própria empresa em que ele trabalha ou que ele representa.
......Essa situação é cada dia mais comum no mercado corporativo e por conta disso as empresas querem dos seus funcionários, em todos os escalões, uma boa comunicação. O número de palestras e apresentações vem se multiplicando a cada dia, e, para agravar esse quadro, se um executivo antes pedia para que sua secretária redigisse uma pauta de reunião ou um memorando para um cliente, agora ele mesmo deve arregaçar as mangas e encarar a tarefa mais simples de escrever um e-mail, que, não raro, pode se tornar bem complexa e ter algumas conseqüências nada desejáveis.
Com foco no problema da comunicação empresarial, várias instituições têm mudado os seus processos de seleção, contratação e promoção de funcionários. A Língua Portuguesa começa a tomar uma posição de destaque em entrevistas e reuniões se tornando decisiva na contratação.
......O que antes era considerado uma exceção em processos de seleção, hoje se torna normal e essencial: a análise da linha de raciocínio do candidato a partir de uma redação ou de uma simples conversa. “A linguagem utilizada por uma pessoa é a expressão de como ela organiza seus pensamentos, se você se comunica mal é porque não estrutura adequadamente suas idéias. Se a sua comunicação é truncada, incompleta e ambígua, não espere que o gerente de RH da empresa na qual você almeja trabalhar vá lhe dar muito crédito”, declara Laila Vanetti. “Já escutei diversos diretores e gerentes de recursos humanos dizerem que descartavam funcionários que não sabiam falar ou escrever corretamente”, reafirma.
......Uma só conclusão pode ser tirada – a competência da comunicação está se tornando um fator eliminatório no mercado de trabalho e uma arma poderosa para quem a domina. Portanto, na sua próxima entrevista, fique atento ao seu Português, ele pode ser a diferença entre estar ou não empregado.
......Agora eu lhe pergunto: você tem português fluente?


Conrado Adolpho Vaz (www.conrado.com.br) é educador, empresário, estrategista e palestrante. Sua formação vem de escolas de excelência como ITA e Unicamp. Há mais de 10 anos vem preparando profissionais dos mais diversos ramos de atividade em suas aulas, palestras e treinamentos. Suas áreas de atuação são: marketing, vendas, atendimento, marketing educacional, marketing pessoal e desenvolvimento pessoal.