segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Expondo um método com os números

Tenho dez leitores. A metade acha que sou crítico. A outra metade convive com minhas críticas. Vou lhes dar uma mostra de como funciona meu método. Leio o blog do Pr. Geremias do Couto sobre a quantidade de inscritos da próxima AGO, que elegerá o próximo presidente. É um jogo pesado. Mas... vamos ao que interessa.



Primeiro, tomemos os pontos de partida. Conforme o blog do João Cruzué há 42.275.437 evangélicos no Brasil. Os dados estão baseados nas pesquisas do IBGE. Ok? Supondo, com boa vontade, que a AD tem 60% desse montante, teríamos 25.365.262 pessoas. Dividindo este número por 27.041 ministros inscritos teremos 938 pessoas para cada ministro, por 22.268, temos 1.139. Não levei em conta os ministros não inscritos e os inúmeros presbíteros que, de fato, exercem o ministério nas igrejas. Muito menos que entre os que se dizem evangélicos há os congregados.

Em segundo lugar, vamos analisar as convenções de partida que apoiam os principais candidatos. Em São Paulo temos a CONFRADESP com 2.774 ministros + COMADESPE com 572 ministros + CIEADSPEL com 261 ministros + COMOESPO com 69 ministros, totalizando 3.676 ministros inscritos. Contando que todas apoiem o Pr. José Wellington, ele já sai para Brasília eleito. Até onde sei somente Pará, Amazonas e Distrito Federal não apoiam o atual presidente.

Em terceiro lugar, vamos agora ao outro postulante. O Pr. Samuel Câmara tem a CIMADB com 1.232 ministros inscritos + CEADAM com 2.253, totalizando 3.485 ministros.

Mas, espere! Vamos analisar alguns números:
1) O Amazonas tem 3.590.985 habitantes, dos quais 1.085.480 são evangélicos. Pouco mais de 30%. Levando em conta aquele percentual de 60%, teremos a incrível proporção de 274 evangélicos (membros ou não) por ministro;

2) Para que se tenha ideia do disparate, o Rio de Janeiro com seus 4.696.906 evangélicos inscreveu em todas suas convenções 3.560 ministros. Tomando o percentual de 60% teríamos 792 evangélicos para cada ministro. Quase três vezes pessoas para cada ministro! Sem querer chegar a nenhuma conclusão precipitada, enquanto os olhos de todos estão voltados para os inscritos do Pará, é no Amazonas que a análise deveria começar;

3) Rondônia inscreveu 226 ministros. Com 35% da população sendo evangélica, o que coloca o Estado no topo do ranking de estados mais evangelizados, teríamos uma proporção de 1.402 evangélicos por ministro. Sempre levando em conta que 60% dos evangélicos são assembleianos. Ou os evangélicos rondonenses estão mal assistidos ou os amazonenses estão sendo demais. Entenderam ou fui sutil? Se levarmos em conta que o Pará tem mais que o dobro de habitantes do Amazonas, aí o negócio desanda de vez!

4) Aqui em Pernambuco, tivemos COMADALPE com 302 inscritos + CONADEPE com 16, totalizando 318. Com 1.788.973 evangélicos, temos 3.375 por ministro. Sem contar que a CONADEPE deve ter cinco ou seis vezes mais membros que a COMADALPE*!

Abaixo um ranking da proporção. O Distrito Federal é compreensível. É lá que será a AGO. Em todo caso é um número a ser analisado, tendo em vista a pouca quantidade de assembleianos.



Os números falam muitas coisas. Que pena não ter tempo de esmiúça-los agora. Poderíamos falar dos custos astronômicos de deslocar tanta gente, quando a eleição poderia ser feita em cada Estado. Por baixo, não será gasto menos de 50 milhões em deslocamento, almoço e hospedagem. Sem contar que a eleição pode nem acontecer, sendo tumultuada como em Maceió/AL...

Uma nota triste desta eleição, entre tantas outras, é o aparelhamento da estrutura das Convenções dos candidatos para favorecê-los. Pude constatar isto lendo os sites e blogs das mesmas.

Ainda farei uma pergunta inquietante: Como a eleição será em Brasília, será que as pastoras daquela Convenção poderão votar? Estarão nas plenárias? Infelizmente, eu não tenho tempo para trazer estas informações para os amados.

* Um milhão de membros e presença em todas 185 cidades de Pernambuco, com um ministro ao menos em cada uma delas ou região. Na Região Metropolitana do Recife, nem se fala!

9 comentários:

Mario Sérgio disse...

E ainda falam do governo do PT e do tal aparelhamento do Estado brasileiro. Olha só nossas igrejas!

Pastor Geremias Couto disse...

Meu caro Daladier:

A sua análise merece profunda reflexão sobre a quantas anda o processo de ordenação de ministros!

Vale a pena!

Por outro lado, cumprindo o meu dever de imparcialidade jornalística, não são apenas as convenções mencionadas que apoiam o pastor Samuel Câmara.

Cito, de início, mais seis que formalmente estão com a chapa oponente: CEADEMA (Maranhão); CEADER (Rio de Janeiro), COMADERJ (Rio de Janeiro), COMADETRIM (Minas Gerais - Triângulo Mineiro), COMADVARDO (Minas Gerais - Vale do Aço) e CIADESCP (Santa Catarina).

Abraços!

Samuel Cavalcante disse...

Caríssimo, sou historiador e engenheiro nas horas vagas. Enfim, todos que estudam o crescimento dos protestantes no Amazonas sabem de uma coisa: ao chegar em 200 membros em um capela, um ministro é ordenado. São os métodos daqui. Isso vêm de muito longe. O nobre colega deveria pensar não apenas como um crítico, mas se possível, como pesquisador. Agora o que todos nós, pesquisadores, não entendemos é o motivo destas ordenações e o excesso de capelas das AD's no Amazonas. Aqui na minha rua tem 3...

Daladier Lima disse...

PRezado Mário Sérgio, de fato, a política eclesiástica está dando de dez a zero na política partidária.

Daladier Lima disse...

Prezado Pr. Geremias, obrigado pela contribuição. Vai ser uma eleição muito acirrada e emblemática.

Daladier Lima disse...

Prezado Samuel, ainda que levássemos em conta este parâmetro (200 para cada ministro) teríamos a sub-inscrição (obreiros que não poderão viajar à Brasília) e o fato de que boa parte das igrejas amazonenses são pequenas comunidades. O Estado é o de menor densidade demográfica do Brasil. É o contrário do Rio e de São Paulo. Vamos aguardar o resultado as eleições.

Abraços!

Samuel Cavalcante disse...

Então nobre colega dono do blog. Como dito anteriormente, o que nos assusta é a quantidade excessiva de capelas das AD's da convenção da Gal Rodrigo Otávio, dita CEADAM. Não faz muito sentido ter, e.g., 3 ou 4 capelas, ou igrejas, em uma única rua. Não seria o caso de apenas uma, com 400 membros, para um bairro ou sei la, setor? O que não entendemos é o motivo deste número exagerado de capelas, principalmente das AD's, já que outras denominações não seguem tal parâmetro. Enfim, fico na pesquisa e boa sorte à todos.

Márcio Cruz disse...

Lendo históricos há muito passados, entre a conversão e a ordenação ao ministério, o tempo levado era bastante expressivo.

Hoje, filho de pastor, vira pastorzinho, sem um pé sequer em campo para o período probatório.

Aqui em Manaus é séria por demais a situação.

No afã de perpetuarem-se no poder, os caciques derrubam as colunas da decência, arrancam as bases de uma obra séria e erguem os olhares acima do temor a Deus!

Tudo em nome de uma dinastia!!!

LAMENTÁVEL!!!!

Anônimo disse...

Ao contrário do pensam acho que o maior nº de capelas possível é salutar, pois assim o pastor poderá apascentar melhor as ovelhas, fazendo visitas, conhecendo-as pelo nome, etc e tal como fazem as Igrejas Presbiterianas...

Acho pouco provável um apstor pastorear bem uma igreja de 400 membros memso que ele tenha uma boa equipe.


Evangelista Gabriel Moreira