segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ajude-nos a encontrar Lutero!


Começou assim. Todo mundo queria ser o reformador. Fizeram vários clones, masculinos e femininos. Com as portas envidraçadas das catedrais não é mais possível afixar tese alguma. Aí criaram a blogosfera evangélica e nela afixaram suas próprias teses. A vantagem consolidada da internet fez com que as mais esdrúxulas ideias corressem o mundo, sob o manto de uma nova Reforma. Muitos Luteros à solta... Veio o Facebook e se tornaram uma legião.

Depois, ficou difícil identificar qual dos clones é o ponto de partida. Todos parecem nos ideais, nas minúcias, nem tanto. Primeiro, ninguém quer renunciar ao status quo. Alegam que não conseguiriam sobreviver sem dinheiro e sem roupas. Ano Novo chegando... Ninguém quer se esconder, todos querem aparecer, ter os quinze minutos de fama. Uns ou outros, protegidos de príncipes como o original, pensam que castelos são lugares soberbos. Mal apertam as coisas, fogem e deixam outro clone em seu lugar. Ou não deixam ninguém! Deu de ultimamente os Luteros causarem escândalos e divisões. O pecado e a ganância deles está carcomendo o legado da própria Reforma de 1517.

A maioria dos clones não sabe o que é traduzir uma mísera linha das línguas originais. Embora todos fiquem encantados com as músicas hebraicas e insiram em suas prédicas os termos gregos. Mal pronunciado é verdade, mas inserem e impostam. E como impostam!? Às vezes, só é possível identificar a impostura olhando com lupa. Alguns deles não sabem nem mesmo o que querem. Pois ao verem satisfeitos seus desejos, partem em busca de novidades. Impressas suas teses dariam um livro.

Outra característica que os une é seu despreparo intelectual. Alguns forjam diplomas, outros fazem uns cursos de teologia de seis meses, profundos como um pires. Não leem a Bíblia, não oram, não jejuam, não estudam, não pesquisam, não se aprofundam. Querem apenas mudança. Não querem se doar, ajudar, se desgastar pelo trabalho árduo do dia-a-dia eclesiástico. Deram-se vários títulos: conferencista, palestrante, bispo, apóstolo, televangelista. Pasmem! já há Luteros autoproclamados querubim e serafim! Uns já ensaiam vôos em pleno púlpito, outros derrubam pessoas durante as prédicas somente assoprando.

Criaram até um dia para relembrar que todos devem almejar uma Reforma para chamar de sua. Neste fazem shows evangélicos, travestidos de culto, põem a multidão para sacolejar, gritar e pular e no fim vai todo mundo embora, sem saber o que é fé, graça, Escritura, Cristo ou glória a Deus. Sem contar os milhões desviados para a promoção dos eventos. Aliás, os próprios cantores são reformadores à sua maneira. Uns cobram 10, outros 20, outros 80 mil por uma apresentação. O que há de ser um reformador sem dinheiro e sem jatinho?

Toda Igreja agora tem um ou mais Luteros. Quando ela não os apóia eles criam clones e ficam em casa. Basta que sejam preteridos numa ocasião ou que o pastor não dê aquela oportunidade. Outros Luteros ficam emburrados quando não reconhecidos. Todos se acham com potencial. A maioria tem certeza que é a última coca-cola no deserto. O que os distingue é a fome pelo poder. Cada um quer seu próprio nicho, de tal maneira que se fossemos criar uma igreja para cada conjunto de especificações deles, faltariam terrenos.

Ajude-nos a encontrar o verdadeiro Lutero. Está cada dia mais difícil.

Um comentário:

R matos disse...

Daladier,

Faço destas tuas palavras, hino de repudio em forma de louvor, em comemoração ao dia 31 de outubro,dia da reforma-que ainda faz sentido em continua-la.

Uma dica:

Na compra do óleo da unção raio x, poder-se-a encontrar Luteros. Mas levando ainda o sabonete das causas perdidas,poder-se-a encontrar Lutero.

Preço: A perpetração do misticismo a custas de toda a finança dos incautos que sustentam o trono dos eclesiásticos impostores.