sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Republicando...

Prezados dez leitores, diante de algumas bobagens que tenho lido por aí afora sobre o Ministério Feminino (dizem que não tenho outro assunto, quem não lê o blog...), venho republicar uma cópia de um paper da AD americana sobre o histórico trabalho delas naquela Convenção.O post foi confeccionado após o resultado de uma enquete sobre o que as mulheres faziam nos seminários teológicos daqui. Vamos lá!?

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Finalizada a enquete dois posts abaixo, eis que alguns comentaristas repetem os mesmos argumentos. Só para dar um pãozinho para preparar o jantar, leio um PDF da Assembléia de Deus norte-americana, aliada da brasileira. Neste link a Assembléia de Deus americana mostra com quantos paus se faz uma jangada... Quem assina o documento é gente do quilate de Stanley M. Horton. Dêem uma lida e depois conversamos.

Mas não se afobe, leia a lista abaixo, originada no mesmo site da AD americana. Os nomes, de mulheres, estão no cerne das decisões americanas. Eles não tomaram a decisão para parecer de vanguarda, ou porque achavam bonitinho. Era a necessidade da seara. Dois detalhes: 1) Nem se falava em feminismo; 2) São trabalhos de dezenas de anos, muitas vezes. E há vários exemplos no próprio site.

Da próxima vez que forem falar bobagem, leiam as linhas abaixo e se calem. Deus está usando as mulheres, quer vocês queiram, quer não. E almas, a meta de todo trabalho eclesiástico, estão sendo salvas e libertas pelo poder do sangue de Jesus e através da pregação delas.

Missionary Heroes

Lillian Trasher
The Lillian Trasher Orphanage in Assiout, Egypt, began in 1911 when a dying mother gave her baby to Lillian to raise. Over the next 51 years, Lillian cared for 8,000 other orphans. The orphanage she founded has been home to over 20,000 of Egypt's unwanted children and continues to provide hundreds of boys and girls with food, shelter, clothing, vocational and spiritual training and the love that transforms lives.







Anna Tomaseck
In 1936, Anna Tomaseck heard the voice of God asking her to care for the unwanted children of Rupaidiha, a village in the mountains of North India near the border of Nepal. She founded the Nur Children's Home, known as "the last house in India." In this remote location, she spent the next 33 years raising 420 Indian and Nepalese children, many of whom now minister throughout Southern Asia. These children were among the first to bring the gospel into Nepal.

Anna Ziese
Throughout some of the most tumultuous years of China's history - the Japanese invasions and the rise of Mao Zedong - Anna Ziese lived as one with the Chinese in Taiyuan. When all other missionaries left in 1948, Anna refused to go. From her arrival in 1920 to her death in 1969, Anna Ziese left China only once. Her final years of ministry remain mostly shrouded in silence, since government censorship precluded her from offering details about the work. Still her enduring legacy is revealed in these words written about her by a Chinese believer: "We Chinese will gratefully remember forever those missionaries who left their homelands and came to China to preach the gospel."



Hilda Olsen and Peggy Anderson
In 1950, two single American women pioneered the Assemblies of God work in Lesotho, Africa. Working out of a speed the Light trailer, Hilda and Peggy held services, started a Sunday school and established a medical clinic and bookstore. With the help of national workers, they ministered in prisons, a hospital and a leper colony in the capital city of Maseru. Their 36 years of faithful service prepared the way for the Assemblies of God work that flourishes in Lesotho today.





Alice Wood
Alice Wood arrived in Argentina in 1910 and never left until her retirement 50 years later. In a town called 25 de Mayo, she founded a church and a Sunday school where she faithfully ministered to both the rich and the poor. Her work touched the lives of doctors, lawyers, bankers, storekeepers and field workers. Her efforts in Argentina helped lay the foundation for the revival that continues to transfigure this nation today.






Florence Steidel
In 1924, Florence Steidel had a vision of throngs of sick people in a place she did not recognize. Thirteen years later, her vision became a reality as 68 lepers moved into New Hope Town, the leper colony she founded in Liberia. Until her death in 1962, Florence worked in New Hope Town, which at one point was home to 1,000 lepers. An average of 100 lepers was released each year "symptom free," and 90 percent of those who came for physical help also found a new life in Christ. During her 25 years of service in Liberia, Florence Steidel introduced hope and life to thousands who were dying, both physically and spiritually.



Mary Metaxatos
As a single missionary in 1949, Mary Orphan arrived in Greece to help the fledgling national church. That same year, as supervisor of the Assemblies of God work, she began pastoring a church in Pireaus, visiting churches on various Grecian islands, conducting Bible studies, running children's camps and serving on the national church board. Many of those who accepted Christ as their Savior during the early years of her ministry became pastors and officials within the Assemblies of God of Greece. Mary and her husband, Gerry Metaxatos, participated in the Bible school, evangelistic outreaches, local church ministry, and church planting efforts throughout Greece until her death in 1986.
Reprinted from the February 25, 2001 issue of Today's Pentecostal Evangel. Used with permission.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A (ir)relevância dos idiotas

Primeiro a reportagem do Notícias Cristãs: 

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, disse nesta segunda-feira que os ataques às religiões de matriz africana chegaram a um nível insuportável. 'O pior não é apenas o grande número, mas a gravidade dos casos que têm acontecido. São agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades. Nós consideramos que isso chegou em um ponto insuportável e que não se trata apenas de uma disputa religiosa, mas, evidentemente, uma disputa por valores civilizatórios', disse ao chegar ao ato lembrando o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo. 

Quando Nelson Jobim quis cutucar os petistas, na festa de FHC, citou Nelson Rodrigues: "Ele dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento". Disto isto, entendemos porque uma ministra sem nenhuma expressão, que não fez nada relevante a favor dos negros busca um confronto com os evangélicos para se manter na crista da onda.

Como ela gostaria que os crentes quebrassem um terreiro!? Aliás, não apenas ela, mas diversos ministros, como os dez leitores do blog sabem (coloquem Maria do Rosário na pesquisa). Assim teriam a oportunidade de aparecer. A fala indecorosa, num contexto em que a CGADB apenas pensa eleições, passa despercebida. Deveria ser alvo de repúdio. Ela esquece, por exemplo, que também é ministra dos negros evangélicos. Quando a sociedade, ela, inclusive, ainda patinava no quesito, Pernambuco tinha um líder negro do quilate do Pr. José Leôncio. A convenção que ele coordenava até ser jubilado foi alvo de uma ação sórdida promovida contra os evangélicos em geral, com o concurso do Ministério Público e de inúmeras entidades de matriz africana. Infelizmente, nossas autoridades evangélicas nada conhecido fizeram no quesito. Se uma reclamação desta natureza chegasse ao ministério nem recebida seria. 

Quantos pais-de-santo foram agredidos por um evangélico? Quantos terreiros foram depredados por um pastor pentecostal? É verdade, e aqui está a zanga da ministra, há muitos deles que estão se convertendo, no livre exercício de seu direito de ir e vir. Ela joga as estatísticas e as palavras são tidas como verdade. Curioso é que neste momento a cristofobia cresce no mundo e esta senhora dá a sua contribuição idiota!

Por oportuno, registrei um pedido de informação à SEPPIR, com base na Lei de Acesso à Informação, 12.527/2011, com o seguinte teor (eles terão 30 dias para retornar):


Prezados Senhores,

Li no noticiário que a ministra Luíza Barros, participando em ato na cidade de São Paulo, no dia de ontem, 22/01/2013, mencionou que  as denúncias de agressão religiosa estão crescendo. Segundo ela "são agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades". 

Como líder religioso gostaria de ter acesso às denúncias recebidas por esta Secretaria. Quantas foram? Originadas aonde? Em que circunstâncias? Quem foi agredido? Em quais localidades? Em que cidades estão se dando as ameaças de depredação de casas e comunidades?

Agradecemos a presteza e o atendimento à Lei 12.527/2011.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Por que será???

Que a blogosfera apologeta (Google + Facebook) anda calada em relação aos problemas das inscrições para a AGO da CGADB, como os relatados no Blog do Pr. Geremias do Couto? Por que os atuantes apologetas da balança torta não dizem palavra sobre o assunto? Nem postam comentários nos posts pertinentes? Será que é para terem seus livros publicados, ou serem convidados para congressos ao lado dos expoentes da Casa?Foi assim na última eleição!

Ortodoxia seletiva?

sábado, 12 de janeiro de 2013

Quem diria?


Leiam este incrível texto publicado no Estadão em 29 de abril de 2000, ao final cito o autor:

A corrupção representa uma violação das relações de convivência civil, social, econômica e política, fundadas na equidade, na justiça, na transparência e na legalidade. A corrupção fere de morte a cidadania. Num país tomado pela corrupção, como o Brasil, o cidadão se sente desmoralizado porque se sabe roubado e impotente. Sabe-se impotente porque não tem a quem recorrer. Descobre que os representantes traem a confiabilidade do seu voto, que as autoridades ou são corruptas ou omissas e indiferentes à corrupção, que os próprios políticos honestos são impotentes e que a estrutura do poder é inerentemente corruptora.

Dessa impotência se firmam as noções de que “nada adianta” e de que no fundo “são todos iguais”. A fixação desses sentimentos representa o fim da cidadania, pois ela se baseia na participação ativa do indivíduo na luta por direitos e na cobrança e fiscalização do poder. Quanto mais agonizante a cidadania, mais ativa se torna a corrupção. O corrupto sente-se à vontade para se justificar e até para solicitar o aval eleitoral para continuar na vida política.

O poder no Brasil protege os corruptos. A estrutura do poder público é corruptora. Em paralelo, a estrutura fiscalizadora favorece a impunidade. Mas se a corrupção, sua proteção e a impunidade se tornaram estruturais, há uma vontade explícita de manter intacta a estrutura corruptora. Essa vontade se manifesta de várias formas. A principal é a falta de iniciativa das autoridades constituídas. Outra ocorre pelo bloqueio das mudanças institucionais e legais que visam a ampliar e aperfeiçoar os instrumentos de combate à corrupção. No Congresso, medidas de combate à corrupção e mudanças moralizadoras da Lei Eleitoral foram sistematicamente derrotadas pela maioria governista, com o apoio de chefes dos poderes superiores.

A sociedade já percebeu que a corrupção estrutural está albergada na falta de vontade de mudar e de punir e na vontade explícita de proteger. A racionalidade do cidadão não consegue compreender o porquê e o como de tantos casos de corrupção não resultarem em nenhuma prisão dos principais envolvidos. E porque a razão não consegue compreender essa medonha impunidade, o cidadão sente-se desmoralizado. A corrupção assume a condição de normalidade da vida política do país. A degradação e a ineficiência do poder público atingiram tão elevado grau que não se pode mais acreditar que, apesar de lentas, as mudanças virão.

José Genoino

Pescado no blog do Augusto Nunes

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Ué?????

Na listagem de inscritos da CGADB não há mulheres!? E cadê as nobilíssimas da CEADDIF?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Reminiscências...



Era uma vez uma igreja, que decidiu lançar candidatos à política. O argumento era que tais candidatos, se e quando eleitos representariam a massa evangélica. Na reunião haviam os atentos, interessados na indicação de seus nomes e apaniguados, os revoltados, que não concordavam com a guinada, e os ingênuos, que acreditavam em cada palavra, achando, inclusive, que a política é uma vocação divina. A cada citação de José, Saul ou Davi, como escolhidos divinos para cargos eletivos, eles abriam a Bíblia e conferiam. Olhavam uns para os outros e repetiam com ar de triunfo: Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor! Os revoltados foram voto vencido. Sobraram ressentimentos, intrigas, farpas veladas, etc.

Veio a primeira eleição. Os nomes foram selecionados. Ou melhor, um nome foi escolhido para cada cargo. Como era de se esperar, veio do grupo dos atentos. O critério? Bem, era uma mescla de laço pessoal com um pastor influente, bem articulado, lábia e sorte. Selecionado para um cargo de grande envergadura na iniciativa privada, daria um vexame descomunal. Como qualquer um pode ser eleito, sob o manto da frágil interpretação da palavra democracia, indicaram-se aqueles.

Os candidatos em cada cargo foram eleitos com expressiva votação. A atuação era apagada. Perceberam bem cedo que as Câmaras Municipais e Prefeituras não são lugar para amadores. O jogo é pesado, necessita-se de braço de ferro. O conchavo quebra cláusulas pétreas. As oportunidades são muitas, mas somente os aproveitadores levam a melhor. Para brilhar no meio de tanta sujeira como salvos é quase impossível. Como só as sobras lhes restavam, faziam pouco pelo bem de todos. O miolo ia pro ralo. Sobraram ressentimentos, intrigas, farpas veladas, etc.

Quatro anos depois, com muitas feridas na alma, muitos acordos que fariam o Diabo corar de vergonha, eles retornam para nova candidatura. Houve um burburinho. Outros irmãos queriam se candidatar. Por que sim? Por que não? Estabeleceu-se um critério para o bem do exercício democrático: qualquer um, com um cartão de membro ativo, poderia ser candidato. Veio a enxurrada de candidaturas. Ninguém se elegeu, uns ficaram em boa suplência. Sobraram ressentimentos, intrigas, farpas veladas, etc.

Quatro anos depois nova eleição. O critério mudou. Qualquer um ainda pode ser candidato, mas somente os selecionados (o grupo dos espertos, oops, atentos, sempre presente...) seriam apresentados à igreja e se pediria votos para eles nos cultos. Veio a Lei, proibindo a acrobacia. Os acrobatas não se deram por vencidos. Manobraram a Lei e apresentaram os escolhidos. Uns foram eleitos outros não. Em alguns locais, aonde não houve os votos esperados, cabeças rolaram. Sobraram ressentimentos, intrigas, farpas veladas, etc.

Um grupo dentre os atentos decidiu bancar suas candidaturas por um modo diferenciado. É que os eleitores, crentes, inclusive, passaram a vender seu voto. R$ 20,00, R$ 30,00 até R$ 40,00 por unidade. Em vários casos se fez leilão. Quem dá mais? É um negócio asqueroso, mas se o povo faz, porque os crentes não fariam? A Lei proíbe a prática. Mas o que é a Lei dos homens, se a Lei de Deus já se foi há tempo? Alguns dos espertos, oops! atentos, foram eleitos. Embora muitos dos votos comprados, daqueles irmãos e irmãs, tenham traído o acordo criminoso. Participaram de um crime (a venda de voto) e ainda deram no cano. Ladrão que rouba ladrão... Sobraram ressentimentos, intrigas, farpas veladas, etc.

Por fim, tem a conta que não fecha. Dois mil votos x R$ 20,00 são R$ 40.000,00. Incluindo os votos pagos e não efetivados, temos: Quatro mil votos x R$ 20,00 = R$ 80.000,00. Sub-total: R$ 120.000,00. Mas tem os outros gastos de campanha. Resultado: Campanha básica pra vereador: R$ 400.000,00 / 48 meses de mandato = R$ 8.333,33. Se o salário é R$ 6.000,00, como recuperar o investimento? Pelo bem do povo, foi assim que começamos, lembra? os eleitos entraram nos esquemas de corrupção. Mensalão, mensalinho, jetom, emenda e toda esta série de nomes jocosos. Seus eleitores perceberam que eles não estavam lá senão para toda a barganha que caracteriza desde sempre nossa política. Sobraram ressentimentos, intrigas, farpas veladas, etc.

Alguém poderia achar que estão cansados do jogo. Que nada, já estamos em pleno primeiro tempo. As cartas estão na mesa, as peças no tabuleiro das indicações. Cada vez mais cedo vem o comichão para o próximo pleito. Sobrarão ressentimentos, intrigas, farpas veladas, etc.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Expondo um método com os números

Tenho dez leitores. A metade acha que sou crítico. A outra metade convive com minhas críticas. Vou lhes dar uma mostra de como funciona meu método. Leio o blog do Pr. Geremias do Couto sobre a quantidade de inscritos da próxima AGO, que elegerá o próximo presidente. É um jogo pesado. Mas... vamos ao que interessa.



Primeiro, tomemos os pontos de partida. Conforme o blog do João Cruzué há 42.275.437 evangélicos no Brasil. Os dados estão baseados nas pesquisas do IBGE. Ok? Supondo, com boa vontade, que a AD tem 60% desse montante, teríamos 25.365.262 pessoas. Dividindo este número por 27.041 ministros inscritos teremos 938 pessoas para cada ministro, por 22.268, temos 1.139. Não levei em conta os ministros não inscritos e os inúmeros presbíteros que, de fato, exercem o ministério nas igrejas. Muito menos que entre os que se dizem evangélicos há os congregados.

Em segundo lugar, vamos analisar as convenções de partida que apoiam os principais candidatos. Em São Paulo temos a CONFRADESP com 2.774 ministros + COMADESPE com 572 ministros + CIEADSPEL com 261 ministros + COMOESPO com 69 ministros, totalizando 3.676 ministros inscritos. Contando que todas apoiem o Pr. José Wellington, ele já sai para Brasília eleito. Até onde sei somente Pará, Amazonas e Distrito Federal não apoiam o atual presidente.

Em terceiro lugar, vamos agora ao outro postulante. O Pr. Samuel Câmara tem a CIMADB com 1.232 ministros inscritos + CEADAM com 2.253, totalizando 3.485 ministros.

Mas, espere! Vamos analisar alguns números:
1) O Amazonas tem 3.590.985 habitantes, dos quais 1.085.480 são evangélicos. Pouco mais de 30%. Levando em conta aquele percentual de 60%, teremos a incrível proporção de 274 evangélicos (membros ou não) por ministro;

2) Para que se tenha ideia do disparate, o Rio de Janeiro com seus 4.696.906 evangélicos inscreveu em todas suas convenções 3.560 ministros. Tomando o percentual de 60% teríamos 792 evangélicos para cada ministro. Quase três vezes pessoas para cada ministro! Sem querer chegar a nenhuma conclusão precipitada, enquanto os olhos de todos estão voltados para os inscritos do Pará, é no Amazonas que a análise deveria começar;

3) Rondônia inscreveu 226 ministros. Com 35% da população sendo evangélica, o que coloca o Estado no topo do ranking de estados mais evangelizados, teríamos uma proporção de 1.402 evangélicos por ministro. Sempre levando em conta que 60% dos evangélicos são assembleianos. Ou os evangélicos rondonenses estão mal assistidos ou os amazonenses estão sendo demais. Entenderam ou fui sutil? Se levarmos em conta que o Pará tem mais que o dobro de habitantes do Amazonas, aí o negócio desanda de vez!

4) Aqui em Pernambuco, tivemos COMADALPE com 302 inscritos + CONADEPE com 16, totalizando 318. Com 1.788.973 evangélicos, temos 3.375 por ministro. Sem contar que a CONADEPE deve ter cinco ou seis vezes mais membros que a COMADALPE*!

Abaixo um ranking da proporção. O Distrito Federal é compreensível. É lá que será a AGO. Em todo caso é um número a ser analisado, tendo em vista a pouca quantidade de assembleianos.



Os números falam muitas coisas. Que pena não ter tempo de esmiúça-los agora. Poderíamos falar dos custos astronômicos de deslocar tanta gente, quando a eleição poderia ser feita em cada Estado. Por baixo, não será gasto menos de 50 milhões em deslocamento, almoço e hospedagem. Sem contar que a eleição pode nem acontecer, sendo tumultuada como em Maceió/AL...

Uma nota triste desta eleição, entre tantas outras, é o aparelhamento da estrutura das Convenções dos candidatos para favorecê-los. Pude constatar isto lendo os sites e blogs das mesmas.

Ainda farei uma pergunta inquietante: Como a eleição será em Brasília, será que as pastoras daquela Convenção poderão votar? Estarão nas plenárias? Infelizmente, eu não tenho tempo para trazer estas informações para os amados.

* Um milhão de membros e presença em todas 185 cidades de Pernambuco, com um ministro ao menos em cada uma delas ou região. Na Região Metropolitana do Recife, nem se fala!

Bálsamo para a alma...

Apresentação espetacular (pra quem sabe apreciar). Orquestra Filarmônica do Espírito Santo:

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Da série Contradições Assembleianas


Não perca nos próximos sábados uma palavra profética de Mike Murdoch. Como alguém precisa trabalhar, não poderei estar à frente da TV. Assistam e recebam! Pra moldura ficar perfeita, o Mike agora pintou o cabelo. Está novinho em folha! Nada contra...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Orações de Ano Novo

Senhor Deus, sou pecador. Tenho falhado e meu coração é enganoso dentro de mim. Quero teu perdão. Minhas próximas palavras irão expressar sentimentos profundos do meu coração. Espírito Santo, ora comigo por tua misericórdia expressando adequadamente o que não puder fazê-lo.

Que nossa igreja não sofra uma nova divisão na próxima eleição. Não aguento mais tantas placas contraditórias e desvirtuadas. Te peço, Senhor, neutraliza para nosso bem, os ecos daquela primeira divisão em 1910. Naquele instante, tu sabes, foi apreço pela pureza doutrinária, pelo avivamento, pelos teus dons. Agora o que move a muitos é apenas poder e dinheiro.

Incute no coração de quem quer que venha a ganhar a compreensão que o teu reino está acima e além de todas as coisas. E que devemos trabalhar por sua expansão.


Rogo-te, Senhor, nos faz relembrar o trabalho árduo de nossos pioneiros. Que não tenhamos vergonha deles, pelo contrário, nos dá o orgulho santo de sermos chamados de assembleianos. Mesmo que não neguemos os erros históricos, que nos irmanemos no desejo de melhorar cada vez mais, para tua honra e glória.


Que as Convenções não se digladiem entre si de maneira fratricida. Incute em nossa mente que em toda discórdia quem sai vencedor é o Diabo. Ele seja o alvo de nossa luta. Aliás, sendo nós santos não devemos estar preocupados em falar tanto dele. Que este sentimento caia no coração dos teus pregadores.

Expõe o sistema corrompido que domina muitos arraiais, Senhor. Mesmo que tenhamos de cortar em nossa própria carne. Sem a extirpação do pus não há cura. Tira as zonas de sombra de nossos templos. Faz com que os humildes se regozijem em teu juízo.

Nos depura, ó Deus! Nos ensina a chorar nosso pecado. Que somente nossas mazelas venham à nossa mente. Que não nos arvoremos nos pecados de outrem. Afinal, cada um de nós irá prestar contas pelo que tenha feito. Individualmente!

Que cada crente sinta temor pela tua presença. Que teu mover nos quebrante. Tira de nós tudo quanto não te agrada.

Que possamos caminhar juntos olhando para as necessidades do teu reino. Tu, Senhor, és o nosso alvo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O triste cenário assembleiano

Este post talvez seja o último deste ano. Meu tempo anda escasso. Se não está a fim de ler algo longo, desista. Antes vamos a algumas premissas. Eu não sou pessimista. Quem me conhece sabe que sou um otimista de carteirinha. Ver Deus em tudo que existe e acontece jamais me deixaria neste estado de espírito. Também tenho poucas aspirações eclesiásticas, a fama nunca me perseguiu. Não sei cantar, tenho uma voz de taquara rachada. Minha garganta não aguenta tonitruar como os ditos grandes pregadores assembleianos. Minha memória me trai nos versículos mais banais. Paulo ainda era um aborto, eu sou um projeto de filho... Porém, minha mente é arguta. Minha crítica propositiva, por mais que alguns de vocês, dez leitores, não entendam.

Saindo da modéstia, alguns ingredientes me levam a traçar estas linhas. Os posts do blog, a história assembleiana contada pelo Mário Sérgio, a teologia pentecostal do Gutierres, as teses do Gedeon Alencar, as conversas pessoais com alguns líderes brasileiros, alguns dos últimos escândalos, as últimas notícias sobre a AGO, pasmem!, até o perfume com cheiro de Cristo da Sônia Hernandes. É um caldo grosso e entornado.

Toda igreja tende à institucionalização. É um caminho sem retorno. Uns são bem sucedidos, outros não. A seleção natural das instituições não perdoa as barbeiragens. Esta é a razão porque há tão poucas centenárias. Não é porque a história é curta. Estamos por aqui há milênios. A Reforma foi ontem e já tem 495 anos. Via de regra, as igrejas começam de maneira humilde. Poucos irmãos, um grande sonho, muito propósito, recursos escassos. Até que muitas atas, estatutos e decisões depois se sobrepõem e enevoam o panorama. Não foi diferente conosco. À medida que tangenciamos o primeiro centenário afloraram todas as mazelas. Falando sobre o PT, certa vez, Caio Fábio disse que o partido passou 20 anos discutindo ética em assembleias. Quando saiu às ruas e alcançou o poder, se prostituiu. Algo semelhante aconteceu com a AD brasileira. Enquanto crescíamos não conseguimos depurar nossos problemas.

De expulsos de um porão da Igreja Batista, em Belém do Pará, assombramos os estudiosos em todo o mundo. Se a AD fosse um Estado, e o País fosse uma religião, seríamos o segundo maior do Brasil. A pujança, o fervor missionário, suplantou a igreja mãe sueca. Conta-nos o Gedeon que Gunnar Vingren, o magrinho, era pouco afeito à convenções e coisas afins. Preferia o trabalho duro diário. Em 1930 veio o golpe. Talvez não seja o termo mais adequado, mas a tomada de controle pelos líderes nordestinos tinha ares de guerra surda, tramada e travada em braile. Tateando cada ponto os pioneiros sentiram o cheiro de queimado. E recuaram. Cantam as loas de um acordo tácito, mas não foi bem assim. Como os historiadores independentes já demonstraram muito bem, não havia alternativas. O resto, ou parte dele, está nos livros das histórias assembleianas. Há vários, inclusive, cada Convenção tem um para chamar de seu, omitindo ou evidenciando o que lhe interessa. A Geral tem vários e a cada dia se lança algo novo no assunto. Alguém lembrou de um detalhe? Lança um livro!

Nesta hora de análise sobra orgulho e vergonha. Orgulho do patrimônio espiritual que foi construído à custa de suor e lágrimas de homens e mulheres Brasil afora. Hoje mesmo li a história da diaconisa Élida, uma grande mulher relegada ao esquecimento por puro diletantismo organizacional. É assim quando nosso establishment quer apagar a biografia de alguém... Creio que na eternidade o trabalho de inúmeros anônimos se sobreporá ao de muitos grandes luminares. E há a vergonha. Os inúmeros ministérios e convenções. A falta de coesão doutrinária, a ausência de comando único e o prenúncio da derrocada. Não precisava ser assim. Pensar que há inúmeros ministérios nos quais suas lideranças vivem como nababos enquanto sugam dízimos e ofertas de pobres irmãos deveria nos causar asco. Mas qual? Tome-se, por exemplo, o mercado dos congressos e eventos. Pregadores caros, agendas cheias, obviedades, salamaleques, excentricidades, saldo espiritual próximo do zero! Mas as programações já estão a pleno vapor para 2013.

A próxima AGO em Brasília/DF se realizará sob os auspícios de várias mentiras e disparates. Tempos atrás ouvi dizer que a última eleição, também seria a última na qual o Pr. José Wellington seria candidato. Agora mudou de opinião. O Pr. Samuel Câmara, velho conhecido dos posts do blog, só pensa em ganhar a eleição, isto desde há muitos anos. Estamos debaixo de uma polarização absurda. Nas palavras do Pr. Jesiel Padilha faltariam homens com estatura para fazer frente ao Pr. Samuel Câmara. Só pode ser achincalhe! Pensar que o Brasil tenha 20 ou 25 milhões de assembleianos e não haja senão dois contendores!? A precariedade do atual estatuto, por outro lado, inibe o lançamento de candidaturas alternativas. Quem teria 10 ou 15 milhões de reais para bancar uma candidatura deste porte?

Há mais de vinte anos que o Pr. José Wellington detém o poder nas ADs. Ou melhor detém o título, porque não tem poder nenhum de interferir nas Convenções, a não ser naquela que preside. Elas são feudos impenetráveis, encobertas pelo manto da vitaliciedade. Que seria um mal menor não houvesse o nepotismo e uma salada de pendores. Do enriquecimento ilícito de alguns pastores à briga e desunião nos Estados, do apoio político ilegal às práticas mais descabidas possíveis como o personalismo. Aliás, como ele não interfere, praticamente a maioria dos presidentes o ama e vota em sua reeleição! É mais ou menos como a coalizão que governa o Brasil. Desde que Dilma não meta o bico nos Estados ou nos nacos dos partidos... Na conta entram descontrole, favorecimento, leniência, omissão, corrupção, adiamento de soluções com todos seus efeitos nefastos conhecidos.

Porém, pensando como igreja o que de novo houve em 2012 e que o se pode esperar para 2013? Vamos por partes que o trem é lento. Já reclamei aqui que precisamos nos mexer no item que mais nos é caro. Não nos notabilizamos por produção intelectual, pelo ineditismo dos hinos, pela qualidade arquitetônica (embora hajam exemplos notáveis), a parcela mais vultosa de nosso capital intelectual vem da evangelização. Houve, é verdade a Década da Colheita, mas isso foi há vinte anos. Minhas filhas nunca ouviram falar no assunto!? O que há de plano evangelístico nacional hoje? Praticamente, nada. A não ser as louváveis iniciativas isoladas das Convenções estaduais, a CGADB não move uma palha. Citamos o caso aqui da UMADENE, que deveria fazer frente ao desafio das 182 cidades do sertão nordestino com menos de 1% de evangélicos, mas suas receitas estão ocupadas pelas prebendas. São, igualmente, omissas. Para 2013 esperaria uma chuva de esperança no sertão nordestino. Há inúmeros pastores orando por isso.

Nos próximos quatro meses só se fala de eleição. Não há espaço para a agenda do Reino, somente os projetos pessoais terão relevância. Se o Pr. Samuel Câmara ganhar, promove uma caça às bruxas e planeja como implantar as inovações. Se o Pr. José Wellington for o vencedor, vai ficar tudo na mesma. Em ambos os desfechos corremos o risco de uma nova Madureira. A famosa história da cruz e a espada. É muito triste chegar aos cem anos curvados a tais idiossincrasias. E pensar que o comando foi dos suecos aos brasileiros pensando em dinamismo!? Abraão de Almeida lançou um livro sobre lições da história que não devemos esquecer, mas nossa AD anda esquecendo muitas passagens dele. Nos EUA a AD está às voltas com a diminuição de membros, na Europa beira à calamidade. Enquanto debatemos a quadratura do círculo.

Sinto-me exausto. Tudo aquilo contra o que falamos aqui no blog permanece acontecendo. E da minha janela imaginária o cenário enuviado prenuncia dificuldades. Em qualquer das hipóteses, 2013, ao menos no plano nacional, será um ano sem planos, sem projetos, sem nenhum movimento de nível estratégico. E isto é muito ruim em termos do Evangelho. Ainda bem que Deus tem planos, sim, para o próximo ano. E os que não se curvam hão de esforçar mais uma vez e buscarão se inserir nele.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

What's happening with Christmas in church?

A tradução livre é o que está acontecendo com o Natal na Igreja?, vocês sabem. São várias as impressões que me levam a este breve texto. Primeiro, o desinteresse de vir à igreja. Conversei com vários dirigentes de congregação que associam-se comigo à preocupação crescente com o esvaziamento dos templos. Até pensei que era só eu. Na principal congregação que auxilio a data (24/12) coincidiu com a Ceia do Senhor, então, a assistência foi bem melhor.

Muitos ausentes:
1) Por não terem comprado uma roupa nova. A festa era de Jesus, mas quem está aí pra isso, não é?
2) Por terem agendado outro compromisso. Ceia, passeio, diversão, restaurante, pizzaria. Uma infinidade...
3) Por não quererem ir mesmo. É um grupo crescente. Alguns se sentem justificados por não haver uma programação puramente natalina. Mas também não contribuem para isso. É a teoria da parede em ação.

A palavra da hora (ou do dia) é cantata. Sem cantata não tem Natal, dizem. Não houve propriamente uma cantata aqui, mas foi muito bonito o culto. Como foi maravilhosa a cantata de Natal promovida pela COMADALPE, no dia 25/12, baseada nos hinos da Harpa Cristã. Aliás, bastante concorrida. No mais pouco falaram no nascimento de Cristo e o restante da hinologia não ajuda. O que a sanfona de Alice Maciel tem a ver com o Natal? Deixa pra lá, que eu já estou com a pecha de crítico... No geral, não podemos falar nada do Baile do Menino Deus, uma mistura de forró, teatro, encenação popular, bumba meu boi e Natal!?

É um sintoma de nossos tempos. Havia até alguns vasos ao meu redor. Enquanto Alice tocava, gritavam e gesticulavam. Durante a cantata dos hinos da Harpa, com coro e orquestra, apatia. Jesus tem que nascer de novo?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Por ser um peregrino...

Não por ser da denominação A ou da B, da Convenção A ou da B, filiado à associação A ou B, mas por ser um peregrino...

sábado, 22 de dezembro de 2012

Natal!


Como o mundo não acabou, vamos falar do Natal? Não, não é daquela festa de luzes e cores, coreografias ensaiadas, presentes, nada disso. Vamos falar do nascimento de Jesus. Um acontecimento singular, que ocorreu na Judeia. Um dos mais vívidos relatos que já li está no comentário Al Nuevo Testamiento de William Barclay, editora CLIE. Ele diz que:

1) Jesus nasceu numa manjedoura. Era um lugar fora do convívio familiar, aonde se guardavam os animais. O único que acorreu aos hóspedes deslocados. Jesus fora do coração dos homens, não lhes parece tão familiar com os Natais estilizados de nossos dias. Ainda hoje Jesus procura lugar no coração dos homens!

2) Quando um menino nascia era sinal de festa. Todos sabiam, o pai saía às ruas para festejar. Quando era menina, os pais ficavam tristes trancados em suas casas. Tristes dias obliterados pelo modo machista de enxergar a vida. Meninos ou meninas, são todos bem vindos! Aí nasceu um menino, mas José não podia festejar entre pessoas, razoavelmente,estranhas. Então Deus enviou seu coral de anjos para festejar com ele! Não era uma concessão ao status quo, apenas a comemoração da encarnação do Filho de Deus!

3) Os pastores eram tidos como religiosos de segunda categoria, porque ao invés de estarem no templo, estavam com suas ovelhas. Não podiam cumprir todos os detalhes da Lei cerimonial. Mas, quando o sacerdote precisava fazer um sacrifício tinha de escolher um animal sem defeitos. Quem os conhecia desde seu nascimento? Eles! Estes, em especial, estavam perto de Belém, portanto, perto dos locais de cerimônia, provavelmente, cuidando dos rebanhos do templo. Então, foram eles os primeiro a verem o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!

Uma última nota vai para o irmão ou irmã que não irá participar do Natal em sua igreja porque não comprou uma roupa nova. É triste constatar este costume entre nós. O mais importante do Natal é que Cristo tenha nascido entre nós. Isto nos basta. Celebremos!

Aproveitamos para agradecer aos nossos dez fiéis leitores. Nos visitem sempre, a casa é nossa!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O saco de gatos de Rob Bell


A entrevista dada à VEJA duas semanas atrás já é conhecida de vocês, meus dez leitores. Prometi a mim mesmo dizer algo a respeito, já que vocês não precisam ler aqui sobre isto. Rob Bell é um personagem da cena evangélica americana, pastor, escritor, famoso, carismático, enche uma igreja com oito mil pessoas, aos domingos. É o queridinho da igreja light. Não fala sobre Céu e Inferno em seus cultos, não ao menos na perspectiva mais comum entre nós. Acredita no universalismo, doutrina na qual ao final todos se salvam. Apóia o casamento homossexual e vende livros como água.

O que há errado com ele? Comecemos pelo fim. Indagado sobre o universalismo mostrou-se inquieto com um Deus que condena. Segundo ele, Jesus pregou um Deus de amor. Seria difícil imaginar um lugar de sofrimento eterno, especialmente se criado por Deus. O repórter fazendo o papel de burra de Balaão, atirou: E quem não quiser ir? Não parece errado que alguém deva ser salvo por um Deus no qual não crê? E se alguém não quisesse ir para o Paraíso? Deus salvaria Hitler? Rob é moderno, mas não bobo, saiu pela tangente.

Além de um caso clássico para a apologia (deixo a tarefa para eles, os apologetas, eu sou um vendedor de cocadas...), não passou despercebido um certo nível decantado de outras investidas e invencionices desta natureza. Houve outros Bells ao longo da história evangélica mundial, mas hoje esta cristalizada uma certa tendência. Com a sucessão de teóricos deste esquema nefasto alguns passaram a acreditar nele. Este, aliás, é um dos pontos nos quais tenho me aplicado há algum tempo. Não é difícil perceber o desencanto com o dogma. Não aquele conjunto infundado de normas da Igreja Católica, mas tudo aquilo que representa hierarquia, ordem, organização e recato. A igreja self-service se consolidou, embora o próprio Rob tenha reconhecido que não são clientes os membros. Esses teóricos são assim mesmo, ortodoxos segundo sua conveniência.

Não sou saudosista, mas já cultuei em cima de um banco que nem aonde encostar tinha. Hoje as pessoas exigem climatização, cadeiras acolchoadas  estacionamento com diáconos como seguranças. Do contrário ameaçam dizimar em outros redis, ou nem dizimar!? Acreditem, o dízimo virou uma arma! Mas o ponto crítico ainda não é esse. É a palavra e a autoridade pastoral que está sendo cada vez mais criticada. As advertências estão sendo encaradas como invencionice. A seu modo Rob toca nesse ponto. Prega uma igreja flexível, aonde os pontos de vista particulares tenham peso de doutrina, apenas se partindo do público para o púlpito. Eu tinha aprendido que o fogo sai do altar, mas agora o contrário acontece. A submissão se tornou pecado. O questionamento, obrigação. Não é desejável a robotização da plateia, mas o exagero a cada dia fica mais evidente. Rob afirma que a liderança não entende os anseios da plateia. Nunca os pastores estarão a par destas demandas. É por isso que dependemos cada vez mais de Deus, para enxergar os contornos de uma decisão menos aceita, de uma crítica fora de contexto, das implicações, enfim, do dia-a-dia eclesiástico e, sobretudo, de distinguir o supérfluo do necessário.

Rob Bell defende o engajamento social à moda do MEP de Robinson Canvalcanti e de Ariovaldo Ramos. Segundo ele, nossa missão principal não é chegar no Céu, mas trabalhar para fazer do mundo um lugar melhor. Aprendemos com Jesus que um mundo melhor começa não com nossas atitudes, mas como nosso arrependimento. O mais é consequência. É um evangelho para deixar-nos em paz com as demandas de nosso tempo. Nesse contexto o pecado não é o mal a ser vencido e contra o qual a igreja se insurge. Mas é um conceito moldado a partir da crença de cada um. Se você não acredita que algo é pecado... Além de nossa bondade neutralizar seus eventuais efeitos colaterais. É um conceito charmoso para as pessoas de bem. Por isso o pecado não encontra espaço em suas pregações. O Céu não é o destino de sua mensagem. É uma reencarnação em vida. Ainda bem que Cristo veio para os perdidos!

Não ficaria surpreso se Rob atacasse o evangelismo pessoal (quem quiser vem à Igreja, como pregam alguns calvinistas), a santidade como prerrogativa para ver a Deus e a própria Igreja como entidade fundada por Cristo. Em maior ou menor grau esse sumo decantado dos livros de auto-ajuda disfarçado de moderno (ou pós, segundo o discurso) se disseminou bem mais do que possamos imaginar. Alie-se a isto o comodismo típico de nossos dias e teremos um caldo fervente prestes a redefinir o mundo eclesiástico. Rob não faria muito estrago sozinho, senão aos seus. O problema é que uma mentira dita tantas vezes passou a ser acreditada. E defendida academicamente. Ganhou a mídia, os festivais evangélicos, os blogs liberais, o culto e as denominações. Bem mais do que somos capazes de perceber.

Eu conheço o final desse filme. Como disse um dos críticos da entrevista, na revista na semana seguinte: O discurso de Rob parece mais com goma de mascar. Quando o açúcar for embora e só restar a borracha...

domingo, 9 de dezembro de 2012

Maiorias


Silas contesta quem não gosta de promessas

Ontem, o Pr. Silas Malafaia criticou os que não vêem com bons olhos o Festival Promessas da Rede Globo. Para ele a promoção do festival é reflexo do crescimento evangélico, que em breve seremos maioria e outras bobagens. Concordo com o Pr. Silas Malafaia em várias ocasiões. Mas agora não. Todo interesse que move a TV é financeiro. Os cantores estão lá para que a exposição se reverta em vendas maiores ainda para suas produções. A emissora tem em seu cast, através da Som Livre, alguns evangélicos. Não há nenhum interesse em propagar a fé evangélica. Tudo gira em torno de faturamento. O sonho da Globo é que não haja culto dominical, que fiquemos diante da telinha, assistindo ao Fantástico. Ora isso não é novidade, não é mesmo?

Coincidentemente, ontem, tivemos uma excelente reunião ministerial aqui na COMADALPE. Um dos assuntos abordados foi uma manchete do Mensageiro da Paz, falando sobre reportagem que registra o declínio da maioria evangélica nos EUA (Ainda volto a este tema quando tiver mais tempo). Apesar da óbvia crise americana, é bom relembrar que essa maioria nunca se reverteu positivamente. A minoria séria evangélica daquele País é que tem impactado de maneira positiva a literatura, a teologia e a música evangélica no mundo. No mais é um Festival Promessas a cada dia. Muito barulho por nada. Igrejas-estádios lotadas por crentes que não se diferem em nada do mundo. Assisto aos shows evangélicos americanos com suas coreografias importadas de Madona, Beyoncé, Lady Gaga e lamento que tudo gire em torno do choque visual e de dinheiro, muito dinheiro. Cristo anda longe destes festivais. A depender deles os EUA são a Europa de ontem. E o Brasil é o EUA de hoje!

Dia da Bíblia esquecido

A maioria evangélica quer Bíblias nas praças. Em Olinda/PE tem uma Praça da Bíblia. As lideranças desejaram e ganharam uma lei declarando o segundo domingo o Dia da Bíblia, promulgada por Fernando Henrique Cardoso, em 2001. Porém, aonde estão as comemorações do Dia da Bíblia? É a mesma coisa com o Dia do Evangélico, que já existe em algumas cidades brasileiras, no dia 31 de outubro. E que muitos querem para todas as outras. Ora, ora, as igrejas esqueceram o Dia da Reforma!? E assim vão as maiorias fazendo alarde sem essência.

Aqui nas congregações que auxiliamos, propusemos uma iniciativa barata e simples: lermos a Bíblia em um ano. Não é aquela pirotecnia do Promessas, não chama muito a atenção, mas surte um efeito de longo prazo. Eu já li duas vezes a Bíblia toda, mas estou relendo para enfatizar a importância do livro. Para ajudar baixamos um dos planos de leitura da SBB, ali quase graça (o preço da cópia). Bem simples.

Maioria sobe o Morro

Oitocentas mil pessoas voltearam o Morro da Conceição em Recife/PE. A santa é a padroeira da cidade. Maioria que expressa uma fé desfocada. Além da festa o JC OnLine destaca aqui o sincretismo religioso de pessoas que sobem o Morro embora sigam outra fé. Leiamos as palavras de uma dessas pessoas: Geralmente, quem vai aos pés da imagem da santa é católico apostólico romano. A gente do candomblé vai pelo respeito à santa. No dia 8 de dezembro, sempre vou à procissão e à missa. Quando olho para a estátua, não vejo Nossa Senhora da Conceição; vejo Iemanjá, a mãe das águas, mãe dos Oris (todas as pessoas). Outra parte da maioria, logo na descida do Morro, enche a cara e se embriaga. Olhando para a santa no alto do Morro.

Assim vão as maiorias. Oremos por elas. E você? Está apenas na maioria barulhenta ou faz sua lição de casa?

Críticas às Bíblias de Estudo


Por ocasião do Dia da Bíblia, gostaria de republicar um post polêmico com algumas pequenas alterações estilísticas. Nele constato que as Bíblias de Estudo:

1) Não aguçam a pesquisa. Por mais que as editoras evangélicas em geral se esforcem, o estudante, o pastor, o teólogo comum no Brasil tem preguiça para a pesquisa. Fui seminarista e senti na pele tal aversão. Não critico meus amigos, mas eles sabem que pesquisa cabeça não era seu forte. O que o aluno de teologia, de maneira genérica, gosta é de confronto e polêmica. Razão pela qual há tão pouco material de exegese gestado em nossas terras. O assunto mais comentado por um estudante de seminário é o arrebatamento. Ele gosta de detalhar etapas, etc e tal. 

Boa parte dos compradores fazem pesquisas pontuais, sobre temas generalíssimos, tão logo os versículos são citados numa leitura oficial, por exemplo. Fora isso, a apatia é um mal comum. Conheço menos de dez pastores que gestam um sermão com razoável antecedência, a grande maioria recebe na hora, apesar de ensinar o contrário. Curiosamente, conheço vários pregadores que possuem uma Bíblia simples toda marcada e anotada de próprio punho. 

Boa parte da culpa atribuo aos seminários. Há pouco incentivo à pesquisa e à publicação da produção intelectual. Boa parte dos pesquisadores que aparecem nos seminários já o eram desde há muito;

2) Não aguçam a leitura. Não conheço uma só pessoa, me perdoem se generalizo, que tenha se tornado um leitor mais ávido, após a compra de tais Bíblias. Os que gostam de ler, já o faziam antes. Se ter uma Bíblia não serve à leitura e meditação, então risquemos de suas páginas passagens como o Salmo 1! Relembro aqui uma história que aconteceu comigo. Chegando ao gabinete de determinado pastor, numa sexta-feira, este me mostrou, orgulhoso, seu plantel de Bíblias de estudo. Era BEP, Scofield, Thompson, Vida Nova e por aí vai. Como sou perspicaz, perguntei:
- Destas Bíblias que o senhor tem, quais foram lidas esta semana?
Ele respondeu, honestamente:
- Nenhuma, rapaz. Infelizmente...
Retruquei:
- Então, era melhor ter um Novo Testamento, daqueles dos Gideões, desde que lido com frequência!

Acreditem, há pastores que nunca leram a Bíblia toda! Apesar de terem e exibirem Bíblias as mais diversas.

3) Não aguçam a espiritualidade. Esta é uma triste constatação, não conheço ninguém que tenha se tornado mais profundo, espiritualmente falando, estudando em tais Bíblias. Se uma Bíblia oferece mais recursos, audiovisuais, inclusive, reza a tese que o aluno deveria estar mais instruído, e, por consequência, mais culto, e daí mais crente. Se uma Bíblia não transforma, que valor tem? As pessoas ficam me olhando ressabiadas quando pedem uma indicação de Bíblia de Estudo. Perguntam-me qual a melhor? Respondo: A que você lê! Procure uma boa Teologia Sistemática, que vai oferecer recursos suficientes para compreensão panorâmica das Escrituras Sagradas.

Depois eu sou um crítico desalmado...

sábado, 8 de dezembro de 2012

O que gostar da Bíblia não é!


Gostar da Bíblia não é guardá-la em local seguro. O local mais seguro para se colocar uma Bíblia são as mãos do seu dono. Também não é praticar por conveniência. Mandamentos sobre renúncia e amar a quem nos odeia não são optativos. Muito menos conservá-la aberta numa estante. A Bíblia deve estar aberta a frente dos nossos olhos. A Bíblia que temos deve ser folheada, lida, examinada, relida e colocada em prática.

Que no Dia da Bíblia os crentes lembrem que possuem uma!

Celebrado no segundo domingo de dezembro, o Dia da Bíblia foi criado em 1549, na Grã-Bretanha pelo Bispo Cranmer, que incluiu a data no livro de orações do Rei Eduardo VI. O Dia da Bíblia é um dia especial, e foi criado para que a população intercedesse em favor da leitura da Bíblia. No Brasil a data começou a ser celebrada em 1850, quando chegaram da Europa e EUA os primeiros missionários evangélicos. Porém, a primeira manifestação pública aconteceu quando foi fundada a Sociedade Bíblica do Brasil, em 1948, no Monumento do Ipiranga, em São Paulo (SP). E, graças ao trabalho de divulgação das Escrituras Sagradas, desempenhado pela entidade, o Dia da Bíblia passou a ser comemorado não só no segundo domingo de dezembro, mas também ao longo de todas a semana que antecede a data. Desde dezembro de 2001, essa comemoração tão especial passou a integrar o calendário oficial do país, graças à Lei Federal 10.335, que instituiu a celebração do Dia da Bíblia em todo o território nacional.

Fonte: SBB - Sociedade Bíblica do Brasil

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O movimento gay está triste

Ao contrário do estardalhaço que fizeram, a morte do jornalista goiano Lucas Cardoso Fortuna, militante gay, não foi homofobia, mas latrocínio. O lobby, é claro, não aceita o resultado. Infelizmente, mais um corpo no meio da discussão mais sem sentido da História. Maria do Rosário, aquela que sempre tem tempo para os homossexuais, apesar de Direitos Humanos ser uma palavra bem abrangente, se manifestou dizendo que vai pressionar a Polícia Civil pernambucana por não ser crime homofóbico. Um cadáver sem causa não lhe interessa. No Quem a Homofobia matou Hoje, blog gay, Lucas ainda consta como morto por motivação homofóbica. Assim se fabricam as estatísticas. Já são 311 mortes. Na própria página você vê crimes passionais, contados nos números do movimento. Assim, sem constrangimento e sem questionamento.

O mais deprimente é que a violência em si, não importando a categoria da pessoa, tenha passado a segundo plano. Ainda bem que foi uma delegada, se fosse só homem na investigação...

Mais informações aqui e aqui.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A prevalência das coisas supérfluas


Vocês conhecem a figura acima!? Se não, lhes apresento o indiano Amar Bharti, 58, que é um sadhu, homem sagrado do hinduísmo. Entre suas excentricidades: não cortar a unha (no detalhe) há 28 anos e estar há 39 com o braço erguido em homenagem a Shiva. Este fato não seria mencionado aqui no blog senão por uma incrível semelhança com a igreja evangélica.

Notem, ele não foi elevado à condição de celebridade por seus dotes, digamos, espirituais. Mas por ter uma grande unha e não baixar o braço!? Não é exatamente como o lugar tomado pelas coisas supérfluas em nossas igrejas? Câmeras melhores para um close bonito nas unhas. Tamanho do templo e quantidade acomodações. Marcas de ternos e quantos anéis o pregador ostenta. Currículos beirando uma redação. Quem grita mais? Quem fala mais no Diabo (acreditem ele tem muito mais espaço e ação do que é na realidade)? Quem fala mais línguas estranhas ao microfone? Quem distribui mais bençãos? Quem massageia o ego melhor? Quem imposta melhor a voz?

Num mundo midiático e que preza os valores exteriores nos saímos muito bem. Já do lado de dentro... O pior é que seus dotes foram exibidos num festival de homens santos hindus. Aquelas reuniões em que se ostenta muito e se aproveita pouco!?

E aí? Qual o tamanho das suas unhas? Há quanto tempo você não baixa o braço?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Esmiuçando uma entrevista de um mestre...

O PointRhema, famoso blog, do meu amigo Pr. Carlos Roberto, publicou uma entrevista do Pr. Antonio Gilberto. Entre os temas, um dos prediletos do blog: Ministério Feminino. Vou com ele em vermelho e eu em azul.

Seara News - Um assunto polêmico, cujo debate já dura por décadas, é o ministério pastoral feminino. Hoje algumas Assembleias de Deus já reconhecem a ordenação de mulheres. Existe respaldo bíblico-doutrinário para isso?

Para os que conhecem pouco a história assembleiana, e aqui está o busílis, como diz o Reinaldo Azevedo, até 1930 as mulheres participavam das EBOs e tudo o mais. Há um coitado que criticou uma postagem anterior minha, aonde profetizei que muito breve as mulheres adentrariam tais reuniões. Ele restringiu o problema à minha Convenção, dizendo que em tal lugar sim, em tal lugar não, mas, de fato, elas vão readentrar (nem existe este verbo), pois já entraram várias vezes na história. Depois que Frida pregou em presídios e praças, quando ninguém ousaria fazer isto, idos de mil novecentos e pouco...

Pr. Antônio Gilberto - Não, não e outra vez não! Não existe! Ordenação… Mulheres no Santo Ministério, tanto venham. Inclusive muitas vezes elas fazem o trabalho melhor do que os homens. Mas ordenar para o Santo Ministério, não tem base nas Escrituras. 

Como se diz aqui: Cuma!? Vamos detalhar a frase. Se fazem o trabalho é porque lhe damos. São os homens que possuem as prerrogativas para determinar quem vai fazer o quê. Como assim muitas vezes fazem melhor que os homens? Então, há casos de legítima atuação feminina. Vejam a partícula adversativa... A Bíblia proíbe a ordenação, nas palavras do nobre pastor, MAS se lhes permite fazer exatamente o que é prerrogativa da... ordenação. É muito pra minha cachola! Vou tomar um diazepan!

E como é que isso está acontecendo? É a igreja a culpada e a igreja vai prestar conta disso. A igreja que eu digo não é a igreja o prédio, os responsáveis vão prestar conta disso. Jesus nunca ordenou mulheres. O apóstolo Paulo que é um paradigma, não separou, nunca ordenou mulheres.

Vejam que pérola. A Igreja que será culpada por ordenar, não será culpada por enviar missionárias, por exemplo, à revelia da mesma Palavra que ele evoca? Desde o início tenho dito: ou cumprimos o que está escrito ou paramos com essa conversa. Jesus nunca enviou missionárias, Paulo, idem, mas, convenientemente a Igreja o faz.

Agora, mulheres trabalharem no Santo Ministério, tanto venham. Cantoras, professoras de escola dominical e etc. 

Não é um primor? Cantora? Poooode! Professora de criancinhas comportadinhas (do tipo que deixam a professora rouca todo domingo)? Pooode! Dirigente de Círculo de Oração Infantil? Pooode! E de Círculo de Oração de Adultos, para orar, em média, quatro horas por semana? Pooode! E por que pode? Ora, porque os ministros e obreiros, mesmo quando aposentados, não querem desempenhar tais funções, terceirizando, por conveniência, a responsabilidade! Quando o Círculo de Oração foi fundado em Casa Amarela, Recife/PE, certamente as irmãs foram pedir para que o pastor permitisse as reuniões, organizasse administrativamente o orgão, etc. Por que ele não disse: Olha, irmãs, não posso permitir tal reunião a menos que um presbítero de minha confiança a dirija? Tanto venham...!

Mas irmão Gilberto, e diaconisa? Lá no livro de Romanos o apóstolo Paulo disse que aquela irmã era diaconisa na igreja de Cencréia. Onde está isso no original? Não existe! Sim, mas o comentário que eu li diz que era diaconisa. 

Conversa! No grego está na forma masculina, ou seja, Paulo deixou aquela mulher ali provisoriamente, ou então o trabalho era novinho e não tinha homem nenhum para exercer o diaconato, ele disse vem cá “fulana” (Febe), faz o trabalho aqui, a obra de Deus não pode parar por causa de problema humano. Está no masculino.

Essa ligeireza, com todo respeito, é característica. Viram como ele arruma a solução, rápido, rápido? Certamente lá em Cencréia aconteceu como em muitos lugares. Mandam uma mulher cavar o poço, depois o homem distribui a água. Fui sutil? Como assim, a obra não pode parar por problema humano? É essa a abordagem que o nobre pastor usa para não se furtar a dar sua contribuição ao lado de Marlene LeFever, num Congresso de EBD? Ele estava lá, por que não usou toda ortodoxia para não pregar ao lado de uma mulher? Por que ele não rejeita os convites da Igreja americana que ORDENA mulheres?

Uma vez um pastor presidente de uma grande e renomada convenção, nós estávamos juntos em Goiânia ministrando, e ele no hotel conversando comigo, disse: “estou agora na presidência, vou incentivar, irmão Gilberto, o diaconato das mulheres que está praticamente parado. O que o irmão diz?”

- Eu prefiro primeiro que o senhor que é o chefe, me dê alguma coisa.

Ele disse: “eu me baseio lá em Rm 16, Febe, aquela irmã que era um tesouro na igreja de Cencréia (inclusive quando os irmãos forem a Grécia visitem as ruínas de Cencréia. Eu fui lá visitar, só tem ruínas, e eu fiquei pensando onde é que ficaria aqui a casa dela, porque tudo indica que era uma mulher de muito dinheiro. Paulo disse: “ela me hospedou muitas vezes, e hospedou a muitos”), que era diaconisa, a Bíblia em português diz: que serve ao Senhor na igreja de Cencréia, outra versão que eu tenho diz que ela servia como diaconisa”. Eu me calei, e ele disse: “uma segunda passagem, irmão Gilberto, que eu tenho em mente é lá em Timóteo quando a Bíblia diz: e as mulheres…”

Leiamos a posição oficial da Assembléia de Deus americana (aquela mesma que é a queridinha dos estudiosos brasileiros), sobre quem era Febe: 
Phoebe, a leader in the church at Cenchrea, was highly commended to the church at Rome by Paul (Romans 16:1,2). Unfortunately, translation biases have often obscured Phoebe’s position of leadership, calling her a “servant” (NIV, NASB, ESV). Yet Phoebe was diakonos of the church at Cenchrea. Paul regularly used this term for a minister or leader of a congregation and applied it specifically to Jesus Christ, Tychicus, Epaphras, Timothy, and to his own ministry. Depending on the context,  diakonos  is usually translated “deacon” or “minister.” Though some translators have chosen the word deaconess (e.g., RSV, because Phoebe was female), the Greek diakonos is a masculine noun. Therefore, it seems likely that  diakonos  was the designation for an official leadership position in the Early Church and the proper translation for Phoebe’s role is “deacon” (TNIV, NLT, NRSV) or “minister.” Moreover, a number of translations reflect similar biases by referring to Phoebe as having  been a “great help” (NIV) or “helper” (NASB) of many, including Paul himself (Romans 16:2). The Greek term here is prostatis, better translated by the NRSV as “benefactor” with its overtones of equality and leadership.

Eu disse: Pastor, a passagem de Romanos no original está no masculino, pode pegar qualquer manuscrito bíblico. Ou seja, ou o trabalho era novinho e não tinha homens habilitados, e o apóstolo Paulo um homem cheio do Espírito Santo, a obra de Deus não ia parar por causa de problema humano. Vem cá, Febe, exerce aqui enquanto não se prepara um homem, ou então não sei a razão, a Bíblia não explica, mas está no masculino.

“E lá em Timóteo?”

Pode pegar o termo original que a oração no grego pára, e quando diz as mulheres, são as esposas dos obreiros. Ele parou, e parou até hoje.

Esse pessoal é assim, usa o grego CONFORME a necessidade. Por que não mencionou sinergos, para cooperadores, Áquila e Priscila, em Rm 16:2? Por que ele não falou sobre kopiaô, no mesmo capítulo 16 de Romanos? É o verbo que Paulo usa para o trabalho de Maria (v. 6), Trifena, Trifosa (v. 12)? E não se refere ao trabalho doméstico? Ali mesmo em 16:7 ele cita o caso de Júnias, uma apóstola, mas o termo TAMBÉM está no masculino!? Aliás, sobre Júnias o comum naqueles que condenam o ministério feminino é dizer que é uma variante de nome masculino. Leiamos o que diz o mesmo documento da AD americana:

Junia was identified by Paul as an apostle (Romans 16:7). Beginning in the thirteenth century, a number of scholars and translators masculinized her name to Junias, apparently unwilling to admit that there was a female apostle. However, the name Junia is found more than 250 times in Rome alone, while the masculine form Junias is unknown in any Greco-Roman source. Paul clearly was a strong advocate of women in ministry.
Voltando a pergunta, o que o irmão diz disso? É anti-bíblico. E o que fazer? 

Quem estiver fazendo vai prestar conta a Deus. Mas infelizmente não é só ordenação de mulheres, é muita coisa que a igreja decide por ela. Eu podia fazer menção aqui, não vou, não há necessidade. Para ninguém pensar que é só esse fato: São várias coisas que a igreja faz sem ter… Por exemplo, há igrejas que só separam (consagram) obreiros para o diaconato se forem casados, não estou criticando a igreja local, há igreja que só separa (consagra) casados, porque o escândalo está sendo grande de obreiros solteiros. Enfim, a igreja que tomou a decisão, não é a Bíblia.

É verdade, são muitas coisas. Por exemplo, permitir que uma certa Bíblia seja publicada, endossando uma versão totalmente desviada da Palavra de Deus. Cito a Dake, que o nobre pastor como consultor teológico  da CPAD defendeu com unhas e dentes. Procurem na web algo a respeito. Nunca vi o nobre falando sobre o empoderamento pastoral assembleiano, sobre o enriquecimento de alguns líderes, sobre a apatia evangelizadora da CGADB e tantas outras coisas...

Batismo em águas: tem igreja que a pessoa se entregou pra Jesus, foi perdoada ali mesmo, foi convertida, batiza na água. Tem igreja que diz: “Não, aqui pra ser batizado tem que fazer um cursinho”. Lá na minha igreja, por exemplo, tem um cursinho de três meses, onde está isso na Bíblia? Lugar nenhum. É a igreja que decide!

Realização de matrimônio, esse caso é mais um, só que este é grave.

Então, em resumo, não tem base na Escritura, nem no Antigo, nem no Novo Testamento. Deus quer a mulher no ministério, quanto mais, melhor, para muita tarefa. Mas ordenação para cuidar do rebanho Deus reservou para o homem. De modo que esse negócio está dando problema. E os que estão na Assembleia de Deus? Vão prestar conta a Deus! Vamos brigar com eles? Deixa pra lá, vão prestar conta a Deus! Esse é que é o problema, a Bíblia diz cada um de nós. Eu vou dar conta e os irmãos vão dar conta também. Se o Tribunal de Cristo fosse coletivo…, mas a Bíblia diz cada um. Então nós temos que pensar nisso.

Engraçado, não vejo os problemas apontados pelo nobre pastor. Leio e ouço sobre o problema de mulheres não ordenadas mandarem em seus maridos, inclusive, com a ordenação de obreiros. Isso no Brasil todo, pois tenho muitos contatos País afora. Ouço falar de sangrias dos cofres promovidas por irmãs insuspeitas, que mal falam ao microfone, quanto mais almejar o ministério. Ouço falar da imposição de festas de aniversário e presentes caros. De compras de imóveis e carros para satisfazer a certas madames. Sem falar nos pecados... Com todo respeito, é como se diz por aqui: é muita falta do que fazer! Queria eu que todos os problemas da AD brasileira fosse a ordenação ministerial feminina. Queria eu...!

Documento da AD americana, aqui.
A entrevista com o Pr. Antonio Gilberto está aqui.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Se convidados para algumas igrejas da própria denominação...

...alguns deles estariam impedidos. Ao menos um dos meus dez leitores sabe do que falo... Outra coisa importante: falam tanto contra a Teologia da Prosperidade, tem logo um gospel estampado no título. O termo retete é típico do desleixo com os dons espirituais. Depois eu sou crítico e amargo, desse jeito... 
Capturado aqui.


Aviso: Alguns leitores me alertam que o evento em epígrafe não é verdadeiro. Apenas o sonho de alguns usuários do reteté no Facebook. A contar com os ventos assembleianos não duvidei de sua veracidade ao ler pela primeira vez. Decidi manter o post, por conta de um questionamento que um leitor fez. A réplica está nos comentários.