quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Os homens não x Os homens sim


O brilhante economista norte-americano Canice Prendergast lançou, em 1993, um artigo intitulado A Theory of Yes Men. É um estudo sobre a importância da discordância numa organização. A discussão básica do livro se dá em torno do diagrama abaixo:

Adaptado de O Livro dos Negócios, Exame

Em todas organizações as pessoas dizem sim com medo de perder seu emprego, seu cargo, sua posição hierárquica, amizades, networking. Por vezes, é exatamente sim o que querem ouvir gerentes e líderes. É o que lhes infla o ego e os faz pensar que estão no rumo certo. Mas esta tendência tem se mostrado danosa para a estratégia organizacional. Um líder eficaz compreende que é humano e suas decisões são limitadas. Ouvindo não ele será obrigado a repensar suas escolhas e evitar erros mais rapidamente do que aqueles que só aceitam submissão.

Os homens sim acabam sacrificando um precioso aliado da organização: a comunicação. A verdade tomba no terreno da mediocridade. A mentira se instaura e prejudica o relacionamento entre as pessoas com seus sinais trocados. Quando a gerência descobre o problema já é tarde demais.

Há uma analogia que se conta, na qual a liderança só enxerga a copa das árvores, os liderados conhecem o terreno, as raízes, ou seja, as dificuldades efetivas para alcançar determinado objetivo. Evidentemente, não é um caso de cegueira, mas de perspectiva. O Royal Bank of Scotland (RBS) enfrentou perdas bilionárias entre 2008 e 2009, mas nas reuniões seus altos executivos sempre aprovavam as decisões e omitiam os riscos potenciais. É esse o padrão de grandes falências do mundo corporativo.

Nas igrejas não é diferente. Afinal, toda igreja é uma organização. Quem discorda, mesmo que respeitosamente, é taxado como irresponsável, provocador, semeador de contendas. Isso pra dizer o básico. Porque não raro é associado ao próprio Diabo. Quem nunca ouviu de alguém que foi comparado a Datã, Coré e Abirão, os famosos dissidentes do povo de Israel? As pessoas não compreendem que pastores e líderes podem falhar, mesmo sendo escolhidos por Deus e tendo a melhor intenção possível. Somente alguns milhares de reais jogados no lixo ou pessoas chateadas adiante é que se percebe que o alerta de outrora era pertinente.

Por outro lado, os homens não devem se especializar na oferta de alternativas. Dizer não, não resolve o problema! Há pessoas que se especializam na discordância. Discordam por discordar e não se preocupam em pensar na solução. São tão negativas que bloqueiam a criatividade.

Nelson Rodrigues, nosso melhor frasista, dizia que toda unanimidade é burra. Redobre o alerta quando todos dizem sim. E seja humilde para compreender a discordância!

Conheça o artigo de Canie clicando aqui.

3 comentários:

Elias Tabosa disse...

Parabens pelo blog pr. Tenho essa mesma linha de raciocinio, se tiver de discordar eu discordo mesmo que minha funçao esteja em cheque na empresa ou na igreja, as pessoas tem que entender que por mais talentosas e habilidosas elas erram que seja no ambito secular ou na igreja, somos limitados. ELIAS TABOSA

mika talk disse...

É a lei da massa e do fermento. É você quem deve se posiciona como fermento e se junta aos poucos pensantes ou vai com a massa esmagadora que não hesita em contrariar. Nas empresas, Igrejas, nas ruas e até dentro dos muros de nossas casas.
Parabéns pela postagem a temática é de grande relevância e atual.
Ass.:Mika

Pastor Geremias Couto disse...

Infelizmente, não é assim em certos círculos evangélicos. Os líderes, com as exceções de praxe, preferem os que dizem sim. Mas continuarei a dizer não, quando entender que assim deva proceder, sem fechar-ma para o sim, se este for fruto de minhas convicções e não simplesmente para agradar os "chefes".