domingo, 24 de fevereiro de 2013

Esmiuçando propostas - Parte 3


Continuamos nossa breve análise das propostas do candidato Samuel Câmara (uma vez que não obtivemos acesso às propostas dos demais candidatos). Na primeira parte avaliamos a proposta de criar uma TV e rádio nacionais exclusivos da denominação. Cremos que, infelizmente, demonstramos como há tantas barreiras a serem vencidas, a ponto de inviabilizar a proposta. Na segunda parte, mostramos a proposta de impactar o Brasil através da evangelização. É uma boa proposta, mas... Bom, leiam e comentem.

Proposta nº 03 - Prestar apoio espiritual, educacional e previdenciário aos pastores

Vou apenas pela última parte da assistência: a previdenciária. É uma excelente proposta. Há uma área específica que trata do cômputo de valores como o das aposentadorias: a das ciências atuariais. Que consiste em avaliar o montante necessário para, por exemplo, prover uma aposentadoria de X, em quantos anos e com quanto será necessário contribuir. Portanto, existe a viabilidade técnica para implementar o processo.

Às convenções pareceria num primeiro momento uma proposta atraente. As livraria de desembolsos de grande monta, consideradas a quantidade de obreiros jubilados, daria segurança financeira para uma dedicação mais exclusiva dos ativos e tantas outros benefícios. Já pensou uma Convenção não ter que se preocupar com desembolsos em caso de morte de um pastor, sustentando a família condignamente?

Mas, nem tudo são flores. Criar um fundo para aportar este capital exige um investimento alto. Seria possível se todos quisessem fazê-lo. Mas nossa desunião é histórica. Normalmente, é cada um por si e Deus por todos. Outro problema é que ao menos uma parte da caixa preta da administração de cada Convenção teria de ser aberta. Ora, a CGADB desconhece números rasos como quantidade de membros, imagina capacidade financeira?

Esta desunião resultaria em problemas para manter o fundo. Poderíamos traçar um paralelo com o Governo Federal. Que desembolsa bilhões de reais para financiar o déficit do INSS, com os recolhimentos não efetuados por empresas, prefeituras e orgãos públicos, além do próprio crescimetno do sistema. Como o Tesouro tem sempre uma boa reserva se contorna. Em nosso caso, de onde sairia o dinheiro para cobrir os rombos?

Grande parte do problema está na origem e no formato administrativo de nossa igreja. Cada estado foi gradativamente se isolando, depois em cada um deles as convenções foram se dividindo e se isolando ainda mais. Lembra da história dos feudos? O jogo de poder (e dinheiro) fez o resto. O resultado é que não existe consenso mínimo para coisas simples como um cadastro único de membros!?

Outra questão crítica é: quantos ministros seria beneficiados com a medida? Hoje boa parte dos ministros não recebe qualquer ajuda financeira mensal de suas Convenções. Até mesmo daquelas organizadas financeiramente. Os que recebem o fazem a título de ajuda de custo, camuflando o salário para evitar eventuais acionamentos jurídicos. Em outras denominações históricas esta etapa já foi superada (um pastor batista, por exemplo, ao abrir um cadastro num banco coloca como função: ministro do evangelho). A questão imediata, portanto, é que nem todos seriam beneficiados, o que geraria um mal estar crescente. A questão adjacente é com quanto cada ministro se aposentaria ou sua família seria beneficiada em caso de morte? Na hipótese dos benefícios divergirem muito entre si, seria desconforto e discussão na certa.

Resta ainda outro fator. O fundo, se criado, só puderia dar suporte adequado aos seus beneficiários daqui a cinco ou dez anos. É uma decisão de longo prazo. Como, em quatro anos, seria possível realizar tal façanha? Nem se chamássemos um ás do mercado financeiro!

Por fim, quantos ministros há hoje na AD brasileira? Dou meu voto a quem Samuel Câmara indicar se a CGADB tiver a informação correta. E as pessoas pensam que todo problema da Convenção Geral é a briga pelo poder...

Donde concluímos que a proposta, no atual quadro administrativo, é inexequível.

Esmiuçando propostas - Parte 2
Esmiuçando propostas - Parte 1

Um comentário:

Tocai a Trombeta em Sião! disse...

Caro Pr. muito preciso o seu comentário, bem verdade temos muitos problemas, talvez o mais grave seja realmente a sucessão. até o ano passado fazia parte de um Ministério que tem cerca de uns 800 ministros, mas só tem cerca de 400 igrejas e muitas das quais pagam aluguel e não tem mais do que 50 membros e destes apenas uns 10 são dizimistas fieis. Como Poderíamos reverter esse quadro? Realmente com muito sacrifício, coisa esta que a maioria não esta disposta a fazer. Como o senhor bem disse mostre-me um que dê solução para tudo isto e que o Pr. Samuel Câmara nos aponte para votarmos neste.
A Paz do Senhor.